TALVEZ UM
DIA
MENTE CAPTO
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
858 - TALVEZ UM DIA, TALVEZ UM DIA ...
domingo, 6 de setembro de 2026
857 .... INTELECTUAIS E INTELECTUALIDADE ...
Intelectuais e intelectualidade. Ontem à noite, movido por críticas de intelectuais aqui lidas, digo no Facebook em geral, fui com, uns amigos à capital ver ODISSEIA o filme ultimamente mais positivamente badalado.
Que decepção, acabei por dar razão a mim mesmo que, como não sei quem, quando dou conta de um intelectual por perto afago logo as pistolas.... Que desilusão, que mer... da de filme, aposto que quem tenha visto aquele filme nunca mais se atreverá a ler a ODISSEIA em livro, um clássico, um poema homérico sublime, a mais gloriosa epopeia conhecida apesar de contar já com quase dez séculos ....
Som excessivo, falhas enormes no argumento, guião incompreensível, parecendo que as diversas partes do filme foram coladas aleatoriamente. (Imagens 80% escurecidas propositadamente para evitar ver os erros do guarda roupa e outros?). Enfim, não tivesse eu lido já por 2 ou 3 vezes e ao longo da vida a Odisseia, e não teria percebido ou entendido pêva do filme, bem o podem esses intelectuais enfiar por um sítio que eu cá sei acima...
Que se passa com eles, intelectuais e críticos, que há 2 ou 3 décadas não acertam uma, quando dantes eram o alfa, o delta e o ómega da rapaziada ?????????????
domingo, 23 de agosto de 2026
856 - UM ABUNDANTE, CHEIO E PLENO VAZIO...
Só
meditando se perceberá o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti,
sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro
fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim algo preocupante,
na medida em que o que não viver agora, talvez o não viva nunca mais.
Sei
nada mais poder ter de ti neste momento que recordações de amor, de carinho, da
felicidade vivida e das promessas cumpridas, promessas que nunca perdi a
oportunidade de cumprir, porque assim o desejei, porque sou homem de palavra,
mas sobretudo porque te amava, amo e contigo amei repartir tantos gloriosos dias
no passado.
Somente
não perdi toda e qualquer esperança porque
não perdi os sonhos, nunca deixei de te sonhar, de te ver nos meus braços, de abraçar-te,
de inalar o mesmo perfume que arrastavas e com o qual como que eternamente
aspergido me vejo e verei mimando-te e beijando-te. Preciso alimentar este amor,
esta paixão, sem ela tudo deixará de ter significado para mim, tudo, o presente
e o futuro, por essa razão, devido a esta vacuidade que teimo não perder arraso-me
e destruo-me a cada dia que passo nesta incerteza, neste vazio que me sufoca,
neste sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, por saber que unicamente
com o nada posso contar.
Por
isto, por tudo isto, por esta vera e física
impossibilidade jamais poderei sonhar a minha vida em direcção a ti, não
temos futuro, o futuro é impossível, neste momento. Mais que tudo, só queria
ter alguém ou algo em que pudesse acreditar e não vejo como. Ninguém se mostra à altura da tarefa ou não se quer apresentar, talvez por a julgar exigente em demasia..
Perceberás assim o enorme vazio em que a
minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me
arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa
que vai sendo para mim, e devia ou deve ser, algo que me começasse a preocupar
deveras, na medida em que o que não vivi ou não vier a viver agora, talvez não o
viva nunca. A mesma água nunca passa duas vezes por baixo das mesma pontes...
Sei nada mais ter para te dar neste
momento que dourar de amor e carinho as tuas lembranças. Vão longe os tempos de
felicidade e promessas, promessas que fielmente cumpri umas atrás das outras e
penso ter tido a rara e afortunada oportunidade de as cumprir, porque assim o
desejei, porque era e sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava e contigo
fui abençoado por ter com quem repartir os dias.
Não me tiraste porém a esperança, não me
tiraste o sono mas somente o sonho de
voltar a ter-te de novo nos meus braços, de te abraçar, de inalar o teu perfume
inconfundivel, de te mimar e beijar. Preciso, inda que em sonhos que alimentes
este amor e esta paixão interminavel, sem isso tudo deixará de ter sentido para
mim, tudo, o passado, o presente e o futuro, e tu serás por certo e sempre o futuro
das minhas ilusões.
Esta vacuidade que teimas preencher
arrasa-me, destrói-me a cada dia que passa, não aguento mais esta certeza, não
suporto mais este vazio que me sufoca, antes o nada, antes o mito que este
sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, com o nada, com o mito pelo
menos tenho algo com que me entreter, me ocupar e contar.
Por isto, por tudo isto, diz-me que poderei contar contigo sem que me acuses de louco, que poderei sonhar contigo como se fosses tu a solidez de um sonho, que poderei conduzir a minha vida e induzir meus sonhos em direcção a ti, diz-me que temos futuro, que esse futuro é possível, porque neste momento, mais que tudo, preciso ter alguém ou algo em que acreditar e elevar a ti o meu pensamento mantém-me no ar, sustenta o meu viver...
terça-feira, 18 de agosto de 2026
855 - MONSARAZ – HISTÓRIAS E LENDAS ..
É com
muito gosto e também com alguma emoção que vos apresento este livro, MONSARAZ –
HISTÓRIAS E LENDAS, da autoria do meu conterrãneo e amigo Isidro Pinto. Este é
um livro que revela não apenas um escritor talentoso, mas também alguém atento
ao mundo, às pessoas e às suas contradições. E talvez seja precisamente por
isso que estas histórias conseguem chegar tão perto de quem as lê.
O que
mais me impressionou foi a forma como estes contos, apesar de serem diferentes
entre si, conseguem deixar uma marca. Alguns fazem-nos sorrir, outros fazem-nos
pensar, outros talvez nos deixem aquela pequena inquietação que permanece
depois de fecharmos o livro. E isso, para mim, é uma das grandes qualidades da
literatura: não termina necessariamente na última palavra de cada conto nem na
última página do livro.
Monsaraz
e o seu termo são uma terra e arredores que parecem ter sido feitos para criar
e fundamentar histórias. As suas
muralhas, as suas ruas, as suas casas, o arrabalde, mas sobretudo a História e
a paisagem, parecem guardar em cada canto a memória das suas gentes, e em cada um
deles uma história à espera de ser contada.
E é
precisamente esse património de memórias que o Isidro Pinto nos oferece neste
livro onde a força das suas curtas histórias, a clareza da escrita com que as
desenrola e sobretudo o cunho e a emoção das personagens, todas elas gentes da
terra, gentes do seu convivio, são essas histórias dizia eu que nos cativam
através do seu encantado talento de contador, enquanto as histórias, e não
apenas uma ou outra, se tornam o momento
marcante da obra, motivo pelo qual e sem hesitar vos convido a todos a lerem com
entusiasmo este livro.
Ao
reunir estas histórias e lendas em livro, humorísticas umas, dramáticas outras,
surrealistas algumas mas todas elas sobre a vida alentejana e “monsarense” o
autor, o meu conterrãneo e amigo Isidro Pinto, que nasceu para as contar, faz
muito mais do que escrever um conjunto de contos. Está preservando uma parte da identidade de
Monsaraz. Está a impedir que determinadas histórias, transmitidas de geração em
geração, se percam ou deturpem com o tempo pois, como é sabido, quem conta um
conto sempre lhe acrescenta um ponto...
Em boa
verdade vos digo, há algo de particularmente bonito neste trabalho, estas
páginas permitem-nos olhar para Monsaraz não apenas como o lugar extraordinário
onde nascemos, ou que visitamos, mas como uma terra que tem voz, memória,
personagens, mistérios e histórias. Ler estes contos foi, para mim descobrir
uma outra dimensão de alguém que já conhecia. Há aqui imaginação, sensibilidade
e, acima de tudo, uma capacidade muito bonita de olhar para as pessoas e para
as pequenas coisas da vida e transformá-las em histórias que nos prendem.
Ao ler
este livro, somos convidados a imaginar outras épocas, outras pessoas e outras
vidas. E talvez seja essa a grande magia das lendas: nunca sabemos exactamente
onde termina a realidade e começa a imaginação. Mas, no fundo, isso pouco
importa. O que importa é que continuemos a contá-las, aspecto em que há muito
vira no Isidro Pinto um autêntico mestre. Conheci-o já tardiamente e mor das
caminhadas a pé de que ele é um dos melhores guias, ao ouvi-lo sempre que em
cada caminhada um ou outro pormenor saía da banalidade, apercebi-me da sua veia
literária e do seu cunho magistral para nos contar e esclarecer acerca do que
quer que fosse. Em seu abono devo dizer que foi o único guia acerca do qual me
apercebi do trabalho de investigação anterior a cada caminhada. Não é para
todos....
Quero
também destacar o carinho e a dedicação que estão por detrás deste trabalho. Um
livro como este nasce certamente de muitas horas de pesquisa, de recolha de
memórias, de conversa com pessoas e, sobretudo, de um profundo amor por
Monsaraz e pela sua história. diria
mesmo ao Isidro Pinto que este livro é também uma forma de deixar uma
marca. Uma forma de dizer que estas histórias aconteceram, ou talvez tenham
acontecido — mas merecem sobretudo continuar a ser contadas. E é por isso que
te quero deixar aqui os meus sinceros parabéns. Parabéns pelo livro, pelo
trabalho e, acima de tudo, por teres escolhido preservar e partilhar uma parte
tão especial da memória de Monsaraz, a minha terra, a nossa terra.
Que MONSARAZ
– HISTÓRIAS E LENDAS chegue a muitos leitores e que, através dele, estas
histórias continuem a viajar de geração em geração. E que Monsaraz continue,
durante muitos e muitos anos, a inspirar escritores, contadores de histórias e
todos aqueles que têm a felicidade de por lá passar. Parabéns, amigo Isidro. E
muito obrigado por nos ofereceres estas histórias pois “enquanto houver alguém
que conte as histórias de Monsaraz, Monsaraz continuará a viver também dentro
de nós.”
Parabéns
pelo livro e parabéns ao escritor ! Por tudo isto, quero felicitar-te, meu
amigo. Publicar um livro é sempre um acto de coragem: é pegar numa parte de nós
e entregá-la aos outros. E tu fizeste isso de uma forma que merece ser
celebrada. Espero que este seja apenas um de muitos livros e que estas
histórias encontrem muitos leitores dispostos a rir, a emocionar-se e,
sobretudo, a deixar-se surpreender por elas.
Obrigado.
domingo, 16 de agosto de 2026
00854 - PARABÉNS MEU AMOR, E OBRIGADO ...
Se o
destino o tivesse querido terias ou farias hoje, 16 de Agosto, setenta anos, uma idade bonita, linda
diria eu, linda como eras, linda como sempre te vi, linda como te recordo, e
nós completado no passado dia 9, há uma mera semana, cinquenta e um anos de
casados.
Alguém
não quis que assim fosse, o que tem que ser tem muita força, dizem, não me
restando mais que recordar-te, lembrar-te, em cada dia, em cada coisa, em cada banco de jardim, em cada flor ou passarinho, em cada janela, rua, praça, travessa ou esquina por onde tantas vezes deambulámos dando largas
aos nossos sonhos, pensamentos, projectos.
Por
isso gosto de me arrastar de vez em quando por esses percursos, pois em cada um
deles um pouco de ti, cheguei até à conclusão que nunca me fartarei desta
cidade que percorro sem ver, que inebriado continuo a percorrer contigo e
ainda, como dantes, só para ti ter olhos, por isso sorrio sozinho e para mim
mesmo, como agora, como tantas vezes, surpreendido por passado tanto tempo anda
me fascinares como antanho, ainda provocares em mim uma agitação incontida, emoções
fortes, a ponto de por vezes me olhar cuidando estar embriagado, não estando.
Embriagado não, atingido sim, e deslumbrado com as reacções que em mim ainda provocas, diria que a tua lembrança é das poucas ou a única coisa que ainda me deixa extasiado, como se estivesse vendo o que não vejo, mas ante mim uma paisagem alegre como alegres eram os dias contigo, os passeios contigo, conversas sem fim, de mãos dadas a dar a dar, tão embaladas elas quão nós na metafisica que tantas vezes nos entretinhamos a esticar a testar, a ver se partia...
E quem
afinal partiu foste tu e eu aqui sózinho esticando a corda, bamba, laça,
puxando-a devagar, na miragem de te encontrar na outra ponta, miragem que nunca
consigo enxergar, nem ao menos distinguir com alguma clareza por mais pequena
que seja, que fosse, cousa em que o sucesso nunca me foi visível, palpável, e vera
contradição com tão reais memórias, com tão sólidas lembranças, tão veras e
tantas vezes enganadoras pois por mais veras que sejam quando de braços
estendidos para elas sempre me escapam entre os dedos como água em clepsidra.
Resta-me
hoje, como ontem e amanhã, recordar-te como recordo a cada dia, em cada
momento, de olhos marejados lembrando quão feliz me fizeste e que talvez seja
egoísmo todo este amor que guardo em mim achando pouco, querendo mais e sempre
mais sabendo bem que desta vez, ao contrário do que sempre fizeste, não me
poderás satisfazer, fazer a vontade, dar-me aquele abraço, o teu regaço, as
tuas mãos, os olhos sempre sorrindo, a boca, essa flor que me matava a sede e que,
quanto mais me saciava mais sede me provocava.
Soubeste
sempre ser única, talvez essa tenha sido a tua maior qualidade, a tua maior
virtude.
Parabéns
amor, e obrigado por tanta felicidade que me deste.











