O combate a que ontem assistimos entre André Ventura e Marisa Matias teve momentos trágicos e cómicos. Uma deputada europeia que deveria manter a todo o custo a compostura, e a postura, mostrou a sua verdadeira faceta tendo levado para o debate uma alcofa de merda, como outros levam barro, para atirar às paredes.
Marisa não, Varina. Aquilo foi uma verdadeira
peixeirada, demonstrando a senhora quão mal servidos estamos de elites. André
Ventura não somente beneficiou da situação como ainda gozou com ela, brincadeira
que talvez o tenha levado a esquecer-se de explorar algumas contradições da
dita Varina, perdão, senhora.
Sendo
deputada do lustroso parlamento europeu e principescamente paga com o dinheiro dos
nossos impostos, sim nossos, europeus, e portugueses, pois não só recebemos
como também contribuímos com a nossa modesta cota-parte para os gastos da EU. Mas
dizia eu, como conciliará ela o maná em que aceita viver e a defesa, por ela e
pelo seu partido, da nossa saída da EU e do euro ??
Saberá a senhora as consequências disso para um pobre e pedinte país como Portugal ?? Lembrou a senhora por acaso as futuras e periódicas desvalorizações a que estaria submetido o ”escudo” e que seriam fatais como destino ?? Lembrou que o “escudo” seria paulatinamente submetido a desvalorizações até trabalharmos praticamente de borla, quais escravos, para que os nossos produtos tivessem preço e aceitação lá fora ??
Lembrou ela que com essas desvalorizações seria preciso um camião de
“escudos” para comprar uma alface ?? Que ficaríamos à mercê de qualquer um que
tivesse na mão 50 € que lhe chegariam e sobrariam para comprar por exemplo o Alentejo
inteiro ?? O saber tem limites, mas a ignorância não, essa é infinita. Essa
senhora provou ontem tal desiderato.
Não
estou a inventar. Tal já aconteceu antes da entrada no euro ter travado as sucessivas
desvalorizações do escudo que as nossas elites fizeram, promoveram e efectuaram
por diversas vezes e por terem sido incapazes de colocar o país a evoluir, a trabalhar,
a produzir e enriquecer. Claro que a cada desvalorização o dinheiro que o povo
tinha na mão comprava cada vez menos coisas, ainda que fosse o mesmo, a mesma
quantidade, a mesma importância. Mas essas mesmas elites nunca se esqueceram de
em simultâneo se aumentarem principescamente a si próprias e sempre que
necessário.
Quanto
aos refugiados, aos verdadeiros e aos falsos, André Ventura tem toda a razão em
manter duas atitudes, compreensiva para os primeiros, dura para os segundos. Os
avaliadores do debate tudo reduziram a uma questão de demografia, nada mais falso,
não é uma questão de demografia, é uma questão de justiça, de equidade e de
economia.
André
Ventura distraiu-se com a peixeira e nem aproveitou as deixas que ela deu de
bandeja, vejamos;
Não,
não e não !! Primeiro os nossos, depois nós, e no fim, se para tal houver dinheiro,
eles, os outros. Não é uma questão de demografia, é uma questão de economia,
tivessem-se lembrado disso mais cedo. É tudo em cima do joelho né ? Nada de previsão, nada de cautelas, nada de prevenção, foram só caldos de galinha... Mandámos literalmente embora os nossos
jovens, para agora acolhermos de braços abertos todo o filho de puta que busca o
eldorado europeu. Não, não e não !! Ser refugiado de guerra é diferente, mas
quanto a esses já vimos que só se aguentam por cá o tempo necessário para abrirem os olhos e verem ser isto um país que não interessa nem ao menino Jesus.
Portanto, e quanto ao Serviço Nacional de Saúde
/ hospitais privados, privatizaria tudo. O caso de Braga é bem demonstrativo de
como os privados se organizam melhor. A concorrência se encarregaria de baixar os
preços e valorizar serviços, de separar o trigo do joio. Quanto ao ensino e às
escolas faria o mesmo. Nuno Crato tentou fazer a vontade aos professores que
sempre quiseram ser donos das escolas. Quis entregar-lhas mediante um contrato
baseado no custo por aluno que o Ministério bem conhece, mas ser dono de uma
escola dá trabalho e dores de cabeça, nem um único professor aceitou, nem uma única
associação de pais aceitou, conclui-se que protestar e contestar dá menos trabalho e menos dores
de cabeça.
Ao
Ensino Universitário faria precisamente o mesmo, o povo português tem que tirar
inequivocamente benefício dele, e não andar com ele ao colo ou às costas. Claro
que André Ventura tem razão, há muito a fazer, penalizar quem desviar dinheiro
para os paraísos fiscais, fiscalizar a justeza de benefícios usufruídos, mexer
na fiscalidade, tornar o país atractivo para o investimento privado, nacional
ou não, clarificar e agilizar procedimentos nas leis do trabalho, rever toda a
legislação, reduzir o número deputados, 50 chegariam e sobrariam, mais que isso
são inúteis, têm-no sido toda a vida, o resultado está à vista de toda a gente,
a Venezuela no horizonte, quando países, nações e estados social e economicamente
atrás de nós em 74, lembro a Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não
citar os países de leste, e que estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente
avançando como o caranguejo…
Haja
bom senso e juízo !!
Força
André Ventura !!
* O COMBATE

