Olá
meu caro amigo, bons olhos o vejam, tenho passado amiúde por aqui mas não há
quem lhe ponha a vista em cima, você anda decididamente desaparecido.
Não
que isso me incomode, para ser franco prefiro não o ver pois sempre que o vejo,
em fotos ou vídeos claro, irrito-me, a sua felicidade irrita-me, tanta
felicidade exaspera-me.
Saber
que nem dá pelo dias passarem enquanto para mim cada um deles é um tormento sem
fim à vista, como se tivessem não 24 mas 48 ou mais horas, e em que cada minuto
é uma agonia sem fim à vista convoca a minha cólera.
Invejo-o,
não há direito que uns tenham tudo e outros nada, é uma questão de equidade, de
justiça, se a houvesse, divina, igualitária, admirável, surpreendente,
impossível, mas não há e vivo como que uma sensação oculta mas inevitável, como uma ferida como se
eu tivesse simplesmente sido expulso do paraíso.
Um
mesmo amor bate em nós, frémito inevitável do corpo criando em ambos a sensação
de existir perceptível hoje e todos os dias em que em mim a tristeza me atinge com
violência inaudita enquanto a solidão me sufoca...
Pensei
em falar contigo amigo, mas o amor que vives é-me impossível de suportar, fico
sempre longe, enredado na saudade e pergunto-me que ganharia se nos encontrássemos
?
Só
agora descobri esse teu grande amor, essa paixão que não posso igualar mas
somente invejar ou apostrofar pois vives esse amor entre braços e abraços que
já não me são permitido alcançar.
Que
saudades de um abraço, nunca me arrependo por ter amado demais por isso tanto
sofro enquanto fico aqui a esperando as sobras de um amor que me enlouquece,
satisfazendo-me com simples recordações, com palavras que se vão apagando na
memória quando meu desejo seria estar com ela entregando-me a esse amor que me
vai sendo proibido até em meras lembranças.
Passo
horas acordado lembrando os imensos momentos em que estivemos juntos e a imensa
saudade sentida por não estar já ao seu lado. Sinto-me um escravo desse amor
impossível que me consome de dor todos os instantes desta infelicidade com
motivo e mistério que me tem sido tão absurdamente revelado.
Invejo-te
tanto quanto te odeio meu amigo e espero que me perdoes a afronta, é que o amor
também se alimenta de egoísmo e narcisismo, um amor para a eternidade assim o
exige, quero enganar-me a mim mesmo, acreditar que haverá juventude e amor para
sempre, quero encontrar ainda um sentido para esta vida para além do saber que
todos iremos morrer um dia e essa a única certeza que me resta.
O
amor é uma ilusão sem a qual não posso viver, é um fenómeno da ordem dos céus e
do espírito, não mais que uma demanda na Terra, um profundo desejo de vivermos numa
paz absoluta. Daí haver quem sem quaisquer dúvidas ame o infinito, deseje o
impossível, quem não queira nada e quem deseje impossivelmente o possível, mas
eu quero tudo, queria, porque amo algo "absoluto" e para mim ainda sem
dúvida infinitamente finito, sim quero tudo ou um pouco mais, se puder ser, ou
até não pudendo ser...
O
teu amor a tua paixão exasperam-me. Todo o amor tem que ter um não sei quê de
impossível, de angústia, de saudade que mata, de verdade, de fazer doer o
coração, de fazer perder a razão, de sofrimento e sacrifício, de redenção... É isso
que te invejo meu amigo.
Como
posso eu amar alguém sabendo ser esse amor impossível, não lhe poder dizer
quanto a amo, dormir e acordar pensando nela em sonhos tão perto de mim e não a
poder abraçar, beijar, fazer um carinho sentir o cheiro do seu perfume, como amar
tanto assim se não a encontro em lugar nenhum que não nesse sonho lindo que
alimenta ainda este amor impossível se minha alma me sussurra para não desistir
nunca, que me segreda e faz renascer em mim a esperança de que é possível seguir
um e mais um dia desejando-a, amando-a e, ainda assim, persistir no logro, no
engano, na ilusão.
Como
não te invejar, odiar e apostrofar meu amigo se é por ela que passo os dias enganando-me
que me visto e deambulo sob o sol até que Deus me mostra o rosto dela e eu, sem
saber o que me espera teimo nesta vida impossível que alimento com o ódio que
destilo.
Perdoa-me meu amigo, perdoa-me mas como te disse o teu amor e essa tua paixão exasperam-me, cegam-me, roem-me por dentro, dão-me vida, alimentam-me….
* NOTA: Entre as muitas apreciações que este texto não deixou de ter escolhi ao acaso uma delas, a da minha amiga Ana R por me ter parecido que engloba magistralment o sentir de todas as outras ;
" Bom dia. Embora no texto refiras muitas vezes a palavra inveja, creio entender este texto como um elogio, quase uma ode ao amor.
Um amor que agora não tens mas que percebes por já o teres
tido. Será uma inveja boa, não de raiva.
Quando se tem um amor como o do Francisco não pode haver
crítica, "apenas" raiva por não viver um igual e o desejo de ter um
semelhante ou de o encontrar.
Eu entendi assim.
Bom Domingo para ti também."
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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE :
https://www.facebook.com/photo?fbid=9941415479201778&set=a.617094038300682
DITO PELO DR MIGUEL CASTELO BRANCO no Facebook :
Alguma gente cheia de afectações
intelectuais que se diz representante da "Academia" no hemiciclo
parlamentar não me surpreende desde que recebi por incumbência rever duas
dezenas de textos de senhores professores doutores, com toda a titulatura de
pós-docs, coordenações científicas, prémios e aulas dadas nas europas e nos
states, mas que cometem erros ortográficos palmares, desconhecem as
concordâncias, os tempos verbais, as regras básicas de pontuação e se refugiam
num indigno registo escrito pejado de marcas de oralidade, para além de uma
pobreza vocabular própria de crianças de 12 anos, chegando alguns a cometer a
proeza de escrever frases sem um único verbo. (28-03-2025)