segunda-feira, 8 de março de 2021

675 - O MEDO CONTROLAVA, E DOMINAVA ...

 

    

 

Era sábado, nuvens toldavam o dia, o futuro anunciado era de um inverno glaciar onde nem os milhafres se atreveriam a crocitar nem aos voos rasantes e às piruetas de outrora, e eu, triste, acordei ao toque da mão dela, vi ao longe a torre do castelo de Monsaraz e lamentei que o meu sonho não tivesse continuado...

Olhei displicentemente a Tv, ao fundo as galerias da AR vazias, fora isso toda aquela gente engravatada que nunca deixara de ver na televisão continuava botando discursos, assumindo compromissos e fazendo juras enquanto o país se afundava e eu, irritantemente revoltado, perdera os teus olhos cuja luz maravilhado olhava. Esses olhos sempre foram a minha perdição, toda tu te transmutavas quando eles, quais faróis, se acendiam excitados projectando uma luz calma, trazendo à penumbra do quarto uma serenidade inusual, uma matriz uterina em que nos refugiávamos, numa atitude cúmplice, alheia a tudo menos a nós mesmos, cada um sedento do outro, buscando-nos e encontrando-nos naquele ambiente de mar de coral em que flutuávamos esquecidos dos teus pais, do mundo, de tudo e de todos.

Depois, repentina e incompreensivelmente, como se tornaria teu hábito, davas tudo por terminado, abruptamente, como se aquelas horas não tivessem existido. Eu num torpor, a preguiça tomando conta de mim, exausto, cansado, sonolento, sonhando-me dormindo juntinho a ti o sono reparador dos justos e tu já de alça da mala ao ombro, tu já desviando o cabelo da testa e dos olhos antecipando a partida, pegando nas chaves e:

- Não aguento mais, vou apanhar ar, espairecer, passarei pela “Pingo Doce” de Reguengos e trarei comida e fruta. Queres que te traga tabaco, café, uma garrafa de Sharish ?

Na Tv aplausos, aplausos por quê ?

Foram momentos únicos e ignoro como irá culminar o saldo destes meses de receios infundados e imaginados em que estivemos e estaremos refugiados no Monte da Pêga fugindo ao pai dela, pelo que ainda que contrariado sorri, imaginando o resultado, o fruto da tanta preocupação, tanto choque, tanta saturação. Dias, semanas, meses, de altos e baixos, de medos e temores, de amor e de raiva reflectidos em nós que, isolados há meses neste monte, fugindo aos pais dela, desde o defeito mais insignificante à qualidade mais relevante atiráramos e havemos de atirar à cara um do outro.

Tanta verdade e crueza certamente deixariam mossa, a idolatria mútua fora-se, consumida na voragem dos dias, na impaciência, nos nervos recalcados. Difícil era descansar de todas estas apreensões sem temer o saldo final, o custo, sim apreensões, que outro nome dar-lhes ? Preocupações, apreensões, vagos receios, pressentimentos ? Durante meses o ressentimento acumulara-se na cabeça de cada um de nós, daí o receio agora sentido. Passadas tantas décadas voltaram a assaltar-me as mesmas borboletas no estômago, não, não foram paixões mal acabadas, foram borboletas mesmo, apertos, o estômago contraindo-se em si, enovelando-se. Voltavam de novo quais aves migratórias.

Por isso a dor, a desorientação, olhos que falavam, que interrogavam, que apoiavam mas já não prometiam pois conscientemente não o poderiam fazer, só Deus nos poderia julgar e submeter ou libertar. Foi a essas janelas da alma que nos debruçámos ignorantes do por quê do devir, da sina, do fado, ignorantes do fim de tal caminho, ignorando as borboletas, os apertos no estômago. Eu esquecido daquilo em que me viciara, dos seus carinhos que então não dispensava, antes procurava e alimentava como coisa natural e simultaneamente fulcral ao nosso sustento e depois os choques, as zangas, a fartura de tudo, a fartura um do outro, a impaciência, o alheamento, o ressentimento, a culpa.

Por esta é que eu não esperava, lembrando que a uma acção se opõe sempre qualquer reacção. Contudo recordo que, quando os seus pais me assustavam ela ali estava, inamovível mas acessível, indispensável e imperecível, nutrindo as minhas esperanças, diluindo-me as dores, sossegando-me, falando-me, e depois eu fugindo de ouvi-la, escondendo-me para não ter que lhe responder, embaraçado umas vezes enraivecido outras, escondendo a dor ou a raiva como escondera as precedentes, camuflando o meu lamento e incapaz de dar a volta à situação, eu em conflito com a lógica a razão e a realidade, enganando a formalidade que a minha exposição e incoerência mostravam. Tínhamos ido longe demais. A cada dia íamos longe demais para voltar atrás.

Pressenti aproximar-se o momento nunca pensado e sempre temido do fim da história a dois que anos a fio nos tinha animado e fundido num só espírito, num só desejo, numa só vontade. Pressentira-o quando a notava acordada rebobinando o passado recente, senti-o porque voltou a não aceitar o meu abraço e porque quando se cruzou comigo não me viu, não, não me viu ou fingira não ver, todavia fora uma passagem rápida, um instante, e ao vê-la tão perto a minha mente automática e repentinamente accionou velhas recordações e num segundo regressou o brilho radioso dos dias passados sob a luz quente e calma do farol dos seus olhos, contas de vidro mantendo ainda o mesmo brilho fulgurante de outrora, quando almoçávamos numa qualquer esplanada de Monsaraz. Mas agora ela nada, ela alheada de mim, eu outro homem, crestado pelas experiências vívidas das dores da vida, agora maduro, seguro, extrovertido, perdida que fora a inocente ingenuidade dos puros, e já cheio de certezas, firme de convicções, eu a calma em pessoa, tornado ternura e meiguice, e já não em mim frustrações ou traumas, contudo ainda desvalorizando o tempo que dantes me parecera infindo e hoje seleccionando os momentos, as amizades, os olhos.

Eu já de carácter e mãos firmes contudo, hoje como ontem, a mesma hesitação, a mesma inexperiência, a mesma atrapalhação ante os mesmos colchetes que nunca aprendera a manejar agora que tão necessária se mostraria essa experiência, agora que tudo devia concorrer para te agradar e impressionar, jamais para te irritar, agora que dava tudo para que o passado se fizesse presente é o presente que atrapalho com a mesma falta de jeito de sempre.

Mas não, parece que não me viras mesmo, talvez melhor assim, melhor não reparares no meu hálito, e certamente não me atirares à cara com alguma garrafa de Sharish, não a mim não, não a mim em cujo desnorte redescobri o prazer encerrado numa botelha de Sharish. A coisa, isto, está a tornar-se insuportável e tudo é lícito para lhe fazer frente, contudo jamais esqueci o teu amor pródigo, esse amor fogoso e inconstante que me tornou homem, o homem completo que agora me julgo, mau grado os colchetes… mau grado o Sharish.

Verdade que nunca lhe prestara tanta atenção como agora, será do convívio forçado, é uma reacção natural digo eu que para além dos livros, da Tv e da música nada mais tenho com que me distrair, me entreter, com que engraçar ou embirrar. Tu vives e falas monopolizando tudo, tudo e todos, podendo tentarás condicionar nos outros discursos e vontades. Por vezes nem te ouço, és mestra a invocar o encanto das sereias e, como por magia, manipular-me, manipular-nos. Estava pensando nisto e o quanto isso me irrita quando ao preparar a mesa para o pequeno-almoço dei por ti, cedo nessa manhã, estendendo a roupa no arame apesar de, e estando tu farta de ser avisada de quão adoro olhar o largo e tutti quanti se alcança dessa janela.

- Um dia esventro-te e nunca mais me tapas as vistas.

Alto lá, desta vez excedi-me. Este pensamento tem que ser dominado, verdade que a mais pequena coisa me irrita mas um pensamento destes pode ter-se mas não concretizar-se, tê-lo é já um exagero e um mau sinal. Acredito que esventrando-a nunca mais se atreveria a tapar-me a paisagem, coisa em que ela aparentemente teima por saber que amo Monsaraz mas sim, creio conscientemente que este subconsciente me levou longe demais.

Quinquagésimo dia de fuga aos pais dela, na sala o relógio da passadeira marca quase 9 horas da manhã e diz-me que já palmilhei em meia hora, o equivalente a quase três mil metros suados. A manhã está desagradável e coloca um ligeiro embaciamento nas janelas em frente e à direita, através das quais diviso para me distrair do esforço despendido, uma jovem mulher passeando um cão branco e preto muito feio, ela linda e, passado algum tempo uma outra vizinha num monte em frente, aflita, de colher na mão, fato de treino e gorro vermelho sangue que, agitada e de colher na mão tão depressa corre pra a direita como para a esquerda ou marcha em frente para logo virar para trás, até se sumir de novo pela entrada do monte.

O meu monte está um pouco elevado, tem uma vista esplêndida, estive para perguntar à vizinha de vermelho se por acaso andaria passeando a colher ou somente expelindo a pressão acumulada por estar encerrada em casa…

Ultimamente passo a maior parte dos dias estirado, pés fora do sofá inalando indolentemente um cigarro, eu que tinha abandonado o vício estou a voltar a ele com redobrado vigor. Os dias ficaram frios e sumo-me por debaixo duma manta, ora destapando os pés ora os ombros.

Ambos sabemos e temos consciência de terem sido os últimos tempos, dias, semanas e meses que nos puseram extraordinariamente à prova, foram eles sem a menor dúvida os culpados das borboletas, das paixões incontroladas, até mesmo dos apertos do estômago, das dores de barriga, do enrolamento das tripas, das birras, tricas, quezílias, zangas, brigas, pazes, explosões de amor, beijos e abraços.

Sabes querida, também o mesmo medo aos teus pais que nos desuniu e assustou nos uniu, no fundo falou mais alto o medo de fazer as malas e arrumar a vida sem que os esperássemos e, como bem dizias não seria assim tão simples, não seria somente fechar os olhos e abalar, o medo protegeu-nos, o medo foi apesar de tudo a nossa defesa quando eles pareciam correr à nossa volta. Começo a perceber o mecanismo do medo sabes ? Primeiro alheamo-nos de tudo como se fossemos imortais, alheamo-nos de tudo, tudo se passa lá longe e nada é assumido por nós que seja pensado e ponderado ao pormenor. Continuámos a nossa vidinha, continuámos a nossa vidinha de faz de conta e de improviso e só começámos a acautelar cenários quando a coisa começou a chiar mais fino e a sentir os teus velhotes mais próximo ou seja quando finalmente aceitámos como possíveis as ameaças que nos pudessem chamuscar.

Infantil e inconscientemente deixámo-nos levar pelas circunstâncias sem ao menos buscarmos soluções para os choques que nos opuseram, nem pedimos conselhos ou recomendações a quem quer que fosse, mas quem estava próximo ? A idiota da Cassilda ? A esparvoeirada da Guilhermina ? Falo por mim, reconheço tudo ter feito de bom e de mau, subtraí-me inicialmente à alçada da razão e somente agora as asneiradas a que dei azo me retinem na consciência, qual alarme avisando-me para uma ameaça pairando sobre a nossa relação, seria pior que nunca se tal acontecesse.

Nesse momento, nós que julgáramos esta união na esfera da imortalidade afinal tivemos que lhe acudir de emergência pois receámos, tememos, que despudoradamente tivéssemos ido longe demais e a coisa pudesse não ter conserto.

Em boa hora passei a vigiar atentamente os teus pais e as nossas vidas, apostado em salvar esta relação que, por mais paradoxal que possa parecer-vos desta vez exigiu que a aposta recaísse na separação, digo no afastamento deles. E nada de irmos às compras juntos, apostei em mantermo-nos juntos o mínimo de tempo e separados o máximo, há que evitar a saturação, a confrontação, os nervos, os choques e os conflitos, passámos a privilegiar o debate e a admitir e a incentivar o contraditório de modo metódico, a fim de evitar que chegássemos de novo aos extremos a que chegáramos e antes que as coisas se tornem irreversíveis.

Tive medo, confesso que senti medo, confesso que as noticias sobre os teus pais eram cada vez menos animadoras, para não dizer desencorajadoras, ou ameaçadoras. Não me queixei, nada de lamúrias, nunca fizeram parte do meu feitio mas fizeram então, sobretudo tendo em conta que televisões e jornais apontavam que a soldo dos teus pais todos nos procuravam e todos nos mentiam, a proximidade deles devia ser muito pior que qualquer outro dos medos que vivemos.

Logicamente interroguei-me, quando teria a coisa fim ? Estaria sendo egoísta ? Pela primeira vez na vida forcei-me a reconhecer a verdade e a verdade é que me senti ameaçado. Senti-me abafado e efectivamente querida só a ideia de perder-te me provocou uma insegurança e uma falta de humor inusuais em mim mas que não consegui disfarçar nem esconder por mais que tivesse tentado. Na verdade aquilo buliu comigo, alterou-me os ritmos biológicos e quem sabe o quê mais. Nunca acreditei nessas balelas da sina, da aura, do karma e dos chacras mas desde então tive motivos para pensar nisto tudo. É certo que acabei rindo-me da coisa, mas rio-me agora pois na altura tudo senti, desde suores frios a tremores, tudo menos vontade de rir. Esta merda do medo dos teus velhos ou do caraças mexeu comigo, connosco, e quem disser o contrário estará a mentir…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

674 - TIBAU TAVARES, TT, O CAMPION DI MAIO*



    Apreciação de algumas das suas músicas e do seu registo em geral.

 

A modos de introdução devo dizer que esta apreciação crítica (crítica no sentido de análise e não no de depreciação) me foi sugerida ou pedida pela Sandra B. por me saber tão apreciador quanto ela da música e canções de TT, mais importante ainda, por ela me considerar isento e insuspeito, já que ao longo dos tempos temos trocado impressões a este respeito e nunca lhe escondi o que realmente penso acerca de uma música, uma canção ou um simples acorde vindo de TT. 

Por agora irei debruçar-me em especial sobre quatro das suas canções, Ramantxada, Diabo Ca Ta More Nau, Palavra e Tempo Di Azagua, precisamente as quatro que eram até agora desconhecidas para mim, seu admirador, fã e ouvinte há longo tempo.

 Em abono da verdade devo confessar que até aqui sempre fui um admirador e apreciador interessado da música Cabo Verdiana, talvez o único lugar do mundo que poderia viver da música e dos seus músicos, tal a variedade, quantidade, qualidade e diversidade de sonoridades, aliás se Cabo Verde é bem conhecido em todo o mundo, muito é devido à sua extraordinária musicalidade.

 Qualquer que seja a música cabo-verdiana ou de TT, facilmente se detecta em quaisquer delas uma miscigenação, se é que esta palavra pode ser assim entendida, de ritmos africanos e caribenhos de mão dada com elementos musicais tipicamente europeus e cujo soluto resulta numa infinidade de estilos musicais muitos específicos, tal qual o funaná, a tabanca, o batuque, ritmos que foram importados ou influenciados da vizinha África, e até de Portugal. 


Há na música Cabo Verdeana remédio para todos os gostos como na farmácia e, nota importante, a sua música não está ainda contaminada pela uniforme vacuidade a que as editoras discográficas e agentes inerentes tudo submetem na busca de um lucro rápido, porém efémero e fatal para um artista que abrace esse caminho, um caminho que embora o possa conduzir por um arco iris ao pote de ouro jamais lhe trará fama duradoura nem reconhecimento internacional. Refiro-me naturalmente à chamada música plástica ou música chiclete, mastiga e deita fora…

 A originalidade, frescura e espontaneidade das músicas cabo-verdianas e de TT, garantem-nos uma faceta genuína actualmente difícil de descortinar a no concernente à música mundial, toda ela impregnada, ou devo dizer infectada por artifícios electrónicos e digitais, até a nível instrumental ou sobretudo a esse nível, produzindo e reproduzindo facilmente uma panóplia de sonoridades variegadas e eclécticas, todavia artificiais. Porém não confundir esta minha crítica com a salvação da música em meio ou suporte digital afim de a preservar para a eternidade.

 Em Cabo Verde, a exemplo de TT, tudo anda de instrumento na mão, todos sabem tocar um qualquer instrumento e a música brota como flores nessas ilhas e nos ilhéus atlânticos, genuína, colorida, quente, como se estivesse destinada a ser servida numa bandeja ou numa palete.


Voltando a TT e à sua criação/actuação, quer a solo quer com a dupla Pupkulies & Rebecca, a sua música ou sonoridade tem um registo inconfundível, quase uma impressão digital. Transporta até nós o calor das mornas cujo ritmo observa ou respeita mas sem que se lhes submeta, e nessa dolência / indolência embala a carinhosa solenidade, sonoridade e musicalidade de que todas as suas canções se revestem em maior ou menor grau e nos embalam em doce melodia, harmoniosa calma e paz celestial.

 Em Ramantxada, que ouvi tendo repetido a audição várias vezes (tal como fiz com todas as outras canções), encontramos o seu habitual registo, o mesmo habitual som, uma musicalidade muito própria, agradável, talvez para mim impaciente por a ouvir toda, me tenha parecido haver alguns trechos demasiado repetidos, talvez por isso cansativos, talvez cotrrectos para actuações ao vivo, mas que contudo me parecem não resultar numa audição em CD/DVD. Todavia não esqueçamos a impaciência de que eu estava animado…

 De igual forma Em Diabo Ta Ca More Nau encontramos o tradicional ritmo “Tibauteano” que tão bem nos sabe levar, empurrar docemente para a canção seguinte que essa sim, por ser traduzida ou parcialmente traduzida para português, se torna mais agradável e mais rica a nossos ouvidos, já que nem todos “pescam” um pouco de crioulo como comigo acontece. Quer uma quer as outras canções, todas elas estão imbuídas do mais puro estilo musical cabo-verdiano. Idem para todas as outras não mencionadas aqui mas com as quais ao longo dos tempos me tenho deliciado. Verdade que gostei especialmente de "Palavra" e de "Tempo Di Azagua" contudo não é minha intenção menorizar quaisquer outras.


Entre outras coisas falámos, a propósito da música de TT sobre mercados e vendas, e ambos concluímos ser a Europa quem adquirirá a maioria dos seus muitos, diversificados e arrebatadores CDs e, sendo conhecida a presença de TT na Alemanha, a mesma será de todo o interesse para ele, pois em Cabo Verde o mercado é muito pequeno muito restrito. Ocorreu-nos também que, sendo o mercado da língua portuguesa  enorme, as canções deviam ter este pormenor em conta, ser cantadas ou meio cantadas ou traduzidas para português e, sendo a morna Património Mundial pela Unesco, poderia a composição delas ser mista sem que houvesse lugar a transgressão de normas. Uma parte em crioulo outra parte em português seria uma boa solução. Através de TT viémos a saber posteriormente, pois ele mesmo no-lo afirmou, ter já composta uma morna que observa essa particularidade, parte em crioulo, parte em português.


Entre conversa, piadas da Sandra e anedotas minhas bem picantes, Tibau Tavares  confidenciou-nos estar a pensar levar adiante um projecto incluindo duas vozes, dueto partilhado com uma cantora portuguesa e metendo a nossa guitarra em tal morna, projecto a que anuímos com emoção, pois até do ponto de vista comercial achámos a ideia dele bem boa, porque os fãs dela, dessa cantora, irão através dela conhecer TT e divulgá-lo, irão divulgar também a sua música e trazer-lhe novos fãs e decerto enorme incremento nas vendas, senão vejamos; em Portugal pode contar somente com 10 milhões de potenciais consumidores, mas no Brasil são qualquer coisa como 220 milhões, acrescentemos Angola, Moçambique, Timor, S. Tomé  Príncipe, a diáspora portuguesa e cabo-verdiana no mundo, que não são pequenas... Ao todo talvez acima de 500 milhões de potenciais compradores para os seus CDs, um mercado deveras interessante pois não há músico que viva do ar que respire ... 


A tua ideia é uma mina mano, alvitrou a Sandra, se conseguires fá-lo, assim o caso mudará de figura até porque ela também colherá vantagens da parceria, também precisará de ti para entrar no teu mundo, no mundo dos teus fãs e, consequentemente, facturar mais. Nenhum de vós certamente terá pai dono duma fábrica de ventoinhas e é mais que certo ninguém viver do ar ...

A deixarmos alguma sugestão ou conselho diríamos apenas que na música, como na literatura, as primeiras palavras contam imenso, as primeiras palavras, os primeiros acordes, e como tal há que dar ênfase aos primeiros minutos, como às primeiras linhas, agarrar o ouvinte e, ainda que mantendo o mesmo registo que garantiu o sucesso alcançado, não esquecer a volubilidade dos fãs, e como tal não os castigar ou cansar com demasiadas repetições, mas dar-lhes surpreendentemente algo novo de cada vez, mantendo sempre a corda tensa e as expectativas altas. 


Em particular por não sermos nós quem está no palco, ficamosm incapacitados de observar a partir de cima os espectadores e ouvintes, os fãs, remexendo-se na cadeira, no sofá ou na pista de dança, não somos nós quem lhes topa as emoções e disposições, portanto entendemos que TT, melhor que nós saberá levar o barco a bom porto, saberá com tempo fazer as alterações e melhoramentos que entender nas suas músicas pois a nós resta-nos acreditar e ter esperança, já que fé e devoção são coisa que há muito nos animam.

 E é tudo, um abraço mano.



SOBRE O AUTOR:

TT, Tibau Tavares (José Mário Tavares Silva), é natural da ilha do Maio (Cabo Verde), foi cantor na igreja e escola locais aos 6 anos, lugares onde terá tocado os seus primeiros acordes. Durante a estada no liceu da capital cabo-verdiana, na cidade da Praia, participou na banda do liceu e em vários outros grupos musicais. Depois do regresso à sua ilha natal a ilha do Maio, trabalhou na capital dessa ilha, Cidade do Maio, onde fundou o grupo musical “Os Maienses” e posteriormente o “Maio Acústico”.

 Em 2005 gravou sua música "Tradição", que daria nome ao seu primeiro álbum. A cantora cabo verdeana Lura comemorou um grande sucesso com sua música "Ponciana e as Águas" e além dela, uma outra cantora interpretando a morna “Noite de Porto Inglês”, Zizi Vaz de seu nome, enriqueceram o seu repertório com composições de Tibau.

 Em 2010 TT, Tibau Tavares tornou-se conhecido como compositor nos Estados Unidos, onde uma grande variedade de artistas têm interpretado músicas suas desde então. Em 2013 gravou dois CDs com a banda alemã “Pupkulies & Rebecca” e com esta formação apresentou brilhantes participações em festivais por toda a Europa.

 Em 2017 lançou o seu segundo álbum a solo. Produzido igualmente na Alemanha, o álbum “Wonderful Africa” que fez furor e causou sucesso no “Africa Festival Würzburg”, o maior festival de música e cultura africana da Europa. Um seu CD actual "Melodia" contém 7 faixas inéditas, é fácil de encontrar e vale a pena ouvir.  

                       Foto da actuação de Tibau Tavares em Coimbra


https://www.youtube.com/results?search_query=tibau+tavares+-+mixhttps://www.youtube.com/results?search_query=tibau+tavares+-+mix

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

673 - ANDRÉ VENTURA A PRESIDENTE !!


Mau grado as falsidades e alarvidades que sobre ele têm sido ditas, André Ventura foi considerado pela imprensa o dirigente político com a melhor formação de entre todos eles, incluindo os passados. Para além dele e da sua notoriedade, devido à grande aceitação e ao rápido crescimento do partido que lidera, não tem havido tempo nem existem ainda sólidas estruturas implantadas nem houve oportunidade para separar o trigo do joio. Porém fixemos isto, os partidos do sistema não têm neste item nem autoridade nem superioridade moral para criticar André Ventura.  

Já quase toda a gente aceitou, ou crê, que os partidos existentes e ligados a um sistema com mais de quarenta anos, albergam no seu seio máfias de indivíduos e grupos bem conhecidos de todos, articulados e apostados em levar o país à falência, roubando quanto podem, e feito de todos nós gato sapato e parvos. Isso incomoda-me. André Ventura ainda não me prejudicou num tostão, todos os outros são responsáveis por prejuízos ou roubos de biliões, biliões repito, que todos andamos pagando e havemos de pagar com língua de fora durante os próximos trezentos anos...

Daí que André Ventura e o CHEGA vejam as suas ideias e programa serem cada vez mais populares, e gozarem de cada vez maior compreensão e aceitação por um número crescente de portugueses totalmente desiludidos com o velho e demagogo sistema, em que os partidos se julgam donos disto tudo e vêm debitando demagogia há 46 anos, sem demonstrarem estar minimamente interessados a cumprir com o que há décadas nos prometem.

Da polémica TAP à velhinha EDP, ao BESCL, ao BPN, etc. etc. por mor de todos eles enterrámos milhões para nada, milhões que foram simplesmente queimados, ou roubados. Em todos os negócios em que nos metemos perdemos dinheiro, biliões, porém já nada é nosso. De tal modo errámos que hoje nada é nosso, nenhuma grande empresa pública, nem seguros, nem banca, nem correios, nem telefones, nem as terras, nem as estradas, nem as pontes, nem portos nem aeroportos.

 É difícil gerir tão mal, é difícil fazer pior, não nos temos governado, temo-nos desgovernado de há 46 anos para cá. 46 anos em que perdemos oportunidades, mas ganhámos falta de transparência e corrupção, é tempo de dizer basta é tempo de dizer CHEGA. É este o progresso que os partidos do sistema têm para nos apresentar, e é em mais do mesmo que desejam e esperam venhamos a votar.

A verdade é que a nossa situação, em linguagem económica regista há mais de 20 anos um crescimento negativo e acumulámos uma dívida astronómica. Eu diria mesmo um sólido crescimento negativo e uma dívida que nos estrangula. Mas é com eufemismos destes, crescimento negativo, que todos os dias nos enrolam, e todos os dias governantes e deputados se enganam a eles mesmos. E tu ? Queres mais do mesmo ? Se queres mais do mesmo, vai votar nos mesmos !

Ainda há poucos dias Marcelo se dizia humanista, humanista e presidente de um estado social... E o país na trampa... A pobreza mordendo-nos os calcanhares, a juventude emigrando por falta de oportunidades cá quando é sabido que um país sem jovens é um país sem futuro. Biliões enterrados em bancos, as pessoas sem empregos e a maioria sem subsídios, paulatinamente ficando sem as suas casas, sem os seus bens, sem os seus carros, só dramas, e a terem que fugir do seu próprio país para não serem presas por dividas ao fisco e á Segurança Social.

A pobreza persegue-nos e Marcelo é presidente de um país onde já nada é nosso, onde os sem abrigo são agora mais, muitos mais do que quando prometeu acabar com eles. Marcelo é o presidente dum regime podre de que é o garante, mas promete-nos mais do mesmo.

Que pensar dum homem de direita esperando ser eleito p’la esquerda ? Que pensar de um homem que traiu princípios éticos conservadores e liberais traindo o seu eleitorado natural e que sacrifica à esquerda a vaidade pessoal a fim de ser eleito a todo o custo ? Que carácter tem um homem assim ? Que direita é esta que o aplaude ?  

E que esquerda é esta que engole sapos por falta de candidato capaz e credível ? Por falta de obra, por falta da qualidade de vida e do bem-estar que não foi capaz de nos proporcionar e nos encaminha para uma final na Venezuela  ?

Direita e esquerda falharam rotundamente em Portugal. A direita por se ter acovardado após a morte de Sá Carneiro e ter-se demitido de defender os seus valores tradicionais. Durante décadas à nossa economia não foi dada qualquer atenção, nenhuma mesmo e afundou-se. A direita calou-se e a esquerda iludiu-se, juntos, esquerda e direita afundaram a nossa economia. Imersos em intrigas políticas não cuidaram de Portugal nem dos portugueses nem do futuro. Não cuidaram de criar empresas, investimento, inovação, oportunidades, riqueza. Não cuidaram de criar sólidas qualidade e condições de vida.

Impõe-se uma alternativa, nem direita nem esquerda, mas uma terceira via que acabe com o reboliço e meta ordem neste país. Um país que literalmente mandou embora os nossos jovens, obrigados a emigrar. País onde as finanças ou a banca “apanham e penhoram” casas a seu bel prazer não é um país. Um país zela pelos seus, nem Salazar deixou de considerar sagrado o domicílio de cada um, de cada família. Talvez André Ventura seja agora o homem providencial* de que tanto se fala e, diz-nos a estatística, homens providencias só surgem de cinquenta em cinquenta anos.

CHEGA de rebaldaria, André Ventura à Presidência da República, para isso, minha cara amiga, meu caro amigo, vamos ajudar ANDRÉ VENTURA a ganhar A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA porque:

É óbvio que André Ventura é o melhor candidato, mas também porque não poderemos desperdiçar esta oportunidade de, candidatando-o à presidência ficarmos a ganhar por vários motivos todos eles válidos, vejamos;

1 – A candidatura de André Ventura vai obrigar a “baralhar e a dar de novo”, a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa deixa de ser “um ovo no cu da galinha”. Nos Açores ganhámos assim, revirando a lógica habitual.

2 – A campanha irá obrigar a uma grande cobertura dos mídia o que só poderá ser da conveniência do CHEGA, atendendo ao facto de André Ventura ter vindo a ser injusta e hostilmente ostracizado nos meios de comunicação social.

3 – Com a aparição do CHEGA e a divisão de votos a que ele obriga será até muito provável que o partido seja capaz de eleger o seu presidente, senão à primeira volta, talvez na segunda.

4 – Quaisquer que sejam os resultados haverá lugar a uma medição do músculo do partido e a um reescalonamento das forças em presença, quantos votos vai cada candidato congregar ? Quantos votos valerá doravante cada um ? Quantos votos vale o CHEGA ? É importante que todos nós votemos para dar mais força, mais legalidade e mais representatividade ao CHEGA.

 

5 – Com a chegada do CHEGA acabaram-se as favas contadas, a revolução de veludo é nossa e é para ser ganha, apostemos nisso e apoiemos ANDRÉ VENTURA Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA  !  

POR UM NOVO REGIME, ABAIXO O SISTEMA !!

Creio não errar ao pensar que dia 24, dia da primeira volta, com os votos divididos por meia dúzia de candidatos talvez André Ventura tenha balanço e percentagem para disputar uma segunda volta com o candidato Marcelo. Porém nessa segunda volta todo o sistema da extrema direita à extrema esquerda engolirá sapos e votará em Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato André Ventura não tem hipóteses, só um milagre nos poderá surpreender, porém ele e o CHEGA obterão a maior votação da sua curta história !!

Isso sim, e tal como atrás disse em 1,2,3,4, e 5, fará de André Ventura e do CHEGA o maior vencedor dessa noite !!

Por ti, por todos nós, pelo futuro, precisamos da tua força, do teu voto, vota André Ventura !!

Mostra a todos a nossa verdadeira força !


         

* https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/antonio-moita/detalhe/a-procura-de-um-homem-providencial? utm_medium=Social&utm_source=Facebook&utm_campaign=BotoesSite&fbclid=IwAR2ofmuOFYg4Gv6yLgTjuxWZDAr2ALZQSIR68tOnr-m83SlCQQrzHRIK0ls






 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

672 - ANDRÉ VENTURA / MARISA MATIAS ... *

 


O combate a que ontem assistimos entre André Ventura e Marisa Matias teve momentos trágicos e cómicos. Uma deputada europeia que deveria manter a todo o custo a compostura, e a postura, mostrou a sua verdadeira faceta tendo levado para o debate uma alcofa de merda, como outros levam barro, para atirar às paredes.

 Marisa não, Varina. Aquilo foi uma verdadeira peixeirada, demonstrando a senhora quão mal servidos estamos de elites. André Ventura não somente beneficiou da situação como ainda gozou com ela, brincadeira que talvez o tenha levado a esquecer-se de explorar algumas contradições da dita Varina, perdão, senhora.

Sendo deputada do lustroso parlamento europeu e principescamente paga com o dinheiro dos nossos impostos, sim nossos, europeus, e portugueses, pois não só recebemos como também contribuímos com a nossa modesta cota-parte para os gastos da EU. Mas dizia eu, como conciliará ela o maná em que aceita viver e a defesa, por ela e pelo seu partido, da nossa saída da EU e do euro ??

Saberá a senhora as consequências disso para um pobre e pedinte país como Portugal ?? Lembrou a senhora por acaso as futuras e periódicas desvalorizações a que estaria submetido o ”escudo” e que seriam fatais como destino ?? Lembrou que o “escudo” seria paulatinamente submetido a desvalorizações até trabalharmos praticamente de borla, quais escravos, para que os nossos produtos tivessem preço e aceitação lá fora ?? 

Lembrou ela que com essas desvalorizações seria preciso um camião de “escudos” para comprar uma alface ?? Que ficaríamos à mercê de qualquer um que tivesse na mão 50 € que lhe chegariam e sobrariam para comprar por exemplo o Alentejo inteiro ?? O saber tem limites, mas a ignorância não, essa é infinita. Essa senhora provou ontem tal desiderato.

Não estou a inventar. Tal já aconteceu antes da entrada no euro ter travado as sucessivas desvalorizações do escudo que as nossas elites fizeram, promoveram e efectuaram por diversas vezes e por terem sido incapazes de colocar o país a evoluir, a trabalhar, a produzir e enriquecer. Claro que a cada desvalorização o dinheiro que o povo tinha na mão comprava cada vez menos coisas, ainda que fosse o mesmo, a mesma quantidade, a mesma importância. Mas essas mesmas elites nunca se esqueceram de em simultâneo se aumentarem principescamente a si próprias e sempre que necessário.

Quanto aos refugiados, aos verdadeiros e aos falsos, André Ventura tem toda a razão em manter duas atitudes, compreensiva para os primeiros, dura para os segundos. Os avaliadores do debate tudo reduziram a uma questão de demografia, nada mais falso, não é uma questão de demografia, é uma questão de justiça, de equidade e de economia.

André Ventura distraiu-se com a peixeira e nem aproveitou as deixas que ela deu de bandeja, vejamos;

 - Durante décadas, mais de 4, à nossa economia não foi dada qualquer atenção, nenhuma mesmo e afundou-se. A nossa economia não cuidou dos portugueses nem do futuro. Não cuidou de criar oportunidades, capacidades, mérito, justiça, pagamentos, vencimentos. Não cuidou de criar sólidas qualidade e condições de vida, portanto nada mais natural que:

 - Primeiro terem diminuído os casamentos, depois o número de filhos, depois os filhos, e finalmente esses pais que não o chegaram a ser e foram obrigados a emigrar por falta de condições no seu próprio país. Claro que a demografia se sentiu e hoje, também por essa razão falta-nos mão-de-obra, pois há outras razões, muitas outras, mas seria fastidioso enumerá-las aqui e não viriam a propósito.

 Ora precisamente devido a isso temos hoje uma economia a bater no fundo e, muito justamente nos indigna que, quem não é capaz de pagar pensões de jeito aos nossos próprios pensionistas, pois falamos de valores que nem para pagarem a medicação mensal chegam, indigna dizia eu, que se subsidie a 100% a medicação de quem chega de fora, e a quem por vezes até se atribui uma casa, se calhar a mesma casa que as finanças ou a banca “apanharam, penhoraram” a algum infeliz solteirão, viúvo ou casal de desempregados.

Não, não e não !! Primeiro os nossos, depois nós, e no fim, se para tal houver dinheiro, eles, os outros. Não é uma questão de demografia, é uma questão de economia, tivessem-se lembrado disso mais cedo. É tudo em cima do joelho né ? Nada de previsão, nada de cautelas, nada de prevenção, foram só caldos de galinha... Mandámos literalmente embora os nossos jovens, para agora acolhermos de braços abertos todo o filho de puta que busca o eldorado europeu. Não, não e não !! Ser refugiado de guerra é diferente, mas quanto a esses já vimos que só se aguentam por cá o tempo necessário para abrirem os olhos e verem ser isto um país que não interessa nem ao menino Jesus.

 Portanto, e quanto ao Serviço Nacional de Saúde / hospitais privados, privatizaria tudo. O caso de Braga é bem demonstrativo de como os privados se organizam melhor. A concorrência se encarregaria de baixar os preços e valorizar serviços, de separar o trigo do joio. Quanto ao ensino e às escolas faria o mesmo. Nuno Crato tentou fazer a vontade aos professores que sempre quiseram ser donos das escolas. Quis entregar-lhas mediante um contrato baseado no custo por aluno que o Ministério bem conhece, mas ser dono de uma escola dá trabalho e dores de cabeça, nem um único professor aceitou, nem uma única associação de pais aceitou, conclui-se que protestar e contestar dá menos trabalho e menos dores de cabeça.

Ao Ensino Universitário faria precisamente o mesmo, o povo português tem que tirar inequivocamente benefício dele, e não andar com ele ao colo ou às costas. Claro que André Ventura tem razão, há muito a fazer, penalizar quem desviar dinheiro para os paraísos fiscais, fiscalizar a justeza de benefícios usufruídos, mexer na fiscalidade, tornar o país atractivo para o investimento privado, nacional ou não, clarificar e agilizar procedimentos nas leis do trabalho, rever toda a legislação, reduzir o número deputados, 50 chegariam e sobrariam, mais que isso são inúteis, têm-no sido toda a vida, o resultado está à vista de toda a gente, a Venezuela no horizonte, quando países, nações e estados social e economicamente atrás de nós em 74, lembro a Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não citar os países de leste, e que estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente avançando como o caranguejo…

Haja bom senso e juízo !!

Força André Ventura !!

* O COMBATE

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

671 - ELES ESTÃO DISPOSTOS A TUDO ! CHEGA !

 

Há bem poucos dias o parlamento inviabilizou pela primeira vez em 46 anos, uma licença para que um deputado candidato participasse livremente na campanha para a presidência da república.

 Dias atrás um jornalista encartado veio (na sequência de Francisco Medina e de outros), advogar que se deveria cortar a voz ao microfone de André Ventura. Não demorará muito até que o parlamento em peso vote que lhe cortem o pescoço.

 Confesso que estas atitudes mesquinhas em relação a um recém-chegado ao sistema, e que o próprio sistema criou, me têm feito vê-lo antes, ou mais como um abnegado mártir e um lutador contra o parlamentarismo bacoco nesta democracia de instalados, que um perigo para os ditos órgão e regime.

 Se dúvidas tinha já as perdi, se o homem incomoda tanto e tantos alguma razão terá a assisti-lo e confesso ter André Ventura conquistado inequivocamente o meu apoio e o meu voto.

 Aliás parece até ser a única voz lúcida no manicómio em que este país e esta democracia se tornaram. Quem agora tanto o contesta parece ter esquecido que a democracia tem regras, mas não tem donos, e que eu saiba apesar das enormidades, alarvidades e falsidades de que tem sido injustamente acusado, André Ventura ainda não transgrediu nenhuma das sacras regras consignadas na nossa velha e caduca Constituição, essa sim a pedir uma valente reforma.

 Olhado à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora, transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a transformar-se um regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir e derrubou.

 Os três D’s prometidos ficaram por concretizar, Democratizar (mal e porcamente), Desenvolver (engordando os ricos e multiplicando e empobrecendo os pobres), e Descolonizar (a vergonha das vergonhas), não passam hoje de um cliché batido a propósito de tudo e de nada mas nunca cumprido. De um regime de miséria que contudo nos deixou uma montanha de ouro, passámos para um regime que nos deixará na miséria e com uma dívida do tamanho do Everest.

 Em 46 anos este país não fez um único negócio proveitoso, mas muitos dos seus filhos, a exemplo do regime anterior, têm enriquecido mas nem deixam saber como, tornando-se os novos eleitos, os tais eleitos que era suposto terem sido apeados dos privilégios que a todos deveriam caber e não somente a alguns.

 Acusam André Ventura de populismo, e em boa verdade tenho observado serem as suas ideias cada vez mais populares e cada vez mais compreendidas e aceites por um número crescente de portugueses. Em contraponto estão os velhos DDT e demagogos, os partidos de um sistema que vêm debitando demagogia há 46 anos, que nem ao menos parecem interessados em pôr-lhe cobro e darem corpo e coerência a tanta coisa dita e repetida, isto é, a cumprirem com o que há 46 anos nos prometem.

 Populismo / demagogia é a grande aposta das próximas eleições, ou queremos um presidente palhaço e que de tal está farto de dar mostras e exemplos, ou uma socialista incoerente, inconsequente, que um partido tem vindo ao longo de anos pintando de vermelho para enganar as tendências mais à esquerda e os mais parvos do séquito, ou queremos André Ventura, o único candidato preparado, lúcido, disposto a lutar pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até aqui tem acontecido. André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm propositadamente fechados há décadas.

 A luta vai ser aguerrida e titânica, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos instalados contra a pobreza que nos morde e ameaça. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a que temos direito. André Ventura é o único defensor e garante do derrube democrático deste regime que só a alguns benificia.  André Ventura é o único candidato que nos garante a instauração da quarta república e dum regime em que caibamos todos e todos observemos os mesmos deveres e direitos, com os deveres na frente.

Sim, os deveres na frente, os tais que tão esquecidos andam e sem os quais a liberdade de Abril virou libertinagem, voragem, corrupção e pobreza. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos elites capazes, uma vez mais vai ter que ser o povo a correr com Miguel de Vasconcelos, uma vez mais vai ter que ser o pé descalço a mudar tudo, ele que tudo sofre e a quem tudo devemos.

 Foram os infantes com D. Henrique na frente o estandarte da Expansão Marítima, mas foi ao pé descalço que coube realizar os feitos históricos que o mundo conhece e reconhece. Éramos poucos em 1500, talvez nem milhão e meio, e a equipagem das naus era comummente arrebanhada entre prisioneiros, bêbados, vadios, sem-abrigo, pedintes e quejandos que, mal se descuidavam eram metidos numa nau debaixo das ordens de um comandante ou de um capitão e levados a cumprir os grandes feitos que os honrariam e nos honram a todos.

 A nossa história trágico-marítima, que Fausto tão bem descreve em algumas das suas canções, deve tudo aos pés descalços, que tudo passaram, ultrapassaram e superaram para se salvarem, darem mundos ao mundo e Glória a Portugal.

 A exemplo dos homiziados (séc. IX a XIII) que após a reconquista cristã eram atirados para coutos, ocupando o terreno libertado do jugo dos mouros e defendendo com a vida, a vida que desse modo lhe havia sido devolvida, também na expansão, e uma vez mais agora, cabe a este povo de pé descalço lutar para se manter em pé, lutar para se manter de cabeça erguida, lutar para manter a cabeça e não lhe cortarem o pescoço.

 E lutar contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de todos nós porque para mal já basta assim.

 E quando todos parecem dispostos a tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!