terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

803 - DIA DE ALMOÇO NA TAL PIZZARIA ...

 



 

O comboio bufara todo o santo caminho, mas falhara a ligação e, quando cheguei era tarde, tardíssimo, encontrar um lugar onde almoçar àquela hora seria milagre, e o milagre aconteceu, muito, muito antes de sabermos onde seria o almoço.

 

Era tarde e a calorina queimava-nos as faces, vi-a mal pus um pé fora da estação, passado tanto tempo ainda me esperava, afogueada, certamente tão cheia de fome quanto eu e, quase corremos um para o outro, quase, quase…

 

Foi o maior o mais longo e saboroso abraço da minha vida, nem sei qual dos dois tremia, se eu, se ela, se o mundo a meus pés, não sei não…

 

De caminho divisámos muitos restaurantes exibindo orgulhosamente a tabuleta de fechados, mas, passando ao fundo da avenida sentimos um aroma pairando no ar, uma pizzaria aberta, talvez ainda em limpezas. Desculpei-me com o atraso no comboio e apresentei-me como cliente mistério, cliente surpresa, cliente espião, e não tivemos problemas em sermos recebidos e servidos. 






Almoço à hora do lanche, tão tardio que nem lembro que pizza ou pizzas escolhemos, lembro, apesar de tudo, do atraso, da fome, da boa disposição dela, do sorriso dela, da alegria dela, dos olhos vivos dela, eu no céu contemplando a beleza, já sem fome alguma ainda antes das pizzas comidas.

 

Brincámos todo o almoço e brincámos com o pessoal, quando nos retirámos ficou tudo em pratos limpos, e a mentira do cliente mistério pairando no ar sem ameaças. Com graça até.

 

Eu já estava apaixonado há muito tempo, essa paixão nunca haveria de deixar-me, e não deixou, não me deixou, mas cegou-me. Então, tudo o que via era meu, tudo que desejava me era satisfeito, senti-me um rei, com todos os direitos e mordomias, fiz-me egoísta, passei a exigir, ou era como eu queria ou não era, foi quando começou a crescer entre nós um pequeno muro, depois mais alto e mais alto, coberto de hera, alimentada com o meu egoísmo, soberba, arrogância e presunção. 


Enquanto e em simultâneo me enganava a mim mesmo sendo altruísta, simpático, empático para com a minha rainha, precedendo-lhe os passos, estendendo-lhe á frente a passadeira quando ela caminhava, correndo pra cuidar do mínimo que ela alvitrasse, cuidando que nada lhe faltasse e…

 

foi assim que a matei …




Foi assim que sem dar por isso e de tão ocupado com as minhas ambições e gostos ou preferências que comecei a faltar-lhe. Eu, de tão preocupado em fazer o bem que ia deixando atrás um rasto malcuidado, eu sempre lembrando o óbvio, mas não vendo o obtuso, lembrando o acessório e esquecendo o essencial, eu de tanto que quis proteger acabei ferindo o meu bem mais precioso.


Sempre presente para todos faltei a quem mais precisava de mim, sou culpado, sei que sou culpado, não serei o único, mas sou, não procuro desculpas e somente agora tento compreender como pude chegar onde cheguei, tão longe na senda da estupidez. 



 

Pontapeio durante o caminho e enrraivecido vários monticulos de folhas que os varredores juntaram meticulosamente talvez com o fito de mais tarde as virem ensacar. Não sou mal-intencionado, nunca o fui, mas culpado sim, pelo menos meio culpado. Tão irresponsável quão indiferente, nem soube cuidar  de quem amava, quis fazer o bem acabei fazendo o mal,  estava atento, mas não ao essencial pois conhecia factos aos quais  não compreendi ou acudi a tempo. O significado, o alcance e o reflexo das minhas atitudes não eram visíveis a mim mesmo, eu não via o que devia fazer e em muitas atitudes ou procedimentos falhava no que mais importava.

 

Verdade que exigia muito de mim, mas não percebia o que ela reclamava nem tão pouco se era justo com todos. Afinal acabei sendo injusto com alguém em relação a quem me julgava perdulário, dava aos outros enquanto faltava a quem mais precisava de mim, queria poder ter acertado mas errei precisamente onde ou com quem tal não podia nem devia ter acontecido.

 

Desculpas? Não procuro desculpas para a minha culpa; procuro entender o meu erro. Volvo e revolvo esta minha confissão, esta reflexão inútil por tardia, este confronto comigo próprio, eu via, só não via aquilo que mais precisava ser visto porque o amor cega, e a soberba sobrepõe-se à ganância já que ao olhar tão intensa e somente para o que nos interessa deixamos de reparar noutras facetas dessa tão candente questão, paulatinamente volvida problema.





E, no entretanto, cegos, vamos andando correndo, destruindo aquilo que seria essencial preservar, não me estou defendendo estou a descobrir exatamente como e quando a matei…

 

É provável que, distraído, não lhe tenha dado aquilo que, para ela, seria o principal e fiquei vivendo com a consciência de a ter destruído, carregando um peso na consciência e a certeza de que muitas vezes não é a falta de amor que destrói uma relação, é a incapacidade de cuidar do amor que nela devia existir e florescer… Cuidado que cabe a ambas as partes, reciprocidade se chama essa responsabilidade…

 

 Matei o amor que vivíamos, mas não matei o amor que sinto. Perdi-a, mas não perdi o meu amor por ela. Continuar a viver com os dois factos ao mesmo tempo, o que vive e o que morreu, e isso, que era algo propriedade e responsabilidade dos dois, resume-se agora àquilo que ficou vivo ficou dentro de mim.

 

Não estou tentando transformar o crime em heroísmo. Enquanto criminoso reconheço o crime, porém o romântico em mim continua a amar aquilo que perdeu.   O alvo desse amor desapareceu da minha vida, o amor permanecerá dentro de mim.

E daqui nasce uma personagem muito mais interessante: culpado, mas não cínico; arrependido, mas não à procura de absolvição; justo comigo próprio, mesmo quando a sentença é dura; e ainda apaixonado por aquela que perdeu.

Trata-se de poetizar a minha dor, a dor do culpado, uma dor sem remissão. Ela perdeu-me; eu perdi-a; mas o meu amor por ela não morreu.

 

Talvez seja precisamente esta a minha “pena” o amor continuar vivo depois de ter destruído aquilo que o sustentava. Cabe-me agora descobrir onde está a verdade mais forte, na saudade ou no esquecimento. A ver vamos.




802 - PEIXEIRADA OU CACOFONIA ….

 


Antes de começar deixai-me esclarecer-vos que estou agradecido a António Costa, e não a qualquer outro, o que tem sido feito pelo país. Continuará sendo graças a ele que tudo que no futuro for feito por Portugal será pensado, ponderado e orçamentado. Tudo levará a sua marca, ele constituirá a marca do antes e do depois do caos.

 

 Mas igualmente vos direi ser pessoa de quem não gosto, com quem nem simpatizo minimamente e que, a serem verdadeiras as sondagens me surpreendem pela negativa. "Se alguém duvida eu não, A. C. será tido e julgado como o PM que mais mal preparado se apresentou para governar este país. Os anais da história só lembrarão o actual primeiro-ministro como o homem que enterrou Portugal, os portugueses e a esperança.

 

 Há cinquenta anos que o país é submetido a mentiras constantes e mal governado, com A. C. passámos a viver uma mentira permanente e fomos pior governados. Miragens, lucubrações, visões, más formações, loucura e idiotice atingiram com ele os limites aceitáveis ou suportáveis, o paroxismo. Porém esta dose cavalar parece ter tido a virtude de acordar finalmente os portugueses da letargia em que viviam, podendo dizer-se que hoje tudo escrutinam meticulosamente. Por que pensam vocês que um partido desconhecido até há pouco sobe nas sondagens ?

 


 No início era o verbo, depois tivemos um animal feroz, o primeiro arlequim louco a animar a maralha… Ao intuírem que o centrão não os poderá levar a lado nenhum os portugueses acordaram e deduziram finalmente o modo arrevesado como os socialistas os trouxeram até aqui. E enquanto os partidos do arco da desgovernação (os restantes só têm empatado) andarem de braço dado quando os portugueses estão já fartos e cansados desse triste fado, tudo será cada vez mais e melhor escrutinado, avaliado e ponderado. O facto de praticamente todos os dias nascerem novos partidos, a maioria deles fundados por dissidentes que por dentro não conseguiram mudar aqueles em que militavam, a democracia está assegurada. (Pelo menos 14 estarão a concorrer em 10 de Março).

 

 Mas apuremos o saldo, deram-nos alguma coisa de extraordinário os socialistas, os democratas, os centristas ou os comunistas ? Deixar-nos-ão algo por aí além os actuais socialistas ? Mentiras e dívida sobrarão depois de cinquenta anos de corrupção, amiguismo, compadrio, desvario, incompetência, irresponsabilidade, desresponsabilização e oportunismo.

 

 Um problema transversal e cultural que suja todos os partidos do regime, diria eu, quero dizer, de falta de cultura, um problema de tecnicismo a mais e humanismo a menos, um problema de excesso de Excel e ignorância de Heródoto, um problema de ambição desmedida de gente sem estofo, sem tarimba, sem classe, sem garra mas com unhas, que deitam a tudo que possam.

 

De cinquenta em cinquenta anos aparece um deputado de louvar, morreu Sá Carneiro, temos agora a título de exemplo a Marisa, a Ana, a Catarina, e o Jirólmo para compensar. Entre um e outras (o) a banalidade, a boçalidade, o servilismo à disciplina partidária, o vampirismo de partidos organizados em função do poder, da avidez, da fortuna fácil, do politicamente correcto. Como desígnio e resposta a nada …

 


 Abri um velho Diário Económico e leio esta pérola, «…A Camargo Corrêa, empresa brasileira que controla a Cimpor desde Junho de 2012, está a estudar a venda de activos, o encerramento de algumas unidades industriais menos produtivas e rescisões de pessoal… na Cimpor prossegue com a apreciação do seu ‘portefólio' de activos não operacionais, não excluindo hipóteses pontuais de alienação”…» Uma empresa portuguesa nacionalizada sem qualquer pensamento estratégico (como todas as outras) lançou todos no desemprego e deixou de pagar impostos, obedecendo à lei cega do lucro fácil e rápido, sem custos, pois fechada renderá mais. A falta de cimento nos mercados fará subir os preços e rentabilizar em 300 ou 400% o investimento do grupo nela.

 

 Seguir-se-ão a Secil ? (1) E uma e outra empresa e muitas outras empresas até que emigremos todos e o país encerre de vez ? Que devemos aos democratas e aos socialistas que não mais de cinquenta anos de fingimento, que é como quem diz, de NINS ? Mesmo assim, nem sim nem não, ou aos social-democratas que não a morte das pescas, da indústria, da agricultura às mãos de Cavaco, ou esta cegueira suicidária do confinamento exagerado às mãos do ignorante A. Costa e que fulminou dezenas e dezenas de PME e com elas milhares de postos de trabalho.

 

 Depois de Salazar e Caetano ninguém mais soube como governar este país. Sentaram-se, estiveram, desfrutaram da cadeira do poder sem sequer imaginarem o que isso implicaria. Todavia a culpa não é só de quem governa, quase quarenta anos de Salazar e mais cinquenta desta democracia de merda devem-se a este povo a estes eleitores, dos quais metade descrê e não vota, sabendo-se que a outra metade vota nos mesmos de sempre julgando, e acreditando, que alguma vez esses mesmos irão fazer coisa diferente da que sempre fizeram.

 

 Felizmente apareceram uma dúzia de pequenos partidos abanando as consciências e acordando finalmente este ensonado povinho, que se levanta tacteando a parede em busca do papel higiénico, ignorante de tudo e por isso ainda mais desconfiado de todos. Por inacção ou omissão todos somos culpados e essa é a verdadeira questão. Mas afinal em quem poderemos confiar ? (14 irão concorrer a 10 de Março)

 


 Por que razão nunca se responsabilizaram os concelhos pelas suas taxas de desemprego ? É fácil e cómodo atirar as culpas para cima do IEFP. Por que nunca se responsabilizaram os concelhos pelas taxas de PIB alcançadas por eles mesmos ? É mais fácil culpar os sucessivos governos… Por que nunca se estabeleceram metas e exigiram resultados aos responsáveis, em cada município, pelos departamentos de desenvolvimento económico ? Que pariram esses departamentos ao longo de cinquenta anos a não ser bons empregos públicos ?

 

E o interesse público ? E o interesse dos eleitores ? E o dos munícipes ? Alguém conheceu a esses departamentos de “desenvolvimento” os planos de actividade ?  Alguém lhes conheceu resultados ? Alguém viu alguma vez os seus mapas de execução ? Alguém foi corrido ? Mudado ? Substituído ? Não culpemos somente os governantes, nem os presidentes, ou os vereadores, há por aí muito director, chefe de serviço e deputado municipal a precisar igualmente de ser reformado.

 

 Já vos devo ter contado que há uns meses ia matando uma criança com a mota, nem ia a mais de vinte à hora, para a evitar quase esbarrei com um carro que se apresentava em sentido contrário, felizmente com a brusquidão da travagem a mota derrapou e atirou-me ao chão antes de colidir com ele. Esfolei o joelho, a mão, o cotovelo, desloquei um ombro, mas não toquei no cabrão do gaiato, que ficou mais branco que a cal da parede. Saíra repentinamente pela porta traseira esquerda do carro da mamã que parara em fila dupla no meio da via, por culpa da inconsciência, mas também do planeamento da via junto à escola, nova, da incompetência de quem desenhou os acessos e da irresponsabilidade de quem os aprovou.

 

 Noutro dia abordarei esta questão com maior acutilância, por hoje já desabafei. Como se pode ser um bom ministro, presidente, ou um bom vereador, com subordinados ou colaboradores deste jaez ? Para já fica a questão ou a pergunta no ar…

 


 Portugal carece de reformas há cinquenta anos, imensas e profundas, a minha crítica a António Costa deve-se ao facto de ter tido uma oportunidade de ouro para as fazer e não as ter feito. Sim, porque fingir que faz e não fazer não pode confundir-se com uma reforma da administração local, ou o fecho de balcões com uma reforma da economia. Reformou-se por encomenda de quem nem o país conhecia e até o Dr. António Borges antes de falecer admitira o erro na nossa integração no Euro e causa parcial do desastre económico que se lhe seguiu e estamos a viver.

 

 A ignorância larvar e o desconhecimento do seu próprio país conduziram António Costa a um beco sem saída que agora nos quer vender como se fosse o paraíso, por isso as mentiras não param claro, agora é encadeá-las umas nas outras para que pareçam verdade. (o comissionista não era o 44?).

 

 Os portugueses toparam-no logo, e responderam-lhe com os pés, mas montado numa geringonça António Costa fez-se dono dum país ficando contudo com ele na mãos sem saber o que fazer-lhe e, sendo um trapalhão atrapalhou-se, mas trapaceou-nos o melhor que soube.

 

 Eu pelo menos, e julgo que mais portugueses, agradeço-lhe, agradecemos-lhe. O país nunca mais será o mesmo, nem a oposição, que mudará forçosamente, não mudou ainda o suficiente, nunca mudará o suficiente, mas o país tem mais gente, e mais gente significa mais opções e mais respostas, mais alternativas, mais partidos, o que nos garante nada mais vir a ser como era dantes.

 

 No que eu não creio mesmo é que quem nos trouxe até aqui daqui nos tire, porque para essa gente, “A OESTE NADA DE NOVO”, continuam pensando como pensavam, imaginando continuar a servir-se de nós como serviram.

 

É hora de dizer basta. É hora de mudar  !!

 

 

 (1)   http://economico.sapo.pt/noticias/cimpor-fecha-fabricas-e-despede-funcionarios-no-brasil_226793.html.