quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

674 - TIBAU TAVARES, TT, O CAMPION DI MAIO*



    Apreciação de algumas das suas músicas e do seu registo em geral.

 

A modos de introdução devo dizer que esta apreciação crítica (crítica no sentido de análise e não no de depreciação) me foi sugerida ou pedida pela Sandra B. por me saber tão apreciador quanto ela da música e canções de TT, mais importante ainda, por ela me considerar isento e insuspeito, já que ao longo dos tempos temos trocado impressões a este respeito e nunca lhe escondi o que realmente penso acerca de uma música, uma canção ou um simples acorde vindo de TT. 

Por agora irei debruçar-me em especial sobre quatro das suas canções, Ramantxada, Diabo Ca Ta More Nau, Palavra e Tempo Di Azagua, precisamente as quatro que eram até agora desconhecidas para mim, seu admirador, fã e ouvinte há longo tempo.

 Em abono da verdade devo confessar que até aqui sempre fui um admirador e apreciador interessado da música Cabo Verdiana, talvez o único lugar do mundo que poderia viver da música e dos seus músicos, tal a variedade, quantidade, qualidade e diversidade de sonoridades, aliás se Cabo Verde é bem conhecido em todo o mundo, muito é devido à sua extraordinária musicalidade.

 Qualquer que seja a música cabo-verdiana ou de TT, facilmente se detecta em quaisquer delas uma miscigenação, se é que esta palavra pode ser assim entendida, de ritmos africanos e caribenhos de mão dada com elementos musicais tipicamente europeus e cujo soluto resulta numa infinidade de estilos musicais muitos específicos, tal qual o funaná, a tabanca, o batuque, ritmos que foram importados ou influenciados da vizinha África, e até de Portugal. 


Há na música Cabo Verdeana remédio para todos os gostos como na farmácia e, nota importante, a sua música não está ainda contaminada pela uniforme vacuidade a que as editoras discográficas e agentes inerentes tudo submetem na busca de um lucro rápido, porém efémero e fatal para um artista que abrace esse caminho, um caminho que embora o possa conduzir por um arco iris ao pote de ouro jamais lhe trará fama duradoura nem reconhecimento internacional. Refiro-me naturalmente à chamada música plástica ou música chiclete, mastiga e deita fora…

 A originalidade, frescura e espontaneidade das músicas cabo-verdianas e de TT, garantem-nos uma faceta genuína actualmente difícil de descortinar a no concernente à música mundial, toda ela impregnada, ou devo dizer infectada por artifícios electrónicos e digitais, até a nível instrumental ou sobretudo a esse nível, produzindo e reproduzindo facilmente uma panóplia de sonoridades variegadas e eclécticas, todavia artificiais. Porém não confundir esta minha crítica com a salvação da música em meio ou suporte digital afim de a preservar para a eternidade.

 Em Cabo Verde, a exemplo de TT, tudo anda de instrumento na mão, todos sabem tocar um qualquer instrumento e a música brota como flores nessas ilhas e nos ilhéus atlânticos, genuína, colorida, quente, como se estivesse destinada a ser servida numa bandeja ou numa palete.


Voltando a TT e à sua criação/actuação, quer a solo quer com a dupla Pupkulies & Rebecca, a sua música ou sonoridade tem um registo inconfundível, quase uma impressão digital. Transporta até nós o calor das mornas cujo ritmo observa ou respeita mas sem que se lhes submeta, e nessa dolência / indolência embala a carinhosa solenidade, sonoridade e musicalidade de que todas as suas canções se revestem em maior ou menor grau e nos embalam em doce melodia, harmoniosa calma e paz celestial.

 Em Ramantxada, que ouvi tendo repetido a audição várias vezes (tal como fiz com todas as outras canções), encontramos o seu habitual registo, o mesmo habitual som, uma musicalidade muito própria, agradável, talvez para mim impaciente por a ouvir toda, me tenha parecido haver alguns trechos demasiado repetidos, talvez por isso cansativos, talvez cotrrectos para actuações ao vivo, mas que contudo me parecem não resultar numa audição em CD/DVD. Todavia não esqueçamos a impaciência de que eu estava animado…

 De igual forma Em Diabo Ta Ca More Nau encontramos o tradicional ritmo “Tibauteano” que tão bem nos sabe levar, empurrar docemente para a canção seguinte que essa sim, por ser traduzida ou parcialmente traduzida para português, se torna mais agradável e mais rica a nossos ouvidos, já que nem todos “pescam” um pouco de crioulo como comigo acontece. Quer uma quer as outras canções, todas elas estão imbuídas do mais puro estilo musical cabo-verdiano. Idem para todas as outras não mencionadas aqui mas com as quais ao longo dos tempos me tenho deliciado. Verdade que gostei especialmente de "Palavra" e de "Tempo Di Azagua" contudo não é minha intenção menorizar quaisquer outras.


Entre outras coisas falámos, a propósito da música de TT sobre mercados e vendas, e ambos concluímos ser a Europa quem adquirirá a maioria dos seus muitos, diversificados e arrebatadores CDs e, sendo conhecida a presença de TT na Alemanha, a mesma será de todo o interesse para ele, pois em Cabo Verde o mercado é muito pequeno muito restrito. Ocorreu-nos também que, sendo o mercado da língua portuguesa  enorme, as canções deviam ter este pormenor em conta, ser cantadas ou meio cantadas ou traduzidas para português e, sendo a morna Património Mundial pela Unesco, poderia a composição delas ser mista sem que houvesse lugar a transgressão de normas. Uma parte em crioulo outra parte em português seria uma boa solução. Através de TT viémos a saber posteriormente, pois ele mesmo no-lo afirmou, ter já composta uma morna que observa essa particularidade, parte em crioulo, parte em português.


Entre conversa, piadas da Sandra e anedotas minhas bem picantes, Tibau Tavares  confidenciou-nos estar a pensar levar adiante um projecto incluindo duas vozes, dueto partilhado com uma cantora portuguesa e metendo a nossa guitarra em tal morna, projecto a que anuímos com emoção, pois até do ponto de vista comercial achámos a ideia dele bem boa, porque os fãs dela, dessa cantora, irão através dela conhecer TT e divulgá-lo, irão divulgar também a sua música e trazer-lhe novos fãs e decerto enorme incremento nas vendas, senão vejamos; em Portugal pode contar somente com 10 milhões de potenciais consumidores, mas no Brasil são qualquer coisa como 220 milhões, acrescentemos Angola, Moçambique, Timor, S. Tomé  Príncipe, a diáspora portuguesa e cabo-verdiana no mundo, que não são pequenas... Ao todo talvez acima de 500 milhões de potenciais compradores para os seus CDs, um mercado deveras interessante pois não há músico que viva do ar que respire ... 


A tua ideia é uma mina mano, alvitrou a Sandra, se conseguires fá-lo, assim o caso mudará de figura até porque ela também colherá vantagens da parceria, também precisará de ti para entrar no teu mundo, no mundo dos teus fãs e, consequentemente, facturar mais. Nenhum de vós certamente terá pai dono duma fábrica de ventoinhas e é mais que certo ninguém viver do ar ...

A deixarmos alguma sugestão ou conselho diríamos apenas que na música, como na literatura, as primeiras palavras contam imenso, as primeiras palavras, os primeiros acordes, e como tal há que dar ênfase aos primeiros minutos, como às primeiras linhas, agarrar o ouvinte e, ainda que mantendo o mesmo registo que garantiu o sucesso alcançado, não esquecer a volubilidade dos fãs, e como tal não os castigar ou cansar com demasiadas repetições, mas dar-lhes surpreendentemente algo novo de cada vez, mantendo sempre a corda tensa e as expectativas altas. 


Em particular por não sermos nós quem está no palco, ficamosm incapacitados de observar a partir de cima os espectadores e ouvintes, os fãs, remexendo-se na cadeira, no sofá ou na pista de dança, não somos nós quem lhes topa as emoções e disposições, portanto entendemos que TT, melhor que nós saberá levar o barco a bom porto, saberá com tempo fazer as alterações e melhoramentos que entender nas suas músicas pois a nós resta-nos acreditar e ter esperança, já que fé e devoção são coisa que há muito nos animam.

 E é tudo, um abraço mano.



SOBRE O AUTOR:

TT, Tibau Tavares (José Mário Tavares Silva), é natural da ilha do Maio (Cabo Verde), foi cantor na igreja e escola locais aos 6 anos, lugares onde terá tocado os seus primeiros acordes. Durante a estada no liceu da capital cabo-verdiana, na cidade da Praia, participou na banda do liceu e em vários outros grupos musicais. Depois do regresso à sua ilha natal a ilha do Maio, trabalhou na capital dessa ilha, Cidade do Maio, onde fundou o grupo musical “Os Maienses” e posteriormente o “Maio Acústico”.

 Em 2005 gravou sua música "Tradição", que daria nome ao seu primeiro álbum. A cantora cabo verdeana Lura comemorou um grande sucesso com sua música "Ponciana e as Águas" e além dela, uma outra cantora interpretando a morna “Noite de Porto Inglês”, Zizi Vaz de seu nome, enriqueceram o seu repertório com composições de Tibau.

 Em 2010 TT, Tibau Tavares tornou-se conhecido como compositor nos Estados Unidos, onde uma grande variedade de artistas têm interpretado músicas suas desde então. Em 2013 gravou dois CDs com a banda alemã “Pupkulies & Rebecca” e com esta formação apresentou brilhantes participações em festivais por toda a Europa.

 Em 2017 lançou o seu segundo álbum a solo. Produzido igualmente na Alemanha, o álbum “Wonderful Africa” que fez furor e causou sucesso no “Africa Festival Würzburg”, o maior festival de música e cultura africana da Europa. Um seu CD actual "Melodia" contém 7 faixas inéditas, é fácil de encontrar e vale a pena ouvir.  

                       Foto da actuação de Tibau Tavares em Coimbra


https://www.youtube.com/results?search_query=tibau+tavares+-+mixhttps://www.youtube.com/results?search_query=tibau+tavares+-+mix

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

673 - ANDRÉ VENTURA A PRESIDENTE !!


Mau grado as falsidades e alarvidades que sobre ele têm sido ditas, André Ventura foi considerado pela imprensa o dirigente político com a melhor formação de entre todos eles, incluindo os passados. Para além dele e da sua notoriedade, devido à grande aceitação e ao rápido crescimento do partido que lidera, não tem havido tempo nem existem ainda sólidas estruturas implantadas nem houve oportunidade para separar o trigo do joio. Porém fixemos isto, os partidos do sistema não têm neste item nem autoridade nem superioridade moral para criticar André Ventura.  

Já quase toda a gente aceitou, ou crê, que os partidos existentes e ligados a um sistema com mais de quarenta anos, albergam no seu seio máfias de indivíduos e grupos bem conhecidos de todos, articulados e apostados em levar o país à falência, roubando quanto podem, e feito de todos nós gato sapato e parvos. Isso incomoda-me. André Ventura ainda não me prejudicou num tostão, todos os outros são responsáveis por prejuízos ou roubos de biliões, biliões repito, que todos andamos pagando e havemos de pagar com língua de fora durante os próximos trezentos anos...

Daí que André Ventura e o CHEGA vejam as suas ideias e programa serem cada vez mais populares, e gozarem de cada vez maior compreensão e aceitação por um número crescente de portugueses totalmente desiludidos com o velho e demagogo sistema, em que os partidos se julgam donos disto tudo e vêm debitando demagogia há 46 anos, sem demonstrarem estar minimamente interessados a cumprir com o que há décadas nos prometem.

Da polémica TAP à velhinha EDP, ao BESCL, ao BPN, etc. etc. por mor de todos eles enterrámos milhões para nada, milhões que foram simplesmente queimados, ou roubados. Em todos os negócios em que nos metemos perdemos dinheiro, biliões, porém já nada é nosso. De tal modo errámos que hoje nada é nosso, nenhuma grande empresa pública, nem seguros, nem banca, nem correios, nem telefones, nem as terras, nem as estradas, nem as pontes, nem portos nem aeroportos.

 É difícil gerir tão mal, é difícil fazer pior, não nos temos governado, temo-nos desgovernado de há 46 anos para cá. 46 anos em que perdemos oportunidades, mas ganhámos falta de transparência e corrupção, é tempo de dizer basta é tempo de dizer CHEGA. É este o progresso que os partidos do sistema têm para nos apresentar, e é em mais do mesmo que desejam e esperam venhamos a votar.

A verdade é que a nossa situação, em linguagem económica regista há mais de 20 anos um crescimento negativo e acumulámos uma dívida astronómica. Eu diria mesmo um sólido crescimento negativo e uma dívida que nos estrangula. Mas é com eufemismos destes, crescimento negativo, que todos os dias nos enrolam, e todos os dias governantes e deputados se enganam a eles mesmos. E tu ? Queres mais do mesmo ? Se queres mais do mesmo, vai votar nos mesmos !

Ainda há poucos dias Marcelo se dizia humanista, humanista e presidente de um estado social... E o país na trampa... A pobreza mordendo-nos os calcanhares, a juventude emigrando por falta de oportunidades cá quando é sabido que um país sem jovens é um país sem futuro. Biliões enterrados em bancos, as pessoas sem empregos e a maioria sem subsídios, paulatinamente ficando sem as suas casas, sem os seus bens, sem os seus carros, só dramas, e a terem que fugir do seu próprio país para não serem presas por dividas ao fisco e á Segurança Social.

A pobreza persegue-nos e Marcelo é presidente de um país onde já nada é nosso, onde os sem abrigo são agora mais, muitos mais do que quando prometeu acabar com eles. Marcelo é o presidente dum regime podre de que é o garante, mas promete-nos mais do mesmo.

Que pensar dum homem de direita esperando ser eleito p’la esquerda ? Que pensar de um homem que traiu princípios éticos conservadores e liberais traindo o seu eleitorado natural e que sacrifica à esquerda a vaidade pessoal a fim de ser eleito a todo o custo ? Que carácter tem um homem assim ? Que direita é esta que o aplaude ?  

E que esquerda é esta que engole sapos por falta de candidato capaz e credível ? Por falta de obra, por falta da qualidade de vida e do bem-estar que não foi capaz de nos proporcionar e nos encaminha para uma final na Venezuela  ?

Direita e esquerda falharam rotundamente em Portugal. A direita por se ter acovardado após a morte de Sá Carneiro e ter-se demitido de defender os seus valores tradicionais. Durante décadas à nossa economia não foi dada qualquer atenção, nenhuma mesmo e afundou-se. A direita calou-se e a esquerda iludiu-se, juntos, esquerda e direita afundaram a nossa economia. Imersos em intrigas políticas não cuidaram de Portugal nem dos portugueses nem do futuro. Não cuidaram de criar empresas, investimento, inovação, oportunidades, riqueza. Não cuidaram de criar sólidas qualidade e condições de vida.

Impõe-se uma alternativa, nem direita nem esquerda, mas uma terceira via que acabe com o reboliço e meta ordem neste país. Um país que literalmente mandou embora os nossos jovens, obrigados a emigrar. País onde as finanças ou a banca “apanham e penhoram” casas a seu bel prazer não é um país. Um país zela pelos seus, nem Salazar deixou de considerar sagrado o domicílio de cada um, de cada família. Talvez André Ventura seja agora o homem providencial* de que tanto se fala e, diz-nos a estatística, homens providencias só surgem de cinquenta em cinquenta anos.

CHEGA de rebaldaria, André Ventura à Presidência da República, para isso, minha cara amiga, meu caro amigo, vamos ajudar ANDRÉ VENTURA a ganhar A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA porque:

É óbvio que André Ventura é o melhor candidato, mas também porque não poderemos desperdiçar esta oportunidade de, candidatando-o à presidência ficarmos a ganhar por vários motivos todos eles válidos, vejamos;

1 – A candidatura de André Ventura vai obrigar a “baralhar e a dar de novo”, a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa deixa de ser “um ovo no cu da galinha”. Nos Açores ganhámos assim, revirando a lógica habitual.

2 – A campanha irá obrigar a uma grande cobertura dos mídia o que só poderá ser da conveniência do CHEGA, atendendo ao facto de André Ventura ter vindo a ser injusta e hostilmente ostracizado nos meios de comunicação social.

3 – Com a aparição do CHEGA e a divisão de votos a que ele obriga será até muito provável que o partido seja capaz de eleger o seu presidente, senão à primeira volta, talvez na segunda.

4 – Quaisquer que sejam os resultados haverá lugar a uma medição do músculo do partido e a um reescalonamento das forças em presença, quantos votos vai cada candidato congregar ? Quantos votos valerá doravante cada um ? Quantos votos vale o CHEGA ? É importante que todos nós votemos para dar mais força, mais legalidade e mais representatividade ao CHEGA.

 

5 – Com a chegada do CHEGA acabaram-se as favas contadas, a revolução de veludo é nossa e é para ser ganha, apostemos nisso e apoiemos ANDRÉ VENTURA Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA  !  

POR UM NOVO REGIME, ABAIXO O SISTEMA !!

Creio não errar ao pensar que dia 24, dia da primeira volta, com os votos divididos por meia dúzia de candidatos talvez André Ventura tenha balanço e percentagem para disputar uma segunda volta com o candidato Marcelo. Porém nessa segunda volta todo o sistema da extrema direita à extrema esquerda engolirá sapos e votará em Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato André Ventura não tem hipóteses, só um milagre nos poderá surpreender, porém ele e o CHEGA obterão a maior votação da sua curta história !!

Isso sim, e tal como atrás disse em 1,2,3,4, e 5, fará de André Ventura e do CHEGA o maior vencedor dessa noite !!

Por ti, por todos nós, pelo futuro, precisamos da tua força, do teu voto, vota André Ventura !!

Mostra a todos a nossa verdadeira força !


         

* https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/antonio-moita/detalhe/a-procura-de-um-homem-providencial? utm_medium=Social&utm_source=Facebook&utm_campaign=BotoesSite&fbclid=IwAR2ofmuOFYg4Gv6yLgTjuxWZDAr2ALZQSIR68tOnr-m83SlCQQrzHRIK0ls






 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

671 - ELES ESTÃO DISPOSTOS A TUDO ! CHEGA !

 

Há bem poucos dias o parlamento inviabilizou pela primeira vez em 46 anos, uma licença para que um deputado candidato participasse livremente na campanha para a presidência da república.

 Dias atrás um jornalista encartado veio (na sequência de Francisco Medina e de outros), advogar que se deveria cortar a voz ao microfone de André Ventura. Não demorará muito até que o parlamento em peso vote que lhe cortem o pescoço.

 Confesso que estas atitudes mesquinhas em relação a um recém-chegado ao sistema, e que o próprio sistema criou, me têm feito vê-lo antes, ou mais como um abnegado mártir e um lutador contra o parlamentarismo bacoco nesta democracia de instalados, que um perigo para os ditos órgão e regime.

 Se dúvidas tinha já as perdi, se o homem incomoda tanto e tantos alguma razão terá a assisti-lo e confesso ter André Ventura conquistado inequivocamente o meu apoio e o meu voto.

 Aliás parece até ser a única voz lúcida no manicómio em que este país e esta democracia se tornaram. Quem agora tanto o contesta parece ter esquecido que a democracia tem regras, mas não tem donos, e que eu saiba apesar das enormidades, alarvidades e falsidades de que tem sido injustamente acusado, André Ventura ainda não transgrediu nenhuma das sacras regras consignadas na nossa velha e caduca Constituição, essa sim a pedir uma valente reforma.

 Olhado à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora, transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a transformar-se um regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir e derrubou.

 Os três D’s prometidos ficaram por concretizar, Democratizar (mal e porcamente), Desenvolver (engordando os ricos e multiplicando e empobrecendo os pobres), e Descolonizar (a vergonha das vergonhas), não passam hoje de um cliché batido a propósito de tudo e de nada mas nunca cumprido. De um regime de miséria que contudo nos deixou uma montanha de ouro, passámos para um regime que nos deixará na miséria e com uma dívida do tamanho do Everest.

 Em 46 anos este país não fez um único negócio proveitoso, mas muitos dos seus filhos, a exemplo do regime anterior, têm enriquecido mas nem deixam saber como, tornando-se os novos eleitos, os tais eleitos que era suposto terem sido apeados dos privilégios que a todos deveriam caber e não somente a alguns.

 Acusam André Ventura de populismo, e em boa verdade tenho observado serem as suas ideias cada vez mais populares e cada vez mais compreendidas e aceites por um número crescente de portugueses. Em contraponto estão os velhos DDT e demagogos, os partidos de um sistema que vêm debitando demagogia há 46 anos, que nem ao menos parecem interessados em pôr-lhe cobro e darem corpo e coerência a tanta coisa dita e repetida, isto é, a cumprirem com o que há 46 anos nos prometem.

 Populismo / demagogia é a grande aposta das próximas eleições, ou queremos um presidente palhaço e que de tal está farto de dar mostras e exemplos, ou uma socialista incoerente, inconsequente, que um partido tem vindo ao longo de anos pintando de vermelho para enganar as tendências mais à esquerda e os mais parvos do séquito, ou queremos André Ventura, o único candidato preparado, lúcido, disposto a lutar pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até aqui tem acontecido. André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm propositadamente fechados há décadas.

 A luta vai ser aguerrida e titânica, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos instalados contra a pobreza que nos morde e ameaça. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a que temos direito. André Ventura é o único defensor e garante do derrube democrático deste regime que só a alguns benificia.  André Ventura é o único candidato que nos garante a instauração da quarta república e dum regime em que caibamos todos e todos observemos os mesmos deveres e direitos, com os deveres na frente.

Sim, os deveres na frente, os tais que tão esquecidos andam e sem os quais a liberdade de Abril virou libertinagem, voragem, corrupção e pobreza. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos elites capazes, uma vez mais vai ter que ser o povo a correr com Miguel de Vasconcelos, uma vez mais vai ter que ser o pé descalço a mudar tudo, ele que tudo sofre e a quem tudo devemos.

 Foram os infantes com D. Henrique na frente o estandarte da Expansão Marítima, mas foi ao pé descalço que coube realizar os feitos históricos que o mundo conhece e reconhece. Éramos poucos em 1500, talvez nem milhão e meio, e a equipagem das naus era comummente arrebanhada entre prisioneiros, bêbados, vadios, sem-abrigo, pedintes e quejandos que, mal se descuidavam eram metidos numa nau debaixo das ordens de um comandante ou de um capitão e levados a cumprir os grandes feitos que os honrariam e nos honram a todos.

 A nossa história trágico-marítima, que Fausto tão bem descreve em algumas das suas canções, deve tudo aos pés descalços, que tudo passaram, ultrapassaram e superaram para se salvarem, darem mundos ao mundo e Glória a Portugal.

 A exemplo dos homiziados (séc. IX a XIII) que após a reconquista cristã eram atirados para coutos, ocupando o terreno libertado do jugo dos mouros e defendendo com a vida, a vida que desse modo lhe havia sido devolvida, também na expansão, e uma vez mais agora, cabe a este povo de pé descalço lutar para se manter em pé, lutar para se manter de cabeça erguida, lutar para manter a cabeça e não lhe cortarem o pescoço.

 E lutar contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de todos nós porque para mal já basta assim.

 E quando todos parecem dispostos a tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!