domingo, 16 de janeiro de 2022

745 SEREIA DE SONHO SONHADA EM NENÚFAR

 



Minha ventura começou com convite de grão-vizir para que passasse férias naquela fortaleza. Desde então, e lembrem que sou do tempo em que os animais falavam, seduzido pela beleza da paisagem e pelo mar azul, por ali me fico a metade do ano em que nos pólos faz frio e no equador calor em demasia.

 

Não só por isso me avezei aquele lugar, banhado por águas tépidas onde nenúfares perfumam o ar e servem de leito a dezenas de sereias que, como eu, fugindo dos rigores gelados ou cálidos de seu mundo, ali passam igualmente o período estival. Entre elas, uma teve o condão de me encantar com o seu canto.

 

Loira, de uma beleza ímpar até para sereias, cabelo caracolado, há séculos troca comigo insuspeitos e cúmplices olhares e intenções, tendo mesmo chegado a deixar livre para mim um dos gigantes nenúfares onde se espraiam, tomando sol, cantarolando e atraindo com o seu canto, depois do poente, navios e marinheiros.

 

Naquelas águas calmas, prateadas, vi passar ao longo dos séculos navios negreiros, navios piratas e muitos, muitos outros carregadinhos de café… Em cada carregamento o aroma forte do café torna este reino mais acolhedor, provocando em mim o desejo quando, desta fortaleza de Odemira vejo as luzes refulgindo e o destino me traz à memória essa sereia.

 

Espero-a, imaginando os oceanos lindos por onde anda, espero-a, e sonho percorrer com ela esses mares para mim enigmáticos, espero-a e recordo-a em cada lufada carregada do odor forte que até mim chega. O café, as águas azuladas, o mar um lago lindo donde ela emergirá, mais bela que nunca, mais sedutora que nunca, ela linda, eu feliz a seu lado, eu feliz como jamais estivera, como se há tanto tempo….

 

Por isso a recordo como se ontem, como se hoje, o canto harmonioso, as palavras e os modos de deusa marinha, a delicadeza feminina e simultaneamente diáfana. Sonhando-a sonho o mar numa tarde de solstício, o seu olhar, os seus olhos, o seu sorriso, beijos, carícias, desejos que eram os meus, o seu corpo jovem, o odor a mar, os cabelos em minhas mãos, ela em minhas mãos e eu, no azul tépido e escuro daquelas águas, cativado com tanta ternura, com os seus seios cheios, túrgidos, lindos, excitantes, ela tão doce, tão querida, tão meiga… Eu, velho de séculos, sei-a de cor, ainda hoje a sei de cor...

 

E jamais um café sem que a evoque, sem que nos lembre, e esqueço-me de o beber olhando-o, desligado do tempo infindo em que perduro, até o beber frio, e se frio… não me queixo, há cafés e cafés, depende do que nos recordem, e então sim, uns sabem bem… outros a nada, outros ainda a saudade e a ausência, a desejo, a ansiedade, a tormento, e tanta coisa nos diz um café, um espelho de água com nenúfares, e jamais me ocorrera tanta coisa coubesse numa chávena de café…  Todo um mar florido.

 

E nesse mar eu, e ela, e todo aquele dia dentro… Banhados nas águas do seu mundo. Como de outro modo senão numa chávena de café ? Numa simples flor ou numa memória, reminiscência memorável, e fico olhando o fundo, não as borras , que as não tem, mas o fundo, o resto do café bebido, e vejo-a reflectida em cada chávena, e sorri-me, recordando-me o melhor dela. Como não o melhor se não lhe conheço defeito, apenas a beleza etérea… o sabor a salmoura dos seus beijos… O calor das águas em que nos banhámos, o fulgor do céu que nos cobria, a profundeza do mar em que nos atolámos… E já me habituei a pedir o café sempre num canto resguardado do balcão, longe de olhares, longe do bulício, para ficar ali sonhando-a, recordando-a, amando-a numa chávena de café…

 

Estarei lúcido ? Estarei sóbrio ? Será possível ?

 

Queria beber com ela cada café da minha vida, e tantos dias, tantos cafés, tanta felicidade, e já está fria esta bica, vai sendo costume já, estou habituado, é bom, nunca lembrara uma bica como agora, e agora… Nem esqueço nenhuma, mesmo que fria, justamente por me ver, e a veja, no fundo de cada chávena.

 

Sitio lindo o desta fortaleza.

 

Este mar florido e tépido, o seu sorriso, beijos, carícias, desejos, que eram os meus, o corpo jovem de ninfa, o odor a algas salgadas, os cabelos nas minhas mãos, ela nas minhas mãos, e eu vendo-me nas profundezas do mar onde me levava o céu com que nos cobria, embevecido com tanta ternura, com os seus seios cheios, lindos, excitantes, ela tão doce, tão querida, tão meiga…

 

Temo desde há séculos a morte dos nenúfares, lendas dizem que a cada um corresponde uma sereia que morrerá com ele, por nada deste mundo queria perder aquela que, de entre tantas logrou encantar-me. Temo desde há séculos a morte dos nenúfares, lendas dizem que em cada um uma sereia que morrerá e, 

por nada deste mundo queria desencantar-me...



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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

744 - CONSTITUIÇÃO, ELEIÇÕES E LIBERDADE...



Li e ouvi com atenção os mídia e os programas dos partidos concorrentes às próximas eleições legislativas. Fiquei elucidado e não duvido de que o ADN será um dos partidos que fazem falta a este país. Portugal é cada vez mais uma república a que eu chamaria de parlamentarismo bacoco, já que nesta democracia de instalados, os parlamentares que lhe deviam dar vida e a deviam defender e honrar, são na realidade um perigo para o dito órgão e regime.

 

Porém quási todos eles num mesmo capítulo e nos respectivos programas me desiludiram, o da ECONOMIA, em que pouco ou nada falam, e quando falam pouco dizem. Falemos então de economia. Em 47 anos este país não fez um único negócio proveitoso, 95% da banca já não é nossa, nem 97% dos seguros. O investimento, de que precisamos como de pão para a boca, se público ronda há muitos anos quase o zero absoluto, mas se falarmos do investimento privado verificaremos pouco mais ser que residual.

 

Como se equilibrarão as finanças e o orçamento de um país que vendeu ao desbarato as suas empresas mais rentáveis ? Onde iremos agora buscar o dinheiro, o investimento público para aplicar no SNS, na Justiça, no Ensino, na segurança, interna ou externa, onde ? Com que meios e em que regime que não este que nos sangra e levará a morte certa ? Capitalista ? Comunista ? Socialista ? Social democrata ? Social Cristão ? Escravidão ?

 

É importante ficar claro o sistema económico em que o(s) partido(s) vencedor(es) irão apostar pois no futuro, no pós bancarrota, e a 4ª está a bater à porta, será grande a responsabilidade dos partidos a quem couber a responsabilidade de governar. Se todos se consideram a si mesmos partidos que se intuem e aceitam como a vanguarda do futuro, a esse lugar de vanguarda corresponderá a responsabilidade de liderança e liderar é assumir, no caso uma modalidade económica a implementar e que nos conduza à estratosfera. Eu defenderia simplesmente os valores conservadores de direita por um lado e o liberalismo puro e duro por outro.

 

Depois há que saber bem, conhecer melhor e saber profundamente quais os mais prementes anseios das pessoas. Elas quererão, têm mesmo direito a bem estar social e material. Ora é aqui que o primeiro degrau de responsabilidade se nos depara, não se pode distribuir o que não há, e para haver a ECONOMIA tem que funcionar, e tem que constar claramente no programa de quaisquer dos partidos concorrentes.

 

“As pessoas primeiro” como diriam os falsos do Partido Socialista. Mas garantindo sem falsos compromissos nem demagogia coloquemos efectivamente as pessoas primeiro, os portugueses primeiro. E dirijamos o país a fim de produzir, poupar, investir, amealhar, enriquecer. Só assim poderemos zelar pelo cumprimento e anseio dos portugueses, dos seus e nossos desejos, das suas e nossas justas ambições, portanto e antes de tudo, primazia e atenção à ECONOMIA.

 

Apareçam de onde aparecerem devem ser acarinhadas todas as iniciativas de investimento, contudo, e para evitar possíveis dissabores tardios, há que fiscalizar essas iniciativas e, nesse sentido exigir e responsabilizar quem de tal estiver incumbido, de gestores de programas a investidores. Há que apoiar as autarquias, sejam de que cor forem, são portuguesas e Portugal e os portugueses devem estar primeiro, contudo marcar-lhes objectivos e metas, bem mais de metade delas não sabem o que andam por cá fazendo nem a missão que lhes cumpre.

 

Este partido, aquele ou outro qualquer partido terão que saber constitui-se como forças de pressão e, sob essa pressão, governar ou forçar governos a uma mudança radical e a serem feitas em três tempos mais reformas que aquelas que apesar de tão necessárias nunca foram levadas a cabo nos últimos 47 anos. É bom que os simpatizantes e militantes de qualquer deles percebam e entendam esta necessidade, há que ganhar força não só para evitar as mudanças planeadas na Constituição mas sim para mudar efectivamente a Constituição naquilo que ela precisa ser modificada para que o país se liberte.

 

Neste momento a maior ameaça ao país e à Constituição é a mudança pontual que nela querem operar os partidos do sistema, com honrosa excepção do ADN, e movidos por mor duma pretensa e falsa segurança sanitária mas que se antevê cerceadora das liberdades cívicas dos portugueses, quando do que precisamos há muito é de uma verdadeira revisão constitucional que nos traga ainda mais liberdade, a qual nunca foi efectuada.

 

Podemos afirmar sem sombra de dúvida que o maior entrave a que em Portugal se faça justiça, haja equidade e seja solta e liberalizada a economia e o desenvolvimento é a própria Constituição. No fundo precisamos de outra Constituição porque esta não nos levou à tão apregoada Liberdade, Igualdade e Fraternidade, esta Constituição meteu-nos num beco sem saída, fez do 25 de Abril o maior bluff de que há memória e conduziu-nos ao maior fiasco da nossa história.

 

Senão vejamos o que conseguimos em 47 anos em que a esquerda governou ou no mínimo condicionou maioritariamente os caminhos deste país ? No mínimo zero, nada, no máximo 47 anos perdidos, um buracão na economia, e na sociedade uma montanha de dívidas que nem Maomé quererá olhar quanto mais visitar…

 

 É curioso que decorridos 47 anos de relativa paz neste país e no mundo não tenhamos conseguido fazer ou fechar um único negócio de modo positivo. Ora nenhuma empresa, nem nenhum país, se aguenta ou sobrevive vivendo sobre negócios ruinosos. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos elites capazes, espero sinceramente que desta vez o ADN venha a fazer alguma diferença.

 

Obrigado, e votem em consciência, com consciência…


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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

743 - EM TENTÚGAL OU EM PORTUGAL ...



                                                   PORTUGAL


Como em qualquer outro lugar

moscas poisam sobre merda,

rodeiam-na, sobrevoam-na,

tecendo sobre ela considerações várias,

individualistas,

invariavelmente párias.

 

Pronunciam-se, opinam, aconselham,

ordenam sem referências nem consequências,

mera questão de competências,

todos falam,  todos cagam,

sem saber de quê ou porquê

sentenças e postas de pescada.

 

Nunca por nunca almejando ver a causa,

vêem o monte, a bola, a bosta,

a consequência chega-lhes,

são estas as moscas da minha terra

seja ela Portugal, Évora ou Tentúgal.

 

Quanto ao país esse, não ata nem desata,

nada, regride alegremente, cegamente,

e testa-se inconscientemente,

sem pensar, nunca.

 

Aqui nada mexe, nem um neurónio

desde que há quinhentos anos

Pedro Nunes inventou o Nónio…

 

Humberto Baião – Évora – 27 / 12 / 20231





 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

742 - ETAPAS, UMA (E)TAPA DE CADA VEZ ........

 


          Quando entrei entrou comigo uma alegre disposição, primeiro porque nada de lacados, de Pladur, de aglomerados, de fórmica, de parece que é mas não é. Ali tudo é real, tudo evola qualidade, classe, distinção e diferença. Depois fui surpreendido pois se me meteu na cabeça aquela cantilena do

- Alecrim, alecrim aos molhos …. blá, blá , blá

https://www.youtube.com/watch?v=BKxUxyQxBog

nem podia ser de outro modo e ainda nem tinha franqueado a entrada já um olor me acicatava os neurónios como um físico excita os átomos. Era uma vera curiosidade o que ali nos levava, já que por uma questão de meia dúzia de dias falháramos a inauguração. Mas vera dizia eu e confirmo, a vera verdade, e não a minha prima Vera, nada de confusões, não me metam em trabalhos já agora e por favor…

Ia eu dizendo que além de para lá irmos correndo, ainda parecia pairar por ali uma espécie de génio da lâmpada que nos pegava pelos narizes e nos atirava portas dentro,




maravilha, foi quase como entrar na caverna de Ali Babá, não que fôssemos para roubar o amigo Alexandre Barahona, aliás um perigo, o melhor mesmo é tê-lo do nosso lado, na mesa, digo na cozinha, e já agora numa qualquer contenda pois o homem sabe o que faz e melhor ainda por onde há-de pegar-nos.

A caverna é realmente convidativa, tão convidativa que fiquei ali com eles e com a Fátima até muito depois do almoço, discutindo aquela questão do Platão, se viria se não viria, se veria se não veria. O problema metafisico das sombras e da realidade durou e durou, muito mais que as (e)tapas que o Alex nos propõe em doses, de 3, de 5, não sei se de mais porque cada uma é melhor que a outra e ninguém tem tanta barriga assim, embora a coisa nos regale os olhos, e muito mais ainda o palato. Mas o culpado de tanta oratória terão sido os vinhos, alentejanos quantos estavam na mesa e foram muitos aqueles com os quais honrámos os deuses.

O espaço não é grande, mas é ideal, é intimista, barrado numa cor quente que nos agasalha, e está extraordinariamente decorado com requintadíssimo bom gosto. Olhei para cima, para baixo, para os lados, e nada me chocou, tudo se conjugava harmoniosamente. As mesas, as cadeiras, ali não há imitações, tudo é genuíno, fixem esta palavra, genuíno. Todos os pormenores vincam a sacralidade do lugar e efemeridade da vida, a necessidade de travar, de parar, de pensarmos em nós.

Não vou massacrar-vos com o inventário extenso, lato e aborrecido do mobiliário ou da decoração, basta que se fixem nos pormenores, a iluminação, os bibelôs de que vos falarei, das paredes ao chão que pisamos tudo se conjuga, tudo emparelha, não havendo contrastes que nos choquem, antes uma aura de paz e harmonia que nos convida a entrar, a ficar e a voltar.

 

     Foto da entrada do ETAPAS, situado nas traseiras do antigo Rest. Taco.

 

Sim porque ali tudo é diferente, da comezaina ao mais pequeno pormenor. Nem vos conto como fiquei deslumbrado com os sabores que me assaltaram o palato, sabores e odores que me trouxeram recordações de quando eu gaiato e não só, dos meus “passeios” por África e pelo Médio Oriente, salsa, tomilho, pimentão, coentros, gengibre, erva-doce, ou não estivesse ali subtilmente todo o Alentejo, o mundo, a história trágico marítima, pimenta, funcho, pimenta rosa, canela, noz moscada, pimenta branca, as hortas do meu pai em Monsaraz, a meio da Guadiana uma, agraço, alecrim, rosmaninho, e em S. Miguel de Machede outra, há mais de cinquenta anos, e num repente todas essas lembranças ali no prato, poejos, açafrão, orégãos, hortelã, sálvia cebolinho, tudo ali nos excitando olhar e paladar.

Farto de enfardar procurei a casa de banho, pequena mas asseada, e, surpresa ! Um pormenor a dar-lhe aquele toque pessoal que o Alexandre, tal qual Midas, deixa em tudo que toca. Fiz, sacudi, voltei para a mesa e sussurrei-lhe:

 - Alex, quando andar aqui por estas bandas e me apertar a vontade não estranhes, a casa de banho está tão bonitinha que virei cá só p’ra dar uma mijinha !

 


Verdade verdadinha !! Ele são as folhas de palma frente aos teus olhos enquanto te alivias, os caracóis de loiça subindo pelas paredes enquanto almoças ou as borboletas de porcelana esvoaçando por aquela banda se calhou escolheres a mesa do canto, em boa verdade nem só a comidinha te alegra o dia, tudo foi pensado ao pormenor e tudo foi tido em conta.

Isto as conversas são como as cerejas ou as cerejas como as conversas, e eu escrevo como quem está de novo almoçando naquele Palais Du Plasir pois à memória me chegam as sensações então sentidas e hoje concluo que aquilo não foi um almoço porque ali não vamos empanturrar-nos como bons alentejanos que somos, mas sim viver uma experiência sensorial única que através do palato estimula umas células que eu nem sabia ter. Mas o Chef sabia, sabia e sabe, vai daí andou brincando com as minhas células de Langher, umas células que mexem com a sensibilidade e que alguns animais têm muito mais desenvolvidas que nós, são umas células gustativas que eles e nós humanos temos, que explicam a sensibilidade na boca e que o Chef, com a sua matreirice, as ervas aromáticas, condimentos e especiarias nos troca as voltas.




As células de Langher estão comprometidas com a sensibilidade táctil e térmica, o que na boca faz toda a diferença, aliás eu já disse que o que distingue o “Etapas” dos outros restaurantes é precisamente a diferença, o pormenor, a experiência sensorial, o ambiente anormal, inusual, no sentido em que é acolhedor, mais que acolhedor amoroso, tivesse eu menos cinquenta anos e tinha saído dali p’ra ir fazer filhos creiam.

Até a sobremesa tinha que ser diferente ! Doce caseiro, feito em casa, fait à la main. Já não se via nada assim desde o rapaz do cubo mágico. Toques, malabarismos do Chef, pormenores que nos tocam o coração e nos deixam com a lágrima ao canto do olho por tanto amor à cozinha, à restauração, à profissão, aos clientes, ao trabalho, que não é vergonha, antes liberta como todos bem sabemos.

Sublime foi a sobremesa. Não sei bem o que era mas era bom, tão bom que até estalava na boca, soube-me muito bem, confesso que soube, e sorri, foi então que os malandros, ao ver-me sorrir, trouxeram uma bolsinha de veludo preto como aquela onde normalmente guardo as jóias e, naturalmente fiquei estupefacto ! Claro que agradeci ! Não esperava a surpresa, mas como estamos no Natal e em maré de ofertas…

Mas não, não era p’ra meter ao bolso, era para abrir os cordões à bolsa, porém, ao contrário do que temi foi uma agradável surpresa, vivi uma experiência do caneco, num ambiente requintado, diferente, atento ao pormenor, cuidado, verão depois o esmero com que cada prato vos é apresentado, um milagre em pleno centro histórico, uma ilha paradisíaca rodeada por todo um continente de restaurantes onde se cozinha mais do mesmo de sempre, e acreditem, não paguei mais por isso.

Só fiquei com pena de não ter trazido a bolsinha de veludo, tão macia tão macia quase tão macia como as caricias que tinham acabado de me mimar o palato.

 


https://www.youtube.com/watch?v=Da_K59BeHWw

https://www.facebook.com/alex.barahona.319

https://www.facebook.com/etapasrestaurante

 










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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

741 - MUDAR ? AS COISAS JÁ ESTÃO TÃO MÁS...




002 /

« Mudar para quê, se as coisas já estão tão más ?  »


Évora é bela, mas não é a mais bela cidade do mundo, Évora é pobreza e caos, Évora é ilusão para turistas.

 

Évora não é minha nem a minha preferida. Se eu fosse Stendhal diria que Évora é uma dádiva de Deus, para que não tenhamos saudades do paraíso.

 

Évora não existe.

 

Não existe como existem outras cidades na minha vida e lembrança. Cidades belas, imensas, previsíveis, habitáveis.

Évora assusta e deslumbra, porque nos enfeitiça e nos sentimos esquecidos se nela vivemos, e com ela ficamos deslumbrados se a visitamos.

 

Os eborenses são dogmáticos e intolerantes, bairristas e seguidistas, cruéis e sofredores ou sadomasoquistas.


Nem parecem humanos.

Entre as mulheres algumas escapam.

 

A cidade divide-se, não em duas mas em sete, tantas quantas as colinas de Lisboa, ou de Roma. Sete, tantas quão os partidos com assento na AR.

 

Para além disso encolhe, e encolhe-se na vasta, bela e sublime planície sem fim, onde poderia ter tido lugar o começo de um futuro que nela nunca é presente.


Porque em Évora nunca houve, não há e jamais haverá lugar para oportunidades de sonho, aqui sonha-se com uma qualquer oportunidade.

 

É o nosso pesadelo…

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_Colinas_de_Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_colinas_de_Roma




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