quarta-feira, 30 de setembro de 2026

859 - ABSURDO, EU PERDIDA NA MULTIDÃO ...

                                                    


EU PARA AQUI ESTIOLANDO...


bom dia

 

Aceito, teria evitado muita hostilidade ter chegado e ter-me apresentado,


sou fulana,


li qq coisa que escreveste e me impressionou, ou emocionou ou simplesmente me atiçou a curiosidade,



e quis saber quem eras,

como eras,

pois me pareceste diferente e...



Não tenho lá muito boa impressão dos homens em geral,



Sabes,

acho que tenho sido desperdiçada,

desaproveitada,

eu com tanto amor para derramar na terra e ninguém o valoriza,

fico despeitada e isolada,

cada vez me sinto mais única,

mais só,

no meio desta trupe de idiotas.



Não passo de mais um número

em listas, tabelas, colunas, decretos, colocações,

primeiro mecanaográfico, agora digital,

sou números, frios, únicos, sem caras nem corações.


 

Sou só mais uma viúva ou divorciada ou solteira,

entre tantas, todas anónimas...




Sabes,

é que eu nunca fui tocada

pelo menos nunca assim me senti,

nem para mim olham,

ver é tocar sabes ??



Tb vemos com o tacto, com os dedos, a ponta dos dedos

e eu que me quilhe.



Eu a perder-me, a ser esquecida, eu invisível, 

eu nunca amada,

logo eu com tanto amor para dar,

é injusto não é ?

uma injustiça,

uma iniquidade,

um absurdo.



E Deus,

e os deuses,

tantos,

sem nada fazerem,

jogando aos dados,

e eu que me quilhe.



É isso,

eu que me quilhe.



Foi isso,

adeus,

bom dia,

um abraço,

e um beijo mesmo que roubado !



Sim um beijo

ou um milhar,

um abraço bem apertado,

e eu viveria feliz mais uns anos,

beijoooooooooooooooooooooo

                          

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

858 - TALVEZ UM DIA, TALVEZ UM DIA ...

 


                      TALVEZ UM DIA



Talvez um dia alcancemos essa voz,
já sem o peso da luz sobre os ombros.

Os olhos chegarão então ao fim de sua tarefa;
os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real.

Porque ver sempre foi tocar.



Eugénio de Andrade
In: Vertentes do Olhar




domingo, 6 de setembro de 2026

857 .... INTELECTUAIS E INTELECTUALIDADE ...

 


Intelectuais e intelectualidade. Ontem à noite, movido por críticas de intelectuais aqui lidas, digo no Facebook em geral, fui com, uns amigos à capital ver ODISSEIA o filme ultimamente mais positivamente badalado.

Que decepção, acabei por dar razão a mim mesmo que, como não sei quem, quando dou conta de um intelectual por perto afago logo as pistolas.... Que desilusão, que mer... da de filme, aposto que quem tenha visto aquele filme nunca mais se atreverá a ler a ODISSEIA em livro, um clássico, um poema homérico sublime, a mais gloriosa epopeia conhecida apesar de contar já com quase dez séculos ....

Som excessivo, falhas enormes no argumento, guião incompreensível, parecendo que as diversas partes do filme foram coladas aleatoriamente. (Imagens 80% escurecidas propositadamente para evitar ver os erros do guarda roupa e outros?). Enfim, não tivesse eu lido já por 2 ou 3 vezes e ao longo da vida a Odisseia, e não teria percebido ou entendido pêva do filme, bem o podem esses intelectuais enfiar por um sítio que eu cá sei acima...

Que se passa com eles, intelectuais e críticos, que há 2 ou 3 décadas não acertam uma, quando dantes eram o alfa, o delta e o ómega da rapaziada ?????????????