quinta-feira, 15 de setembro de 2016

380 - VALSAS, “NEM TODAS AS NOITES SÃO PARA VALSAS” CRITICA E CRITICISMO .........



Tu por aqui Baiãozinho ? Pensei que disseras não voltar mais e afinal cá estás, tu não és passarão destas bandas e aqui nem se passa por mero acaso.

- Olá ó merceeiro, como tá tu ? E a minha prima como vai ? Tens tratado bem dela ? Nunca ouviste dizer que o criminoso volta sempre ao local do crime ? E o pasteleiro ao local do creme ?  Posso ter feito uma afirmação dessas em relação a alguma coisa especifica, de resto nunca pensei deixar de fruir o que me é sugerido e até gosto do café daqui, da esplanada e dos gelados, evidentemente que no tempo deles.

- Mas saberás haver quem não aprecie os teus passeios por aqui, ou não percebeste ainda isso ?

- Claro que já percebi isso ó caramelo, isso e muito mais, nem é coisa de que me admire, porém acho que o país e a cidade e todos nós perdemos muito com esta doentia falta de critica e de críticos, vê só onde chegámos, ao buraco a que chegámos sem que ninguém aparentemente tenha dado pelos maus caminhos trilhados, um país inteiro numa fossa. Claro que sei, folgo até com a atenção que me prodigalizam ainda que eu faça os meus juízos mais para me entreter que outra coisa, mas olha, reparaste, por exemplo, que a iluminação da igreja foi melhorada ? Pois não te esqueças de agradecer cá ao "je".

- Pois pois Baião, era mesmo aí que eu queria chegar, as tuas opiniões, digo as tuas criticas parecem não ser bem aceites, não digo que sejam injustas ou despropositadas, digo apenas que não cairão bem em certos meios.

- Amigo Hermes, há uma diferença considerável entre critica, criticismo e má língua, se não me sentisse capaz de avaliar alguma coisa nem abriria a boca, quanto ao resto, e sendo a coisa pública está sujeita a criticas, e eu no direito de as criticar, tanto mais que há ali dinheiros públicos, dinheiro dos nossos impostos, e dos meus, vejo ali anunciados apoios da DRCA, da CME, provavelmente haverá subsídios da DGA, há patrocínio de uma importante fundação da terra, cabe-me portanto todo o direito a formular as minhas apreciações e avaliações e a torná-las tão públicas quão públicas são as exposições ou as instalações que uma qualquer associação promove aqui nesta igreja. Quem se aventura em público tem que ver a critica como algo que faz parte do ar que se respira, evidentemente falo de criticas justas, isentas, desprovidas de sectarismos, sem quaisquer engajamentos a lealdades morais, politicas ou religiosas.

- Sim sim Baião tens razão, uma crítica justa deveria até ajudar a melhorar as coisas, a assinalar o que esteja menos bem, mas como sabes o tuga convive mal com qualquer critica, para ele critica é sinónimo de destruição…

- Tal qual Hermes, mas eu não funciono assim, procuro um certo distanciamento e evito emitir um juízo formal ou especifico contaminado pelo preconceito ou pela subjectividade, e nunca esqueço que a apreciação de uma obra ou o prazer que ela nos proporciona ou não, envolve uma atitude subjectiva que ninguém consegue impor ao observador, pois os valores e sentimentos estéticos que este carrega, chamemos-lhe grelha de referência, é-nos anterior à apreciação e, se por um lado nos ajuda a “ver” o exposto, por outro também dificulta que nos imponham um gosto ou um ponto de vista.

- Estás a dizer-me que quando entras numa exposição já vais com uma ideia preconcebida Baião ? Já vais de faca afiada pá ?

- Não ! O que eu estou a dizer-te é que vou munido de bagagem, de conhecimentos, de uma grelha que me permite ver como se levasse binóculos e que essa visão é mais rica por ser informada mas não deixa de ser minha, e de ser subjectiva, repara nas unhas da Tininha, eu aprecio o fúxia mas tu podes preferir o lilás, sendo essa liberdade de opção ou de gosto que gera o tipo de subjectividade que não deve nunca passar para a critica.

- Então as más vontades contra ti poderão resultar de mal entendidos Baião ?  A verdade é que ainda que tenhas razão, e sei que tens, alguém preferiria que não aparecesses, que não te pronunciasses, e se assim for só pode ser má fé contra ti ainda que eu não entenda o seu fundamento. Realmente dizer as verdades ou ter razão pode ser prejudicial, só neste país, assim estamos como estamos...

 - Não, julgo que não Hermes, sou sempre objectivo nas minhas criticas, e suficientemente cuidadoso para não gerar os mal entendidos a que aludes, aliás uma critica, ou o facto de se criticar algo ou alguém tem um protocolo ético que nunca mas nunca ultrapassei amigo Hermes, senão nota, é um código de conduta que adoptei para mim mesmo há muito tempo     
        
Primeiro: a crítica deve ser justa, justificada, objectiva, precisa e claramente especificada ou dirigida, a fim de não existirem duvidas quanto ao seu objectivo e identificar sem rodeios o alvo, que deve ser único em cada caso, deverá portanto ser inequívoca. A crítica deve cingir-se a situações concretas.

Segundo: a crítica deve ser sempre bem elaborada, clara, concisa, a critica deve ser educada, correcta, comedida, não deve amesquinhar o destinatário e muito menos apoucar o emissário.

Terceiro: a critica deve evitar opinar, preconceitos e juízos de valor, a critica refere-se a coisas, a situações, não a pessoas, a doutrinas, a confissões, credos, pontos de vista ou posições, para estes casos existe a contestação.

Quarto: a crítica deve basear-se em factos concretos, a critica não pretende formar mas informar e influenciar; alertar, a critica deve avaliar expondo e contendo razões fundamentadas.

Quinto: a crítica carece de conhecimento, se desconhecermos ou não entendermos o que observa não critiquemos. A crítica exige conhecimento e coragem não devendo comportar hesitação ou cobardia.

Sexto: a crítica vale pela substância, deve ser frontal e incontestável, e não sub-reptícia ou subterrânea, a critica não é um boato, não deve ser baixa (de baixeza) nem soez.

Sétimo: a crítica exige frontalidade, criticar não pode ser confundido com o acto de atirar a pedra e esconder a mão, nem  deve ser feita por ignorância, mau caracter ou estupidez.

Oitavo: a crítica está certa ou errada. A crítica deve credibilizar quem a elabora sem desonrar quem a recebe.

Nono: a crítica é uma atitude pessoal e deve estar isenta de má fé, sectarismo, dogmatismo, engajamento e todo e qualquer partidarismo.

Décimo: a crítica deve ser fácil de ler e mais fácil ainda de compreender.

- Belos princípios Baião, mas não sei se sabes que certa gente não funciona assim, há gente que atropela toda a ética e toda a moral e para quem os fins justificam os meios, e isso é o que mais se vê por aqui. Mas afinal quanto à exposição o que me dizes ?

- É um peso pesado, tive o cuidado de pesquisar na net, mais de mil entradas no Google.

- Um peso pesado ?  É só o que tens para dizer ?

- Estás a dois passos dela, se queres saber mais levanta o cu da cadeira e vai vê-la. 























quarta-feira, 14 de setembro de 2016

379 - DO HUMOR E DA IRONIA, A CLEMENTINA

                    

Ouvindo os meus lamentos a Clementina, que nem é tão azeda como a julgam, nem casca grossa, antes docinha como um pêssego, um alperce, acercou-se da mesa e procurou inteirar-se do motivo da controvérsia do dia e, naturalmente e como é próprio da sua doçura, deixar um qualquer lamiré apaziguador, quiçá uma prova da sua ternura, simpatia e empatia.

Cousas que ao Arlindo em nada sensibilizaram, ou molestaram, dado ele ser daqueles tais, dos diferentes, dos todos diferentes mas todos iguais e contra quem a mesa toda se virara, pois acabara de criticar asperamente a disciplina militar, primeiro a respeito das mortes nos treinos dos comandos e depois acerca da nem tão recente polémica com os rapazinhos do colégio militar dos pupilos do exército. Logo calhou que o Zé Antero lhe tivesse feito uma cena que nos deixou todos rindo ao encenar esta piada:

- Parece que estou a vê-los todos ó Arlindo ! De baioneta em riste e preparando-se para abandonar as trincheiras em direcção ao inimigo

- Vamos a eles meus amores ! À carga !

Foi risota geral. Humor e ironia é a sorte daquela mesa, quero dizer desta, pois é nela que vos estou dando conta do ocorrido agora que todos desandaram cada qual arvorando uma desculpa diferente, o Arlindo meneando-se com todo o ar de dama ofendida, o Zé rindo à gargalhada, a Clementina como quem caminha aspergindo água na fervura e o resto gargalhando a bandeiras despregadas.

  
Sobrei eu, fiquei eu pra pagar a conta como sempre calha ao mais parvo, nem sei como a coisa calha para me calhar a mim vezes demais. Fiquei entalado mas também rindo do sucedido e de como em poucos minutos um ambiente se pode modificar completamente. É certo que fiquei a rir, não me fiquei rindo mas fiquei a rir o que parecendo igual não o é, é uma coisa completamente diferente, o riso descomprime, o riso é saudável, a falta dele provoca desde embaraços a incompreensões, a desconfianças, complexos e traumas vários e até males sezões, desaconselhando eu vivamente a amizade e o convívio com quem não partilhe o gosto pelo humor e pelo afiado gume da ironia. Sendo para casar então o melhor é nem sequer pensar em tal, pois irá ser aventura de curta duração com divórcio garantido a breve trecho. Rir é hoje em dia uma questão de sanidade pública e privada. 

Realmente perante determinadas situações rir é mesmo o melhor remédio, se não o único, pois que, em especial neste nosso caricato e peculiar país, a maior parte do acontecido somente pode ser avaliado à luz da ironia e do mais fino ou mais negro humor, tal o absurdo em que se inscreve.

Saber rir daquilo que nenhuma ponta tem mais por onde possamos pegar-lhe, e saber rir de nós mesmos, é condição “sine qua non” para sobreviver neste autêntico vale de lágrimas ou estúpido reino da Dinamarca onde todos, ou quase todos andam enganados e enganando-se vai para quarenta anos. Há essencialmente duas coisas que o português contesta e detesta, uma é saber, saber o que quer que seja a respeito de… saber, aprender, ler, informar-se, perguntar, entender, compreender, enfim, saber por saber, para não ser estúpido. A segunda é meditar, analisar, extraír conclusão, comparar, examinar, intuir, deduzir, generalizando e em simultâneo especificando, ou seja pensar, tão simples como isto, pensar.

Daí os dogmas e as ortodoxias de esquerda e de direita em que tropeça há quatro décadas, sem que lhe ocorra no mínimo baixar-se e arrancar a pedra do caminho ficando menos uma em que tropeçar da próxima vez. Todavia larga opiniões a toda a hora, como quem caga bacoradas, e nem tão pouco se dá conta da montanha de asneiradas que ao longo de dias, semanas, meses e anos vai acumulando. Se fosse como o Jóquer do Totoloto era o menos, mas sucede que não é, caindo alguns no extremo oposto, ficarem calados, escondendo dos demais a sua ignorância, o que até consubstanciaria uma virtude não fosse a sabedoria desconfiar da marofa. Entre ser preso por ter cão e preso por o não ter é acreditar na Clementina que garante ser no meio que se encontra a virtude.

E é, e está, é precisamente no meio que ela é mais docinha, e ainda que com um ligeiro travo e um muito leve sabor a maçã verdinha é lá que está a virtude, bem no meio, bem escondidinha. Vai uma apostinha ?

A propósito, foram 17,30€ a conta, vou ter que me vingar destes cabrões sabiam ? Sabiam ou pertencem àquele número dos que não sabem, nem querem saber e têm raiva a quem saiba ? 



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

378 - PASSARINHOS, PASSARÕES, CONTRADIÇÕES E CONFUSÕES * ...


Na semana passada tive bastos motivos para me rir, primeiro ri-me porque quase me caguei, uma diarreia que por pouco nem me dava tempo de chegar à sanita, foi de tal ordem que, prevendo isso corri, não, não estou a inventar, estou sendo sincero, tudo por causa de uns tamarindos que comi em excesso, comi-os com umas bejecas, para lembrar os dias no deserto, mas sem saber comi demais, devemos ficar pelos três, ou quatro e eu comi uns dez, nem sabia que os árabes os usam como laxante, nem tive tempo de dar sequer mais um clique no rato do PC.

Há uns anos tinha comido daquilo em Tikrit no fim de um lauto almoço (regado a boa cerveja de contrabando oriunda do United States Army), mas no fim do repasto e à laia de digestivo os anfitriães deram só três ou quatro a cada um de nós, verdade que na altura os julguei somíticos, aprendi agora da pior forma ter demorado treze anos a perceber o porquê do seu cinismo, imaginem que eu estava num café por exemplo...

Há coisas do caraças, e eu sem aquela areia toda para tapar a coisa... Eles taparão, digo eu, a minha Mimi tem uma caixinha com areia e tapa. Mal me levantei da sanita meti-me logo para debaixo do chuveiro claro, mas do susto não me livrei… Porém enquanto estava de sentadeira puxei a cestinha das revistas e jornais tendo-me entretido com eles, foi neste momento que dei com outras cenas macacas e me pude rir a bom rir ao dar com as contradições em que as pessoas podem cair e caem, consciente ou inconscientemente mas caem.

Eu pegara nos jornais da terra desse dia e da véspera e dou com dois paladinos botando sermão acreditando serem os detentores da verdade e, ambos enganados, ambos engajados, ambos comprometidos, ambos inconsequentes. Bem um deles era uma ela, uma paladina, e como os sermões eram públicos, vinham em jornal diário, eram e serão não somente passíveis de risota como de critica, e assim fiz, primeiro ri-me depois analisei-os à lupa e voltei a rir-me. 

Eram dois artigozitos, um sobre democracia e moralização, um arrazoado de pressupostos sem pés nem cabeça, uma série de patacoadas ingénuas de quem nem se verá ao espelho, o outro mais grave porque mais profundo, menos inocente, mais subtil, não de uma figura da terceira liga antes de um craque da primeira divisão, pessoa que jogou no nosso distrital, pessoa conhecida e naturalmente alvo permanente de observação e escrutínio públicos, colectivos, e talvez também pelo colectivo…


Se em relação ao primeiro artigo nada mais haverá a dizer além das contradições que o desabafo encerra, pois não me pareceu mais que um desabafo de quem só agora descobriu a intolerância por esta lhe ter caído em cima, provavelmente a doer, sobre o segundo usei de toda a ponderação na análise pois a coisa chiava mais fino, revestia-se de um caracter multiforme, era enformado por subtileza do mais fino recorte e pode considerar-se um indisfarçável apelo subliminar a todas as consciências adormecidas que nele esbarrem, facto que alertou a minha desconfiança e me suscitou mais interrogações que certezas quanto aos factos que o dito artigo abordava. 

Mas vamos por partes, dado o supra citado artigo se referir à polémica empresa energética EDP que, esclareçamos, goza de um quase monopólio sobre os cidadãos nacionais, tratando-se duma empresa que faz cair sobre todos nós os elevados custos da energia que produz e considerada a mais cara da Europa (com impostos ou não). O tema é inequivocamente assunto para ser tratado com pinças, delicadeza, diplomacia e pezinhos de lã como dizemos por aqui. É uma empresa privada, de natureza privada, cuja imagem andará pelas ruas da amargura, e andará tanto mais quanto mais nos aproximarmos do inverno, da velhice e da falta de rendimentos que a incompetência continuada e reiterada de vários governos nos despejou em cima, não olvidando o aperto austeritário que à laia de purificação continuamos sofrendo.

Uma empresa que daria tudo por tudo para melhorar esta imagem, uma empresa polémica, estratégica, e que somente a incompetência de deputados e governos permitiu que saísse da tutela estatal. Uma empresa que nos esmifra p’ra dividir entre os gestores e accionistas dividendos chorudos sugados a um povo abusado, uma empresa que criou uma fundação encarregada de apregoar a solidariedade e de fazer caridadezinha com o dinheiro que nos cobra, portanto as suas benfeitorias são pagas por todos nós, que, supostamente lhe devemos estar agradecidos. Saibamos então ao menos que a responsabilidade social tão apregoada pela Fundação EDP é paga por todos nós.

Ora a EDP faz por ela e não a podemos criticar, e socorre-se das melhores formas de propaganda a que pode deitar mão, aquela que em vez de aparecer como propaganda ou publicidade aos nossos olhos aparece ante os mais distraídos como um acto de filantropia, de benfeitoria. É pura e subtil publicidade encapotada, é propaganda camuflada, disfarçada de boas acções, é uma forma de publicidade subliminar, inoculada nos mais distraídos sob a forma de caridade. Ao invés de baixar o preço da tarifa eléctrica a EDP faz caridadezinha, pratica o bem com o excesso de preço que lhe pagamos, não é moralmente correcto, mas não deixa de ser legal. É uma empresa privada, faça como entender desde que não torneie a lei.

Para enfeitar o ramalhete as acções da benfeitora Fundação EDP surgem enquadradas por duas figura públicas nacionais que, a julgar por notícias há bem pouco tempo vindas a público quanto a outra de igual gabarito, Cristina Ferreira, se fazem pagar principescamente. Porém vamos acreditar que MRP e CF trabalham para a Fundação EDP em regime “pro bono” o que dificilmente imagino. O caricato da situação surge quando o estado através da SEE e da DGE aceitam participar nos desígnios de lavagem de imagem da EDP, e sobretudo que um ex deputado do PS, José Carlos Bravo Nico, aceite dar a sua figura, fá-lo-á “pro bono” ou estará a facturar principescamente a sua participação ?

Pessoalmente quero acreditar na ingenuidade, integridade e boa vontade do tal inteligente ex deputado e que o mesmo participa no road show de promoção da EDP a título gratuito mas, a titulo gratuito ou não, um ex deputado não deveria resguardar a sua independência ? Ou estará sempre disponível e irá apoiar todas as empresas que lhe solicitarem apoio ? E não deveria um ex deputado com responsabilidades hierárquicas ainda que antigas sobre as escolas do distrito evitar possíveis ou imaginárias acusações de possível tráfico de influência e pressão sobre essas escolas ? Todas as interrogações são possíveis, passiveis e pertinentes, contudo qualquer um tem o direito de se interrogar ou questionar a si mesmo sobre estas andanças e boas intenções, sobretudo quando é sabido que de boas intenções está o inferno cheio. Cabe aos intervenientes nestas peripécias resguardar-se dos salpicos, manter o recato que as suas vidas públicas exigem e recomendam.

Responsabilidade social sem moral, sem moralização, não passa de um embuste, e, sendo o desenvolvimento o que se almeja, aja-se em conformidade na AR, em conformidade e com consequência. Não se pode vir alardear e solicitar responsabilidade social a quaisquer empresas privadas afobadas de impostos e cujos lucros, escassos, mal lhes permitem sobreviver, não se pode exigir uma coisa nos discursos e fazer outra na AR, onde as leis promulgadas não ditaram a riqueza mas deitaram abaixo este país. Não esqueçamos que foram as más leis e o mau governo deste país quem colocou nas mãos de interesses estrangeiros o que devíamos ter mantido nosso, mantido e ampliado.

Outro aspecto que me parece de acautelar ou resguardar é o facto de a EDP mais parecer ser um galinheiro onde os passarinhos fazem poleiro num conúbio imoral entre troca de interesses e influências, naturalmente mais uma vez acredito que não existe nem colonização nem parasitação dessa rica empresa, mas as duvidas poderão assaltar qualquer um e persistir e, devendo o exemplo começar em casa, volto ao primeiro artigo, o tal que exigia moralização da vida pública, recomendando à personagem que compre um bom espelho e uma lupa ainda melhor. Tolerância sim mas não tanta assim…

Bolas que se acabou o papel !  

Por hoje a escrita fica por aqui…

Deixa, vou meter-me debaixo do chuveiro… 




http://br.innatia.com/c-tamarindo-propriedades-pt/a-remedio-de-tamarindo-contra-a-prisao-de-ventre-3734.html

* NOTA: Ler também a propósito deste tema um outro artigo do Padre Madureira inserto no Diário do Sul de 2 de Novembro, página 6, intitulado "O Fato Usado Do Presidente", do presidente da EDP claro...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

377 - NHA HISTORIA, LARGAM DA MON ..............


A minha amiga Fifi é uma autêntica coca-bichinhos, na gíria das redes sociais chamar-lhe-iam cuscas. Não é defeito, é feitio, a verdade é que embora a léguas dá por tudo que se passa num raio de 20.000 km em seu redor. Melhor, que me lembre, só Júlio Verne pois a Fifi observa mas não regista, analisa mas não verte em letra de forma, não escreve, não edita e provavelmente será uma pena.

Vem esta arenga a propósito do cerco que me faz, nada escapando a um qualquer olho pidesco que deve ter no meio da testa, como os Ciclopes. Anteontem perguntou-me por que gosto eu tanto de música africana, pois notara que amiúde a partilho na página do programa “Disco África” ou mesmo na minha, pois segundo ela nada o justifica, não sou africano nem preto, palavras da Fifi. Confesso ter sentido uma enorme vontade de a mandar agarrar numa saca de cimento e ir àquela parte que a gente sabe, mas comedido como sou respondi-lhe:

- Meramente uma questão de empatia Fifi.

antegozando o fingido agradecimento dela e antevendo-a atrapalhada de volta dos dicionário averiguando o significado de empatia.

Fui mauzinho, mas não menti, é mesmo uma questão de empatia que me leva a gostar imenso dos ritmos e sons africanos.

Evidentemente poder-lhe-ia ter dado outras explicações igualmente válidas, igualmente verdadeiras, como o facto de não haver canais televisivos nacionais, portugueses, destinados ou vocacionados para a história e divulgação da nossa música, pelo que sendo o mais aproximado que tenho à mão sou ouvinte e telespectador atento do canal RTP África e da morna música luso africana.

Sim sei haver outros canais, VH1, MTV, a Híper FM, excluindo propositadamente os de música clássica com os quais me entretenho menos, para isso tenho o YouTube e além destes canais outros há ainda que se guiam por outros propósitos, divulgam a música de outros países e sobretudo alimentam o negócio da música e das vedetas ou estrelas, quantas vezes pré-fabricadas em estúdios músicais e de marketing sendo lançadas como qualquer produto de consumo, um shampoo, um detergente, afinando-lhes pernas e mamas, lábios e olhos, cus e pestanas, e Photoshop, muito Photoshop.

Longe vai o tempo em que as estrelas se afirmavam por si e pelo seu valor e se submetiam a uma popular avaliação crítica mas que as escrutinava ao milímetro, em festivais que fizeram história como o inesquecível e irrepetível Woodstock, onde tantas e tantos começaram as suas carreiras músicais de inesquecível sucesso, como Jimi Hendrix, Bob Dylan, Bob Marley, Santana, Janis Joplin, Joan Baez, e bué de gente que nem me lembra agora e espero me perdoem.

Hoje é tudo pré-fabricado e a malta tudo come e tudo engole sem se interrogar, sem meditar nem reclamar, contudo no mundo negro da música africana ainda conta muito a qualidade se nele se quer vencer. Ali há muita originalidade e a música é ainda feita com recurso a instrumentos musicais e não a sintetizadores ou remisturadores, enfim, com tudo menos instrumentos como acontece com tanta dessa fastfood miusic que nos querem enfiar pelas orelhas. 


Sei que também poderia ter dito à Fifi que os anos vividos em África antes de retornar modelaram os meus gostos e preferências, de pequenino se torce o pepino e eu não terei sido excepção à regra, o ritmo, a cadência, o batuque, a naturalidade e originalidade de músicas e intérpretes marcaram-me e, inadvertidamente afloram ao de cima quando me disponho à festa.

Outra explicação não menos verdadeira que contudo não lhe daria, tem um cariz sentimental mais aprofundado e gira em torno dos anos de militar e do tempo que alguns acharão excessivo passado em Angola, Namíbia, Moçambique, Guiné e Cabo Verde. Foram muitos anos ininterruptos, quantas vezes vivendo em completa comunhão ou simbiose no seio de tribos indígenas, com direito a mulher e tudo, tendo advindo também daí o prazer, o gosto pelo ritmo, pela cadência, pela indolência mas igualmente pelo gingar das ancas e das danças negras, pelo sedoso da pele, do encantamento da cor ao apelo do cheiro a catinga e a cio, à dádiva da sua entrega, ao desprendimento das suas exigências, à resignação espartana das suas existências e ao estoicismo do sentirem-se amadas.

Talvez tenham sido demasiados anos, demasiada convivência, demasiada proximidade, mas jamais coerência em excesso, integridade em falta, vivência abusiva, carência contida, ou paixão travada, daí a saudade. Talvez demasiado amor pra um mundo em guerra e sem esse amor, todavia decerto seriam respostas demais para a Fifi, por isso me fiquei pela empatia. Sucinto e simples, curto e claro.

Infelizmente alguma da música africana actual também está eivada de um fenómeno que aqui designamos por “pimba”, não há nada que o preto mais goste que uns óculos de sol espelhados ou vistosos, um carrão, preferencialmente branco metalizado, discotecas com muitas luzinhas, cocktails, charutos, arranha céus, iates, anéis, pulseiras, fatos caros, dinheiro, diamantes, choferes, telemóveis XPTO 15, e elas tornadas mulheres objecto, perdidas por cabelos loiros e ou compridos e escorridos como os das brancas. Enfim, toda a panóplia de gadgets que ao longo de décadas foram invejando ao branco decadente sem intuírem quanta frivolidade encerravam enquanto reflexos de um status em queda livre.

Nesse aspecto não são muito diferentes de nós, curiosamente nenhum negro se quer chamar António, ou Anthony Johnson, o negro*, todos querem ser Zedu, é ver o triste espectáculo nalguns vídeos pirosos com cenários como os que acabei de descrever, cenografias com a mão em poses de boss, repletos duma vacuidade materialista, consumista, próprias de ambientes propícios à venalidade, completamente contaminados pelo que de pior o branco tem, e exemplos absolutamente desaconselháveis e aberrantes para a juventude a quem são dirigidos…

Mas no que toca ao pior nós vamos porém muitíssimo mais adiantados… 


* http://www.buala.org/pt/a-ler/o-angolano-que-comecou-a-escravatura-nos-estados-unidos 

http://mentcapto.blogspot.pt/2015/01/221-contratempo-em-xangongo.html

http://mentcapto.blogspot.pt/2015/01/223-farol-berlenga-grande.html

http://mentcapto.blogspot.pt/2013/09/160-de-braco-dado-com-ele-e-com-ela.html

http://mentcapto.blogspot.pt/2016/03/322-blonde-and-beautiful-cecile.html

http://mentcapto.blogspot.pt/2014/03/182-stressados-de-guerra.html

https://youtu.be/jpsszqJEVpM   explo abominavel....

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O ALENTEJO, SUA RIQUEZA E POBREZA .............


Portugal é pobre, um país pobre desde há muito, em especial se comparado com as nações entre as quais pretende viver e com quem se pretende comparar. Não existe a mínima possibilidade de o fazer, Portugal fica mal em quase todos os items com que se compare e dentro dele o Alentejo surge como a zona mais atrasada e empobrecida, com menor índice de poder de compra, elevadas taxas de desemprego, sobretudo entre os jovens e o caracterizado por de longa duração. Um rácio de volume ou valor de PIB diminuto em relação às restantes zonas do país, NUTS ou não, uma baixissíma taxa de crescimento que nos envergonha tanto quanto a alta taxa de desertificação nos acusa.

Foi sempre assim ? Não. O declínio do Alentejo tem a idade da nossa democracia, antes disso e durante bem mais de dois mil anos fora uma região rica, invejada e disputada por muito mais de vinte diferentes povos ao longo da história. Estrímnios, Otis, Sefis, Cempsos, Lusitanos, Minóicos, Cretenses, Fenícios, Gregos, Cartagineses, Celtas, Iberos, Celtiberos, Suevos, Visigodos, Romanos, Alanos, Vândalos, Judeus, Árabes muçulmanos e africanos, Ciganos, Franceses, Cónios, e nem irei citar os Ingleses por se terem limitado ao norte do país… Se casos há em que a riqueza do Alentejo só poderá ser provada a partir de indícios históricos não totalmente exactos ou comprovados, como acontece com a secular, disputada e ininterrupta ocupação do território, outros índices há, já cobertos pelo rigor da estatística do INE e cuja veracidade não poderá nunca ser colocada em causa.

 
                        "Velho de mãos na cabeça, às portas da eternidade" Van Gogh 1882.

Falo de ou da riqueza do Alentejo, deixo para outras mentes mais despretensiosas, triviais, a preocupação com a sua “re” ou distribuição. Este texto é abrangente, olha para a riqueza, não para quem a possuiu ou possui, não é essa a sua intenção, o objectivo é demonstrar que outros povos, outras gentes, aqui souberam encontrar e criar riqueza, aqui semearam, colheram, mineraram, transformaram, fizeram, produziram e enriqueceram. Penso não errar se afirmar que, sobretudo desde o início da mecanização do Alentejo, de que nos fala José da Silva Picão no seu “Através Dos Campos” a riqueza da região mais que triplicou, ainda que a redistribuição da riqueza gerada tenha, como todos sabemos, sido tão desigual quanto parece estar de novo a verificar-se nos nossos tempos e debaixo do regime democrático.

Antes de me debruçar sobre os povos que aqui a encontraram e criaram chamo-vos a atenção para dois autores alentejanos relativamente recentes, e ainda vivos, José Cutileiro e Galopim de Carvalho, da leitura de cujas obras, respectivamente "Ricos e Pobres no Alentejo" e “O Preço Da Borrega” podemos inferir que, a par da pobreza relatada e denunciada está ela, a riqueza, muita numas mãos, pouca noutras e nenhuma nalgumas ou na maioria, mas estava, existia, as suas obras disso nos dão conta e são testemunho. Depois deles o INE registaria os censos, os rácios, as taxas, percentagens, permilagens e índices matemático científicos inerentes.

Entre vinte a trinta povos palmilharam o Alentejo nos últimos três mil anos, nenhuma outra região do país foi assim ocupada, cobiçada e disputada, daqui não se partia, somente pela força, daqui não se abalava, como abalaram os do norte para o Brasil e para França, ou os “ratinhos” por aí abaixo a fim de aqui virem servir e (sobre) viver.

Aljustrel, S. Domingos, Arraiolos, Alcácer do Sal, Tróia, minas e minérios para objectos e armas, tinturarias para tecidos e talvez na origem dos famosos tapetes da dita terra, salinas porque o sal era um bem precioso e até considerado moeda, e salga de peixe porque não havia gelo e portanto não haveria hipótese de alguém nos levar numa tarde remota a ver o gelo, como o pai do coronel Aureliano Buendía o levou em Macondo, então uma aldeia, a conhecer a maravilha da invenção do gelo. Nessa época recuada o Alentejo era revestido de searas e vinhas que inclusive abasteciam o império romano, todas estas actividades eram âncoras e motivos que seguravam e atraiam povos e gentes a estas vastas planícies.


Evidentemente as causas do “apagamento” actual do Alentejo radicam em primeiro lugar na pobreza das politicas públicas, que têm esquecido o interior do país em prol do litoral, nada fazendo para contrariar essa tendência através de medidas de discriminação positiva para o interior, embora estas por si só não sejam nunca suficientes, o país não tem uma estratégia nem a longo nem a médio prazo, para nenhuma área, social, económica ou cultural, e muito menos para uma qualquer região. Esta é somente uma das razões pelas quais neste simples texto se tornará difícil efectuar uma qualquer prognose positiva do futuro alentejano, o poder local também terá o seu peso e é notório que em quarenta e dois anos de democracia foi incapaz de definir uma qualquer visão e agir de acordo com ela.

Dar-vos-ei dois simples exemplos tidos e havidos no coração do Alentejo, e seja ele o Alentejo profundo ou não, a verdade é existir uma terrinha onde alguém se lembrou de construir uma biblioteca igual à de Alexandria sem ter reparado não haver leitores, população leitora, pessoas com hábitos de leitura, é uma realidade quase tão inverosímil quão outra contada acerca duma outra terrinha onde, segundo reza uma história mirabolante, alguém terá plantado sardinhas de cabeça para baixo na esperança que nascessem carapaus de cabeça para cima. Claro que depois o dinheiro não chegou para faraónica biblioteca, faraónica e inútil, e as obras ficaram a meio, ainda lá deve estar o mamarracho, a que não sabem agora o que fazer pois nem ganham para a manutenção dos toscos, insólito ou não, é ou não é isto amar o inútil ? Um caso pontual, uma excepção que não faz uma regra, não contesto, é porém verdade infelizmente, é lamentável mas acontece, aconteceu no Alandroal e acontece um pouco por todo o Alentejo onde obras ou eventos completamente inúteis todos os dias ou quase têm lugar.

O caso apontado é um caso pontual e, ainda que insuficiente para validar uma regra é contudo demonstrativo do atraso que subjaz no Alentejo profundo como alguns lhe chamam, a par deste caso temos por todo o país dezenas de estádios do Euro 2004 agora às moscas e para os quais não há dinheiro nem para a manutenção. Nem é preciso estar no Alentejo para constatar a inutilidade das coisas, já perdi a conta às muitas associações, colectividades, instituições e entidades que existem por existir, que não acrescentam nada ao nada que fazem, passando a vida a discutir o sexo dos anjos tema do qual não passam. Trata-se portanto duma riqueza de colectividades, como já ouvi a alguém dizer, ou gabar-se, mas não passam de instituições que quando muito empatam, parasitam, vivendo de subsídios, subsídios de câmaras e de outras origens, consomem, gastam, não produzem nada, nada acrescentam à economia, não criam riqueza nem postos de trabalho em número significativo. Poderíamos acrescentar a cultura mas essa idem idem aspas aspas, sendo ainda por cima uma cultura fechada, kitsch, exclusiva, exclusiva na medida em que exclui, não puxa ninguém, não aglutina, não inclui, é elitista. São coisas que acontecem demasiadas vezes para que se fale delas simplesmente como casos pontuais.

Onde vivemos, na lua? Ou não costumamos sair à rua? O atraso do país, atraso em que o Alentejo leva a palma não é pontual nem casual, é natural, persistente e envolve quase todos os autarcas, decididamente a inteligência não é cena que lhes assista, não é a praia deles, não é a onda deles. Bem sabemos, o país emergiu de um atraso muito significativo, Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas passaram-se mais de quarenta anos ! Quarenta anos em que nada ou muito pouco se fez de positivo !  


Não quero exagerar, mas também é sabido que pretendem candidatar essa tal terra e os seus fantasmas a património imaterial da humanidade, qualquer coisa ligada ao transcendente, ao esotérico, aos cultos endovélicos da pré-história, e lá está, mais uma inutilidade. Primeiro que tudo e antes de mais nada está o inútil, o que pouco ou nada acrescenta ao pouco nada que existe, nada de riqueza, nada de produtos, nada de empregos, nada que se apalpe nada que se veja, digam-me lá se não é isto a adoração dos magos, dos reis magos, do inútil, em que o inútil aparece sempre primeiro ?

Eu não contesto, mas foco a dimensão, a pequenez da coisa, limitada, redutora, é pouco, muito pouco, entretanto o Alentejo despovoa-se, vão-se todos embora, até porque nem todos ambicionarão lavar pratos, servir às mesas ou mudar os lençóis às camas, porque poucas mais que essas oportunidades serão oferecidas por esta dinâmica, é preciso planear as coisas, quantifica-las avaliá-las, ver se valem a pena, qual o seu objectivo, alcance, e observar se foi atingido, alcançado, se falhou, o que falhou, se vai continuar a insistir-se ou abandonar-se a ideia, capice ? É que sou daquelas pessoas que olham para um copo meio de água e o vêem meio vazio, outros olham para ele e veem-no meio cheio, é só isso, é preciso dar tempo ao tempo, dar tempo às pessoas para irem comprar uns óculos.

Entretanto o tempo passa, passaram-se quarenta anos, quarenta para decidir Sines, quarenta para decidir Alqueva, pergunto-me se será verdade serem os alentejanos lentos, quererão mais tempo, serão mesmo demasiado lentos, é caso para perguntar e depois gritar-lhes desviem-se. Em frente que atrás vem gente como diria a minha amiga Paula e com razão, reparem como os alentejanos são inconsequentes, tanto workshop, tanto isto e aquilo que parece que tudo mexe e vai-se a ver depois fica tudo em águas de bacalhau e nicles batatóides, tudo na mesma como a lesma, tudo coisas que não dão em nada, mas enfim não quero adiantar-me mais, sobretudo não pretendo que os meus leitores achem ter eu uma visão muito cínica da realidade, quer das coisas quer das pessoas, ou que exista por trás desta minha candura um certo cinismo, nem desejo ou vejo qualquer necessidade na exibição de qualquer cinismo cabotino, o cabotinismo desvirtua, prefiro-me contido, usar de reserva quando falo, não só usar mas obrigar-me a reserva e contenção antes de proferir as minhas opiniões e avaliações.

Todavia, outro exemplo, se analisarem com atenção e cuidado a legislação que regula o perímetro do grande lago, da barragem de Alqueva, é assim que gostamos lhe chamem, das duas uma, ou toda aquela legislação foi feita para amigos ou não vai deixar fazer coisa nenhuma. A exagerada dimensão exigida aos projectos que desejassem instalar-se nas margens da barragem ou foi feita de encomenda para alguém e travar todos os outros ou não vai servir para nada, dai tempo às coisas, dai tempo a isto, a esta questão, e iremos ver se tenho ou não tenho razão, tenho cá para mim que tanta água irá servir para bem pouco.

Como diria um amigo meu é rezar, rezar com fé e acreditar, crer, mas não me venham dizer não ter eu razão pois o tempo está do meu lado, quarenta anos se passaram e encontramo-nos ainda neste lindo estado. Mais quarenta e só cá ficarei eu e uns tantos parvos como a mim



Galopim de Carvalho “O Preço Da Borrega”

Nasceu em Évora, em 1931. É professor catedrático jubilado pela Universidade de Lisboa, tendo assinado no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências desde 1961. É autor de 21 livros, entre científicos, pedagógicos, de divulgação científica e de ficção e memórias. Assinou mais de 200 trabalhos em revistas científicas. Como cidadão interventor, em defesa da Geologia e do património geológico, publicou mais de 150 artigos de opinião. Foi director do Museu Nacional de História Natural, entre 1993 e 2003, tempo em que pôs de pé várias exposições e interveio em mais de 200 palestras, pelo país e no estrangeiro.


Dinossáurios (Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, 1989) Colecção natura.
Vida e Morte dos Dinossários (Gradiva, 1991)
O Cheiro da Madeira (Editorial Notícias, 1993) Ficção, Colecção Excelsior
Dinossáurios e a Batalha de Carenque (Editorial Notícias, 1994) Ciência aberta
O Preço da Borrega (Editorial Notícias, 1995) Ficção, Colecção Excelsior
Os homens Não Tapam as Orelhas (Editorial Notícias, 1997) Colecção Excelsior
Geologia Sedimentar - Volume I (Âncora Editora, 2003) Sopas de pedra
Geologia Sedimentar- Volume II (Âncora Editora, 2005) Sopas de pedra
Geologia Sedimentar - Volume III (Âncora Editora, 2006)
Como Bola Colorida (Âncora Editora, 2007)
Fora de Portas (Âncora Editora, 2008) Biografia
Cuontas de la Dona Tierra (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009)
Conversas com os Reis de Portugal (Âncora Editora, 2013) Ficção
Evolução do Pensamento Geológico (Âncora Editora, 2014)
O macaco, os amigos e as bananas (Âncora Editora, 2015) Ficção


 José Cutileiro  "Ricos e Pobres no Alentejo"

José Cutileiro nasceu em Évora em 1934. Estudou antropologia social em Oxford e ensinou-a em Londres. Diplomata de1974 a 1994. De 1994 a 1999 foi secretário-geral da União da Europa Ocidental. Comenta relações internacionais no programa Visão Gobal, de Ricardo Alexandre; tem um Bloco-Notas no blog Retrovisor, de Vera Futscher Pereira, e escreve aos sábados um In Memoriam no semanário Expresso. Publicou “inter alia” dois livros de versos (O Amor Burguês; Versos da Mão Esquerda), um ensaio sobre o fim da Jugoslávia (Vida e Morte dos Outros), crónicas sob o nome de A.B. Kotter (Bilhetes de Colares) e numerosos artigos em jornais e revistas.


O amor burguês: poesia (197?);
Versos da mão esquerda (1961);
Ricos e pobres no Alentejo : uma sociedade rural portuguesa (1977);
Ricos e pobres no Alentejo : uma análise de estrutura social (1973);
Bilhetes de colares (1982-1987) (sob o pseudónimo A. B. Kotter; antologia de Vítor Cunha Rego para o jornal Semanário, 1990);
Vida e morte dos outros : a comunidade internacional e o fim da Jugoslávia (2003);
Bilhetes de Colares de A. B. Kotter (1982-1998) (antologia publicada em 2004);
Visão global : conversas para entender o mundo (com Ricardo Alexandre, 2009);
Abril e Outras Transições (2017).







José da Silva Picão "Através dos Campos"