segunda-feira, 31 de maio de 2021

706 O INCONTORNÁVEL DEFERIMENTO TÁCITO



706  -  “ O DEFERIMENTO TÁCITO “

# TEXTOS POLÍTICOS 18 #


Uma outra ideia a implementar no que toca a aligeirar procedimentos administrativos do poder local, sem contudo tornear ou evitar cumprir com o legislado, seria tanto quanto a legislação o permitir,  a instauração ou reinstauração do DEFERIMENTO TÁCITO em todos os actos administrativos relacionados com o licenciamento urbano.


Sabemos que o que mata a maioria dos projectos é o tempo, não é o dinheiro nem a rentabilidade, isso é tudo acautelado muito antes do projecto dar entrada nos serviços respectivos da edilidade. A burocracia, o tempo portanto, é o grande culpado não só da inviabilização, e da desmotivação de muito investidor e empreendedor como também do baixo rendimento e alto absentismo normalmente verificado e registado na maioria das autarquias portuguesas. Necessária e obrigatoriamente curto num caso, demasiado longo no outro, gerando incompatibilidades inaceitáveis nos tempos que correm...

 

Sabemos também que no caso vulgar de um pequeno munícipe que deseje construir a sua habitação o Deferimento Tácito de nada servirá, uma vez que a banca não o aceita e não libertará o crédito necessário à construção, mas no caso de projectos de maior dimensão, que já estão desde a sua concepção ancorados a uma entidade financeira, o deferimento tácito funcionará como o quebrar de uma barreira ao desenvolvimento, e permitirá a muito projecto avançar como que por uma auto-estrada, incólume à proverbial bonomia da administração pública.

 

Aos mais cépticos direi que qualquer projecto que beneficie do deferimento tácito não está isento de responder e corresponder a todos os items legais a que tenha que submeter-se. O deferimento tácito só se limita a não lhe colocar entraves desnecessários, a poupá-lo a perdas de tempo burocráticas, não a isentá-lo das obrigações legais que lhe sejam inerentes. Do meu ponto de vista o DEFERIMENTO TÁCITO  aumenta ou amplia até a responsabilidade do promotor, pois se falha é obrigado a emendar o seu erro, o que lhe poderá sair bem caro.


Obrigado pelo contributo amigo Romeu Fialho e desculpa as horas "perdidas" com estes assuntos de extrema importância. Eu prometi o jantar, um dia a cidade agradecer-te-á, um abraço. 



sábado, 29 de maio de 2021

705 - “O QUE NUNCA MAS NUNCA VOS DIREI *

                         


705 - “O QUE NUNCA MAS NUNCA VOS DIREI  *

 

# TEXTOS POLÍTICOS 17 #

  

Um programa define metas, objectivos, prazos, sobretudo define o perfil de um candidato, a sua personalidade, o seu caracter, por isso é extremamente importante que seja cuidadosamente elaborado e sobretudo que depois, na prática, isto é, durante a campanha e posteriormente à eleição demonstre coerência.

Por outro lado não deve ser vago nem subjectivo, não deve conter promessas vãs, deve ser claro, não basta dizer que vamos aumentar o bem-estar o emprego e a riqueza, deve dizer-se como o vamos fazer, devem ser claros os modos de execução, o eleitor tem o direito de saber como pretendemos conseguir atingir os objectivos a que nos propomos.

Esses modos devem estar explícitos, ser claros, tudo preto no branco. Ora dai atenção a esta série exemplos de vacuidade, que parecem dizer muito sem contudo dizerem nada pois se esgotam na própria frase não concretizando, não elucidando o modo como irão proceder para atingir cada afirmação feita;

 

Évora precisa de uma mudança,

cuide dos nossos mais velhos

muito mais qualidade,

construído com os Eborenses,

acolha, envolva

atractivo para todos

projecto de diálogo

colocar a cidade num outro patamar,

abertura ao outro,

visão contemporânea

liberdade na modernidade

um projecto novo,

possibilidade de concretizar

projecto que valorize

oportunidades para os nossos jovens

solidário com os  frágeis

projecto que preserve

valorize

 resgate o brio alentejano

mais exigente

acescente e construa

concelho sem complexos

cidade amiga

que crie futuro

estabelecer pontes

sem preconceitos

novos projectos

concretizar ideias

atento e solidário

participar na construção

projecto de mudança

Évora está a nascer e a ganhar forma

uma nova direcção

cidade-modelo

um novo compromisso

ideias e prioridades

 cidade reconhecida

com sentido de respeito

pela comunidade

sempre em primeiro lugar

ideias fortes

compromissos

cidade líder

contaminadora de todas as áreas

acolhedora à diferença e à imaginação

Acreditamos verdadeiramente no projecto Europeu e queremos que Évora seja uma cidade e um concelho que se sintonize em pleno com os valores base da construção Europeia. (como??)

Reforçar a dimensão Europeia

cidade mais cosmopolita 

oferecendo múltiplas oportunidades para os jovens e para todos.

aproximar Évora às instituições europeias

cidade exemplar

reforçar as redes de informação

aprofundar a cooperação

valorizar a  nossa identidade

cidade vibrante

criar um sentimento de pertença ao projecto Europeu

construir uma cidade e um concelho moderno

com ambição

visão com futuro

oportunidades para todos

com um enorme potencial para

criar um ecossistema

criação e originalidade

inovação e empreendedorismo

envolvendo instituições

e contemporâneo

objectivo transversal

cidade de referência

criar condições

dar corpo às ideias

afirmar como cidade de inovação

novas políticas

verdadeiras alternativas

plano para se

choque vitamínico

impulso de investimento

cumprir plano de mudança

o nosso desígnio

juntar as pessoas certas

acessível

confortável

cuidado

contribuindo fortemente para

incremento e qualidade

um desígnio necessário

Intervir na requalificação

valorização do espaços

construir lugares seguros

criar modernidade

 preservando a autenticidade

cidade inspiradora

valorizado

ambicioso

recursos ambientais

outros costumes

criar positivas dinâmicas

 de desenvolvimento territorial.

realçar a especificidade

facilitar as condições

alavancar o desenvolvimento

criando oportunidades

………………………………………….

         * Naturalmente vigio os meus adversários, gosto de saber o que pensam e andam fazendo, gosto sobretudo de analisar-lhes as falhas, observar-lhes os erros, e aprendendo com os deles evitarei os meus.

        Acabei de apontar-vos uma série de frases colhidas ao acaso nos ditos e discursos dos meus adversários e um exemplo perfeito do que venho dizendo e criticando, pois não podiam ser mais vazias de sentido e conteúdo, mais subjectivas, mais balofas, mais vagas, a léguas da prática do concreto que defendo e pratico.


        Se vou quadruplicar os espaços para estacionamento no centro histórico ? Sim irei, e disse-vos como procederei para alcançar esse objectivo e por que é ele importante.


        Prometi criar dez mil novos empregos em seis anos ? Prometi sim, mas também vos disse de que meios lançarei mão para conseguir concretizar essa promessa.


        Considero-me o melhor e mais bem preparado candidato a estas eleições ? Claro que sim ! Por isso vos dou paulatinamente provas de que conheço os dossiers, a cidade e os seus problemas, e vos confessei que pelo menos vinte anos da minha vida sem mácula, transparente, pública e cívica em defesa da cidade podem ser vistos, lidos por quantos o desejarem ter conhecimento desta minha luta. 

        Eu e a minha equipa viemos para fazer o que ainda não foi feito, confiemos.  

         


sexta-feira, 28 de maio de 2021

“FOI MUITO POUCO PARA TANTO TEMPO…"

                                                                 



704 - “SENHOR PRESIDENTE, FOI MUITO POUCO PARA TANTO TEMPO…"

 

# TEXTOS POLÍTICOS 16 # 

 

Analisei à lupa o discurso de recandidatura do senhor presidente da edilidade, aquele cantado ali ao Jardim das Canas. É que não se trata de um adversário mais, nem de um adversário qualquer, trata-se de alguém que tendo tempo, muito tempo, pouco fez, muito pouco, vindo agora apresentar-se como o supra sumo das realizações que se fizeram no concelho, aliás bem poucas, muito poucas mesmo. Parabéns contudo aos seus conselheiros de imagem, tentaram, não seio se conseguiram, tirar-lhe as cores de paraquedista e dar-lhe uma imagem de eborense, de humanista, de humano. Temo contudo que tenham chegado tarde e o povinho tenha há muito perdido a fé e não embale na conversa desses seus assessores.  

 

Não irei alongar-me porque o assunto nem merece que se perca muito tempo com ele, o senhor presidente esteve na frente da autarquia 8 anos, oito anos em que foram investidos 200 milhões de euros, palavras suas, o que dá feitas as contas, 25 milhões por ano. É pouco, e nem nesse pouco acredito, onde se baseia ? Onde poderemos confirmar esse dislate ? E tirando isso bem se pode dizer que nada mais foi feito em oito anos que sugar os eborenses para tapar o buraco da divida, a tal divida que todos sabem como apareceu mas acerca da qual ninguém sabe como o dinheiro desapareceu...

 

200 Milhões que terão originado 2.000 postos de trabalho…. Quem o confirma ? Onde poderemos ajuizar da justeza desse número ?  No mesmo sítio onde poderemos procurar o primeiro, no país de Alice, neste caso no concelho de Alice, o concelho das maravilhas e onde a cada 100.000 euros de investimento correspondeu um posto de trabalho. Nada mau, um verdadeiro milagre. Mas foram esses 2.000 postos de trabalho criados em oito anos, o que nos dá uma média de 250 novos postos de trabalho criados anualmente. Não é pouco nem pouquíssimo, é nada senhor presidente. Mas deixo um repto, no mesmo jornal onde exultou com a "obra feita" deixe-nos sff uma listagem dos empreendimentos aprovados durante esses 8 anos e quantos postos de trabalho poderão ser indexados a cada um deles. Obrigado. 

 

Quem não me conhece talvez tenha pensado estar eu a reinar quando, no meu discurso durante o jantar de apresentação, mais concretamente a 5 de Maio, dia em que André Ventura se deslocou a Évora, talvez tenham pensado dizia eu, que me teria deixado levar pelo entusiasmo quando prometi, e proferi alto e bom som que VENDEREMOS O SOL A LUA E OS MONUMENTOS, VENDEREMOS TURISMO E CULTURA, e garantido num prazo de 6 anos a criação de 10.000 novos empregos. Dez mil. Sempre são 1.666 postos de trabalho por ano senhor presidente, muitos mais que os seus 250 e um número mais que plausível de ser alcançado. Para além disso jurei multiplicar por 4, quatro, quadruplicar, o número do de lugares de estacionamento no centro histórico a fim de reavivar a cidade, mormente o comércio tradicional e o emprego.

 

Manterei, manteremos a palavra quanto aos apoios a Évora candidata a cidade da cultura, que reavaliaremos e revalorizaremos. E, cereja no topo do creme e do bolo, será anunciado um Desígnio para Évora à volta do qual Turismo, Comércio, Emprego e Cultura florescerão e com eles e qualidade de vida e bem-estar a que os eborenses têm direito e lhes é prometido ha 46 anos, promessa nunca cumprida que a minha candidatura cumprirá.

 

Um desígnio, uma meta, um objectivo mobilizador e económico, coisa que Évora nunca teve e em redor do qual, sem prejuízo de quaisquer outras ideias ou indústrias, que aliás nem estamos em condições de desprezar quem quer que seja ou o que quer que seja, se congregarão todos os eborenses apostados em tornar esta terra grande e gloriosa como foi antanho.  

 

Tem, beneficia a nossa cidade uma serie de riquezas herdadas e invejáveis, gratuitas e ao alcance da mão. Cabe-nos a nós encontrar maneira, modo, meio, de as aproveitar uma vez que se encontram à mão de semear. Temos os monumentos, construídos á volta de mil anos ou mais e mais que amortizados, há que colocar gente a realizar a partir de hotéis roteiros que passem por eles, e entre eles parem em cafés, pastelarias, lojas de artesanato, restaurantes, adegas, etc etc etc…


Promovam provas de vinhos, de queijos, de sabores, doçaria, de ervas aromáticas, de carne de porco preto, pára-quedismo, parapente, ralyes out road para carros e motos, digo jipes, atletismo, natação, hipismo, futebol, pesca, lançamento de papagaios, piscinas, saunas, restaurantes panorâmicos, esplanadas de invejar, sejamos criativos, planifiquemos, e através de uma cronologia antecipadamente conhecida para que os operadores turísticos planeiem os seus roteiros e instruam os seus motoristas, articulemos e façamos convergir os nossos interesses.

 

Tudo terá que ser bem articulado para que todos possam molhar a sopa e todos possam ficar a ganhar, ganhando a cidade ou o concelho…. O vereador do turismo terá que dar ao litro como soa dizer-se…Temos o Alto de S. Bento e a Barragem do Monte Novo desaproveitados, podiam estar a deliciar a população eborense e a criar empregos e riqueza e estão para ali ao abandono há décadas, enquanto isso a cidade morre…. Aluguem, concessionem, lancem concursos…

 

O sol, de longe a nossa maior riqueza é também a mais fácil de apanhar. Com painéis fotovoltaicos ou para aquecimento de águas, com praias lacustres ou fluviais e todas as estruturas que lhes são concomitantes, do bar ao hotel, será sobretudo em instalações de apoio à terceira idade e dedicadas ao turismo sénior, preparadas e adaptadas à prestação de cuidados paliativos que maior rendimento poderemos obter dos benfazejos raios solares. Tornar Évora e o Alentejo a Florida da Europa, a Suíça da Península, não é impossível, é missão e desígnio que já devia até estar realizado, feito, construído, executado dando emprego a milhares e regalando quem já deu na vida o que tinha a dar e merece uma aposentação acolhedora…


  Sol é dinheiro, sol são milhões, e quantos dias de sol temos nós por ano ?  364 ? Se não forem assim tantos andaremos lá perto. Articulando todos estes factores é bem possível que, aliados a outros, consigamos ao fim de meia dúzia de anos a criação de dez mil novos empregos no nosso concelho. Lancem-se concursos, concessione-se, facilite-se, e não compliquem…

 

Reforme-se senhor presidente, é mau economista e pior politico, acredito que seja um bom homem, saia pela porta grande enquanto tal é possível, se ainda é possível, e não culpe o Zé do Cano pelo total da dívida, quando ele chegou já ela ia em 70 e tal milhões, é muito dinheiro que ninguém sabe para onde foi e nunca ninguém nos contou, uma parte terá ido para os amigos das águas, que aquilo no PS é só amigos e amizades…

 

E já agora peço desculpa, há dias acusei-o de trazer as decisões da sede do colectivo, o Zé do Cano provavelmente trá-las-ia da sede do partido e directamente das mãos dos donos do PS em Évora. Para quem não saiba o PS Évora tem “donos”, os mesmos há uma catrefa de anos, acerca dos quais se diz, alegadamente claro, possivelmente boato que isto há gente que é só o que larga, boatos, mas dizem esses boatos que sem o amém dos donos ninguém faz nada em Évora, e se faz é porque foi ungido. 

Estamos bem servidos de democratas…. 

E ainda melhor de amigos…  




quinta-feira, 27 de maio de 2021

703 “ FEIRA, ROSSIO E BOLINHA DO ALVERCA "


703 - “ A FEIRA O ROSSIO E A BOLINHA DO ALVERCA " 

# TEXTOS POLÍTICOS 15 #


Se queremos uma cidade moderna há que modernizar o Rossio de S. Brás. Enquadrá-lo com o jardim público, torná-lo uma sequência do primeiro, torná-lo um outro jardim, em moldes mais urbanos, atendendo à sua envolvente. O rossio não cresce, e este facto por sua vez limita a Feira de S. João, evento para que o rossio já não se encontra dimensionado.

Há que reformular o Rossio, fazer dele um novo ponto de encontro e lazer dos eborenses, de modo a causar impacto, a causar uma boa impressão aos viajantes e quem chega vindo da estação da CP, modernizarndo-o, impressioinando quem nos visitar e ali possa usufruir de uma centralidade verde, dinâmica com espelhos de água  correndo e murmurando, com árvores e sombras onde os jovens e menos jovens se possam encontrar e conviver. Simples, relva, água, árvores... Umas esplanadas, um "Monte Alentejano dedicado às tradições, vida, cultura, arte, música, espectaculos que chamem pessoas. Simples, muito simples, e através dele, rossio, duma inteligente intervenção nele mudarmos a imagem da própria cidade. 

A ideia que vos vou apresentar nem é totalmente minha, tem sido debatida por mim e por vários amigos ao longo do tempo e conforme as oportunidades, mas para ser franco fui roubá-la a um texto que já nem me recordo onde vi, e da autoria de um ex. presidente da Câmara Municipal de Redondo, o Eng.º Alfredo Barroso.

Talvez esta ideia seja de aproveitar pois foi uma das soluções mais lógicas e razoáveis que se me apresentou para, a curto e médio prazo, sobretudo estando a CME endividada como está, solucionar esta questão de modo simples rápido e eficaz. 

Simples mas genial a ideia anda à volta do aproveitamento do espaço do IROMA e adjacente, uma área quase idêntica à do Rossio e com algumas infra-estruturas já erguidas a pedir uma simples recuperação e adaptação à nova função. Ou isso ou construir de raiz na área do PITE / Plazza um novo parque, o que sairia caríssimo num momento em que, como sabemos, a edilidade se debate com problemas financeiros.

O problema como alguém diria, seria sentá-los todos à mesma mesa, no mesmo dia e a hora certa. CME, IROMA, e outras entidades, instituições que ocupam ou tutelam o espaço em questão pois como sabemos, nós portugueses somos peritos em desorganização não sustentada...

Quando não é irmos entretendo o tempo dando umas voltinhas no carrocel Alverca e a cada passagem um palmada na bolinha do dito cujo que lá está precisamente para nos distrair ... 



quarta-feira, 26 de maio de 2021

702 - CULTURA AO LITRO, A METRO OU A PESO

 

702 - “ CULTURA AO LITRO, A METRO OU A PESO "

# TEXTOS POLÍTICOS 14 #


Mau grado a presença entre nós de uma universidade, o tema cultura não parece ter tido ao longo do tempo o destaque que merece. A faculdade vive demasiado fechada sobre si mesma e não promove ou não publicita devidamente eventos e temáticas que absorvam o interesse da população, facto que a seu tempo e nível deverá ser abordado entre as duas instituições CME e UE.

 No que à leitura concerne é mais que tempo de concretizar um velho sonho da cidade, a construção de raiz de uma nova Biblioteca, pública, até por a existente não oferecer já condições para a exposição do seu acervo por manifesta falta de espaço. Um projecto a ter em conta e a dar prioridade para que quando a UE libertar fundos para tal estejamos em condições de rapidamente concorrer aos fundos disponibilizados, uma vez que a edilidade não tem meios financeiros para sozinha dar corpo a uma obra desta envergadura e custo.

 O Teatro Garcia de Resende encontra-se agora restaurado e oferecendo finalmente condições de segurança e práticas para que nele possam ser desenvolvidos programas de fundo, recurso a peças e representações que corram na capital e desejem deslocar-se a Évora, estou a lembrar-me meramente a título de exemplo de obras que Filipe La Féria tem produzido e tido sucesso não somente na capital como em muitas capitais de província onde se têm deslocado. Idem para o teatro de revista que há muitos anos era visita regular da nossa cidade.

 A companhia residente será alvo de cuidada atenção. Certamente todos desejamos e esperamos que a qualidade apregoada seja intrínseca e não fruto de jogos e interesses políticos. De qualquer modo o CENDREV será convidado a alterar completamente a sua programação e despi-la da carga ideológica que normalmente a enferma e motivo para que tantos eborenses se afastem do teatro e da cultura.

 O excesso de carga ideológica de esquerda manifestada no seu reportório não é representativa das ideologias acarinhadas pela maioria da população eborense, cujos votos se dividem pelos vários partidos do nosso espectro politico. Nem o CENDREV é uma filial da CDU. Sem rebuço o afirmo abertamente, com o CHEGA na presidência da autarquia o CENDREV vai ter que reformular as suas teorias e práticas, vai ter que demonstrar quanto vale e o que vale ou mudar de vida. A cultura e a população assim o merecem e exigem, fica a promessa.

 Os eventos de rua serão igualmente alvo de apurada análise, se o “Viva a Rua” e o “Artes à Rua” foram indubitavelmente programações de sucesso há que mantê-las e até aprimorá-las, o mesmo não poderemos dizer ou garantir acerca de outros eventos de rua, nem sempre os mais felizes, nem sempre os mais bem acolhidos pela população. A edilidade conta com bons profissionais neste item, com provas dadas há anos, não será difícil e em conjunto encontrar soluções que, terão que passar a contar com o factor turismo em futuras programações.

 Felizmente no que à cultura concerne a edilidade não está sozinha, felicite-se a Delegação Regional da Cultura e a Fundação Eugénio de Almeida, duas instituições que muito têm feito neste campo e certamente continuarão fazendo, manter com elas um diálogo vivo é imprescindível à vivência cultural da cidade de Évora.

 Outras instituições há cujo papel é igualmente de considerar, e a seu tempo e com tempo certamente o será. É intenção desta candidatura debruçar-se seriamente sobre as centenas de instituições que enriquecem o nosso concelho e dedicar-lhes atenção, sobretudo àquelas cuja actuação e função seja preponderante e determinante.

 O que a miríade de instituições apregoadas cuja acção não seja visível não poderá é continuar a ser um sorvedouro de subsídios que para mais não servirão que pagar votos e manter o status quo numa cidade que precisa urgentemente é de mudar de hábitos.

 Brevemente as escolas passarão para a tutela das autarquias, ensino é cultura por excelência e nenhuma presidência poderá alhear-se desse facto, seria porém extemporâneo debruçar-me agora sobre elas, sobre um caso preciso e futuro. Certamente o vereador da cultura terá a este propósito uma posição de força a marcar, seria falta de delicadeza estar a antecipar-me, portanto aguardemos a descentralização da educação, ou seja das mesmas. 

 Évora, a cidade que se quer bater com outras cidades como cidade da cultura é todavia uma cidade hostil, uma cidade que exclui, que segrega, que empurra para fora, que não nos quer no seu seio. Évora não é, nunca foi de há quarenta e tal anos para cá uma cidade una, todavia manteremos o apoio a Évora como cidade da cultura, situação que reavaliaremos e procuraremos revalorizar e potenciar.


 Brevemente será abordado o Desporto, a outra face desta mesma moeda.






terça-feira, 25 de maio de 2021

701 - “ HABITAÇÃO, CUSTOS E CASINOS " ...


701 - “ HABITAÇÃO, CUSTOS E CASINOS "

# TEXTOS POLÍTICOS 13 #


Não me recordo já quem foi o “amigo” do Facebook que me interpelou acerca do elevadíssimo custo das casas em Évora e do respectivo e igualmente alto valor do arrendamento. Mas a ideia ficou, ficou por já estar até agendada e meio trabalhada no meu programa de candidatura.

Hoje numa conversa mais longa no café com um outro amigo que costuma repartir comigo este tipo de preocupações, trouxe-me ele mais uma achega. Desta vez a propósito de habitações / edifícios, e não exclusivamente dedicados ao arrendamento ou habitação própria, uma vez que do edificado surgiram inclusive soluções para o elevado numero de desempregados existentes entre nós.        

Não sei se ele será tão radical quanto eu que sou um democrata liberal inveterado e ponho acima de tudo as virtualidades do mercado e da concorrência, havendo muito o preço baixa, existindo carência os preços sobem. Mas nem sempre o mercado obedece a esta balança, ou o equilíbrio nem sempre é reposto com a rapidez e brevidade que a situação exige, e, quando é assim os poderes instituídos podem e devem dar uma mãozinha, isto é colocar a mão num dos pratos da balança para que parem de oscilar e voltem mais rapidamente a uma situação de equilíbrio, satisfatória, aceitável.         

Hoje a conversa partiu da premissa que após um estudo deveriam ser adquiridos os imoveis do estado que estão para venda, posteriormente alvo de recuperação e transformados em habitação, hotelaria, ou qualquer outra utilização que lhe pudesse ser dada para, finalmente e através de venda em hasta pública ou modalidade legal e possível, ser entregue ao público, aos privados, que o habitariam ou explorariam a seu gosto e desejo. Todos lucrariam, todos ficariam contentes, desde os sem habitação até aos desempregados não esquecendo empresários e os investidores.

E a propósito da conversa às tantas eu atirei uma boca e resvalámos para a má língua;

 - Dantes é que era bom !

 Claro que o provocava, mas realmente dantes havia coisas que entendíamos, toda a gente entendia, e hoje ninguém entende.

 Os célebres prédios da caixa, ali a seguir à ponte da Nau, foram construídos com dinheiros excedentes na Segurança Social. Havendo muitas contribuições e quase nenhum desemprego, sim eu sei que havia outras razões, sim eu sei que poderiam ter sido feitas outras coisas ou acudido a diferentes carências, mas hoje estamos a abordar isto será disto que se falará.

Não sei mas calculo que o Bairro da Caixa hoje tenha hoje um nome mais democrático, talvez até o nome de quem nada teve a ver com o seu surgimento mas, a questão é que agora, que lutamos com mais dificuldades que nessa época, o destino dado ao dinheiro quando o há, não é a previdência, é a especulação.

A segurança social especializou-se nas apostas da banca e investe cegamente em fundos especulativos da mais diversa ordem e origem. Resultado, querendo multiplicar por mil cada tostão, fazer o bem está-lhe na massa do sangue, tem perdido ao longo das últimas décadas nesta roleta russa a que ninguém dá atenção, milhões e milhões de euros. Parece mentira, antes fosse.

 Abaixo segue lista de alguns links que poderão consultar para confirmar as razões da nossa conversa de café de hoje. É bom que dêem atenção para que saibam em que país vivem. Alguém com responsabilidades vive nas nuvens, ou somos levados a pensar que o azar não surge por acaso, é uma óptima ideia para desviar dinheiro público para outras bandas, com a justificação das imparidades ou combersa de treta parecida. A verdade é que alguém a toda a hora abre buracos que depois todos teremos que pagar….


https://www.google.com/search?q=seguran%C3%A7a+social+perde+milhoes+fundo+investimento&oq=seguran%C3%A7a+social+perde+milhoes+fundo+investimento&aqs=chrome..69i57j33i160.11687j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8

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quarta-feira, 19 de maio de 2021

700 - MOÇÃO - "PORTUGAL A ECONOMIA A ESPERANÇA O FUTURO" - A MOÇÃO QUE NÃO FOI AO III CONGRESSO - (carta aberta aos senhores Manuel Vaz, Luís Lencastre e Guilherme de Moisão)



MOÇÃO

PORTUGAL A ECONOMIA A ESPERANÇA O FUTURO

A MOÇÃO QUE NÃO FOI AO III CONGRESSO

Humberto Ventura Palma Baião – Évora – Militante Nº 6085

 

NOTA INTRODUTÓRIA: Esta moção foi iniciada e pensada a partir de análises politicas dispersas ao longo do tempo e com base nas quais tentei antever o rumo e o futuro do partido e do país.

Naturalmente observando o comportamento das variáveis determinantes na análise ao longo do tempo poderemos colher uma projecção ou curva que nos permita fazer um juízo do seu evoluir.

Sendo por natureza este tipo de análise sujeitas a margem de erro, útil seria que fosse lida como atreita a falhas, pelo que deverá ser completada com a observação e experiência do próprio ouvinte, ou leitor, no sentido de entre ambos maximizarem o proveito que deste estudo, análise, observação político sociológica se poderá retirar.

Esta moção não foi de todo terminada, o facto de saber não vir a poder apresentá-la no III Congresso, em Coimbra, coarctou-me o desejo de a desenvolver e terminar. Alguns campos estão menos desenvolvidos do que seria desejável, outros não são de todo sequer abordados.

Pelo facto peço a vossa desculpa porém, e atendendo a que oitenta por cento do “trabalho” está concluído, não será de todo despiciendo publicá-lo, pois a temática nele abordada devido a qualquer inexplicável infelicidade nem chegou a ser agendada no referido Congresso.

Tenho esperança que apesar das nuvens negras que este trabalho pinta, a realidade futura venha a demonstrar estar eu errado. A quem se dignar perder tempo a ler e a meditar sobre esta moção que não o chegou a ser, os meus agradecimentos.

 

 

1.   UM PASSADO DE TRISTE MEMÓRIA EM QUE NÃO SE MEXEU

 

1. 1 - É costume nas minhas análises ao estado da nação procurar no passado a causa de muitos dos seus actuais males. Tal não significa que o que agora está mal o estivesse já nessa altura, talvez sim, talvez não, os tempos eram outros e o país, debatendo-se com o peso orçamental de uma guerra em três frentes, não parecia ter prioridades nesses campos exigindo-lhe as reformas que hoje, com uma carência premente mas sempre inexplicavelmente adiadas nos fustigam de modo inconsequente.

 

1. 2 - Paulatinamente irei colocar em evidência campos que deviam ter merecido cuidada e imediata atenção no pós 25 de Abril, campos onde deviam ter sido promovidas reformas democráticas, mais que justificadas no campo económico e social. Quanto mais vasculho esse passado mais absurdo me parece o facto de não termos sequer iniciado nenhuma dessas reformas, conducentes à igualdade dos cidadãos perante as leis e perante eles próprios, reformas fatais para a iniquidade que a sua ausência gerou, reformas que teriam gizado uma forte coesão e solidariedade sociais por força da igualdade que elas mesmas forçosa e naturalmente gerariam, e que terminariam com a prática do velho regime de dividir para reinar. Inexplicavelmente hoje, talvez não tanto inexplicavelmente, dividir para reinar criou raízes e cavou fundo na nossa sociedade, toda ela dividida e desorientada, basta-nos observar a esperança de liderança e a sede de reformas com que o CHEGA foi mais que recebido, surpreendido.

 

2.   A CONQUISTA DO PARAÍSO E A EXPULSÃO DO ÉDEN

 

 2. 1 - A luta irá ser aguerrida e titânica nos tempos mais próximos, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos bem instalados, contra a pobreza generalizada que nos morde os calcanhares e ameaça a todos. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a iniquidade, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a que temos direito. Direita e esquerda parecem apostadas em ver qual delas vê pior, seja ao perto seja longe, e a verdade é que volvidos 47 anos de pacata democracia nos encontramos não num beco sem saída mas no fundo de um abismo.

 

2. 2 - Esta democracia abana há anos, abanando mas não caindo é óbvio que um abanão é mais que necessário, receio contudo que não venha a passar de um tornado ou furacão, irá soltar raivas e certamente obrigar a reformas, mas depois esboroar-se-á e tomará uma dimensão residual por não ter nem estrutura mental nem física alicerçada em algo mais que uma profunda revolta e sentimento de vingança...


2. 3 - É por isso que a inteligência lhe faz falta e em muitas distritais e concelhias do Chega ignoram-na (se propositadamente não sei) ou  temem-na ...  Tal qual muitos homens temem as mulheres bonitas ... Eles não sabem que a ignorância mata, ideias, intenções, ideais, projectos, economias, democracias, pessoas.


2. 4 - Não basta parecer a mulher de César, é preciso sê-lo, e se o Chega se apregoa diferente dos outros partidos terá que o demonstrar, que o ser… Mas será ? Há muita pressa no CHEGA, nele nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? No que me é dado observar, nem sabe nem vê, a médio e longo prazo perde André Ventura e perderá o CHEGA.

 

2. 5 - Faço análise politica por gosto, para meu prazer pessoal, ao CHEGA faço-as desde há dois anos atrás, tenho muitas outras elaboradas antes dele e algumas posteriores ao meu primeiro contacto com este partido, que primordialmente passou a ocupar as minhas preocupações. São estes pensamentos, essencialmente de há um ano para cá que aqui sintetizo, têm que ver com análise, com análise politica, mas são pensamentos que já decorrem da minha vivência e experiência não somente neste partido, e da observação do seu trajecto, um fenómeno.

 

2. 6 - Um fenómeno o Chega, um fenómeno bem vindo e necessário à nossa quietude politica, mas certa e igualmente eivado dos aspectos negativos que os homens encerram, aspectos que tento combater colaborando e participando, tentando melhorá-lo através da minha experiência e prestação, como André Ventura com a dele, e que cada um de nós possa fazer neste campo o melhor para todos.

 

2. 7 - Verdade que o CHEGA polvilha os dias com alegria e populismo q.b. não só para animar as hostes, mas também para lhes abrir os olhos, porém quando o faz e ante os mídia cai o Carmo e a Trindade... Esquecem que barraram ao CHEGA o direito ao lugar por ele conquistado com votos. Claro que o populismo é precioso e preciso nesta fase em que a comunicação social cerca o CHEGA e nem a publicidade paga lhe aceita. Ora sucede que toda a publicidade é boa, pelo menos é o que afirmam os grandes publicitários. Nunca o CHEGA foi tão necessário, pois corporiza um projecto destinado a mudar democrática e radicalmente Portugal, mudar para melhor pois para pior já basta assim…

 

2. 8 - E por falar em mudar lembrei a nossa Constituição, que apesar de velha, caduca e limitativa em muitos campos, prevê ela própria os mecanismos constitucionais e democráticos conducentes a uma mudança de regime, ou a uma mudança dela própria. Portanto sabei que essa pretensão de AV é mais que legal, é mais que justa e mais que oportuna. Não nos bastaram 47 anos de regime podre para se concluir que o mesmo não serve a nação ?  Quantos mais anos e exemplos serão necessários para nos convencermos do óbvio ? A pretensão de AV para mudar o regime é mais que oportuna, é justa, e mais que legal, assim o CHEGA consiga congregar numa revisão da dita o número de votos necessários para dar forma a essa mudança, pois para pior já basta assim...

 

2. 9 - E ainda se perguntam alguns como nas últimas presidenciais foi possível ter ganho o Martelo. Aos parvos ganhou, tem vindo, têm vindo a ganhar sempre, abri os olhos gentes...

 

2. 10 - Como alguém disse uma vez “temos a direita mais estúpida da Europa”, penso ter sido Miguel Sousa Tavares, que também acrescentou “termos a esquerda mais estúpida do mundo”. Senão vejamos o que conseguimos em 47 anos em que a esquerda governou ou no mínimo condicionou maioritariamente os caminhos deste país ? No mínimo zero, nada, no máximo 47 anos perdidos, um buracão na economia, e na sociedade uma montanha de dívidas que nem Maomé quererá olhar quanto mais visitar…

 

 2. 11 - É curioso que decorridos 47 anos de relativa paz neste país e no mundo não tenhamos conseguido fazer ou fechar um único negócio de modo ou com saldo positivo. Ora nenhuma empresa, nem nenhum país, se aguenta ou sobrevive vivendo sobre negócios ruinosos. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos tido elites capazes.

 

3.   O PRESENTE E O FUTURO PRÓXIMOS

 

3. 1 - É grande neste momento a responsabilidade do CHEGA, já que o partido foi intuído e aceite como a vanguarda do futuro, cabendo a esse lugar de liderança e de vanguarda correspondente e enorme responsabilidade, forçosa e normalmente indexada à liderança.

 

3. 2 - Digo isto por ser uma ideia infelizmente assente e generalizada que, em Portugal terá existido mais democracia que aquela de que hoje fruímos. Porém, nem por isso as populações, e de entre elas e em especial aqueles com funções politicas, abandonaram a velha prática do oportunismo, continuando dispostos a manter o assalto ao poder para manterem ou obterem privilégios que todos julgáramos eliminados com o advento do 25 de Abril.

 

3. 3 - Creio vivamente que o cilindro compressor que avizinho nascer já nas próximas autárquicas acabará por fazê-los perder o pé, obrigando-os a sair do berço doirado onde se acoitaram à custa dos sacrifícios de todo um povo, por quem deviam ter feito alguma coisa, pois lhes sobrou tempo, mas nada mais tendo adiantado que promessas, a maioria delas por cumprir há mais de quarenta anos.

 

3. 4 - É neste contexto de depressão, quebra e queda, moral, económica e demográfica que surge o CHEGA, para alguns uma ameaça, para a maioria dos outros a esperança. Para além disso o aparecimento do CHEGA consubstancia em simultâneo a sede de justiça há muito esperando uma resposta que sempre tardou e antes se agravou, pelo que agora não há nada mais a fazer que dar corpo a essas justas e velhas aspirações populares, o bastante para elevar o CHEGA não à terceira mas à segunda ou, com tempo, a primeira posição entre os partidos do nosso espectro politico. Uma verdadeira desilusão para quem ainda há pouco exigia ou pedia o seu fecho e ilegalização.

 

3. 5 - Temos, portanto, em Portugal, por cegueira e culpa de partidos julgados donos da democracia uma situação critica e altamente explosiva que, mal gerida poderá deitar a perder a democracia por muitos e muitos anos, situação para a qual o CHEGA deve estar atento, em especial nos maiores e mais populosos ou problemáticos concelhos.

 

3. 6 - É uma questão e um problema a gerir de luvas, com pinças e de mansinho, o CHEGA terá que fingir ignorar tudo isto sem deixar de lhe dedicar sequer um minuto de atenção, promovendo a concórdia entre todos no sentido de manter a unidade e a coesão nacional do país, fazendo cedências se necessário, e evitando empolamentos a qualquer preço ou a todo o custo.

 

 3. 7 - Dentro de bem pouco tempo será o CHEGA a dar cartas, ou governando ou aliado de peso num partido que com ele, ou com ele tenha formado governo. Aos seus militantes, simpatizantes e eleitores aconselha-se vivamente a que não façam ondas nesta fase da vida nacional, e aconselham-se sobretudo a sorrir p’ra toda a gente numa atitude de tolerância e verdadeiro fair play.

Entendem ?

 

4.   A MANUTENÇÃO DA LIDERANÇA E DA PRIMEIRA POSIÇÃO

 

4. 1 - Em primeiro lugar há que tudo saber bem, conhecer é saber, em especial e profundamente quais os mais prementes anseios e o que querem as pessoas, os portugueses. Elas ou eles quererão, têm mesmo direito a bem estar social e material. Ora é aqui que o primeiro degrau de responsabilidade se nos depara, não se pode distribuir o que não há, e para haver a ECONOMIA tem que funcionar.


4. 2 - As pessoas primeiro, mas sem falsos pudores ou compromissos, nem demagogia. Produzir, poupar, investir, amealhar, enriquecer, terão que ser o Alfa e o Ómega da governação pois só assim poderemos zelar pelo cumprimento dos seus desejos, das suas justas ambições, portanto, primazia e atenção à ECONOMIA. Para distribuir há que amealhar, a cada um segundo a sua necessidade, de cada um de acordo com a sua capacidade, a direitos iguais terão que corresponder iguais deveres.

 

4. 3 - Apareçam de onde aparecerem devem ser acarinhadas todas as iniciativas de investimento, contudo, e para evitar possíveis dissabores tardios, há que fiscalizar essas iniciativas e, nesse sentido exigir e responsabilizar quem de tal estiver incumbido.


4. 4 - Há que apoiar as autarquias, sejam ou não da nossa cor, são portuguesas e Portugal e os portugueses devem estar no primeiro lugar. O governo, quer o CHEGA esteja nele a título de acordo, quer o governo seja seu, e quer num plano regional quer num plano nacional,

 

4. 4 . 1 - (usei propositadamente a palavra plano regional para evitar a palavra região, a criação das regiões é altamente desaconselhada num momento de forte aposta no crescimento e controle total do que a nível económico se passar no país, o momento exige centralização do poder, para além disso o país é pequeno e as possibilidades de comunicação são hoje surpreendentemente faceis e rápidas, o que não acontecia ao tempo da génese e desenvolvimento do municipalismo.)


4. 4. 2 - continuando… o governo quer num plano regional quer num plano nacional,


4. 4. 3 - deverá pressionar, envidar esforços para por exemplo penalizar quem desviar dinheiro para os paraísos fiscais, tal como fiscalizar a justeza dos benefícios atribuídos a milhentas entidades, pois o comum cidadão nunca compreenderá os complexos mecanismos que actualmente toldam essa transparência e que segundo ele cidadão, mais não servem que para esconder a corrupção que nos devasta.

 

4. 5 - Outra necessidade premente é a de mexer na fiscalidade, tornar o país atractivo para o investimento privado, nacional ou não, privilegiando claramente investimentos que envolvam maior criação ou volume de emprego ou que o façam no interior do país, mas tendo sempre o cuidado de nunca discriminar os nossos em relação aos de fora, outra situação que o cidadão jamais aceitaria.

 

4. 6 - O país é pobre, e para país pobre dá de comer a demasiada gente que além de não produzir, complica, cria obstáculos, emperra o andamento normal da democracia. Falo não somente dos deputados, há directores gerais e gente instalada nos mais diversos locais da governação, havendo por questões de coerência necessidade vital de reduzir o seu número e a sua perniciosa presença ou exigir-lhes resultados e competência.

 

4. 7 - Analisada a produtividade dos deputados facilmente concluiremos que ao longo dos últimos 47 anos raros deputados se elevaram, isto é se tornaram dignos da função exercida, o resto andou por ali fazendo número pelo que, à volta de 50 chegariam e sobrariam, mais que isso são inúteis, têm-no sido toda a vida, o resultado está à vista de toda a gente, a Venezuela no horizonte, quando países, nações e estados social e economicamente atrás de nós em 74, lembro a Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não citar os países de leste, e que estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente avançando como o caranguejo… Idem para os empatas burocráticos que enxameiam o país, ou exija-se-lhes competência e responsabilidade.

 

4. 8 - Olhado à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora, transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a transformar-se num regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir e derrubou.

 

4. 9 - A este regime eu chamaria de regime de parlamentarismo bacoco, já que nesta democracia de instalados, os parlamentares que lhe deviam dar vida e a deviam defender e honrar, são na realidade um perigo para o dito órgão e regime.

 

4. 5 - ECONOMIA, falemos novamente de economia. Em 47 anos este país não fez um único negócio proveitoso, 95% da banca já não é nossa, nem 97% dos seguros e, o investimento, de que precisamos como de pão para a boca, se público ronda há muitos anos quase o zero absoluto, mas se falarmos do investimento privado pouco mais é que residual, manifestando-se sobretudo sob formas predadoras e oportunistas.

 

4. 6 - Como se equilibram as finanças e o orçamento de um país que vendeu ao desbarato as suas empresas mais rentáveis ? Onde iremos agora buscar o dinheiro para o investimento público ? Para aplicar na Saúde, na Justiça, no Ensino, nos Transportes, na Administração da coisa pública, na Segurança, interna ou externa, onde ?

 

4. 7 - Por muito que desagrade a muitíssima gente, parece termos em André Ventura o único deputado válido e o único candidato a PM preparado, lúcido, disposto a lutar pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até aqui tem acontecido na generalidade com os partidos e parlamentares do sistema. André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm propositadamente fechados há décadas.

 

4. 8 - Lutar contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de todos nós porque para mal já basta assim.

 

 5.   TIPIFICAÇÃO DAS ÁREAS CUJAS REFORMAS PELA RACIONALIZAÇÃO DEVERIAM REMONTAR AO 25 DE ABRIL 74

 

5. 1 - SAÚDE – Um exemplo caricato, resolvido o problema da guerra e dada a independência às colónias nada justificou nem justifica a manutenção de estruturas de saúde exclusivas para os militares, o problema dos hospitais deveria ter sido e ser resolvido unicamente entre o sector privado e o público, sem privilégios para qualquer um deles. Igualdade seria a palavra de ordem, a qualidade dos serviços prestados ditaria a preferência do utente. Quanto aos militares, detentores de muito vagar em tempo de paz, poderiam sem esforço esperar a sua vez nas consultas, tratamentos ou cirurgias, com uma ressalva, em tempo de guerra teriam prioridade sobre todos os outros utentes. Assim se evitaria a duplicação de estruturas e meios físicos, materiais e humanos. Assim se poupariam milhões e teríamos um SNS capaz, sustentável e dando cobertura a todo o país.

 

5. 2 - SEGURANÇA SOCIAL – Já existiam, e mantiveram-se absurdamente duplicações de estruturas relativas à segurança social dos portugueses, ignorando-se as benéficas economias de escala que a sua junção provocaria. Para além do inútil e inexplicável gasto dos dinheiros públicos que essa duplicação, triplicação e quadruplicação, senão mais divisões ainda acarretam ao erário público, a sua mera existência é uma divisão dos nacionais, uns com mais privilégios, outros com menos, dependendo a sua situação mais da sorte e do acaso que das leis ou da justiça. Por quê uma ADSE, um SAMS, mais um serviço idêntico na PSP, outro na GNR / Guarda Fiscal, outro para os CTT, outro para a EDP, outro para os bancários, outro para os seguros, fora aqueles que nem lembro ou desconheço, uns para funcionários públicos, outros para o sector privado, uns mais privilegiados que outros, uns exigindo menos e oferecendo mais, outros exigindo mais e oferecendo menos…

 

5. 3 - Por que não um só sistema, um só serviço, quando recentemente o próprio estado, gastador e dissipador, forçosamente acolheu o sector bancário surripiando-lhe o enorme fundo de pensões para se desenrascar e deixando-nos mais um peso para suportar…O quê ou quem é capaz de justificar estas discrepâncias, desigualdades e absurdos ? Não são os portugueses todos iguais ante a Constituição ? Então por que razão permite essa mesma Constituição tais desideratos, não são eles  cultivadores e culpados da disseminação do gérmen de desigualdades e iniquidades entre nós ?

 

6.   O ESTATUTO PRIVILEGIADO DO FUNCIONALISMO PÚBLICO

………………. desenvolver

 

7.   HORÁRIO LABORAL, FONTE DE DISCRIMINAÇÃO NACIONAL

 ………………………..…. desenvolver

 

8.   AS LEIS DO TRABALHO, GRANDE NOVELO BEM ENLEADO


8.1 - Um novelo bem enleado, assim poderemos classificar actualmente a legislação laboral. Uma salganhada que nem a Autoridade do Trabalho deslinda. Impõe-se por isso clarificar e agilizar procedimentos, seja nas leis fiscais, seja nas leis sindicais, mas especialmente na legislação inerente ao trabalho. Quanto a estas leis, as laborais, há mesmo necessidade de rever toda a legislação produzida, englobá-la numa só e actual legislação, clara, sucinta, fácil de compreender, e não manter o actual imbróglio legislativo em que cada um interpreta a legislação quase segundo a sua vontade e em que o trabalhador, que não é nelas especialista nem tem um batalhão de juristas trabalhando como assessores, se perde num labirinto que o convence estar vencido à partida mesmo sabendo encontrar-se dentro da razão.

 

9.   SINDICATOS E SINDICALISMO, FONTES DE OPORTUNISMO

 

9.1 - Há em Portugal sindicatos a mais. A liberdade da democracia virou libertinagem. Só na polícia há um número inigualável noutro sector, 16. O mais recente - Organização Sindical dos Polícias – contava há pouco com 459 dirigentes e delegados para 451 associados. Uma nova lei para alterar o sistema está no Parlamento há um ano, mas PS e PSD não se entendem e são precisos dois terços de deputados para a aprovar.

 

9. 2 - Segundo o regime em vigor, cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês para actividade sindical. Os delegados têm 12 horas. Tudo somado, de acordo com os dados da Direcção Nacional da PSP, em 2017 o total de 3680 dirigentes e delegados tiveram mais de 36 mil dias de folga. O impacto na gestão das patrulhas e na marcação das escalas é um facto assumido por comandantes e a falta de efectivos é uma realidade.

 

9. 3 - No ensino são pelo menos uma dúzia, atropelando-se uns aos outros e naturalmente gozando do mesmo regabofe de folgas que todos nós pagamos com um palmo de língua fora. Não me pronunciarei para além destes dois exemplos, apenas sugeria que ao invés de 16 ou de 12 houvesse apenas um, que a lei permitisse apenas um global por ramo e, dentro desse que se digladiassem as várias doutrinas e tendências, presidindo aquela que no quadriénio tivesse vencido as respectivas eleições.

 

9. 4 - Não são s sindicatos os representantes das classes trabalhadoras nas suas múltiplas actividades ou profissões ? Não são eles quem dialoga, discute e estabelece com os representantes das classes empresariais os acordos que maioritariamente têm como preocupação fundamental os salários ?

 

9. 5 - Pois bem, e além desta quase única vertente, os salários, já houve alguma vez notícias de que tivessem analisado os motivos pelos quais o subdesenvolvimento crónico não arreda pé do país ?

 

9. 6 - Se tal aconteceu admito a minha ignorância e culpa mas disso não tive conhecimento, e sou bastante atento ás mais pequenas notícias da comunicação social.  Se aconteceu, isto é se analisaram esses motivos que concluíram ? Que medidas tomaram para os contrariar ?

 

9. 7 - Para mal dos nossos pecados é vergonhoso que o movimento sindical acorde negociar, e aprove tabelas salariais cujos valores a maioria das empresas acaba por superar, pagando salários muito acima dos acordados. Por quê ? Porque se nivela por baixo… Os sindicatos não hesitam em prejudicar a grande maioria dos trabalhadores aceitando tabelas salariais baixas, só porque meia dúzia de pequenas empresas não tem condições para pagar salários mais elevados ?

 

9. 8 - Se não têm condições deverão encerrar ? Não farão falta ? Há que observar que constituem concorrência desleal para as outras empresas aos ser-lhes permitido dessa forma beneficiar de custos mais favoráveis na produção.  Essas empresas não são sinónimo de desenvolvimento, antes pelo contrário, e a realidade é que mais cedo ou mais tarde acabam mesmo por sucumbir, prova que não devem ser artificialmente mantidas.

 

9. 9 - Mas o pior nem é isto, no estrangeiro, em especial na Europa, com quem os nossos sindicatos muito têm a aprender, o sindicalismo é forte e ele mesmo detentor de empresas, de bancos, de seguradoras, de fábricas, ou de posições e participações em empresas cujos dividendos aproveitam, enquanto em simultâneo concorrem para o desenvolvimento e para a manutenção e criação de postos de trabalho.

 

 9. 10 - Casos tem havido em que têm sido os sindicatos a tomar posições em empresas condenadas a morrer e que posteriormente fazem delas petiscos muito apetecidos. Calculem-se os benefícios dessa forma de actuação, não preciso certamente enumerá-los aqui.

 

9. 11 - E por cá ? Contestam-se as dificuldades ou o encerramento de qualquer unidade, fabril ou não, através de atitudes inconsequentes, sem procurar saber dos motivos que constrangeram os seus responsáveis a essa posição, tantas vezes (nem sempre) fruto de factores endógenos a essas unidades, a alterações de hábitos de consumo, à concorrência de outras marcas mais dinâmicas, à perda ou extinção de clientes etc. etc.

 

9. 12 - O nosso sindicalismo não é nem dinâmico nem inovador, é estático, e também ele não deu ainda a devida atenção à qualidade dos recursos humanos, à qualidade dos seus quadros, distraído e enfeudado como tem andado a forças políticas tão distraídas quanto ele da velocidade a que o mundo roda.

 

 9. 13 - Entretanto cada vez menos trabalhadores hoje neles confiam, menos se associam, sem que sindicatos e centrais sindicais deixem de alegremente repetir slogans, manifestos e modelos há muitos esgotados.

 

9. 14 - Quando veremos sentados á mesma mesa, sindicatos e empresários, na busca de soluções que lhes são por força das circunstâncias comuns e que lhes deveriam há muito ter dado consciência da ligação umbilical que os une, quando ? Não viram ainda sindicatos e patronato que o seu percurso é indissociável, que é a sua própria sobrevivência que está em jogo ? A nossa própria sobrevivência ? Não reconheceram ainda que já não está nas suas mãos o poder de decidir ? Que é a nível mundial que as decisões são tomadas e que do impacto desse embate resultam maiores ou menores estragos consoante a força e a unidade que apresentarmos ?

 

 9. 15 - Quando deixam os sindicatos de ver na classe empresarial o inimigo a abater ? Quando deixam de ver em cada empresário um fascista sem escrúpulos ? E quando deixam os empresários de ver nos sindicatos uma fonte de problemas ? Um bando de ladrões ? Um grupo de arruaceiros ? Quando é que ambos tomam consciência de que são parceiros sociais, actores do drama que liberalização e globalização nos obrigam a encenar ? Claro que nem todos os empresários são uns santinhos ou todos os sindicalistas um modelo de virtude, mas o mesmo se pode dizer de qualquer outra classe profissional ou funcionário. Não confundamos a floresta com a árvore, a excepção com a regra.

 

9. 16 - Quando souber que se sentaram à mesma mesa, sindicatos, associações patronais e empresariais e outras entidades com responsabilidades no nosso desenvolvimento ficarei feliz. Começará finalmente a compreender-se que só a união de esforços e a convergência de opções estratégicas poderão contribuir para a obtenção de resultados que a todos interessem. É que há tantos campos em que parcerias entre todas as partes envolvidas podem ser trabalhados, e que são caminho possível para que Portugal possa emergir do marasmo em que sucumbiu que não podem ser descurados.

 

9. 17 - Já agora, a titulo que conclusão, porquê a simbiose nada aconselhável, que se tem verificado ao longo de anos entre as posições dos vários órgãos do poder local, ou nacional e os sindicatos? Que procuram ? Que ganham com isso ? Que perdem ? Não são os seus papéis distintos ? Nunca ouviram dizer que trabalho é trabalho e conhaque é conhaque ? Nunca lhes passou pela cabeça que nem todos os trabalhadores comungam das mesmas opções políticas ?

 

10.               RENDAS E ALUGUERES VERSUS HABITAÇÃO  PRÓPRIA

 

10. 1 - Mui justamente uma das palavras de ordem do 25 de Abril, “pão, paz, habitação” em especial no que à habitação concerne, um dos problemas que ora estamos a sofrer, teve o seu corolário com a ocupação ilegal de casas devolutas, as designadas ocupações selvagens feitas a torto e a direito, submetendo a sociedade a enorme pressão que antiga e justa sede de justiça, sede de democracia, sede de habitar uma casa e a necessidade que estas premissas se cumprissem ditou, sem que contudo o estado se tivesse debruçado sobre o problema e muito menos legislado em conformidade.

 

10. 2 - A virtude do equilíbrio entre a procura e a oferta foi deste justo modo violentamente alterada, e mais o foi ainda quando retornaram à metrópole quinhentos mil portugueses fugidos das ex colónias ultramarinas, o desequilíbrio foi tão gritante, a falta de habitação tão pungente que o prato da gigantesca procura elevou o da exígua oferta de tal modo que as rendas subiram astronomicamente, respondendo naturalmente à exorbitante falta de habitações sentida e ao desalvorado nível que a procura alcançou, tornando a habitação um achado precioso...

 

 10. 3 - Neste contexto o estado foi, pela pressão das circunstâncias obrigado a legislar, mas fê-lo da pior maneira possível, congelando as rendas, mantendo-as obrigatória e artificialmente baixas, agravando um problema que já era sério e viria nas décadas futuras a prejudicar-nos a todos. Com as rendas congeladas quem investiria na habitação ? Quem retiraria delas, habitações, rendimentos para a manutenção das existentes ou um pé-de-meia para futuras construções ? Ninguém, o estado que resolvesse o problema, o que ele estado fez, mal e porcamente como se diz por aqui, através sobretudo da habitação cooperativa de custos controlados e da oferta de casas de rendas sociais. Duas boas medidas, excelentíssimas, caso não tivessem pecado por insuficiência.

 

10. 4 - A situação chegou a atingir o caos, o desastre, e só não redundou em desgraça maior dado o elevado custo dos novos arrendamentos, já então elevadíssimos, facto que tornou compensador ou preferível comprar uma casa com recurso ao crédito bancário, não tendo a ninguém ocorrido que estávamos uma vez mais saindo da lama para nos metermos num atasqueiro. Começara por essa época o triste hábito de não pensar o país, não o pensar a longo prazo, nem a médio nem sequer a curto prazo, como não analisar quer a montante quer a jusante o efeito das leis que iam sendo elaboradas. Com o fascismo, que caía, erguia-se a democracia mas também o improviso, o imediatismo, a irresponsabilidade e a ignorância.

 

10. 5 - Para fazer face ao afluxo de solicitações de crédito a banca nacional foi lá fora endividar-se, “ignorando” (?) que esse endividamento só a longo prazo seria amortizado, “ignorando” estar o crédito sendo afectado sobremaneira ao sector da construção, “ignorando” outras áreas do sector produtivo quiçá mais proveitosas de desenvolver que a simples construção civil. Cegamente passou a medir-se o crescimento do país pelo número de habitações licenciadas e pela tonelagem de cimento produzido, esquecendo a economia a fulcral área dos bens transaccionáveis e passiveis de exportação. Donde e quando foram exportadas habitações ? E quantas ?

 

10. 6 - Desregulada a economia, passámos de um deficit de 700 mil casas em 1977 para um superavit d’outras 700 mil em 2016, mas estranhamente este desequilíbrio não afectou o mercado imobiliário, devia ter afectado mas inexplicavelmente não afectou, nem as rendas desceram nem o preço das casas caiu. Portugal mantém assim a sua velhíssima peculiaridade de estar blindado contra os altos e baixos do mercado, não é só a gasolina que sobe sempre e apesar do custo da matéria-prima baixar nos mercados internacionais.

 

10. 7 - E por falar em petróleo, gasolina, automóveis, direi também que a prática generalizada da opção pela compra de casas ao invés da criação dum verdadeiro mercado de arrendamento, naturalmente forçou os senhorios a optar por construir para vender. Dizia eu que essa opção pela compra minou duas coisas, a primeira foi retirar dinheiro dos bolsos dos casais recém-formados que dessa forma não puderam ajudar o desenvolvimento de outras industrias por falta de poder de compra, ganha-se para a casita, para o carrito, para comer e pouco mais, chapa ganha chapa gasta, a segunda foi a morte da mobilidade do operariado.

 

10. 8 - O facto de ter ficado “amarrado” à compra de uma casa impede hoje que trabalhadores do sul, “amarrados” aos seus contratos de compra e venda, às suas casinhas, não possam deslocar-se livremente para o norte a fim de preencheram vagas de emprego ali surgidas e vice – versa. A menos que vendam a sua casita de um dia para o outro e com a riqueza e mais-valias efectuadas consigam passar férias em Bali, comprar um Ferrari, ou dois, e uma outra casita no lugar para onde irão… Só lirismos... Tivessem os governos fomentado a opção pelo arrendamento e cada casal seria livre de habitar onde desejasse, e talvez pagasse menos por uma renda que pagaria por uma prestação…. Mas o senhorio é tradicionalmente um facista não é ? Já o banco é um amigo….

 

10. 9 - Entretanto a banca, engordada e endividada lá fora, com uma divida colossal amortizável a trinta anos, ao primeiro sinal de crise e de desemprego penhora a casa aos desgraçados que ficaram sem ele, ele trabalho, inocentes a favor de quem ninguém na AR se ergueu a defender. Fizeram-no recentemente mas somente em relação às penhoras do fisco. Na democrática Holanda enquanto estiver desempregado o estado assume os encargos com o pagamento de rendas ou a prestação da casa e do carro, sim é solidariedade, por cá é o estado que lha tira e persegue o desgraçado com ameaças fiscais até muito depois de ter ficado sem a casinha se por acaso o IMI ficou por pagar. Ora a juventude, que não é parva de todo pura e simplesmente foge deste país de agiotas que contudo e tratando-se deles mesmos se abotoa, como vimos regularmente na AR em relação ao financiamento dos partidos.

 

10. 10 - O que a maltinha não sabe é que para Salazar, o tal bandido das costas largas, a casa era sagrada, embora eu deva recordar aqui uma das máximas salazaristas, "a política é para os políticos" dogma que automaticamente autorizava a PIDE a entrar a quaisquer horas na casa de quem não pertencesse ao bom povo trabalhador. Fora este nada despiciendo pormenor a casa, a habitação familiar, era lugar sagrado e quer inquilino ou comprador quer senhorio ou banco, tinham direitos e deveres que nenhum se atrevia a pôr em causa porque a casinha era mesmo sagrada, relembremos "Deus, Pátria, Família" e nem a banca a tiraria, se não quisesse correr riscos não tivesse concedido crédito. Nem o banco nem as finanças dispunham de leis que lhes permitissem abrir mão dos desaforos e criar os dramas que esta democracia tem permitido, porém ai de quem incumprisse pois se havia direitos também havia obrigações, havia direitos sim, muitos mais direitos que hoje, e deveres, deveres, coisa que hoje ninguém parece saber que seja, nem querer saber. Hoje nem há deveres nem há vergonha, nem responsabilidade, nem competência, tema para um outro capítulo.

 

10. 11 - Perguntamo-nos hoje se tantas imobiliárias são necessárias, claro que são, prestam um serviço, não tantas quantas há mas são necessárias. Quem venderia os milhares de imoveis que a banca financiou e tirou aos portugueses ? Quem promoveria a justiça e a injustiça ? Sim porque por trás de cada casa penhorada há um drama, e por cada casa vendida barata em leilões ao desbarato existe uma boa oportunidade de compra, ou um oportunista ? Empobrecem-se uns para enriquecer outros. Quantos pobres são necessários para fazer um rico ?

 

10. 12 - As imobiliárias são necessárias, intermedeiam, prestam um serviço, mas não esqueçam, não produzem, nem um tijolo, uma janela, uma porta, as Caldas da Rainha ao menos produzem, outra loiça, a AutoEuropa produz carros, as adegas vinhos, mas as imobiliárias mexem em dinheiro, de uns para outros, nada se cria, nada se acrescenta, nada produzem, apenas aproximam interessados em vender de interessados em comprar, são um elemento imprescindível e funcional do mercado, mas não façamos confusões, nem Sócrates o melhor comissionista da história conseguiria aguentar um país à base de comissões.

 

10. 13 - Vivemos num mundo de faz de conta, de ilusão, em que a banca, asfixiada com o crédito mal parado e as chamadas imparidades mais parece um presidente de câmara lançando comissões, derramas, taxas e taxinhas sobre tudo e sobre nada. Quem casa quer casinha, mas parece-me que quem quer casar primeiro desanda daqui, emigra, vende a casinha se a tem, ou se ainda a tem ou nem chega a comprá-la, e que mal faz ? A banca agora nem é nossa já, nem nada é nosso já, não demora que nem precisemos de emigrar, seremos emigrantes e explorados na nossa própria terra e tudo isto será deles, já é deles, dos outros…

 

11.               LIMITAÇÃO DE GASTOS COM RECURSOS HUMANOS

 

11. 1 - Muitas vezes tenho lido no jornal da minha terra, e não somente nesse, loas ao poder local por este constituir um empregador privilegiado na região e sem o qual muita gente não teria o seu ganha pão ao fim do mês. Nuca vi maior asneira. O poder local, mormente o funcionalismo público são um serviço necessário, como o é o ensino, a justiça, etc. Não podemos passar sem eles pois são serviços fundamentais numa sociedade organizada e evoluída. Porém contraponho eu, quem me dera que, a título de exemplo, na justiça passassem a vida inteira sem bulir, seria sinal de que a sociedade atingira a perfeição e não se manifestavam nela quaisquer conflitos.


11. 2 - Infelizmente tal nem sempre é assim, são serviços necessários mas não directamente produtivos, em teoria poderíamos até dizer que nada produzem, daí que o recurso aos mesmos deva ser pautado por contenção. Um exemplo, em cada concelho nunca foi legal e acertadamente convencionado, ou indexado, o volume máximo autorizado a orçamentar quanto a gastos com recursos humanos, e como tal e é hábito, a legislação é muita, dispersa e contraditória, dando para a sobrinha, o primo, a amiga, a amante, a mulher do tio, a esposa, a afilhada, o boy recomendado, etc etc etc …. Deve acabar-se com esta prática, que nem por isso coopta os melhores, antes pelo contrário, e desmotiva os que já lá estão e não pertencem nem à família nem ao partido….

 

12.               LAY OFF E IGUALDADE NA SITUÇÃO DE DESEMPREGO

 

12. 1 - Pouca gente se lembrará ainda da origem do estatuto do trabalhador do estado, vulgo funcionário público, e do contexto que esteve na sua origem logo após o 25 de Abril. Resumindo, 90% dos funcionários terão teoricamente mantido os seus postos e lugares, sendo-me impossível não mencionar os saneamentos de que por razões politicas alguns funcionários, com incidência nos quadros médios e superiores foram alvo durante esse quente e triste período politico. O estatuto do funcionário público vem colocar ponto final nesses abusos e proteger todos os funcionários, por igual pois todos tinham transitado do Estado Novo para a Democracia, logo seriam coniventes com o fascismo, veio protege-los do revanchismo das gentes mais à esquerda no espectro politico e mais à esquerda ainda no que respeita ao siso e ao tacto.


12. 2 - Ora essa conjuntura teve vez e apogeu há quase 50 anos, o estatuto defendeu quem precisava ser defendido de abusos e de abusadores, estabilizou a função pública, trouxe tranquilidade aonde a não havia, e as décadas foram-se passando e o estatuto ficando, sendo esquecido, como é hábito em Portugal.

 

12. 3 - Nada justifica agora a existência desse estatuto, aliás percursor inadvertido duma classe privilegiada, manipulada pelos sucessivos governos, privilegiada em relação aos seus pares do sector privado, quando a intenção inicial tinha sido precisamente mantê-los a par em igualdade de circunstâncias. O funcionário público goza hoje de privilégios, maiores ou menores, que o colocam injustamente acima precisamente daqueles que se esforçam para lhes pagar os vencimentos mantendo as desigualdades, os contribuintes do sector privado.

 

12. 4 - Se é justiça que se procura neste país o estatuto do funcionário público não tem razão para continuar, razões haverá sim para os equiparar, sector público e sector privado, e equiparar em todos os aspectos possíveis, categorias, classes, vencimentos, horário laboral, férias, leis do trabalho etc etc etc  Não existem já as razões que há quarenta e tal anos justificaram a sua especial protecção, pelo contrário, agora o esforço deverá recair sobre a igualdade, ou não somos todos filhos da mesma pátria ?


12. 5 - Portanto, inclusive os regimes de trabalho e a falta dele devem ser equiparados, aliás devem acabar as instituições para uns e para outros, uma instituição para todos, a mesma, vencimentos iguais, salários iguais, descontos iguais, igual Segurança Social e igual Subsidio de Desemprego.


12. 6 - Mas para haver Subsidio de Desemprego é preciso existir a condição de desempregado, coisa que no estado é impossível, o estado, qual galinha mãe, acolhe todos o tempo todo, mas à custa de quem ? E se o trabalhador do sector privado está sujeito a desemprego, e ao regime de Lay Off, por que não o está do estado ? Uns são filhos da mãe e outros filhos da p..… ? Quando no estado não se justificar o excesso de funcionários por que não resolver o problema do mesmo modo que o faz o sector público ? O sentimentalismo só funciona numa direcção ? Independentemente da discussão moral que o tema possa suscitar, não é esse o fito desta moção, não sou padre, nem psicólogo, nem filósofo, sou um pragmático, um prático. E se sujeitos a Lay Off quem sabe se eles seriam mais lestos a dar respostas aos nossos problemas, nossos, de nós que estamos fora da bolha protectora do estado mas a alimentamos como nosso suor e lágrimas ….

 

13.               SOCIEDADE PORTUGUESA, UMA SOCIEDADE SEM COESÃO

 

13. 1 - Nos últimos tempos vividos, os atropelos à democracia, a parcialidade manifestada, a falta de isenção de decoro e respeito por eleitores, contribuintes, espectadores e Tutti quanti, têm-me conduzido a profícua meditação.


13. 2 - Da ditadura de Salazar passámos à ditadura dos instalados, Portugal padeceu até 74 com a oligarquia instalada no poder cuja história conhecemos, mas volvidos 47 anos temos nas mesmas cadeiras elementos ainda piores. Dantes sofríamos os desagravos de uma cabeça uma sentença, hoje os desatinos de cem cabeças e de cem sentenças. Entre uma e outra opção venha o diabo e escolha.

 

13. 3 - Os instalados de hoje contra os instalados de ontem, porém estes comem mais, roubam mais, estragam mais e fazem menos, muito menos. Que fizeram de positivo para além de 47 anos de negócios ruinosos ? Para além da venda do país a pataco ? Para além da traição da alienação de sectores estratégicos ao estrangeiro ? Para além de toda a injustiça, incompetência, irresponsabilidade e corrupção ?


 13. 4 - Portanto, e quando todos parecem dispostos a tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!

 

14.               UM HORIZONTE SORRIDENTE, MAS COM ALGUMAS NUVENS

 

14. 1 - Tenho observado o CHEGA desde que apareceu. Surgiu rápido e crescendo depressa, creio não me enganar se lhe prognosticar uma votação considerável no próximo acto eleitoral.

 

14, 2 - Portanto o CHEGA chegou, encontrou o seu lugar entre uma abstenção composta maioritariamente por desiludidos com os partidos do sistema, os tais partidos instalados, acomodados e incapazes de mudar, um nicho de eleitores considerável, perto dos cinquenta por cento do eleitorado. Mas será o CHEGA capaz de crescer, de os convencer e manter a todos ?

 

14. 3 - Surripiando votos quer aos desiludidos, quer aos partidos instalados, quer aos abstencionistas convictos e descrentes, o CHEGA cresceu depressa e mais depressa ainda subiu nas sondagens mas, há sempre um mas, quantos mais desses eleitores virá com o tempo a conquistar, a convencer, a fidelizar ou a perder ?

 

14. 4 - É certo que cresceu depressa, mas as pressas por vezes dão em vagar, o CHEGA por mor da pressa com que se guindou à celebridade cresceu desorganizadamente, atabalhoadamente, pisando muitas vezes os princípios que diz defender e não cuidando de acautelar a democracia interna, democracia que portas fora diz querer vender-nos. Tenho observado cuidadosa e acauteladamente o seu percurso, o caminho trilhado e, neste momento diria que o meu prognóstico apontaria para o arame, para a balança ou seja quanto a mim o CHEGA é neste momento mera atracção circense balanceando perigosamente no arame e alvo de potentes holofotes.

 

14. 5 - Manipulando causas fortes e fracturantes de grande efeito mediático, mobiliza as suas hostes mas não toca fundo nos reais problemas do país, ou se toca fá-lo pela rama, nem sempre apresentando as melhores soluções, como no caso da TAP acerca da qual afirmo há muitos anos que dada, oferecida, seria cara para quem ficasse com ela e, se assim já era há anos, o tempo confirmou o dito. O recém-chegado CHEGA não pode limitar-se a perseguir, secundarizando e secundarizando-se, a agenda conjuntural do governo, dos mídia, da esquerda ou da direita e atiçar-lhes os cães danados, o CHEGA tem que propor medidas estruturais de vanguarda e solução para os problemas que compõem o desastre da nação.

 

14. 6 - Nem o CHEGA pode ser o partido de um homem só. André Ventura e o CHEGA são inseparáveis e indispensáveis mas não chega, o CHEGA não pode ser um partido de breve crescimento e breve existência, como aconteceu com o PRD de Hermínio Martinho, o CHEGA tem que chegar longe porque lhe cabe uma missão quase impossível, pelo menos jamais possível de ser levada a cabo pelos partidos do sistema que à saciedade nos demonstraram não estar interessados em fazê-lo mas somente neles mesmos apostarem ou por eles mesmo fazerem.

 

14. 7 - Correu o CHEGA atrás da inútil causa da esquerda, da agenda da esquerda e do racismo, tendo convocado para tal uma manifestação a decorrer debaixo desse tema. É uma causa perdida, não há racismo em Portugal, nunca houve, isso é coisa dos States e da África do Sul, nós temos focos de violência rácica pontuais, choques localizados, não existe entre nós uma doutrina ou prática racista generalizada e, queixas apresentadas por pretos são-no igualmente por brancos, são problemas do país, radicam no caminho para a miséria que trilhamos, pretos e brancos, e não em quaisquer animosidades de cor contra cor ou de raça contra raça.

 

14. 8 - Quanto a uma estratégia de crescimento sustentado do CHEGA diria que tarda em chegar, os sound bites lançados até agora têm mobilizado o seu eleitorado básico e instintivo, de revoltados a desiludidos, têm sobretudo apelado à classe baixa, a que mais sofre com os males da desgovernação que há décadas tomou conta do governo da nação. Não vejo o CHEGA preocupado com os problemas estruturais do país e que possam mobilizar a classe média e alta, sabido não podermos sobreviver sem elas, sabido quão elas têm sido também cilindradas pela estupidez que tomou assento no parlamento, nos ministérios, direcções gerais e tutti quanti nos desgoverna.

 

14. 9 - O percurso apressado do CHEGA não está a permitir-lhe construir alicerces sólidos nem a prometê-los, ao invés disso está a acicatando as tropas de combate, carne para canhão que lhe garantirá uma vitória ou duas, dois ou três anos de sucesso, mas nunca lhe conferirá solidez para se manter confortável nas sondagens e no poder, criando mesmo um risco acrescido de, entre classe média, média alta e alta, cavar ainda mais fundo a generalizada descrença nelas existente.

 

14. 10 - A fasquia terá que ser colocada mais alta ou o CHEGA não passará da colheita do breve benefício do populismo, populismo que não de todo erradamente tem vindo a ser acusado. Sobretudo não pode continuar sendo o partido de um homem só, terá que convencer, não aliciar mas convencer intelectuais, artistas, académicos, cientistas, investigadores, professores, enfermeiros, carpinteiros, serralheiros, empresários, quadros médios e superiores, e não pode acudir automaticamente a todas as causas pontuais mas dedicar-se sim a problemas globais, estruturais, dando de si uma imagem sólida, eficiente, capaz, responsável, íntegra, e gerar confiança, no futuro, nos portugueses, em Portugal. Nem tão pouco deve acudir ou lamentar a falta de autoridade mas exercê-la, sem medo, quem tem medo compra um cão, e exercê-la é fazê-la cumprir, nem que para isso tenha que distribuir bastonadas à direita e à esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos. 

 

14. 11 - Abracei o CHEGA mas, em demasiadas situações não me sinto identificado com as suas posições nem com algumas atitudes de militantes seus, de topo e de base, deixando-me por vezes mesmo desconfortável, diria que envergonhado pois quanto a mim o ser humano há muito abandonou as cavernas e, se o adjectivo sapiens que caracteriza hoje o homo significa alguma coisa, é tempo do CHEGA demonstrar a todos que essa sapiência é também uma sua particularidade, quando não será mero epifenómeno e daqui a meia dúzia de anos esquecido para ser meramente lembrado a título de anedota.

 

14. 12 - Por favor, chega, não me envergonhem, dêem-me causas nobres pelas quais combater, causas pelas quais valha a pena bater-me, batermo-nos, causas que devamos defender, basta de pão e circo, chega de jogos de coliseu.   

 

15.               UM PROGNÓSTICO FUTURISTA E PESSIMISTA

 

15. 1 - Não desejando que a este prognóstico / resumo, sim porque de uma resenha de tudo quanto atrás foi dito lhe poderemos chamar, a realidade é que a actual situação vivida em demasiadas distritais e concelhias. Nelas e um pouco por todo o país são declarados focos problemáticos que, quer queiramos quer não fustigam o Chega por umas tão graves quão negativamente simbólicas nódoas, ou não fossem elas dificílimas de “limpar”.

 

15. 2 - Todas estas imagens negativas que o Chega vem inadvertida mas infelizmente alimentando são devidas a um deficit de democracia, de imparcialidade, de isenção e de inexperiência politica que pontifica entre o pessoal dominante nos órgãos que atrás citei.

 

15. 3 - Com ou sem eleições à porta a fasquia deverá ser colocada muito mais alta ou o CHEGA não passará da breve colheita de um flash instantâneo. Nas próximas eleições autárquicas preconizo-lhe pelas razões citadas uma ascensão fulgurante que, contudo e pelo que disse não passará provavelmente dum breve flash, dum vago e ilusório benefício e de um ainda mais curto momento.

 

15. 4 - Esses militantes, fiéis, seguidistas mas inexperientes na coisa política, ocupando como certamente irão ocupar assembleias municipais e presidências de câmaras de norte a sul com gente impreparada, farão surgir centenas senão milhares de impugnações originadas p’los seus precipitados, impulsivos, irreflectidos e transviados actos administrativos com a chancela Chega, as quais não somente encherão tribunais, mas sobretudo inviabilizarão o normal funcionamento de quaisquer autarquias, resultando dessa vitória a apreensão pelos eleitores de que os quadros do Chega não estão preparados para a função, resultando a sua acção mais perniciosa que benéfica para os concelhos. Oposição e mídia juntar-se-ão no coro de denúncia e protesto, fazendo com que gradualmente os mesmos eleitores que no Chega tinham votado passem a retirar-lhe os mesmos votos que tinham impulsionado a ascensão do partido.

 

15. 5 - Esfumar-se-á lentamente a tal vitoriosa curva ascendente, a qual em pouco tempo irá guinando no sentido duma outra curva de natureza bem diferente, de trajectória descendente e acusando a diluição dos votos, da confiança perdida e concomitantemente do gradual declinar do poder do Chega.

 

15. 6 - Muito dificilmente o Chega recuperará duma queda assim, nenhum populismo lhe valerá nem poderá continuar sendo o partido de um homem só. Só então AV verá com pesar de nada lhe ter servido andar a correr para assim se estampar, terá que redobrar de esforços para voltar a convencer, não aliciar, mas convencer intelectuais, artistas, académicos, cientistas, investigadores, professores, enfermeiros, carpinteiros, serralheiros, empresários, quadros médios e superiores, e a todos aqueles de que não se soube em devido tempo rodear. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre, tem uma agenda preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde, amanhã e depois de amanhã, mas não tem um minuto de descanso, não pára, não tem tempo para parar e ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente deflagram atrás de si.

 

15. 7 - O problema é de justiça, o pessoal, a populaça, anda sedenta de justiça, e o Chega aproveitou para montar essa sede e transformar-se num rolo compressor, num cilindro justicialista, vai daí soltou todos os demónios da sua tropa fandanga esquecendo-se de que lhe será muito difícil ou mesmo impossível voltar a encerrá-los na lamparina. O país vai estar uns anos não diria desgovernado mas reformando-se aos encontrões e tropeções, o país será alvo não de um Tsunami reformista originado pelo Chega mas por um verdadeiro arrastão que tudo levará cegamente na sua frente.

 

15. 8 - As culpa desta passagem cronológica do que será a nossa história futura ? Será dos mesmos de sempre, os partidos do sistema que, travando reformas que há muito deveriam ter sido tomadas criou as condições pra que agora o sejam sem quaisquer travões. Vai haver justiça, vai haver reformas em catadupa, o país vai mudar, o país vai sofrer mas as reformas vão fazer-se. Atabalhoadamente, mas far-se-ão, vamos ter pelo menos uma década de revolução e reformas, vai ser a nossa Revolução Cultural à moda da China, vinganças, mesquinhices, ajustes de contas, delações, falsas ou não, disse que disse e bufaria vão ser o pão nosso de cada dia.

 

15. 9 - Não é o facto do Chega ser de direita ou de extrema direita que nos deve preocupar, isso são aliás denominações caducas, ultrapassadas, deveremos sim preocupar-nos por o Chega ter feito da ética letra morta e seguido as pegadas de Teresa Guilherme que afirmou não me lembro já onde nem quando “ não dar a ética de comer a ninguém” … Pois não, mas também não lhe tira a comida da boca…

 

15. 10 - Avizinham-se tempos conturbados. O recuo na disciplina de filosofia no ensino secundário, efectuados há uns bons anos, vamos pagá-lo agora às mãos de gente sem princípios, sem valores, enfim, às mãos de uns amores…

 

15. 11 - O partido irá arrepender-se de não se ter dedicado em tempo útil a causas e problemas de natureza estrutural, a problemas globais, económicos e outros, o que teria dado de si uma imagem sólida, eficiente, capaz, responsável, íntegra, e que teria gerado confiança no eleitorado e no futuro aos portugueses. Devia tê-lo feito, nem que para isso tivesse sido ou se mostre necessário distribuir bastonadas à direita e à esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos mas vincando a garantindo a autoridade e a justiça, a igualdade e uma democracia musculada. Não o ter feito, não ter cuidado de tal desiderato irá sair-lhe caro.

 

Como diria Shakespeare se fosse vivo. ”Tanto barulho para nada” …

E tanta correria para nada digo eu.

 

             15.12 - Repito, há muita pressa no CHEGA, demasiada pressa, aqui nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre, tem uma agenda preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde, amanhã e depois de amanhã, não tem um minuto de descanso, não pára, não tem tempo para parar e ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente deflagram atrás de si.

 

No que me é dado observar, nem sabe nem vê, perde André Ventura e perderá o CHEGA.

Caminhamos mal….


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