sábado, 10 de outubro de 2026

860 - FRICÇÃO, FISSÃO OU FUSÃO NUCLEAR ?



A sensação de perda sedimenta-se com o tempo, passa a noção, a conceito, e fixa permanentemente no subconsciente o débito dessa perda ou, para usar a manhosa linguagem contabilístico / financeira actual, o cérebro registará uma imparidade emocional. Trata-se de uma avaliação que deixa a coluna da vida com saldo devedor, logo a coluna do haver registará permanentemente este desequilíbrio, e este por sua vez constituirá doravante um problema insolúvel. 




Um só, nem que fosse um só, de vez em quando, não desejaria mais que um abraço, não que tal fosse suficiente, mas satisfaria, aplacaria a necessidade, necessidade talvez seja exagero, digamos que vontade, desejo, mas que não vejam nisto uma fraqueza, uma cedência. Há, contudo, que ser condescendente comigo mesmo, sou um homem com H grande, não um sentimentalão, não um romântico, antes um durão.

 

É que, há precisamente um ano que somo insónia atrás de insónia buscando resolver o mistério que terá levado o meu filho a um acto tão desesperado, ainda mal me refizera da dor e do luto pela minha esposa. Não fossem as sestas a que me obrigo após almoço e provavelmente estaria neste momento com metade do peso habitual devido a este problema. Como diz o povinho, elas não matam, mas moem...

 

Porque, voltando à vaca fria, o verdadeiro problema é que outros existiam muito antes deste, que se foram acumulando, ampliando, que fizeram estragos e continuam a existir e a fazer, um deles, quem diria, um mero problema de reciprocidade. Alguém avançou sem que outrem tivesse “reciprocado” e, terá sido esta falha, essa ausência de similitude de comportamentos que tudo originou, que tudo parou.




Houve, portanto, um avanço que esperava reciprocidade e não a obteve, o que parou a “máquina”, parou as coisas e, paradas, as coisas, paradas as expectativas, pára tudo, uma parte queda-se inerte, desiludida, a outra imobiliza-se, aguardando que apesar do desiderato as coisas andem.

 

Cena gorada, as coisas pura e simplesmente nem se mexem, não avançam, não andam, embatucam e, assim se irão passando os dias, um dos lados reclamando baixinho, sugerindo mais que exigindo, soluções que coloquem em marcha a engrenagem, caduca, obsoleta, antiquada, e estagnada , inamovível e, na sala começa a concentra-se um cheiro a bafio, a decepção. A intolerância inicia a sua certeira manifestação, o diálogo azeda e afasta-se, o clima passa rapidamente de imprevisível a instável, a cisão do átomo está cada vez mais próxima, o perigo torna-se uma realidade ainda que os elementos sejam neutros, educados, pelo que não chega a haver fusão, muito menos fissão, o que não significa ou evita a entrada da situação em ebulição, ou que esta se descontrole, ou até que em poucos dias venha a explodir silenciosamente e quando menos se esperar pois é o que costuma acontecer.

 

Então é ver núcleos protões e neutrões cada um para seu lado pois a distância arrefeceu o ambiente tendo a calma voltado. Afastadas uma galáxia as partes estabilizam, irão à vez sublimar a dissensão que carregavam até que a radioactividade volte a níveis aceitáveis, mas inúteis, o afastamento inibe e coarcta qualquer reacção, a falta de energia colocou tudo em OF quilómetros em redor, irão acabar como os isótopos radioactivos do carbono 14 cuja velocidade ou caminhada para a zero ou completa deterioração é conhecida e permite datações pelo método ou técnica de radiocarbono (será o mais natural que venha a acontecer), o que permite estimar a idade de materiais orgânicos com até cerca de 50 000 a 60 000 anos de idade. Portanto estes isótopos irão acabar “mortos” ou de valor zero, e zero é zero, nada acrescenta quer seja multiplicado, somado, dividido ou subtraído.



Afastadas as partes entram no modo de influência zero, negativa, sem o mínimo perigo para além do tempo ir acrescentando a cada uma os valores da indiferença. Tivessem-se tocado e talvez a coisa fosse sentida e ocorrido de outro modo sei lá, não sou físico nem químico nuclear mas aposto que teria sido diferente, teria havido uma explosão, fundido os núcleos, deixado prova de contacto, prova de vida, derrame, rastos, restos, resíduos, influencias, saudades,  e eu não ocuparia o meu tempo de forma inútil, vã, se julgasse que estaria a perder esse tempo eventualmente precioso a incomodar meio mundo inda que o perigo de explosão seja real já que os núcleos atómicos reagentes (o combustível nuclear) só precisam duma energia de ativação ou partícula iniciadora como um abraço ou um neutrão para alterarem completamente um cenário ou  extinguirem por completo o planeta.

 

Sabe-se hoje que se dividirmos as reações atómicas nos seus dois tipos principais, ou seja, na fissão, que divide os núcleos, ou na fusão, que os une, se gera uma reação em cadeia que por sua vez cria uma energia tão extrema e de uma temperatura e pressão tão tão enormes que contudo força os dois núcleos a unir-se, e chegado aqui pergunto, como é um abraço capaz de gizar forças tão poderosas ?

      



Ultimamente tenho sofrido e sentido inexplicáveis tonturas e desequilíbrios, um facto surpreendente por não saber qual a razão, daí pensar que se colmatasse a “coisa” com um abraço, a ansiedade me abandonaria a tensão arterial que pela primeira vez em muitos anos me dá preocupações acrescidas voltaria por certo aos valores normais e habituais.

 

Confesso que viver sozinho me incomoda, daí que por todas as razões ache meu dever confessar-vos o estado quântico que presentemente atravesso. Segredar-vos tal, mais que um desabafo será um dever. Não tivesse eu sofrido a separação a que aludi e estas questões muito provavelmente nem me incomodariam, sendo devido a isso que venho reclamando um, um só, nem que seja um só abraço, não que tal fosse ou seja suficiente, mas satisfaria, aplacaria esta necessidade, necessidade talvez nem tanto, digamos que uma enorme vontade, um grande desejo, mas não vejam nisto uma fraqueza, uma cedência minha, estão a compreender não estão ?



quarta-feira, 30 de setembro de 2026

859 - ABSURDO, EU PERDIDA NA MULTIDÃO ...

                                                    


EU PARA AQUI ESTIOLANDO...


bom dia

 

Aceito, teria evitado muita hostilidade ter chegado e ter-me apresentado,


sou fulana,


li qq coisa que escreveste e me impressionou, ou emocionou ou simplesmente me atiçou a curiosidade,



e quis saber quem eras,

como eras,

pois me pareceste diferente e...



Não tenho lá muito boa impressão dos homens em geral,



Sabes,

acho que tenho sido desperdiçada,

desaproveitada,

eu com tanto amor para derramar na terra e ninguém o valoriza,

fico despeitada e isolada,

cada vez me sinto mais única,

mais só,

no meio desta trupe de idiotas.



Não passo de mais um número

em listas, tabelas, colunas, decretos, colocações,

primeiro mecanaográfico, agora digital,

sou números, frios, únicos, sem caras nem corações.


 

Sou só mais uma viúva ou divorciada ou solteira,

entre tantas, todas anónimas...




Sabes,

é que eu nunca fui tocada

pelo menos nunca assim me senti,

nem para mim olham,

ver é tocar sabes ??



Tb vemos com o tacto, com os dedos, a ponta dos dedos

e eu que me quilhe.



Eu a perder-me, a ser esquecida, eu invisível, 

eu nunca amada,

logo eu com tanto amor para dar,

é injusto não é ?

uma injustiça,

uma iniquidade,

um absurdo.



E Deus,

e os deuses,

tantos,

sem nada fazerem,

jogando aos dados,

e eu que me quilhe.



É isso,

eu que me quilhe.



Foi isso,

adeus,

bom dia,

um abraço,

e um beijo mesmo que roubado !



Sim um beijo

ou um milhar,

um abraço bem apertado,

e eu viveria feliz mais uns anos,

beijoooooooooooooooooooooo

                          

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

858 - TALVEZ UM DIA, TALVEZ UM DIA ...

 


     TALVEZ UM DIA



Talvez um dia alcancemos essa voz,
já sem o peso da luz sobre os ombros.

Os olhos chegarão então ao fim de sua tarefa;
os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real.

Porque ver sempre foi tocar.



Eugénio de Andrade
In: Vertentes do Olhar




domingo, 6 de setembro de 2026

857 .... INTELECTUAIS E INTELECTUALIDADE ...

 


Intelectuais e intelectualidade. Ontem à noite, movido por críticas de intelectuais aqui lidas, digo no Facebook em geral, fui com, uns amigos à capital ver ODISSEIA o filme ultimamente mais positivamente badalado.

Que decepção, acabei por dar razão a mim mesmo que, como não sei quem, quando dou conta de um intelectual por perto afago logo as pistolas.... Que desilusão, que mer... da de filme, aposto que quem tenha visto aquele filme nunca mais se atreverá a ler a ODISSEIA em livro, um clássico, um poema homérico sublime, a mais gloriosa epopeia conhecida apesar de contar já com quase dez séculos ....

Som excessivo, falhas enormes no argumento, guião incompreensível, parecendo que as diversas partes do filme foram coladas aleatoriamente. (Imagens 80% escurecidas propositadamente para evitar ver os erros do guarda roupa e outros?). Enfim, não tivesse eu lido já por 2 ou 3 vezes e ao longo da vida a Odisseia, e não teria percebido ou entendido pêva do filme, bem o podem esses intelectuais enfiar por um sítio que eu cá sei acima...

Que se passa com eles, intelectuais e críticos, que há 2 ou 3 décadas não acertam uma, quando dantes eram o alfa, o delta e o ómega da rapaziada ?????????????



domingo, 23 de agosto de 2026

856 - UM ABUNDANTE, CHEIO E PLENO VAZIO...


 

Só meditando se perceberá o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim algo preocupante, na medida em que o que não viver agora, talvez o não viva nunca mais.

 

Sei nada mais poder ter de ti neste momento que recordações de amor, de carinho, da felicidade vivida e das promessas cumpridas, promessas que nunca perdi a oportunidade de cumprir, porque assim o desejei, porque sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava, amo e contigo amei repartir tantos gloriosos dias no passado.

 

Somente não perdi toda e qualquer esperança  porque não perdi os sonhos, nunca deixei de te sonhar, de te ver nos meus braços, de abraçar-te, de inalar o mesmo perfume que arrastavas e com o qual como que eternamente aspergido me vejo e verei mimando-te e beijando-te. Preciso alimentar este amor, esta paixão, sem ela tudo deixará de ter significado para mim, tudo, o presente e o futuro, por essa razão, devido a esta vacuidade que teimo não perder arraso-me e destruo-me a cada dia que passo nesta incerteza, neste vazio que me sufoca, neste sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, por saber que unicamente com o nada posso contar.

 

Por isto, por tudo isto, por esta vera e física  impossibilidade jamais poderei sonhar a minha vida em direcção a ti, não temos futuro, o futuro é impossível, neste momento. Mais que tudo, só queria ter alguém ou algo em que pudesse acreditar e não vejo como. Ninguém se mostra à altura da tarefa ou não se quer apresentar, talvez por a julgar exigente em demasia..

                                                 

Perceberás assim o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim, e devia ou deve ser, algo que me começasse a preocupar deveras, na medida em que o que não vivi ou não vier a viver agora, talvez não o viva nunca. A mesma água nunca passa duas vezes por baixo das mesma pontes...

 

Sei nada mais ter para te dar neste momento que dourar de amor e carinho as tuas lembranças. Vão longe os tempos de felicidade e promessas, promessas que fielmente cumpri umas atrás das outras e penso ter tido a rara e afortunada oportunidade de as cumprir, porque assim o desejei, porque era e sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava e contigo fui abençoado por ter com quem repartir os dias.

 

Não me tiraste porém a esperança, não me tiraste o sono mas somente  o sonho de voltar a ter-te de novo nos meus braços, de te abraçar, de inalar o teu perfume inconfundivel, de te mimar e beijar. Preciso, inda que em sonhos que alimentes este amor e esta paixão interminavel, sem isso tudo deixará de ter sentido para mim, tudo, o passado, o presente e o futuro, e tu serás por certo e sempre o futuro das minhas ilusões.

 

Esta vacuidade que teimas preencher arrasa-me, destrói-me a cada dia que passa, não aguento mais esta certeza, não suporto mais este vazio que me sufoca, antes o nada, antes o mito que este sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, com o nada, com o mito pelo menos tenho algo com que me entreter, me ocupar e contar.

 

Por isto, por tudo isto, diz-me que poderei contar contigo sem que me acuses de louco, que poderei sonhar contigo como se fosses tu a solidez de um sonho, que poderei conduzir a minha vida e induzir meus sonhos em direcção a ti, diz-me que temos futuro, que esse futuro é possível, porque neste momento, mais que tudo, preciso ter alguém ou algo em que acreditar e elevar a ti o meu pensamento mantém-me no ar, sustenta o meu viver...