terça-feira, 12 de agosto de 2025
domingo, 10 de agosto de 2025
837 - NASCIDOS NO LUGAR ERRADO …
“Não estou por dentro desse assunto”…
Disse Isabela ……
Que
raio de resposta mais descabida !
Eu,
que vivi com uma mulher cheia de porras e não sei que mais me agradava nela,
talvez tudo, habituei-me a pensar como ela, a ver o mundo como ela, e como ela
nem sempre a gostar do que via, e do que vejo.
Era
uma mulher inteligente confesso, pelo menos eu assim a pensava, mas, mulheres
inteligentes… apanhá-las… Sempre gostei desse tipo de mulheres, sempre me
atraíram, sempre me seduziram, e são cada vez mais raras, ou mais subtis, mais
camufladas, mais inacessíveis.
Por mim que as topo à distância e de imediato,
posso jurar deparar-me cada vez com menos, por mim haverá menos, até pode ser
mal meu, que estou mais velho, mais bonito e mais interessante, assim me penso
e julgo, não garanto que assim seja… Muitas ainda me acham um viúvo
interessante e a não perder pois esporadicamente vejo-me surpreendido, prova
de que nem são capazes de me conhecer a fundo, handicap que detecto até em gente com quem convivo.
Eu
teria dado uma resposta do género;
Ando veementemente a tentar ficar por
dentro desse assunto mas nã tá fácil… tem-me faltado tempo.
E
pronto, estava salva a honra do convento. Não suporto que, havendo igualmente bué
de homens que não estão por dentro de coisa nenhuma, apareça uma ela a admitir
clara e humildemente que a coisa é preta….
A
vidinha nã tá nada fácil, decerto ela terá vindo dum mundo justo e será ingénua, inocente,
e que certamente ficará constrangida e confrangida com o que é e c’a situação
em que se encontra, volvidos cinquenta anos sobre aquela tal madrugada *
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
…
* Sophia de Mello Breyner Andresen
Por isso, por tudo isso, por tudo em que te transformaram e que és quero pedir-te desculpa, quero assumir perante ti a minha cota parte no estado a que as coisas chegaram, pois humilde e vergonhosamente declaro, também eu acreditei na democracia prometida.
E também eu, como julgo ter acontecido contigo, com o
passar do tempo acabei por ficar desiludido, tu certamente terás sofrido igual
desilusão, já que a imagino ou a pareço ver estampada em ti, na tua cara, sempre que contigo me cruzo.
Culpa
minha portanto que, como muitos outros, também votei e acreditei demasiadas
vezes nos políticos venais que temos. Também eu tenho culpa que a tua cidade, a
minha, a nossa cidade seja a mais pobre e atrasada deste atrasado país, mea
culpa, mea culpa, mea culpa… Espero pois sinceramente que me compreendas e me
perdoes.
Em 79 podia ter ficado na Suíça e não o fiz
por acreditar nas promessas de Abril, mais tarde viria a dar completamente
razão a José Mário Branco no seu celebérrimo Lp FMI **
Uma porra pá, um autêntico desastre o 25
de Abril
Esta confusão pá, a malta estava
sossegadinha,
Estás desiludido com as promessas de
Abril, né ?
Com as conquistas de Abril !
Eram só paleio a partir do momento que
t'as começaram a tirar e tu ficaste quietinho, n'é filho ? E tu fizeste como o
avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, não
é ? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é
não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de
consciência, não andas aqui a brincar, n'é filho ? Precisas de ter razão,
precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da
frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de
Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã ?
**Extracto da letra de "FMI"
por José Mário Branco
Claro
que me lixei, não ter ficado na Suíça foi o meu azar. Este país nunca foi nem é
para novos, nem para velhos, neste país as oportunidades são para queimar, para
perder, por isso se dantes estávamos trinta anos atrasados em relação à Europa
agora estaremos cinquenta, talvez mais, há peculiaridades aqui que ninguém já
estranha, por exemplo sermos o único país do mundo onde os ladrões não assaltam
bancos, aqui são os donos, os banqueiros que os roubam, nós somente somos
chamados para pagar os prejuízos, é isto ter juízo ?
Talvez
vivamos numa das poucas cidades e dos poucos países do planeta onde em
cinquenta anos não resolvemos um único dos problemas que nos afligiam mas
cuidámos de arranjar outros, de arranjar mais, muitos mais. Que desiderato é
este que em simultâneo nos cala e anima como se vivêssemos no melhor dos mundos
?
Nem
sei nem consigo imaginar quantas oportunidades terão sido perdidas por ti, por
mim, por tantos outros nesta cidade e neste país por incúria, cegueira,
incompetência, ignorância, arrogância e estupidez das autoridades instituídas
e, por que não dizê-lo, dos cidadãos, dos intelectuais, dos sábios, dos
académicos, dos eleitores e tutti quanti preenche a fauna da urbe e do
rectângulo…
Quanta
gente pessoalmente irrealizada ? Frustrada nos seus sonhos ? Travada nas suas
aspirações ? Nas suas legítimas ambições ? Quantos caminhos barrados ? Quanta pesporrência ? Prepotência ?
Partidarismo ? Seguidismo ? Sectarismo ? Nem Estaline alguma vez terá ido tão
longe quanto por aqui, por cá. E é esta a democracia que nos querem impor ? Impingir ?
Lamento
amiga Isabela, lamento que nos tenhamos vindo meter na caverna de Ali Babá. Por
aqui só há ladrões, tratantes, patifes, agiotas, facínoras, gatunos, biltres,
sicários, salafrários, especuladores, usurários e, nem o facto de sermos comedidos
ou por vivermos isolados nos safará desta cáfila que de há cinquenta anos p’ra
cá tomou conta da nação.
Quantas
vezes não me interroguei já se terá valido a pena aquela madrugada *…
E tu
??????????
Adeus
cara amiga, até que nos vejamos de novo, um grande abraço e votos sinceros de
Boas Férias.
Gosto
de ti.
P.S.
Não, não estou a querer engatar-te, nem a pensar nisso sequer…
https://mentcapto.blogspot.com/2018/07/519-mulheres-inteligentes-apanha-las.html
terça-feira, 15 de julho de 2025
835 - ABRE-TE SÉSAMO !!! ABRACADABRA !!!!
Não era a fé que me movia, nunca a tive, aliás, peço desculpa, uma vez houve em que me vi tão atrapalhado que supliquei perdão por todas as minhas faltas e roguei pela minha salvação daquele inferno, tudo prometi e todo esse empenho ficou por cumprir. Sou portanto devedor, devedor de mim mesmo, que me obriguei num momento de aflição para depois aligeirar o fardo, quando sobre as costas me não pesavam já os receios, os medos, os terrores.
Não era o caso agora, agora tratava-se de cumprir um mandamento tão velho quanto o mundo, tratava-se de dobrar-me sob o jugo de uma força maior que eu, de soçobrar perante o instinto inato que protege as espécies e lhes garante sobreviverem e multiplicarem-se.
Nesse momento mágico, como um crente ante sacra imagem, entrei em transe e, mais que a vergasta com que o desejo soe golpear-me nesse recolhimento, o corpo se me verga sob o truísmo encantado da minha devoção, digo-to para que saibas desta fé em mim e me ofereças o linimento das águas desse cálice que sedento busco, sequioso, na mira de abafar as tormentosas chamas que me queimam e me não trazem nunca a quietude que desejo e só alcanço quando em ti me dessedento.
Compreende
então que não suportando a angústia me ajoelhei ante ti numa penitência de
mártir, te abracei como um náufrago suspenso do salvador, arrastando-o na
espiral da morte, na vertigem dos abismos em que a redenção não é o meio mas o
fim último da submissão, do gesto e da catarse.
Por
isso te abri como a um sacrário, ávido de maravilhar-me no teu santo graal,
como quem sucumbe ao encanto duma odalisca, ao aroma adocicado das amêndoas, ao
sabor agridoce de travo suave dos pêssegos rosa, por isso me quedei como se
ante um cibório, não antevendo mas vivendo os prazeres do êxtase, vogando no
paraíso prometido por todos os profetas em todos os sonhos e em todas as vidas.
E
feliz sucumbo à minha voracidade, por ser aí que finalmente me perco e me
encontro, porque então, sim, só então sublimo a tentação que me arrastara,
sôfrego, ao âmago de ti, por em ti encontrar o carrasco e a salvação dos
tormentos em que me deleito e suplício, qual cilício e cura desta paixão que me
consome.
Somente
isso explica a profusão de beijos com que, enlouquecido, numa fúria aparente,
cubro o objecto da minha fé, da minha devoção, da minha entrega, ciente de ser
este paroxismo avassalador que simultaneamente me subjuga e liberta da
sensação, em mim somatizada,* que me guia e me cega enquanto se não cumpre o
destino, a sina, o fado, e os lábios te tocam, a língua te procura, porque a sede
é tortura consumindo-me as entranhas.
Apazigua-me
esta dor o néctar dos deuses, ou d’uma flor, é vibrando que o procuro, e então,
num estremecimento, guloso, sorvo-o num estertor, alarvemente, esquecido do
tempo e do lugar, esquecido de mim precisamente quando eu um outro, quando e se
ousas derramar sobre mim essa taça, ou me obrigas, também tu já toldada, já
possuída da mesma fé, da mesma devoção, a beber do cálice a cicuta da vida, por
sentires e saberes que só a ressurreição nos limpa do pecado se por amor nele
mergulhámos.
Nos cegamos, nos cegamos, y sólo la mente en torbellino nos acompaña, no guía, acompaña, mientras la lengua tantea el camino, la intersección, mientras la boca clama, voraz, por veneno y paz, por todo y nada...
E
antes que tudo termine caio a teus pés, prostrado, numa pausa redentora, porque
agora sim, estamos prontos, pois a tarde é nossa e chegada a hora de nos
cumprirmos,
Y antes de que todo termine caigo a tus pies, postrado, en una pausa redentora, porque ahora sí estamos listos, porque la tarde es nuestra y ha llegado el momento de realizarnos,
seja...
así sea
A somatização, então, ocorre
quando a mente, incapaz de lidar com o sofrimento emocional, o transforma em
sintomas físicos. Isso pode acontecer em casos de transtornos mentais,
dependência química, traumas, ou quando a pessoa está tentando ignorar ou evitar
a dor emocional.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
834 - A PSICOLOGIA DO ESQUERDISMO ...
PSICOLOGIA DO ESQUERDISMO
Um dos mais notáveis e certeiros diagnósticos do esquerdismo como fenómeno psicológico com que me deparei, em abono da verdade através do meu amigo Rodrigo Penedo já que sem a sua contribuição eu só conheceria metade da história.
E desconheceriaa história toda, pois a metade que foi muito badalada na altura pelos mídia não era precisamente a mais importante mas a que venderia mais jornais... Académico exemplar, Ted Kaczynski, que mais tarde viria a cair em desgraça, soube contudo diagnosticar, demonstrar e descrever a famigerada doença do esquerdismo. Passemos então a ele....
Sim Rodrigo, concordo ser
indiscutivelmente o Manifesto do Ted Kaczynski a mostrar-nos a faceta
multifacetada do esquerdista, o qual por natureza dissimulado é afinal e
essencialmente um perturbado mental afectado por duas grandes tendências
psicológicas: “sentimentos de inferioridade e afectação negativa durante o
processo de socialização”.
Vejamos o brilhantismo
analítico de alguns excertos da obra de Kaczynski onde o autor analisa a forma
como a tara da inferioridade se manifesta no esquerdista:
«Por “sentimentos de inferioridade” entendemos não só os sentimentos de inferioridade em sentido estrito, mas todo um espectro de características inter-relacionadas: baixa auto-estima, sentimentos de impotência, tendências depressivas, derrotismo, culpa, ódio a si próprio, etc. Defende o autor que os esquerdistas modernos tendem a ter alguns destes sentimentos (possivelmente mais ou menos reprimidos) e que os mesmos são decisivos para determinar a direcção do esquerdismo moderno. (…)
Muitos esquerdistas, a
grande maioria deles, identificam-se intensamente com os problemas de grupo que
carregam a imagem de fraqueza (mulheres), derrotados (índios americanos),
repelentes (homossexuais) ou inferiores. Os próprios esquerdistas sentem que
esses grupos são inferiores. Nunca admitirão para si próprios terem tais sentimentos,
mas é precisamente porque vêem esses grupos como inferiores que se identificam
com os seus problemas, logo com eles.
Atenção, não se está a
sugerir que as mulheres, os índios, etc., sejam inferiores; está apenas a
fazer-se uma observação sobre a psicologia esquerdista). (…)
Os esquerdistas tendem a odiar tudo o que tenha agarrado ou identificado com uma imagem forte, bom e bem-sucedido. Odeiam a América, odeiam a civilização ocidental, odeiam os homens brancos, odeiam a racionalidade. As razões que os esquerdistas dão para odiar o Ocidente e o resto não correspondem claramente aos seus verdadeiros motivos.
Eles DIZEM que odeiam o
Ocidente porque é belicoso, imperialista, sexista, etnocêntrico, etc., mas onde
ou quando esses mesmos defeitos aparecem em países socialistas ou em culturas
primitivas, o esquerdista encontra desculpas para eles, ou, na melhor das
hipóteses, admite RESSENTIDO que eles existem; minimiza-os tanto quanto os
ENFATIZA, muitas vezes exagerando imenso esses defeitos quando os mesmos
aparecem na civilização ocidental.
Assim, torna-se claro que
esses defeitos não são o verdadeiro motivo do esquerdista para odiar a América
e o Ocidente. Ele odeia a América e o Ocidente porque são fortes e
bem-sucedidos.
Palavras tão simples como “auto-estima”, “autoconfiança”, “auto-suficiência”, “iniciativa”, “empreendedorismo”, “optimismo”, etc., têm pouca relevância no vocabulário de esquerda. O esquerdista é anti-individualista e pró-colectivista. Quer que a sociedade resolva os problemas de cada um, que satisfaça as necessidades de todos, que cuide deles. O esquerdista não é o tipo de pessoa que tenha um sentimento interior de confiança na sua capacidade de resolver os seus próprios problemas e satisfazer as suas próprias necessidades. Ele é antagónico em relação ao conceito de competição porque, no fundo, se sente um falhado, um perdedor
As formas de arte que apelam
aos intelectuais de esquerda modernos tendem a ser subjectivas, ambíguas, a
centrar-se na sordidez, na derrota e no desespero, ou então assumem um tom
orgiástico, descartando o controlo racional, como se não houvesse esperança de
conseguir nada através do cálculo racional e tudo de válido que nos restasse
fosse mergulhar nas sensações do momento..
Os modernos filósofos de
esquerda tendem a rejeitar a razão, a ciência, a realidade objectiva e a
insistir que tudo é culturalmente relativo. (…) O esquerdista odeia a ciência e
a racionalidade porque estas classificam certas crenças como verdadeiras (ou
seja, bem sucedidas, superiores) e outras crenças como falsas (ou seja,
falhadas, inferiores). Os sentimentos de inferioridade do esquerdista são tão
profundos que ele não pode tolerar qualquer classificação de algumas coisas
como bem-sucedidas ou superiores e outras como falhadas ou inferiores.
Isto também está subjacente à rejeição, por parte de muitos esquerdistas, do conceito de doença mental e da utilidade dos testes de QI. Os esquerdistas são profundamente contra as explicações genéticas das capacidades ou do comportamento humano porque essas explicações tendem a fazer com que algumas pessoas pareçam superiores ou inferiores a outras. Os esquerdistas preferem dar à sociedade o crédito ou a culpa pela capacidade ou falta dela de um indivíduo. Assim, se uma pessoa é “inferior”, a culpa não é dela, mas da sociedade, que não a terá, como seria sua obrigação, educado correctamente.
O esquerdista não é
tipicamente o tipo de pessoa cujos sentimentos de inferioridade o tornem um
fanfarrão, um egoísta, um rufia, um auto-promotor, um competidor implacável.
Este tipo de pessoa não perdeu totalmente a fé em si próprio. Tem um défice
profundamente intuído do seu sentido de poder e de auto-estima, mas ainda
consegue conceber-se como tendo a capacidade de ser forte, e os seus esforços
para se tornar forte produzem todavia o comportamento desagradável que lhe
conhecemos e que a caracteriza.
Mas o esquerdista está
demasiado longe disso. Os seus sentimentos de inferioridade estão tão
enraizados que ele não consegue conceber-se como individualmente forte e
valioso. Daí o colectivismo do esquerdista. Ele só se pode sentir forte como
membro de uma grande organização ou de um movimento de massas com o qual se
identifica.
Reparem na tendência
masoquista das tácticas da esquerda. Os esquerdistas protestam deitando-se na
frente dos veículos, provocam intencionalmente a polícia ou os racistas para
que os maltratarem, etc. Estas tácticas podem muitas vezes ser eficazes, mas
muitos esquerdistas utilizam-nas não como um meio para atingir um fim, mas
porque PREFEREM tácticas masoquistas. O ódio a si próprio é uma característica
da esquerda.
Todavia Theodore John Kaczynski não é
flor que se cheire, licenciou-se na conceituada Universidade de Harvard em
1962, integrando de seguida o corpo docente da Universidade de Michigan onde
obteve o seu mestrado (1964) e o doutoramento (1967) em Matemáticas, sendo-lhe
atribuído o Galardão Myers Para Melhor Dissertação do Ano.
Apesar dos diplomas e de ter dedicado a
vida fazendo ressoar o alarme quanto ao que considera o principal problema da
humanidade: a omnipresente subjugação à força destrutiva do progresso
tecnológico. Nos seus escritos articula uma extensa crítica ao "sistema
tecno-industrial" antevendo as consequências catastróficas deste para a
humanidade e para a biosfera, daí a autoria de A SOCIEDADE INDUSTRIAL E O SEU FUTURO....
Kaczynski nascido em 1942 em Evergreen
Park, Illinois, foi um prodígio intelectual, ingressou na Universidade de
Harvard aos 16 anos, onde se licenciou, tendo tirado o mestrado e doutoramento
aos 24 anos na Universidade de Michigan, tendo
sido aos 25 anos o mais jovem professor de Matemáticas na história da Universidade
Califórnia Berkeley. Passados dois anos abandonou o ensino e mudou-se para
uma área remota do Montana para concretizar a ambição pessoal de viver de modo
autónomo e auto-suficiente, adoptando um estilo de vida sobrevivencialista,
vivendo da terra e da caça durante cerca de vinte anos.
Tendo sido condenado a uma pena de
prisão vitalícia pela campanha de atentados à bomba em que ficou conhecido como
Unabomber, Kaczynski encontra-se encarcerado em regime de cela solitária numa
Prisão Federal no Colorado desde 1998, onde continua contudo escrevendo ensaios
tecnofóbicos.
Em 14 de Dezembro de 2021
e de acordo com Donald Murphy, porta-voz do Departamento
prisional, Kaczynski foi transportado para o centro médico prisional FMC Butner,
na Carolina do Norte. Murphy recusou-se a fornecer qualquer detalhe sobre a
situação clínica de Kaczynski ou a razão pela qual foi transferido. No entanto,
numa conversa por meio de carta, Kaczynski indicou estar sofrendo de cancro
terminal e que a sua expectativa de vida seria de dois anos ou menos, mas isso
nunca foi confirmado. Porém, na manhã de 10 de Junho de 2023, funcionários da
prisão descobriram que Kaczynski tinha morrido em sua cela na cadeia da
Carolina do Norte.
Obras
O Manifesto Unabomber
Industrial Society And its Future.
The New York Times e The Washington Post, 1995. ISBN 0-9634205-2-6
A Sociedade Industrial e Seu Futuro.
Editora Baraúna, 2014. ISBN 978-85-437-0127-1
Artigos e Ensaios
Morality and Revolution (Moralidade e
Revolução), 1999.
Ship of Fools (O Navio dos Tolos),
1999.
When Non-Violence is Suicide (Quando
a Não Violência É um Suicídio), 2001.
Hit Where It Hurts (Atinja Onde Dói),
2002.
The Coming Revolution (A Revolução
que se Aproxima), 2005.
The Road to Revolution (O Caminho para
a Revolução), 2005.
Coletâneas
The Road to Revolution. Éditions
Xenia, 2008. ISBN 978-2-88892-065-6
L'effondrement du Système
Technologique, 2008. ISBN 978-2-88892-027-4
Technological Slavery. Feral House,
2010. ISBN 978-1-932595-80-2
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ted_Kaczynski
quarta-feira, 18 de junho de 2025
833 - UMA IDA Á PRAIA, AVENTURAS E DESVENTURAS DE UM VIÚVO INEXPERIENTE ...
Empurraram-me para isto, p'ra uma ida á praia ... Foi o que foi ...
- Baião, tens que conviver, sair, bla bla bla...
E francamente ou eu escolhia inscrever-me na “universidade” dos velhos, coisa que não suporto, ou alinhava com eles pelo menos uma vez numa das ida á praia, daquelas que o Grupo de Viagens GTI organiza (em tempos fui nalgumas viagens e foram óptimos passeios de grupo) ou os aturava o resto da vida pelo que anui e inscrevi-me numa dessas idas, mas nem tão pouco levei calções de banho…
Tudo pk lá na ideia deles fiquei viúvo há relativamente pouco tempo e não posso continuar sozinho nem a isolar-me ou ainda viro eremita e bla bla bla bla… Aceitei, inscrevi-me, esperei o dia da ida e lá fui num belo autocarro daqueles a que só falta multibanco… Para ser sincero ainda não tinha decorrido meia hora de viagem e já eu concluíra não estar preparado para estas coisas, nem para estas nem para ingressar na tal “universidade” dos velhos, nessa então muito menos !!
Passeio pela vila ou cidade de Ericeira, bonita mas alcandorada numa falésia e com muitas escadas, ladeiras e subidas, tudo coisas demasiadas para velhos, e para novos, até p'ra mim que estou n meia idade, nem desci á praia…. Com tão excelsa companhia não me apeteceu matar a criosidade quanto a essa vila de contrastes, por isso apesar do passeio da manhã ser livre rumei a uma praça apinhada de gente, a maioria velhos, a maioria velhos de excursões como a minha mas oriundos das mais variadas zonas do país, a Ericeira tem mais turistas velhos num dia que ouriços tem o seu mar... E eu a pensar que o negócio dos "mata-velhos" tinha sido das melhores idéias que alguém tivera...
Pelo que para afastar o calor entrei numa das gelatarias que me pareceu menos cheia, pedi um gelado de taça, que me saiu caríssimo, ia ficando sem os olhos e, sentei-me a comê-lo quando … snif snif snif …. Cheirava a merda que tresandava, não era o WC, confirmei, só podia ser um dos velhos ou velhas que por ali abundavam de bunda nas cadeiras em volta das mesas… portuga ? english ? franciú ? bosch ? marroquino ? tailandês ?? Fugi dali a sete pés nem acabei a merda do gelado….
Depois rumámos ao autocarro que
nos levou ao almoço, uma marisqueira daquelas que desistiram de fazer
casamentos e baptizados por já não os haver mas que se reconverteu a dar
almoços de marisco aos velhos turistas….. E ás tantas dou por mim a pensar :
mas que faço eu aqui ? Que faço eu no meio disto tudo ?
Cada mesa levava dez “turistas”, contei as mesas, eram à volta duns 600 os comensais, portanto muita gente de outros autocarros, de outras terras, e eu ali no meio daquele mar de gente velha, eu novo, 71 acabadinhos de fazer, novinhos, ainda a brilhar, e nem uma velha jeitosa, nem uma que valesse a pena levar a dançar, ou a apalpar, ou a engatar, uma coisa para o futuro que o amanhã a Deus pertence e eu tinha que satisfazer os cabrões que me meteram nesta alhada, que lhes vou dizer ? Que tenho má boca ? Que sou esquisito ? Eu a fugir dos olhos gulosos delas, dos perfumes baratos de há 50 anos, dos fedores nauseabundos dos cremes da cara que me fizeram lembrar a minha avó Inácia que Deus tem à sua guarda há 40 e muitos anos….
Sim porque havia música e músicos, de quinta categoria mas havia, eram todos cançonetistas de terceira, e o tal povo que Almada Negreiros tão bem categorizou;
“ O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo
todas as qualidades e todos os defeitos.
Coragem portugueses, só vos faltam as qualidades.”
Havia música e mesas bem recheadas com tudo, e bem servidas, muita gente a servir, nada de esperas, fartura de tudo mas meu Deus eu estava rodeado de velhas e velhos, algumas mais novas mas ainda assim mais velhas que velhas… Eles idem, só grunhos, broncos, e parvos, até que desbastadas as entradas e o primeiro prato a mesa foi recheada de frutos do mar, do camarão mais pequeno á lagosta maior, da conquilha pequenita à vieira mais grandita, caranguejos, santolas...
Parecia a mesa das bacantes, quando
repentinamente dou por eles todos levantados, de telemóvel na mão p’ra registar
o momento, parece que nunca tinham visto marisco, ou comido marisco, impressionou-me
a atitude, eu que nem aprecio nem um nem outro além de camarão, e eles numa
atitude pasmada e generalizada, de todos sem falta focados no centro da mesa, no rei marisco, não neles, não uns nos outros, mas no ídolo do momento, no que lhes iria tirar a barriguinha de misérias, afinal o 25 de Abril valeu a pena, ali estão eles manducando o manjar dos ricos, é a igualdade prometida cumprindo-se ….
E eu para com os meus botões, isto ainda vai demorar ? Felizmente a velharia cansa-se depressa e daí a pouco, todos felizes, todos de bandulho atolado de marisco, babando-se mas rumando, ainda que aos encontrões para o autocarro, eu olhando-os com pena e trocando sorrisos maliciosos com a guia, às tantas um piscar de olho, a coisa promete, a ela o espectáculo também a diverte…
ela disse-me que têm programas muito variados e dessas coisas percebe ela, há casos em que o melhor é a gente deixar-se levar, o universo tem mistérios que a gente nem sonha nem sabe desvendar…. Além disso o meu futuro ta escrito na palma da minha mão garantiu-me ela, pelo que nem valerá a pena eu esbracejar não acham ????
O pior foi mesmo o regresso, o autocarro
no regresso cheirava mais mal que a tal gelataria, alguém estava borrado mas mesmo borrado, agora com aquelas cuecas para a incontinência cagam-se todos e só o
cheiro sai de mansinho, mais nadinha de nada, mas olham todos uns para os
outros sem que ninguém se descaia e é aí que está a piada…. Alguém viaja
confortavelmente em cima de uma almofada de merda e nem diz nada…
Depois, depois a toda hora caem, perdem-se, cada vez que o autocarro faz uma paragem na volta chegam atrasados, finalmente entram e depois ou antes de entrarem vomitam-se e mijam-se, se sentados e em andamento nunca se calam, nem sabem o que dizem nem dizem o que sabem, não têm maneiras mas têm suores frios, guincham e falam gritando desaustinadamente, palitam os dentes com a unha, desmaiam quando menos se espera, têm uma admiração mórbida por igrejas e santos, não sabem nada nem conhecem nada nem ninguém, que terão andado fazendo uma vida inteira ?
Eis o que me espera, tou com 71 e
para lá caminho… para lá do inferno …. Ainda não estou preparado para estas cenas…………….
HUMBERTO BAIÃO
AVENTURAS E DESVENTURAS DE UM
VIÚVO INEXPERIENTE ...
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