Os portugueses vibram com as guerras, tanto quanto pelo Benfica, Sporting ou FCP, no caso que abordo uns pela Ucrânia outros pela Rússia, uns por Trump e a América outros pelo
Irão, só as nossas guerras não festejaram porque aí chiava mais fino, teriam que
levantar o rabo do sofá e ir bater com eles lá longe onde o sol os castigaria
mais.
Contudo, apesar da sua proverbial aversão às guerras nunca deixaram de matar-se alegremente até há bem pouco tempo, mas a memória é curta, há mesmo muita gente residindo em Évora-Monte sem saber por que razão o vinho ali engarrafado leva a marca Convenção. Aproveito para gabar os tintos da CARMIM, sou de Monsaraz portanto não se admirem, bebo-o há quase 50 anos e acho nele uma fonte de juventuide. Aproveito igualmente para vos dizer que conheço bem o Chega por já ter feito parte dele, acompanho-o como acompanho outros partidos e a politica em geral esclarecendo nada me mover a seu favor ou contra ele.
Deixo-vos no fim
deste texto, para não vos cansar, um longo aditamento sobre as recentes guerras
portuguesas, nacionais, metropolitanas, civis, cuja leitura não deixará de agradar aos
mais curiosos, aos que tenham mais tempo livre, aos mais macabros de entre nós,
e naturalmente a quem se interesse pela história ou seja sadomasoquista pois
para ser coerente não posso nem devo deixar ninguém de parte ou seria acusado
de xenófobo e intolerante…
Refiro-me naturalmente às guerras liberais, entre constitucionalistas e absolutistas, ou dos “dois irmãos” 1828 / 1834, de que sairia vencedora a monarquia constitucional, porém o descontentamento social, o aumento do custo de vida, a crise económica e a influência do operariado, especialmente em Lisboa, viriam a favorecer as ideias republicanas cuja revolta começou na noite de 3 para 4 de Outubro, com a sublevação de navios da Marinha no Tejo.
Combates houve, intensos e pontuais um pouco por todo o país mas foram
sobretudo os confrontos em Lisboa entre as forças monárquicas e os
revolucionários republicanos (militares e civis) quem levou a melhor. A
República seria aclamada na manhã de 5 de Outubro de 1910, exactamente às
9h00, tendo sido proclamada da varanda dos Paços do Concelho em Lisboa e
praticamente imposta ao resto do país onde a sua expressão era pequena, talvez
de igual tamanho da indiferença que o povo deitava à monarquia.
Quer nas guerras liberais quer nas
dezenas ou centenas de levantamentos espontâneos mas pontuais que levariam à
República os portugueses bateram-se galhardamente e morreram alegremente,
convictos, ambos os lados, de estarem a pugnar pela razão. Se sim ou não diga o
leitor que eu não sou de pendor nem devo pender para lado algum num texto
destinado a todos.
Onde quero chegar é ao facto de gente
pacifica como nós, gente de brandos costumes, de quando em vez e por dá cá
aquela palha se envolver em guerras e guerrinhas que, feitas as contas, deixam
uns milhares de vitimas sem que as coisas mudem substancialmente, isto é muita
parra para tão pouco vinho, já que a situação sócio económica do reino e depois
da nação, não melhorou significativamente após os sacrifícios de tantas vidas
por tão nobres objectivos que todavia acabaram por não passar de virtuais
ilusões.
Pois meus amigos encontramo-nos
presentemente em vésperas de mais uma situação que apesar de crermos que não,
nos poderá levar a mais um desses episódios galhardos de que não retiraremos
proveito nenhum, ou será que desta vez, ou mais uma vez, tudo mudará para que
tudo venha a ficar na mesma ?
Vejamos então, não tenho a mínima dúvida
de que o Chega vencerá as próximas eleições legislativas e se consolidará
como o primeiro e maior partido do espectro nacional. Todas as contas que fiz e projecções que delas resultaram apontam para isso.
Neste momento o Chega representa a
esperança de redenção desta nação e a única hipótese de mudança, enquanto os restantes
partidos surgem cada vez mais aos olhos do eleitorado como os traidores do
ideal de igualdade e liberdade trazido pelo 25 de Abril e a certeza que não
mudarão nem proverão à mudança de que a nação tanto necessita, tornada cada
vez mais urgente se não quiser soçobrar às mãos de oportunistas, corruptos e
videirinhos.
O que me encanita é uma duvida metódica que nem me deixa dormir, António José Seguro, o nosso PR, dará ou não dará posse a André Ventura e ao governo saído do Chega ? Ou invocará estar o partido que lhe dá corpo pejado de ilegalidades ? É sabido, a comunicação social não perde uma oportunidade para nos lembrar disso, e aposto que a oposição aproveitará o ensejo para gritar por todo o país estar-se perante um partido prenhe de ilegalidades, quase estou disposto ou apostaria mesmo que o TC não terá outra alternativa que seguir a onda de protestos e, perante factos tão claros, nem os juízes afectos ao Chega poderão decidir de outra maneira.
Sim porque a oposição, a esquerda em
geral e a poderosa comunicação social em particular amplificarão o clamor
contra o Chega e contra AV de tal modo que levarão à saturação e à revolta dos
eleitores, a manifestações espontâneas ou convocadas, sobre as quais não duvido
cairão cargas da policia de choque ou simplesmente não serão autorizadas pelas
câmaras municipais ou autoridades locais gerando mais clamor e mais protestos, levando à exigência e presença das forças da ordem, que lhes cairão em cima provocando mais
revolta que a revolta que pretenderão conter...
É nestes momentos que o espectro da guerra civil pairará no ar como uma nuvem, levantando pertinentemente a questão fulcral deste texto, choverá ? Não choverá ?
Em Santiago choveu apesar de nesse dia ser esperado bom tempo…
Não demos a devida atenção a uma mudança
ocorrida há pouco tempo nas cadeiras do poder, o novo Ministro da Administração
Interna é oriundo da polícia Judiciária, coisa que não deveria ser possível.
Pedro Passos Coelho e mais 2 ou 3 comentadores questionaram e criticaram essa
mudança, a independência dos poderes entrou em questão, o novo MAI é mais político
que policia, e para além da ascensão a ministro ficam atrás dele as amizades e
fidelidades forjadas enquanto dirigiu a Judiciária.
É provavel que eu esteja equivocado, é provavel que esteja desactualizado e enganado, é provavel que o Chega tenha a sua situação legal restabelecida ou em vias de a normalizar, mas seria muito triste que o cenário que acabei de apontar eventualmente viesse a consumar-se pois já vi de tudo e tudo serve de arma de arremesso contra quem tem feito uma caminhada formidável e que está longe de terminar, de 1 para 60 deputados em 6 anos é obra, e não vai parar.
O partido mais odiado e amado do país vai continuar a crescer, vai suscitar invejas,
antagonismos, rivalidades, inimizades, choques, conduzirá a confrontos entre
pessoas, confrontos de ideias, de grupos, de sistemas, levando a arruaças, a lutas
de rua. Pode e vai certamente envolver pessoas e partidos em conflitos e gerar
hostilidade entre quem partilhe opções opostas. Levará a guerras onde exista contradição
de opiniões, de valores, de caracteres, todos se oporão a AV o protagonista da
mudança buscando impedi-lo de alcançar seus objectivos. Acabar-se-à para com o Chega a tolerância sempre tão invocada quando se trata dos outros, deles mesmos, se é que não se esgotou já.
Desabafei, dei-vos a conhecer as
minhas preocupações, não que seja contra as guerras, que eu saiba o mundo vive em
guerra desde que passou a haver dois homens sobre a terra e a guerra tem muitas
vezes o mérito de restabelecer a justiça portanto… Se é boa estou com ela, se é
por uma boa razão contem comigo, mas uma guerra fratricida é sempre de evitar, temos
a AR, temos a diplomacia, temos cabeça e miolos, não podemos nem devemos deixar
que a emoção nos cegue, nem devemos colocar em questão noções de direito e
quer-me parecer que o Chega não tem crescido com base em manipulação de votos
(acredito que tenha sim sido prejudicado em contagens) acredito que tem sido
levado ao colo por mérito próprio e por eleitores que nele depositam voto e
esperança, o Chega não é um abcesso da nossa democracia, é antes um filho dela,
legítimo, nascido da imoralidade e incapacidade dos pais…
Já me alonguei demasiado, penso todos
terem entendido o perigo que corremos e na hora H saibam manter o sangue frio e
evitar o pior… Mas preparem-se para ele, o cenário que descrevi não passa de
cenário, mas é um cenário possível de ser levado à cena, há que evitar essa
subida ao palco… Um abraço.
CONTINUARÁ NUM ADITAMNENTO HISTÓRICO ESCLARECEDOR E NECESSÁRIO ABORDANDO NO GERAL AS GUERRAS LIBERAIS E A VIOLÊNCIA REPUBLICANA.



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