segunda-feira, 29 de maio de 2023

787 - SE REPENTINAMENTE, INSOLENTEMENTE.


 


   Se repentinamente,

  insolentemente,

te colocasse um broche ao peito,

e voltasse a cavalgar a esperança,

a esperança naturalmente,

de novo a jeito.

 

As pernas nos meus ombros,

a vida pulsando, o sangue quente,

eu erguendo-me dos escombros,

a vida de novo um pleito,

um pleito,

a esperança, a esperança,

o peito inflado, direitos os ombros.

 

E eu um outro, e eu o mesmo,

a cabeça um torvelinho, um torvelinho,

as pernas, uma tenaz,

corpos, choque, tudo a esmo,

braços, pernas, um mindinho,

e eu aqueloutro, um rapaz,  

ganhando vida, ora homem feito.

 

Reconstruido, sim, reconstruido,

rabo para dentro, peito p’ra fora,

andar direito, vencido o pleito,

erecto, altivo, orgulhoso,

o olhar um carinho morno,

e o riso, o riso, o sorriso,

 e outro, 

todo eu um outro…




sábado, 27 de maio de 2023

786 - VERDADEIRAS FÁBRICAS DE CERA, * TACHOS, GANCHOS, BISCATES, ARRANJINHOS

          



          A arenga de hoje gira em redor e a propósito de uns mapas de acumulação de funções, inerentes à CME e referentes ao ano de 2020 que abaixo exponho. Trata-se mui naturalmente de uma listagem oficial, para apresentação ao Tribunal de Contas (TC) e certamente em nada secreta, isto é não envolvendo quaisquer segredos de estado ou do distrito.

 

Para mim aqueles quadros, listando trabalhadores autorizados a exercer funções noutros serviços, noutros locais que não a CME, são mais uma daquelas burocracias, e leis, com que a AR carrega as câmaras, desta vez não tanto para haver um conhecimento de quem, quando e onde cada funcionário com um pé dentro outro fora acumula funções, ganchos, biscates, mas, mais subtil e tacitamente para autorizar a coisa e cada um poder legalmente, ao abrigo de uma lei, ter e manter os seus tachos e arranjinhos sem problemas de maior nem de menor escala. Uma lei que mais não serviu que para branquear uma siuação que hoje, como então, está mais escura que nunca.

 

Eu fora tratar de tirar umas dúvidas nos serviços camarários mas a coisa correu mal, tirei a senha errada e logicamente fui parar á secretária errada, que por sua vez me remeteu para uma outra secetária, quase ao lado que duma vez por todas me atirou lá para cima, para um gabinete que gentil e cabalmente me esclareceu quanto ao problema que ali me levara.

 

Mas neste jogar às três tabelas esquecera um livro, um jornal e uma revista numa das secretárias frente à qual me tinha sentado meia hora antes, voltei lá e logo sorriram para mim estendendo-me a literatura esquecida antes mesmo que eu por ela perguntasse.

 



Estaria tudo bem não se tivesse dado o caso de, ao chegar a casa e abrir o jornal me deparar com uma série de fotocópias dos mapas a que acima aludi, que mirei com curiosidade quádrupla, que significavam ? Como, quem e por que motivo tinham vindo parar dentro daquele meu jornal ?

 

Depois de jantar debrucei-me finalmente sobre os ditos mapas, tendo reparado que, por erro no primeiro deles, propositado ou não, se entende mal o período a que a situação reporta, pois há imensas situações de provimento designadas na data de 2022, o que não se coaduna com a data a que o documento supostamente reporta, o ano de 2020. Porém será certamente erro de interpretação da minha parte, a CME não enviaria ao TC um mapa com erros crassos.

 

Observei que os contratos de trabalho estabelecidos com os funcionários camarários em causa são de natureza diversa, uns a termo certo, outros a termo indeterminado, e que os valores pagos anualmente, apresentando uma grande disparidade entre situações e vencimentos auferidos oficialmente (estou a lembrar os quadros superiores cujo vencimento oficial é mais ou menos equilibrado e aqui apresenta oscilações incompreensíveis para os leigos na matéria) mas tenho que admitir desconhecer a natureza e a letra dos contratos estabelecidos, razão à qual as disparidades se poderão atribuir.

 

Não será por aqui que o gato irá às filhoses mas, sendo aqueles valores o vencimento oficial de cada trabalhador ali listado (a maioria ou muitos deles técnicos superiores) e exercendo um cargo remunerado na CME, isto é, mantendo na CME um emprego que naturalmente não abandonam, através “desta lei" arranjaram modo de dedicarem a uma outra ocupação o seu precioso tempo, complementando o vencimento com um biscate, isto é acumulando trabalho e responsabilidade, provavelmente descansando mal para melhor viver ou, em último grau não descansando mesmo, o que me leva a tecer sérias preocupações quanto à saúde dos funcionários da CME, destes incansáveis funcionários claro.

 



Outra coisa que naturalmente me causou apreensão foi o facto de ter visto logo à cabeça de um dos mapas o nome da filha de um antigo presidente da edilidade, Sara Fernandes, seguido de Hugo Fernandes (irmão ? ) o que, confesso tê-lo feito com alguma maldade, me levou a pensar se não teria sido dado um lugarzinho a toda a família… Julgo poder natural e justamente interrogar-me se estas situações consubstanciarão ou não uma benesse ou favorecimento a alguém. Tenho a certeza que estas situações não comportam favorecimentos familiares, partidários ou quaisquer outros. Mas, se estes mapas são públicos, porque nunca deu a CME uma satisfação ao que eles apresentam/representam ?  Por nunca lhe ter sido pedida ? Por ficar de consciência tranquila quando envia esses mapas e não ver necessidade de dar explicações ou satisfações sobre isso ? Por ser tudo transparente e nada haver a temer ou de que duvidar ? Ou o artificio legal dos mapas permite às claras que a coisa seja camuflada ? Escondida propositadamente ? Não acredito, não creio em tal mas já lá iremos...

 

Qualquer um notará observando tão claros mapas que muitos dos lugares ocupados na situação de acumulação dessas funções que designo por tachos, ganchos, biscates ou arranjinhos são lugares privados e, com a vida privada de cada um não se brinca, logo nada teríamos a ver ou a opor. Mas, em que dias e em especial a que horas são exercidas essas funções extra CME ? Há situações em que muito claramente os horários das funções oficiais na CME e os horários das funções exercidas fora de CME e em cada uma dessas instituições, privadas ou não, não parecem adequar-se, ou compatibilizar-se. Trabalham num “gancho” fora de horas nas horas de serviço ?

 

Sendo que algumas dessas instituições ficam bastante longe de Évora, como conciliar tempos gastos a percorrer os percursos, ida e volta, mais o trabalho normal na CME e o anormal no “gancho” com as meras 24 horas que o dia tem ? E a enorme responsabilidade que alguns desses ganchos exigem permite-lhes que em meras horas por semana ou por mês a função seja cumprida ? Sem prejuízo da prestação do horário laboral nem no tacho nem na CME ? Temos que admitir serem muitas destas situações altamente duvidosas quanto a este item.

 

Na maior parte dos casos não é indicado nesses mapas algum ou quaisquer valores recebidos pelas funções exercidas ao abrigo de tachos, ganchos, biscates ou arranjinhos. Não é obrigatória essa declaração ? Trabalham Pro-Bono ?  Fazem tantos quilómetros e trabalham tantas horas estes bem aventurados para não terem qualquer compensação material ou monetária ?

 




Seria bom que alguém já tivesse solicitado, e alguém proporcionado, um cabal esclarecimento deste assunto, para que interrogações como as que trás deixei expostas, (naturalmente melindrosas, até naturalmente erradas) não perturbem nem chamusquem o normal funcionamento da CME e muito menos a dignidade dos seus funcionários e concomitantemente de todos os funcionários públicos do Distrito e do país. Com tanto deputado municipal, tanta rádio local, tantos jornais, com tantos órgãos de comunicação e meios para tal, e passados tantos anos, ninguém se lembrou, a ninguém ocorreu questionar a edilidade sobre tão aparentemente candente questão ? 


Partindo do principio de que a CME tem funcionários a mais e trabalho a menos, atendendo a que o concelho está “parado” e em retrocesso há muitos anos, poderá acontecer que muitos funcionários ao abrigo de uma lei que lhes permite fazer umas horas “extra horário oficial” passem na realidade os dias fora do local de trabalho ?  Não poderá acontecer estarem a tapar-se com esta lei ? Não será que se estão tapando uns aos outros ? E em último grau serão para além disso e de tudo tapados pelos próprios colegas e amigos dentro da edilidade ?

 

Uma coisa é verdade, Évora é a cidade mais pobre do país, a mais atrasada do país, capital da província menos desenvolvida, a CME é uma das edilidades que demora exageradamente os licenciamentos, a menos amiga do investidor, aquela em que técnicos e gabinetes parecem arranjar um problema para cada solução que lhes é proposta, não estará nesta lei que permite tachos, ganchos, biscates e arranjinhos a culpa do nosso atraso e subdesenvolvimento ? Porque demoram na edilidade a dar resposta a quaisquer assuntos que lhe coloquem ? Os técnicos acumulam papelada para despachar sem que para a mesma tenham tempo para dar despacho, ocupados que estão com as suas responsabilidades nos tachos, ganchos, biscates e arranjinhos  ?

 

Cada vez tenho menos dúvidas quanto á necessidade que temos de lutar pelo direito ao lockout por parte do estado e autarquias, quanto á necessidade de despedir legalmente quem esteja a mais, quem não dê rentabilidade. Quantos serviços do estado, dependências de ministérios (ocorre-me meramente a titulo de exemplo o IFADAP, a delegação do Ministério da Economia, mas há mais, há muitos serviços do estado nas mesmas condições) é que estamos a engordar sem qualquer proveito para mais ninguém que não eles mesmos gente cuja preocupação se centra, não na criação de riqueza para a cidade, desenvolvimento para Évora, criação de emprego e de oportunidades para jovens e menos jovens, mas no bem-estar de si mesmos, e isso é inconcebível, é inaceitável e é inadmissível. Funcionários parados sim, improdutivos sim, um peso sim, mas muitas vezes, se não todas, sem culpa pela situação em que se encontram devido à ineficácia e incompetência governamentais que se arrastam há 49 anos, quer por parte dos governos centrais quer das autarquias.

 



Amigos, eborenses, abram os olhos, fiquei com a impressão de que a CME não passa de uma enorme e verdadeira fábrica de cera, e de que andam há 49 anos a comer-nos as papas na cabeça... Onde e como foram consumidos, ou sumidos os milhões que, recebidos a título do princípio de subsidiariedade nos meteram nas mãos ? Se esses milhões vieram para ajudar ao desenvolvimento por que não ocorreu esse desenvolvimento ? Gastámos perduláriamemnte tanto dinheiro que acabou por não nos aproveitar nem aos comptriotas de outras cidades que no-lo enviaram ? E ninguém sentiu vergonha ou se importou com isso ? 


Será por isso que a população diminui ?  Os eborenses fugirão daqui por termos tecnicos superiores competentes, isentos, motivados, atentos, interessados e disponiveis ? Será que ao serem ocupados dois lugares pela mesma pessoa não estará a ser ocupado ou roubado o "lugar" de outro alguém ?  Portugal estarará em crise por mero acaso ?  Ninguém terá culpa do nosso atraso ?

 

Bom fim-de-semana, e desculpai-me, 

tenho que apanhar o comboio.......................

 

                           Évora 26 de Maio de 2023

                    ________________/________________

                   











MAPAS DE ACUMULAÇÃO DE FUNÇÕES CME ANO DE 2020 Lista de trabalhadores autorizados a exercer funções noutros serviços, isto é noutros locais que não a CME.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

TEXTO 785 - “TERRAS DE NINGUÉM”, ou o “O ROMANCE DA INÉRCIA”, “NO MAN’S LAND”



        No âmbito do Projeto NetBooks, apresentamos o 6°  
e-book - "TERRAS DE NINGUÉM  -  NO MAN'S LAND  ou  
O ROMANCE DA INÉRCIA", da autoria de Humberto Baião.

 📖 Sinopse:


     "TERRAS DE NINGUÉM apresenta perante o leitor tanto o passado do Alentejo desde meados do Séc. XX, quanto o pretérito passado e o presente recente, atravessando-os, para nos projectar no futuro próximo à luz melancólica da opacidade e declínio que tomou a nossa democracia desde, "essa linda madrugada que todos esperávamos, desde esse dia inicial inteiro e limpo onde emergimos da noite e do silêncio para livres habitarmos a substância do tempo”…


       “TERRAS DE NINGUÉM”, ou o “O ROMANCE DA INÉRCIA”, “NO MAN’S LAND” para turista ver, é baseado em factos reais, verídicos, que tanto ajudam a consolidar a estrutura do romance quão proporcionam ao leitor uma lição de história e o conhecimento de pormenores desconhecidos que nunca ninguém cuidou de lhos lembrar. Doravante, a compreensão desses (imensos) factos da nossa história recente, das suas causas e consequências, surgir-lhe-ão certamente mais transparentes e ajudá-lo-ão a formar uma opinião mais fundamentada.


     O protagonista, Manuel Mestre, é uma personagem maior que a vida, sendo a partir dele e dos cenários em que se move, ele e o Alentejo, que este romance entretece dois fios distintos, o público e o privado, íntimo, mostrando-se simultaneamente como “roman” político e reflexão metafísica e romântica."

 

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NOTA IMPORTANTE ! 🔴 DIFICULDADE EM DESCARREGAR O PDF - Caras amigas e amigos, muita gente tem tido dificuldade ou não tem mesmo conseguido descarregar o ficheiro PDF com o romance. No problem, façam-me chegar o vosso pedido por mensagem privada e em pouco tempo terão como resposta o romance prontinho a ler ! Obrigado e desculpem o mau jeito 🙂 🛑🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴🔴



terça-feira, 9 de maio de 2023

TEXTO 784 - INSTITUTO CULTURAL DE ÉVORA ""ERA UMA VEZ UM ALENTEJANO MALTÊS""

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No âmbito do Projeto NetBooks, apresentamos o 5° e-book - "ERA UMA VEZ UM ALENTEJANO MALTÊS", da autoria de Humberto Baião.

Sinopse

“ERA UMA VEZ UM ALENTEJANO MALTÊS”, é um poema épico sobre o Alentejo, resultante duma mui antiga colectânea de contos cujo personagem acompanha esta nossa terra da pré-história aos dias de hoje. Portugal e o Alentejo são o lugar marcado por essa mesma história. A riqueza patrimonial e imaterial do Alentejo, ambas ricas em factos conhecidos, espólio valiosíssimo tornado visível e divulgado, pois é a história ímpar do Alentejo que aqui é literalmente contada por ser dum conto que se trata, conto mui rico em diversidade, em deslumbramento e que esta epopeia traz à liça.

E dito isto, vamos ao “ERA UMA VEZ UM ALENTEJANO MALTÊS”."

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