terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

802 - PEIXEIRADA OU CACOFONIA ….

 


Antes de começar deixai-me esclarecer-vos que estou agradecido a António Costa, e não a qualquer outro, o que tem sido feito pelo país. Continuará sendo graças a ele que tudo que no futuro for feito por Portugal será pensado, ponderado e orçamentado. Tudo levará a sua marca, ele constituirá a marca do antes e do depois do caos.

 

 Mas igualmente vos direi ser pessoa de quem não gosto, com quem nem simpatizo minimamente e que, a serem verdadeiras as sondagens me surpreendem pela negativa. "Se alguém duvida eu não, A. C. será tido e julgado como o PM que mais mal preparado se apresentou para governar este país. Os anais da história só lembrarão o actual primeiro-ministro como o homem que enterrou Portugal, os portugueses e a esperança.

 

 Há cinquenta anos que o país é submetido a mentiras constantes e mal governado, com A. C. passámos a viver uma mentira permanente e fomos pior governados. Miragens, lucubrações, visões, más formações, loucura e idiotice atingiram com ele os limites aceitáveis ou suportáveis, o paroxismo. Porém esta dose cavalar parece ter tido a virtude de acordar finalmente os portugueses da letargia em que viviam, podendo dizer-se que hoje tudo escrutinam meticulosamente. Por que pensam vocês que um partido desconhecido até há pouco sobe nas sondagens ?

 


 No início era o verbo, depois tivemos um animal feroz, o primeiro arlequim louco a animar a maralha… Ao intuírem que o centrão não os poderá levar a lado nenhum os portugueses acordaram e deduziram finalmente o modo arrevesado como os socialistas os trouxeram até aqui. E enquanto os partidos do arco da desgovernação (os restantes só têm empatado) andarem de braço dado quando os portugueses estão já fartos e cansados desse triste fado, tudo será cada vez mais e melhor escrutinado, avaliado e ponderado. O facto de praticamente todos os dias nascerem novos partidos, a maioria deles fundados por dissidentes que por dentro não conseguiram mudar aqueles em que militavam, a democracia está assegurada. (Pelo menos 14 estarão a concorrer em 10 de Março).

 

 Mas apuremos o saldo, deram-nos alguma coisa de extraordinário os socialistas, os democratas, os centristas ou os comunistas ? Deixar-nos-ão algo por aí além os actuais socialistas ? Mentiras e dívida sobrarão depois de cinquenta anos de corrupção, amiguismo, compadrio, desvario, incompetência, irresponsabilidade, desresponsabilização e oportunismo.

 

 Um problema transversal e cultural que suja todos os partidos do regime, diria eu, quero dizer, de falta de cultura, um problema de tecnicismo a mais e humanismo a menos, um problema de excesso de Excel e ignorância de Heródoto, um problema de ambição desmedida de gente sem estofo, sem tarimba, sem classe, sem garra mas com unhas, que deitam a tudo que possam.

 

De cinquenta em cinquenta anos aparece um deputado de louvar, morreu Sá Carneiro, temos agora a título de exemplo a Marisa, a Ana, a Catarina, e o Jirólmo para compensar. Entre um e outras (o) a banalidade, a boçalidade, o servilismo à disciplina partidária, o vampirismo de partidos organizados em função do poder, da avidez, da fortuna fácil, do politicamente correcto. Como desígnio e resposta a nada …

 


 Abri um velho Diário Económico e leio esta pérola, «…A Camargo Corrêa, empresa brasileira que controla a Cimpor desde Junho de 2012, está a estudar a venda de activos, o encerramento de algumas unidades industriais menos produtivas e rescisões de pessoal… na Cimpor prossegue com a apreciação do seu ‘portefólio' de activos não operacionais, não excluindo hipóteses pontuais de alienação”…» Uma empresa portuguesa nacionalizada sem qualquer pensamento estratégico (como todas as outras) lançou todos no desemprego e deixou de pagar impostos, obedecendo à lei cega do lucro fácil e rápido, sem custos, pois fechada renderá mais. A falta de cimento nos mercados fará subir os preços e rentabilizar em 300 ou 400% o investimento do grupo nela.

 

 Seguir-se-ão a Secil ? (1) E uma e outra empresa e muitas outras empresas até que emigremos todos e o país encerre de vez ? Que devemos aos democratas e aos socialistas que não mais de cinquenta anos de fingimento, que é como quem diz, de NINS ? Mesmo assim, nem sim nem não, ou aos social-democratas que não a morte das pescas, da indústria, da agricultura às mãos de Cavaco, ou esta cegueira suicidária do confinamento exagerado às mãos do ignorante A. Costa e que fulminou dezenas e dezenas de PME e com elas milhares de postos de trabalho.

 

 Depois de Salazar e Caetano ninguém mais soube como governar este país. Sentaram-se, estiveram, desfrutaram da cadeira do poder sem sequer imaginarem o que isso implicaria. Todavia a culpa não é só de quem governa, quase quarenta anos de Salazar e mais cinquenta desta democracia de merda devem-se a este povo a estes eleitores, dos quais metade descrê e não vota, sabendo-se que a outra metade vota nos mesmos de sempre julgando, e acreditando, que alguma vez esses mesmos irão fazer coisa diferente da que sempre fizeram.

 

 Felizmente apareceram uma dúzia de pequenos partidos abanando as consciências e acordando finalmente este ensonado povinho, que se levanta tacteando a parede em busca do papel higiénico, ignorante de tudo e por isso ainda mais desconfiado de todos. Por inacção ou omissão todos somos culpados e essa é a verdadeira questão. Mas afinal em quem poderemos confiar ? (14 irão concorrer a 10 de Março)

 


 Por que razão nunca se responsabilizaram os concelhos pelas suas taxas de desemprego ? É fácil e cómodo atirar as culpas para cima do IEFP. Por que nunca se responsabilizaram os concelhos pelas taxas de PIB alcançadas por eles mesmos ? É mais fácil culpar os sucessivos governos… Por que nunca se estabeleceram metas e exigiram resultados aos responsáveis, em cada município, pelos departamentos de desenvolvimento económico ? Que pariram esses departamentos ao longo de cinquenta anos a não ser bons empregos públicos ?

 

E o interesse público ? E o interesse dos eleitores ? E o dos munícipes ? Alguém conheceu a esses departamentos de “desenvolvimento” os planos de actividade ?  Alguém lhes conheceu resultados ? Alguém viu alguma vez os seus mapas de execução ? Alguém foi corrido ? Mudado ? Substituído ? Não culpemos somente os governantes, nem os presidentes, ou os vereadores, há por aí muito director, chefe de serviço e deputado municipal a precisar igualmente de ser reformado.

 

 Já vos devo ter contado que há uns meses ia matando uma criança com a mota, nem ia a mais de vinte à hora, para a evitar quase esbarrei com um carro que se apresentava em sentido contrário, felizmente com a brusquidão da travagem a mota derrapou e atirou-me ao chão antes de colidir com ele. Esfolei o joelho, a mão, o cotovelo, desloquei um ombro, mas não toquei no cabrão do gaiato, que ficou mais branco que a cal da parede. Saíra repentinamente pela porta traseira esquerda do carro da mamã que parara em fila dupla no meio da via, por culpa da inconsciência, mas também do planeamento da via junto à escola, nova, da incompetência de quem desenhou os acessos e da irresponsabilidade de quem os aprovou.

 

 Noutro dia abordarei esta questão com maior acutilância, por hoje já desabafei. Como se pode ser um bom ministro, presidente, ou um bom vereador, com subordinados ou colaboradores deste jaez ? Para já fica a questão ou a pergunta no ar…

 


 Portugal carece de reformas há cinquenta anos, imensas e profundas, a minha crítica a António Costa deve-se ao facto de ter tido uma oportunidade de ouro para as fazer e não as ter feito. Sim, porque fingir que faz e não fazer não pode confundir-se com uma reforma da administração local, ou o fecho de balcões com uma reforma da economia. Reformou-se por encomenda de quem nem o país conhecia e até o Dr. António Borges antes de falecer admitira o erro na nossa integração no Euro e causa parcial do desastre económico que se lhe seguiu e estamos a viver.

 

 A ignorância larvar e o desconhecimento do seu próprio país conduziram António Costa a um beco sem saída que agora nos quer vender como se fosse o paraíso, por isso as mentiras não param claro, agora é encadeá-las umas nas outras para que pareçam verdade. (o comissionista não era o 44?).

 

 Os portugueses toparam-no logo, e responderam-lhe com os pés, mas montado numa geringonça António Costa fez-se dono dum país ficando contudo com ele na mãos sem saber o que fazer-lhe e, sendo um trapalhão atrapalhou-se, mas trapaceou-nos o melhor que soube.

 

 Eu pelo menos, e julgo que mais portugueses, agradeço-lhe, agradecemos-lhe. O país nunca mais será o mesmo, nem a oposição, que mudará forçosamente, não mudou ainda o suficiente, nunca mudará o suficiente, mas o país tem mais gente, e mais gente significa mais opções e mais respostas, mais alternativas, mais partidos, o que nos garante nada mais vir a ser como era dantes.

 

 No que eu não creio mesmo é que quem nos trouxe até aqui daqui nos tire, porque para essa gente, “A OESTE NADA DE NOVO”, continuam pensando como pensavam, imaginando continuar a servir-se de nós como serviram.

 

É hora de dizer basta. É hora de mudar  !!

 

 

 (1)   http://economico.sapo.pt/noticias/cimpor-fecha-fabricas-e-despede-funcionarios-no-brasil_226793.html.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

800 - CALADINHO OU LEVAS NO FOCINHO !!!






  

Como todos sabemos é do caos que renasce a Fénix, e este país anda a precisar de uma grande limpeza. Uma limpeza tanto no sentido literal quanto no metafórico, estamos quase quase a dobrar os cinquenta anos do 25 de Abril e cada vez mais portugueses são de opinião ser uma data para esquecer.

 

Não para comemorar.

 

Os partidos do regime, sem excepção, tiveram tempo de sobra para arquitectar os seus sonhos de democracia, de ter ideais e ambição ! Mas e depois ? Depois de instalados esses partidos não tiveram tempo em 50 anos, nem para realizar essa ambição nem para cumprir os seus ideais ? Se esses partidos são tão bons como se acham, por que razão está Portugal tão mal ?

 

Podemos afirmar com uma certeza certa que para além de privilégios para alguns dos seus militantes, nem sequer para todos, esses partidos nem para eles foram, muito menos para os portugueses ou para esta nação.

 

Esqueceram a Pátria, a Família, e até Deus, não respeitaram os seus eleitores nem os seus programas, ao invés de motores de desenvolvimento foram coveiros da dignidade, da riqueza e potencialidades desta nação, venderam-se a si mesmos, e venderam Portugal por um prato de lentilhas.

 

Todos sabemos igualmente que existem problemas com os eleitores, metade deles descrê e não vai votar, e a outra metade vota nos mesmos de sempre julgando, e crendo, que alguma vez os mesmos farão diferente do que sempre fizeram.

 

Diz-se que os eleitores não se interessam pela politica, e nada me admira quando os mídia lhes escondem precisamente o que os faria levantar-se indignados do sofá !

 

Saberão os eleitores que nada ou quase nada em Portugal é nosso ?  Desde estradas, a barragens, a centrais eléctricas, redes de distribuição, transportes, empresas de construção, de metalurgia, cimenteiras, jornais, revistas, rádios, TVs e outras, imoveis aos milhares, herdades, olivais, lagares, rotas aéreas terrestres e marítimas, portos, aeroportos, a banca, os seguros, os correios, os telefones, hospitais, a EDP, qualquer dia só restará nas nossas mãos a mercearia do bairro e o barbeiro da esquina…

 

Agradeçam a esses partidos !! 


São bons a "amanhar-se" e deviam ser iso sim, os seus membros proeminentes julgados criminalmente por traição à Pátria !

 

Qualquer dia não, diria que já somos estrangeiros na nossa própria Pátria !!

 

Jovens casais já não ganham para comprar ou arrendar casa, ou ter um emprego, foram-lhes cortadas todas as oportunidades, dantes emigravam em busca de melhor vida lá fora, agora emigram por não serem capazes de fazer as suas vidas na própria Pátria !!

 

Saberão eles que já nada ou quase nada em Portugal é nosso ?  Saberão mesmo ou têm-lhes escondido a verdade ? Como têm feito com o Covid ? Com a Ucrânia ? Aliás como têm vindo a fazer com tudo ?

 

Por essas e por outras é que não irei ao concerto do Vitorino, um CONCERTO COMEMORATIVO DOS 50 ANOS DE ABRIL A REALIZAR NO TEATRO GARCIA RESENDE EM 16 FEV PRÓXIMO !! 

 

NÃO CONTEM COMIGO PARA ALINHAR NESSA FARSA !!

 

E se estes democratas tivessem vergonha nem comemorariam coisa nenhuma, mais valia terem vergonha do que conseguiram em 50 anos. Conseguiram menos que nada, zero. E não vou ver o Vitorino por ele estar mais velho, pois eu também estou, mas por o ver pactuar com os amiguinhos de sempre, com esta esquerda cega e estúpida que nos enfiou neste abismo, parecendo-me que ao Vitorino só lhe interessar facturar, facturar, facturar...  Devia envergonhar-se de dar a cara e o nome a uma data que nos está a codilhar e a envergonhar a todos...

 

Quem entregou o país ás mãos avaras de uma CEE sedenta de nos engolir ? Quem lhe fez o favor de acabar com as pescas, com a indústria, com a agricultura, quem ? Quem atirou o país para o colo do Euro quando se sabia que ninguém estava preparado para sobreviver no seio de uma moeda forte ? Quem comprou baratas as PME que não resistiram à mudança ?

 

Teríamos à nossa disposição um mercado de mais de 200 milhões não foi o que nos disseram ? Quando nem para tocar viola tínhamos mãos…  Nada vendemos a esses tais, mas eles vieram por aí adentro e tudo nos venderam e tudo nos compraram, só falta mesmo escorraçarem-nos daqui, e já o começaram a fazer !!  


Abre os olhos eleitor português !!  

Abre-os bem porque já somos “metecos“ na nossa própria terra !!

 

BE, PCP, PS, PSD e CDS há 50 anos que nada fazem pelos portugueses, a AD é a cara da incompetência tentando apelar a valores que morreram há décadas ! Depois da morte de Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa a direita ficou órfã, até hoje ! E o PS disfarçou-se para lhe roubar o lugar.

 

A NAÇÃO NECESSITA URGENTEMENTE DE UMA DIREITA CONSERVADORA QUE ACTUE EM DEFESA DA FAMILIA, DA NAÇÃO E DOS PORTUGUESES !!

 

NECESSITA URGENTEMENTE DE UM PARTIDO QUE LITERAL E MATAFÓRICAMENTE ENDIREITE ESTE PAÍS !!  Que penalize os mídia que se renderam aos subsídios e se venderam à censura por três tostões. Os portugueses merecem saber a verdade ! Necessitam de órgãos de mídia independentes e que lhes contem a verdade ! O PÁGINA UM não pode ser uma excepção, tem que ser essa a regra ! Os portugueses andam sendo enganados há 50 anos !

 

O novel partIdo ADN, Alternativa Democrática Nacional veio para fazer o que devia estar feito há 50 anos, veio para fazer o que deve ser feito, para fazer o que ainda não foi feito, o ADN pretende precisamente devolver aos portugueses toda a liberdade e dignidade que perderam ao sofrerem com a queda do país num abismo sem fundo e com o crescimento inaudito de uma divida incompreensível e inaceitável !!

 

É nessa barricada que me verão, nas trincheiras do ADN, certamente lutarei por todos e por Portugal, e darei o meu melhor, como sempre, ou não teria aceitado ser candidato e dedicar-me a todo o trabalho partidário a fazer e necessário para resgatar Portugal das mãos dos irresponsáveis, ignorantes, inábeis e incompetentes esquerdistas que dele se apoderaram.

 

Viva Portugal !! Viva o ADN !!

 








O país precisa de uma grande varredela, disso não tenho a menor dúvida...  
Lembremo-nos que há males que vêm por bem ...  😕

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

799 - O HERBÁRIO DO ASTROFÍSICO ...


 

De vez em quando acontece, acontece-me e, desta vez pensei que assim tivesse sido, tivesse ido ao engano, ou não. 

Bem, para ser franco fui, fui e não fui. 

Sim, porque pensara ser o livro uma coisa e saiu-me outra. 

Não porque embora tendo saído coisa diferente não me desiludiu, antes me deixou inicialmente perplexo e depois admirado, surpreendido e finalmente agradecido.

 

Nunca pensara que o velhinho simpático que nos surge na capa fosse o próprio autor, mas é mesmo ele, e estava mais longe ainda de julgar esse velhinho, com toda uma vida dedicada à infinidade e aos mistérios do universo, se dedicasse e deliciasse com coisas tão prosaicas como as flores que pisamos ao atravessar quaisquer caminhos ou ao cortar a direito pelos campos adentro.

 

Desenhei então um quadro mental em que, uma mente sábia e habituada á grandeza e gigantismo das galáxias se debruçava sobre a singela pequenez da enorme beleza que dia a dia ignoramos. Desse modo fui avançando numa leitura que de início me colocara algumas dúvidas, outras tantas apreensões, e à qual torcera o nariz. Mas valeu a pena. 

 

Gosto de biografias e, não sendo o caso, é lícito acreditar que ao lê-lo saberei como pensa e desenvolve o raciocínio mental alguém à altura de um Einstein, acreditei que tal seria curioso e atirei-me ao livro, que me fora recomendado por quem com eles gosta de brincar, com o afã de um crente agnóstico.

 

Saindo de minha casa e virando à esquerda, entrando na privada pública quinta das Glicínias, propriedade do IEFP e centro de formação na área da agricultura e maquinaria inerente, embrenho-me num campo sem fim, pejado de flores silvestres, tal como Hubert Reeves descreve aqueles em que na Borgonha atravessa durante os seus idílicos passeios.

 

Verdade que já vos falara desses campos e os fotografara para um texto neste blogue sobre um outro livrinho, este, ou melhor esse, da autoria da nossa amiga ACL.

 

https://mentcapto.blogspot.com/2016/04/342-o-livro-da-leonarda.html

 

https://mentcapto.blogspot.com/2016/04/343-leoparda.html

 

Todavia, contudo, mas porém nunca é demais aceitar e anuir que olhava esses campos floridos no seu todo nunca me tendo preocupado com os milhares de individualidades florais que o compõem.

 

Verdade que o autor nos descreve cada flor e cada folha com uma ternura e uma paixão que, mais que nos esclarecer nos emociona e enternece (desculpai-me se isto soar a redundância), verdade que a sua leitura nos embevece, e acalma a alma, o que não deixa de ter o seu mérito considerando que as flores não tinham sido até aqui o meu principal foco de interesse.

 

Durante perto de quarenta e cinco anos vivi com uma tão sapiente quão bela flor selvagem, contida, comedida, diplomata, toda ela bom senso e etiqueta, a quem somente as limitações sociais mantinham dentro da jarra a partir da qual jorrava a luz que iluminou a minha vida.

 

Naturalmente tornei-me dependente dessa única e inigualável fonte de alegria, tão dependente que uma vez perdida iniciei a demanda do santo graal, buscar e colher flor igual que de novo apaziguasse os meus dias.

 

Demanda profícua é certo, tão profícua que hoje posso dizer estar literal e metaforicamente rodeado de flores, porém, foi preciso aparecer Hubert, aparecer e gritar-me que do alto da sua cátedra vira uma flor selvagem para que eu, deitando os olhos ao chão, visse de quanta simplicidade e beleza estou rodeado, tanto no que á flora concerne quanto concerne ao factor humano.

 

“Small is beautiful”, quantas vezes li os ensinamentos deste livrinho de mais de duzentas páginas e nos quais muito reflecti nos tempos da minha juventude, demorei mais de quarenta anos a debruçar-me seriamente sobre essa frase e a dissecá-la.

 

“A beleza das pequenas coisas” surpreende-me hoje que, aposentado, parei de correr para chegar a horas, para não faltar, para estar presente, para não falhar, concluindo ter andado correndo atrás de coisa nenhuma, sem tempo para olhar em meu redor e ver de quanta beleza estava cercado.

 

Que a flora vegetal e a fauna humana me perdoem o desiderato, tão parvo fui que exacerbado com os nossos actuais preconceitos, tabus, castas e iluminada racionalidade, nem ao menos vi nem a liliputiana beleza de que sempre estive rodeado nem o incomensurável infinito que preencheu a vida de Hubert, agora virado para as pequenas coisas, ele também um “Deus das pequenas coisas”.

 

Lendo-o sinto que me tornei outro, mais calmo, melhor pessoa, mais feliz, mais desapegado das coisas mundanas e do consumismo irracional que nos cilindra e, em que o mundo, e muito em especial este meu país são férteis.

 

Uma vez mais constato, isto anda tudo ligado, obrigado Ana por me teres levado ao engano.

Uma vez mais ?

Bom Ano Novo pessoal, cuidai de vós.    





 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

798 - COMÉRCIO TRADICIONAL * by Maria Luísa Baião, public. em 2001


                                        COMÉRCIO  &  DINHEIRO *

 

Prezo fazer as minhas compras no comércio tradicional, só a mercearia adquiro, por razões de estacionamento, comodidade e preço, nas grandes superfícies.

Há muito que deixei, porque me prejudiquei e arrependi, de fazer compras significativas nessas grandes superfícies, como electrodomésticos, material de Tv, áudio e vídeo, mobiliário, roupas e quejandos, pois não podemos contar com qualquer garantia ou assistência efectiva, ainda menos com solicitude, atenção e simpatia.

A título de exemplo digo-vos que a fruta em minha casa é excepcional, tão só porque a vou comprar na Senhora da Saúde, ao lugar da D. Vicência. Claro que desde que o faço nunca mais tive que deitá-la fora, quer porque não prestasse, ou porque apodrecesse de um dia para o outro. Ali a qualidade é garantida. D. Vicência não tem coragem para enganar os clientes, tal seria para ela um pecado inconcebível, como o seria para o Senhor António, que nas Corunheiras vela pela qualidade da carne que consumo em minha casa, carne que ele próprio escolhe, embala, e até identifica com etiquetas, para que mais tarde, congelada, me não engane no que pretendo cozinhar.   

Esmeros do comércio tradicional, que me levam muitas vezes também ao mercado municipal.

Talvez haja algo de triste nestas circunstâncias, mas é assim o mundo de hoje e o de amanhã não augura nada melhor. Quantidade não é qualidade, os hiper´s tudo têm em quantidade, mas falham redondamente na qualidade, em especial dos serviços e do relacionamento humano.

É por isso, e só por isso, que vivendo num extremo da cidade, compro a fruta noutro extremo, e a carne mais longe ainda. Mas vale a pena, como vale a pena manter a amizade de toda essa gente que se esfalfa para nos colocar no cesto das compras produtos de primor, e um sorriso agradecido que nos desarma. Que contraste com as caras que nos hiper´s à mínima reclamação nos pedem o “talão ou a factura”, como quem nos pede o cadastro; Qual talão ? Qual Factura ? Quem não os deita fora até sem dar por isso ? modos de ver o mundo, paciência.

Quando por vezes olho para mim, observando o que me rodeia do alto dos meus quarenta e quatro anos, não posso deixar de pensar como a vida é lenta, tão demorado o tempo para que aprendamos qualquer coisa, e como tantas vezes, por comodidade, nos enganamos a nós mesmas (os).

Foi pois com alguma pena que dei conta das noticias assinalando o descontentamento de alguns comerciantes da nossa praça, insurgindo-se com o eterno arrastar das obras no centro histórico, e às quais atribuem as responsabilidades pela queda das suas vendas. Dei para comigo meditando que algo de grave se passaria, pois só isso justificaria que o comércio tradicional, uma classe por natureza tão recatada e comedida, tivesse vindo indignada para a rua fazer ouvir a sua voz.

Nunca como hoje o comércio tradicional esteve sujeito a um cerco tão apertado, resultado do mundo ter rodado mais depressa do que imaginámos, não disse eu atrás que penso ás vezes como a vida é lenta ? Não é contudo pelo facto de eu o pensar que ela se move mais devagar, e se alguém há a culpar por isso, culpemos Copérnico e Galileu, não foram eles quem nos tirou do centro do Universo ?

Mas não desarmem os comerciantes da nossa praça, começada uma luta, mau sinal seria que a não levassem até ao fim. Até porque as suas armas são difíceis de igualar, a cordialidade de um atendimento personalizado, por um lado, com a qual terão que saber combater a hegemonia das grandes superfícies, e a razão por outro, que já há muito deviam ter esgrimido perante quem lhes anda a comer as papas na cabeça.

Não creio, e bem avisados andarão se não acreditarem, que estejam nas obras as culpas das baixas vendas que apontam, ou não é verdade que outros comerciantes, noutras zonas da cidade que pelo contrário nunca viram obras, se queixem do mesmo mal ? A queda das vendas ?

O problema (e a solução), está na economia senhores ! Ou não viram ainda que esta é uma cidade adiada, e, se teimarmos, sem futuro ? Onde está o dinamismo económico desta cidade ? Não se vende ? Mas como vender a quem tem com a habitação mais cara do país um pesado encargo ? Como vender a quem, por culpa dos ineficientes transportes públicos que temos, é obrigado a encalacrar-se para comprar um, quando não dois carrinhos ? E vender a quem, se por causa do estacionamento (e das obras), o pessoal foge da cidade como o diabo da cruz ?

Vejam com os vossos próprios olhos, o Público de Sábado passado, 18 do corrente, pág. 13 do Caderno Mundo, onde o nosso presidente** admite preto no branco, uma …“preocupação quanto ao desenvolvimento económico, que considera “aquém de outros indicadores”... Outros ? quais outros ? E só agora se preocupa ? Passados tantos anos ? Nessa mesma peça jornalística, o nosso presidente caracteriza este mandato como o da modernização, requalificação urbana e afirmação de Évora, afirmações de que me riria, não fosse o receio de o ofender. É óbvio que o nosso presidente nada fez nem conseguirá fazer, já que nenhum governo o deixa fazer o que quer que seja. Mudar tudo para que tudo fique na mesma diria o senhor La pedusa, normal, apanágio da nossa  esquerda. 

Das duas, duas, não escolhe ele o governo, mas escolhemos nós outro presidente.

 


* Crónica publicada no Diário do Sul, coluna Kota de Mulher, em 24 do 8 de 2001

** Abílio Fernandes PCP


domingo, 10 de dezembro de 2023

797 - ALTO DE S. BENTO, UM VERO DESASTRE....

 


Porque havia sol e a manhã estava clara e luminosa como não se via há muito tempo, depois da bica dei corda aos sapatos e rumei ao Alto de S. Bento. Depressa me arrependi e a boa disposição que levava levou sumiço num instante.

 À medida que subia a mesma estrada cada vez mais mal enjorcada que calcorreio há sessenta anos, hoje muito mais perigosa para peões e viaturas, fui ficando revoltado até me quedar surpreendido por um sinal de trânsito proibido que, na cabeça dos seus mentores terá sido ali colocado para resolver os problemas e dores de cabeça que o Alto de S. Bento lhes deveria dar.

                 

Na cidade resolvem os problemas de estacionamento colocando pilotes às centenas passeios fora e desfeando-a, ali bastou um sinal, "proibido avançar, só para residentes"... Portanto esquece que o Alto de S. Bento existe e pira-te, vai chatear outro, agora só criancinhas para verem o moinho a trabalhar, a farinha no ar, um museuzinho de brincar, ervas, arbustos, rochas, pedras, mato, e as célebres antenas supremo símbolo e ícone da nossa revolução tecnológica e dum progresso de que Évora se arvora mas não frui.

Aquela antena mais grossa, maior, mais parecendo uma árvore de Natal vermelha e branca, está lá há mais de 60 anos. Era eu gaiato e subi-a, eu e mais uns quantos, quantos por ali deambulávamos antes de ser solenemente inaugurada. Há registo da ocorrência, uma patrulha da GNR fez questão de nos identificar a todos não fossem surgir no ferro do esqueleto inesperados prejuízos de monta, ficando assim a saber-se desse modo a quem os imputar.

  Imputar, Input output, décadas mais tarde esse esqueleto haveria de alojar também e para além das que já tinha em cima as antenas parabólicas e outras que permitiriam os sinais da G1 da primeira geração, já vamos na G5 não é ? Pois fiquem sabendo que do varandil que essa antena tem em cima já eu caguei, eu, o Abel, o Bento, o Barnabé e não sei quem mais, já lá vão muitos anos, eu deveria andar pelos meus 14 ou 15 já nem sei, só sei que a panorâmica alcançada lá do cimo é lindíssima e uma cagada feita a partir do céu é divinal !           

Foi por estarmos tão alto que vimos, sem ser vistos, a Ana C. e uma meia dúzia deles atrás dela mata acima mais parecendo cães atrás de uma cadela aluada, depois foi encontrar a moita certa e aquilo foi à vez, mas isso a patrulha da GNR não viu. Não viu mas a coisa deu brado e um deles acabou por casar com ela, o primeiro ? O que ela apontou ?  Não sei nem imagino, mas sei que nunca foi um casamento feliz, não houve filhos, ela acabou por suicidar-se sendo então que eu me meti a pensar quanto de todo aquele amor livre ou amor desregrado, ou dado ao desbarato terá sido culpado pelo fim ou desenlace de tão triste história. É bem verdade que muitas vezes o barato nos sai caro …

Quando esbarrei no sinal vermelho de trânsito proibido já me tinha confrontado metros atrás com um outro sinal, azulado e sinalizando um parque de estacionamento, um sinal todo queimado do sol, a cair, esgarçado como quem o pensou, como mal pensado foi esse parque de estacionamento, natural, nascido ali há milhões de anos, agora aproveitado para desenrascar, mal esgalhado, sem piso corrigido, nem marcado, nem tão pouco cuidado, tal qual o cuidado que os visitantes merecem por parte do nosso município.

Tudo ali é mato, tudo é como uma mata porém e apesar disso alguns carros estacionados lá em cima, em transgressão claro, na ambição de um fugaz e proibido momento de fruição da paisagem, paisagem misturada com contentores de lixo, uma tabuleta apelando ao museu ali atrás, museu também ele conspurcado pelo ambiente que o rodeia, um ambiente pejado de antenas ao Deus dará, plantadas sem o mínimo respeito pelo cuidado com o salutar ou impoluto ambiente que querem enfiar à força na cabeça das criancinhas.

Para além desse espectáculo um céu truncado de fios e mais fios oferecendo-nos uma visão digna das favelas brasileiras. Saibam que é por estas e por outras que me estou cagando para separar o lixo, se os engenheiros e os políticos decisores e as autoridades competentes não se preocupam com o ambiente por que caralho me hei-de preocupar eu ?

Dou mais uns passos e esbarro com mais uma tabuleta, desta vez gritando-me “ Bem vindo ao Alto de S. Bento, hoje serás um protector da natureza” ! Serei sim, mas só se for da natureza selvagem do lugar, um lugar com tantas contradições como a cabeça de quem imagina estas coisas. 

Em qualquer outro país civilizado do mundo, qualquer edilidade teria aproveitado as vantagens do terreno, isto é as vantagens naturais oferecidas de bandeja pela natureza para as fruir ao máximo, contentando e conciliando natureza e cidadãos, criando parques de merendas, passadiços, trilhos para caminhadas e postos de apoio aos caminhantes, visitantes e escoteiros, varandas e restaurantes panorâmicos, parques de estacionamento exemplares, estradas como tapetes, dinamizando o lugar, desenvolvendo a economia local, criando postos de trabalho, gerando riqueza, satisfação e bem-estar.

Mas não, disso o último exemplo que temos tem mais de 50 anos, o “Parque Municipal de Piscinas Eng.º Arantes e Oliveira” a quem desrespeitosamente tiraram o nome da parede do complexo. O que os encanita é que em 50 anos de democracia ainda não foram capazes de fazer um décimo do que foi feito durante o (menor) período do Estado Novo.


E sabem por quê ? Porque esta gente não tem somente falta de inteligência, tem sobretudo falta de mundo, falta de visão, e tem um acentuado deficit de imaginação. E quando falo desta gente quero ser claro, refiro-me a presidentes e técnicos, sobretudo técnicos, classe arregimentada, engajada ao podre poder que nos governa e de onde poucos, muitíssimo poucos se podem gabar de ter escapado ou de não estar com esse poder comprometidos ou a esse poder vendidos. 


É esse o mal de Évora, falta de inteligência, de visão, de mundividência e imaginação, mas há salvação, querendo e sendo capazes, havendo coragem, marquem uma entrevista comigo, uma bica, dois dedos de conversa e sairão outros dessa experiência...

Bom Natal e reformem-se, não nos fodam mais… Na sua maioria são demasiado caros para a merda de serviço que prestam à cidade.

             

ADITAMENTO: Com mais delicadeza ou menos, com mais paixão ou revolta, com mais comedimento ou atrevimento, com mais ou menos educação e modos, passadas que são 11 horas sobre a publicação desta postagem tenho recebido de vários quadrantes diversas criticas (por mensagem privada ou telefonema pois há nas pessoas mais medo de se pronunciarem em público agora que no tempo da outra senhora) diversos apoios e as mais diversas opiniões, às quais, com o bom modo que me caracteriza vou responder: - Sim, depois do 25 de Abril nenhuma obra municipal de vulto foi erguida tendo o parque das piscinas municipais Arantes e Oliveira sido a última delas, inauguradas a 5 de Setembro de 1964.

Quer o terminal rodoviário, quer a pista de atletismo junto da Vila Lusitano (à qual falta uma pista pra ali poderem ser homologados records ou ter lugar provas de nível internacional) quer a estação da CP alvo de melhorias significativas são obras de cariz NÃO municipal, tal qual algumas circulares externas do domínio da empresa Infraestruturas de Portugal EP.

Na realidade existe um mão cheia de entidades quer públicas quer privadas cuja função é prover à melhoria do nosso bem-estar e nível de vida que parecem não funcionar quando deviam era articular-se de modo rápido e eficiente para responderem às nossas necessidades. Ao invés disso vivem cada uma para si, de costas voltadas e o mexilhão que se foda e espere e desespere. São o Caso da CCDRA da CME do CIMAC Do Instituto do Desporto, da CP, das Infraestruturas de Portugal EP, da EDP, das Águas do Alentejo ou de Portugal, das empresas de telecomunicações, um exemplo dessa demora e falta de articulação parecem-me ser as actuais obras da circular externa do Continente à antiga Siemens e que tantos engarrafamentos e aborrecimentos têm provocado por toda a cidade….

O pomo da discórdia assenta no facto da cidade não ter lugares aprazíveis, não ser alvo de melhoramentos e de embelezamentos pragmáticos, ter estagnado no tempo, não ser gerida com rasgo, risco e ousadia, e o facto, grave, de não haver um plano conhecido que para tal aponte. Em 50 anos nações e cidades têm-se erguido do nada para hoje serem estrelas em vários campos.

Évora, cidade da cultura, pratica isso sim uma cultura cega, passadista, vendendo a turistas e nacionais um mundo monumental com 2 mil ou poucos menos anos, nada tendo de novo de que se possa gabar, tem vindo a regredir, a qualidade de vida dos seus cidadãos está pela hora da amargura, ou da morte. Se há 2 ou 3 anos disse a uma eleitora que mandasse fazer á sua medida e nas Caldas da Rainha um candidato à presidência da CME hoje digo sem rebuço que muito eleitor e eleitora eborense deveriam mandar fazer um boneco das caldas no Redondo ou em S. Pedro do Corval e o pusessem num altar perante o qual orassem. Talvez assim a cidade finalmente se livrasse das cataratas que muita gente tem nos olhos. Bom Natal.