sexta-feira, 21 de março de 2025

830 - AMIGO, TANTA FELICIDADE IRRITA-ME... *

 

 

Olá meu caro amigo, bons olhos o vejam, tenho passado amiúde por aqui mas não há quem lhe ponha a vista em cima, você anda decididamente desaparecido.

 

Não que isso me incomode, para ser franco prefiro não o ver pois sempre que o vejo, em fotos ou vídeos claro, irrito-me, a sua felicidade irrita-me, tanta felicidade exaspera-me.

 

Saber que nem dá pelo dias passarem enquanto para mim cada um deles é um tormento sem fim à vista, como se tivessem não 24 mas 48 ou mais horas, e em que cada minuto é uma agonia sem fim à vista convoca a minha cólera.

 


Invejo-o, não há direito que uns tenham tudo e outros nada, é uma questão de equidade, de justiça, se a houvesse, divina, igualitária, admirável, surpreendente, impossível, mas não há e vivo como que uma sensação oculta mas inevitável, como uma ferida como se eu tivesse simplesmente sido expulso do paraíso.

 

Um mesmo amor bate em nós, frémito inevitável do corpo criando em ambos a sensação de existir perceptível hoje e todos os dias em que em mim a tristeza me atinge com violência inaudita enquanto a solidão me sufoca...


Pensei em falar contigo amigo, mas o amor que vives é-me impossível de suportar, fico sempre longe, enredado na saudade e pergunto-me que ganharia se nos encontrássemos ?

 


Só agora descobri esse teu grande amor, essa paixão que não posso igualar mas somente invejar ou apostrofar pois vives esse amor entre braços e abraços que já não me são permitido alcançar.

 

Que saudades de um abraço, nunca me arrependo por ter amado demais por isso tanto sofro enquanto fico aqui a esperando as sobras de um amor que me enlouquece, satisfazendo-me com simples recordações, com palavras que se vão apagando na memória quando meu desejo seria estar com ela entregando-me a esse amor que me vai sendo proibido até em meras lembranças.

 

Passo horas acordado lembrando os imensos momentos em que estivemos juntos e a imensa saudade sentida por não estar já ao seu lado. Sinto-me um escravo desse amor impossível que me consome de dor todos os instantes desta infelicidade com motivo e mistério que me tem sido tão absurdamente revelado.

 


Invejo-te tanto quanto te odeio meu amigo e espero que me perdoes a afronta, é que o amor também se alimenta de egoísmo e narcisismo, um amor para a eternidade assim o exige, quero enganar-me a mim mesmo, acreditar que haverá juventude e amor para sempre, quero encontrar ainda um sentido para esta vida para além do saber que todos iremos morrer um dia e essa a única certeza que me resta.

 

O amor é uma ilusão sem a qual não posso viver, é um fenómeno da ordem dos céus e do espírito, não mais que uma demanda na Terra, um profundo desejo de vivermos numa paz absoluta. Daí haver quem sem quaisquer dúvidas ame o infinito, deseje o impossível, quem não queira nada e quem deseje impossivelmente o possível, mas eu quero tudo, queria, porque amo algo "absoluto" e para mim ainda sem dúvida infinitamente finito, sim quero tudo ou um pouco mais, se puder ser, ou até não pudendo ser...

 

O teu amor a tua paixão exasperam-me. Todo o amor tem que ter um não sei quê de impossível, de angústia, de saudade que mata, de verdade, de fazer doer o coração, de fazer perder a razão, de sofrimento e sacrifício, de redenção... É isso que te invejo meu amigo.

 


Como posso eu amar alguém sabendo ser esse amor impossível, não lhe poder dizer quanto a amo, dormir e acordar pensando nela em sonhos tão perto de mim e não a poder abraçar, beijar, fazer um carinho sentir o cheiro do seu perfume, como amar tanto assim se não a encontro em lugar nenhum que não nesse sonho lindo que alimenta ainda este amor impossível se minha alma me sussurra para não desistir nunca, que me segreda e faz renascer em mim a esperança de que é possível seguir um e mais um dia desejando-a, amando-a e, ainda assim, persistir no logro, no engano, na ilusão.

 

Como não te invejar, odiar e apostrofar meu amigo se é por ela que passo os dias enganando-me que me visto e deambulo sob o sol até que Deus me mostra o rosto dela e eu, sem saber o que me espera teimo nesta vida impossível que alimento com o ódio que destilo. 


Perdoa-me meu amigo, perdoa-me mas como te disse o teu amor e essa tua paixão exasperam-me, cegam-me, roem-me por dentro, dão-me vida, alimentam-me….  




* NOTA: Entre as muitas apreciações que este texto não deixou de ter escolhi ao acaso uma delas, a da minha amiga Ana R por me ter parecido que engloba magistralment o sentir de todas as outras ; 

" Bom dia. Embora no texto refiras muitas vezes a palavra inveja, creio entender este texto como um elogio, quase uma ode ao amor.

Um amor que agora não tens mas que percebes por já o teres tido. Será uma inveja boa, não de raiva.

Quando se tem um amor como o do Francisco não pode haver crítica, "apenas" raiva por não viver um igual e o desejo de ter um semelhante ou de o encontrar.

Eu entendi assim.

Bom Domingo para ti também."  

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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE :

https://www.facebook.com/photo?fbid=9941415479201778&set=a.617094038300682


DITO PELO DR MIGUEL CASTELO BRANCO no Facebook :

Alguma gente cheia de afectações intelectuais que se diz representante da "Academia" no hemiciclo parlamentar não me surpreende desde que recebi por incumbência rever duas dezenas de textos de senhores professores doutores, com toda a titulatura de pós-docs, coordenações científicas, prémios e aulas dadas nas europas e nos states, mas que cometem erros ortográficos palmares, desconhecem as concordâncias, os tempos verbais, as regras básicas de pontuação e se refugiam num indigno registo escrito pejado de marcas de oralidade, para além de uma pobreza vocabular própria de crianças de 12 anos, chegando alguns a cometer a proeza de escrever frases sem um único verbo.   (28-03-2025)






segunda-feira, 17 de março de 2025

829 - FOI AUMENTADO ? E PAGARAM-LHE EM MOEDAS ? NOTA-SE ....

                        


Nesses tempos os animais falavam, havia carreiras de autocarros bem pensadas, eficientes, baratas e rápidas, pelo que era normal os ditos andarem sempre lotados em especial nos picos do verão e do inverno.

 

Uma curiosidade que hoje nos parece absurda, os autocarros desses recuados tempos tinham mais lugares em pé que sentados, sendo comum em dias de chuva, a história de hoje teve lugar num desses dias tenebrosos e as gentes iam acomodadas como sardinhas em lata.


Aperto daqui aperto dali, balanço aqui balanço acolá ou acoli, se eu já ia colado aos vidros traseiros do autocarro, um balanço maior, um apertão valente, uma lomba, uma cova maior e, entalado entre a janela e ela ficara praticamente espalmado.

 

O aperto não fora desagradável de todo, a senhora, de costas para mim, entre trinta a quarenta anos exalava um perfume etéreo, leve e muito agradável que ainda hoje recordo pois o sorvi toda a viagem inspirando-o às golfadas.



Aconchegava-a uma saia casaco de malha leve, conjunto tão harmonioso quão as formas que deixava perceber, dando sentido à sua agradável presença.

 

Consciente ou inconscientemente mas não ingenuamente eu desejava outra e outra lomba, outra cova ou outro tombo que de novo me proporcionasse o ensejo de voltar a sentir-lhe as formas harmoniosas e arredondadas que lhe eram próprias quando, de forma inesperada tal desiderato me surpreende pois ela, talvez buscando contrariar ou contrabalançar o movimento irregular e inesperado do veículo, atirando-a ora para a frente ora para trás ora para os lados. Em mim encontrara talvez a âncora que lhe proporcionasse segurança, não sei.



Sei sim que não se faz isto a um jovem em plena adolescência, não lembro bem a idade exacta que teia na altura nem lembro bem todo o episódio, tão marcante foi para mim, lembro sim ter-me apercebido que a coisa passara a propositada e que, se me era agradável também lho seria a ela pois dei por mim evocando mentalmente a velha anedota de quem teria visto aumentado o vencimento e sido o mesmo pago em numerário com um rolo de moedas…

 

Era inevitável que este tipo de pensamento tivesse acontecido pois se eu lhe sentia as formas de modo tão claro era evidente que ela desfrutaria da mesma sensação, o que fez com que jamais tivesse virado a face à esquerda ou à direita, pelo que apesar da intimidade que consciente, conspícua, deliberada e cumplicemente partilhávamos não me foi possível ver o seu rosto, saber quem seria, se tão ruborizada quanto eu. 



Em boa verdade nem sei a razão dessa minha curiosidade, eu estava intimidado quanto baste, sentia-me inibido, talvez mesmo envergonhado, enterrado ou soterrado em timidez mas, tanto quanto ela explorando maliciosamente a oportunidade surgida pelo que a viagem de vinte minutos, toda ela uma montanha russa em que sexualidade e erotismo nos cegaram, a ambos dever ter parecido nesse dia ter demorado horas ou apenas cinco minutos. 




Ainda hoje é contraditório na minha memória este tema do instante, do tempo, da demora ou da duração que a coisa teve ou levou a processar-se, a consumar-se. Assaltavam-me em simultâneo mil pensamentos, mil perguntas pra as quais não encontrava respostas, sei somente que, enquanto pensava uma sensação de clímax me tomou, tomando as rédeas de mim fazendo-me esquecer de sair na paragem habitual.

 

No problema, o fim da carreira / linha estava próximo e era meu desejo ver-lhe a face, saber quem era ela, de quem se tratava, por quê esta curiosidade nem eu sabia, mas queria satisfazê-la. Queria mas não consegui, a senhorita saiu de tropeção mal o autocarro abriu as portas tendo atalhado entre a multidão que ainda preenchia o espaço.



Não a vi, não a fiquei conhecendo, pelo que nunca a reconheci apesar das muitas viagens que repeti naquela carreira e horário, houvesse ou não motivo válido para a apanhar. Ruborizados ambos, de pudor á flor da pele, terminámos a nossa agradável e inconsequente aventura sem a troca de um sorriso, agradecimento ou cumprimento, sem sabermos se voltaríamos a ver-nos, e não voltámos. 




A vida tem por vezes episódios destes, curiosos, surpreendentes, irrepetíveis, tantas vezes inexplicáveis porém prenhes de um significado nebuloso que, apesar disso não se desvanecem e duram e perduram na memória toda uma vida. 




Quem seria ela ?

Felicidade, são os meus votos. 








 

sexta-feira, 14 de março de 2025

828 - APROXIMAI DE MIM ESSE CÁLICE ...

 


Ainda estremunhado olhei-me no espelho e disse logo para comigo que não, que assim não poderia ser, teria que me escanhoar sem demora nem receio da lâmina, com esmero mesmo já que, se havia situações em que as faces ásperas sugeriam tentação sendo alvo de extremosa atenção, outras havia que exigiam precisamente o contrário, um barbear cuidado e faces lisas, macias, que não despoletassem nela aquela gargalhada estridente, um encolher-se repentinamente refugiando-se no riso solto e descontrolado que lhe era tão próprio, tão familiar, o riso de quem quer mas, vamos lá devagar, devagarinho sim ?

 

Com quem quer que fosse, onde quer que fosse e quando quer que fosse esta barba máscula nem sempre assim era acolhida, por isso todo o homem deve saber, tem mesmo que saber quando e como, com quem deve ou não, quando sim e quando não, tudo dependendo das circunstâncias. 


Já José Ortega y Gasset * o dizia há cem anos ou mais, “qualquer homem é sempre ele mesmo e as suas circunstâncias”, por isso anda lá com a coisa ó chouriço e afia a Gillette antes que as coisas descarrilem no melhor dos momentos e quando menos se espera, isto é precisamente quando cai mal qualquer interrupção por mais pequena que seja pois aquele momento é sagrado, não se deve interromper quem quer que esteja bebendo da fonte da juventude nem afastar dele aquele cálice **

 


Não o cálice de cicuta, antes a taça de um delicioso encantamento e o momento dessa maravilhosa hora em que os astros, qual prodígio divino, se alinharam para que se cumprisse a palavra que o Senhor Deus deixara escrita “amai-vos e multiplicai-vos” para que os amantes, cegos e embriagados, quando não esfomeados, se dessedentassem e matassem a fome de amor que impele o mundo.

  

Oh ! Como tantas vezes o difícil é acordar calado, quando na calada da noite eu te relembro e, por vezes até dormindo lanço um grito estridente, agudo, sibilino e desumano, modo de quem quer ser escutado já que o silêncio me atordoa e, mesmo assim atordoado eu fico atento a qualquer momento, a qualquer chamamento.

 


Por tudo isso eu quero, eu desejo ardentemente esse cálice de sabor a pêssego e que tragarei como quem bebe uma dessas bebidas energéticas que apagam todas as dores e tormentos, que engulo sôfrego como se a minha labuta mo exigisse incondicionalmente e tal me adoce a boca, me encha o peito de turbilhões no silêncio da cidade para a qual sou invisível,  nem me escuta, uma cidade para quem a realidade é uma outra realidade, moralista, fundamentalista, quantas vezes preconceituosa, urbe adorando a mentira, a força bruta, o desamor, o desapego, tudo quanto torna o mundo pequeno e onde quaisquer factos consumados fora dos cânones são severamente criticados, proibidos, condenados, castigados.

 

Por tudo isso prefiro inventar os meus próprios pecados e, se tiver que morrer que seja vagueando no meu próprio caminho, nesse caminho onde me perco perdendo o juízo e a cabeça por ti, onde contudo poderão encontrar-me embriagado, extenuado, mas feliz ...


https://www.youtube.com/shorts/hjttxaNxZj4


https://www.youtube.com/watch?v=fFvt1mfYKoA

 

** https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/o-homem-e-suas-circunstancias/





sexta-feira, 7 de março de 2025

827 ZELENSKY, EU, NÓS E A SOLUÇÃO FINAL ...

 


QUER QUEIRAM QUER NÃO, A GUERRA É A SOLUÇÃO …

  


      A propósito de Zelensky, actor, palhaço ou presidente, herói, o personagem deixa tema á escolha e até eu, que comecei por não ir à bola com ele, agora me penitencio dessa minha avaliação e aceito não estar certo quanto ao lugar onde o colocar mas reconheço que não posso alimentar uma dualidade de critérios e me sinto confundido quanto ao patriotismo, coragem e heroicidade do homem, digo deste senhor.

 

        Tão confundido ando, e tão incerto quanto ao lugar e em que prateleira o colocar que, há uns dias, um meu amigo se serviu dessa minha duplicidade/hesitação para me alegrar a manhã zombando-me e zurzindo-me a torto e a direito. E se dantes era a minha gata Mimi pulando em cima de mim para lhe ir abrir os estores e dar a paparoca, ou a Rádio Comercial e as suas manhãs musicais a acordarem-me e alegrarem-me, desta foi ele, esse amigo de reinar, de adorar o sol, a praia, a paz, o bem-estar e do lirismo.

 

     Chamava-me ele numa mensagem matutina a atenção para o que dizia ser a minha fixação pela guerra, ora só posso deduzir que o ingénuo seja um admirador do sol. Verdade que muitas vezes a refiro, não que a defenda ou a aprecie, porém, e dado que ela se impõe desde que há homens neste planeta não enterro a cabeça na areia. Para além disso gosto de ser claro, faço questão que não confundam o que digo ou o que defendo, não volto atrás nas minhas opiniões a menos que a razão me demonstre estar totalmente enganado, caso em que as revejo, corrijo e altero, o que felizmente acontece poucas vezes.

 


         Como deixei claro atrás não defendo a guerra nem aprecio, porém ela é uma realidade e em simultâneo uma constante transversal a todos os lugares do mundo e a todo o tempo histórico. Já na pré-história o homem resolvia muitos dos seus problemas à traulitada, caso exemplar do Otzi, do homem de Grauballe, do de Lindow, e até hoje se mudanças houve elas se deveram e se concentraram no aperfeiçoar das técnicas e das estratégias a adoptar. A guerra sempre foi vista como um recurso, por vezes o único, por vezes o primeiro, outras vezes o último. É um assunto tão sério que se considera a extensão natural da diplomacia, isto é, se não vai a bem vai a mal, mas irá, e assunto tão sério, tão fulcral, tão importante que a partir de Georges Clémenceau e Carl von Clausewitz a decisão de guerrear deixou de ser deixado em exclusivo nas mãos dos militares, passou para as dos políticos, o que, a julgar pelo que sabemos, não nos deve deixar nem mais descansados nem mais confiantes.

 

        Há várias considerações a considerar, ou, para não cair em redundâncias, vários assuntos a ter em conta, ou vários aspectos, como queiram. Raras nações terá havido ou haverá que não tenham nascido da guerra, e Portugal não foi excepção, D. Afonso Henriques guerreou a mãe, é sabido e é dos livros. A liberdade sempre foi conquistada por meios guerreiros, a revolução francesa não foi um piquenique, nem tão pouco o nascimento da América, digo dos USA, primeiro contra o domínio colonial inglês e depois contra a escravidão do homem.

 

       A este último propósito e dada a imoralidade que neste mundo se tornou epidémica e transversal, talvez esteja na altura de outra guerra como a IIWW, libertadora,… Tal qual a revolução russa de 1917, que contudo o pretendeu ser mas não foi. Andamos perdendo demasiado tempo com o acessório e estamos a descurando o essencial, ninguém imagina o que era a vida do povo russo antes dessa revolta de Outubro, os abusos, a desconsideração, a fome, a miséria, a iniquidade, a desigualdade obscena, um pouco à imagem de hoje, poucos com muito, com demasiado, e muitos sem nada, espoliados até nos direitos que nessa época nem sequer eram um sonho, embora tenha sido aí que esse e outros sonhos começaram.

 


     Ninguém dá nada de mão beijada a ninguém, a guerra é uma constante na história do homem e do mundo. Curiosamente durante séculos e séculos foi sobretudo aos guerreiros que se abriram os caminhos da glória e todos os outros. Aos melhores, na Grécia e em Roma tornaram-nos chefes, presidentes, imperadores, não quero cansar-vos mas vejam um dos últimos casos conhecido, o que aconteceu com Eisenhower, com Churchill, aliás com Churchill há uma história curiosa que muita gente desconhece. Durante a IGG fora ele o estratega da tomada dos Dardanelos, operação conhecida como a Campanha de Galipoli, um épico falhanço das forças armadas vitorianas que Churchill assumiu como seu, dado ser ele o Primeiro Lorde do Almirantado, qualquer coisa como Ministro da Marinha, ou Comandante do Estado-maior da Armada, derrota que todavia se deveu à incompetência de generais e almirantes do British Army e da Royal Navy.

 

      Muitos lhe vaticinaram então o fim da carreira politica e militar, o caso era sério e ele sabia não ser para menos, muitos navios afundados, muitas centenas de homens dizimados, todo o seu prestígio estava em causa, demitiu-se de imediato e antes que a sua cabeça fosse exigida numa bandeja, e que fez ele depois de se demitir ? Recolheu-se no conforto material do Parlamento ? Refugiou-se na rectaguarda confortável de uma qualquer universidade ? Nada disso, alistou-se na guerra e pediu que o enviassem para a linha da frente.

 

      Podendo abusar de subterfúgios não meteu cunha nenhuma para que o inscrevessem nos abastecimentos, ele sabia ser na guerra e à sua frente (da guerra) que o homem sempre se superou, superar de superação, no sentido moral, ético, filosófico, ontológico. Claro que sabemos não ter morrido apesar dos muitos riscos que correu, e até conhecemos o fim desta história, ganhou-a. Voltou a merecer a confiança dos ingleses de novo e, surpresa das surpresas, quando Neville Chamberlain fazendo a triste figura que fez colapsou (cá batemos palmas ao Passos Coelho e ao Costa que ajoelharam perante a troika), foi a ele Churchill que o povo inglês entregou a difícil tarefa de enfrentar o nazismo. Guterres e Barroso deviam ter estudado bem esta parte da biografia de Churchill…

 


         Uma constante da historia é que aos artistas e literatos, e aos sábios, raramente honram com mais que a velha coroa de louros que os gregos instituíram há mais de três mil anos como o mais alto louvor, contudo aos guerreiros sempre foram concedidos os maiores encómios e para eles guardados os melhores lugares, olhe-se para a história de Israel, para não irmos mais longe, e veja-se como os lugares de presidente e de primeiro-ministro têm sido preenchidos, e por quem.

 

            Relembremos o caso de De Gaulle, de Kadhafi, de Saddam e, já que em tempos a imprensa não largou a luta de Luaty Beirão em Angola, repare-se como toda aquela macacada assumiu o poder depois da independência. Nem um general sabe ler, nem um conhece uma letra, mas treparam às arvores durante os treze anos de guerras coloniais e mais trinta de guerra civil. Hoje têm as estrelas e detêm o poder, e não são caso único, é o costume, é a praxe em todo mundo, o saque dos despojos, o poder na ponta das espingardas, as fidelidades e os sacrifícios têm que ser recompensados… E quando os povos angolano e moçambicano quiserem libertar-se da tirania dos seus macacos que irão fazer ? Declarar-lhes guerra naturalmente…  

 

             Por falar em macacadas a quem demos ouvidos, quem ouvimos nós a seguir ao 25 de Abril ? Os poetas ? Os escritores ? Os pintores ? Músicos, arquitectos ? Ouvimos Melo Antunes, os Generais Spínola, Costa Gomes, Silvério Marques, Vasco Gonçalves, Galvão de Melo, Soares Carneiro, os almirantes Rosa Coutinho e Pinheiro de Azevedo, foram estes que ouvimos, estes e outros canastrões do género, e como se isso não nos bastasse de seguida demos guia de marcha aos ordenanças, depois ainda se admiram de termos chegado aqui, ou de como foi possível termos chegado onde chegámos…

 


          Na outra face da moeda cientistas, escritores e etc. eram ignorados, até que, pela mão de Alfred Nobel se arranjaram uns dinheirinhos para os parabenizar e honrar. Mas como foi que Nobel arranjou a bagalhoça para tão altruisticamente assim esbanjar ? Cabum ! Com o poder de violentíssimas explosões !  Com material explosivo claro ! Até ali manusear nitroglicerina era assunto sério que anualmente ceifava imensas vidas. Alfred Nobel descobriu uma forma de a estabilizar sem lhe retirar a força destruidora. Criou a dinamite, foi o céu na terra ! Doravante só se morreria, ou mataria, calculadamente e não mais aleatória ou inadvertidamente.

 

            Caricato este caso, contudo, todavia mas porém, de entre todos os nobelizados têm sido mais distinguidos e mais considerados os que surgem ligados a maior força ou capacidade destrutiva, Einstein e a bomba atómica, Edward Teller e Hans Albrecht Bethe e a bomba de hidrogénio, cinquenta vezes mais potente que a anterior, e na generalidade todos os sábios nos ramos da física, da química, da matemática e da física nuclear. Somente atrás desses grandes heróis e guerreiros virão então os Nobel da Paz, da Medicina, da Literatura, da concórdia, da felicidade e do turismo e lazer.

 

         Eu não desejaria vestir a camisola de Zelensky, um homem atormentado com os trabalhos de Sísifo e de Tântalo, um homem que certamente já sabe estar a solução do conflito na continuação da guerra, na guerra, como sempre foi, como é e sempre será pois até quando em vias de conversações de paz os contendores se esforçam ao máximo no seu esforço de guerra lançando ofensivas que lhes permitam alcançar uma posição que lhes permita sentarem-se à mesa desfrutando de uma melhor situação, mais vantajosa, apresentar mais trunfos que lhes garantam sair desses acordos de paz como vencedores. Portanto não sou eu que o digo ou defendo, é a história que no-lo diz, que no-lo conta, a guerra, é a solução, sempre foi e continuará sendo.

 


            O tal meu amigo só tem desculpa porque deve ter passado tempo demais respirando ares e olores que lhe plasmaram na cabecinha a bondade, o altruísmo, a educação, os bons modos, a misericórdia, a dádiva, a entrega, o perdão, o amor, a devoção, a dedicação, a atenção, a deferência, a moral, a ética, enfim, princípios que igualmente partilho mas que nunca moveram o mundo.

 

         Há dois mil anos um tipo, digo um Senhor, apostou em todas essas coisas, e que ganhou com isso ? Nada, népia, nadinha.

 

          Foi crucificado…






sábado, 1 de março de 2025

826 - ADORO MESMO AS ROSAS VERMELHAS

 


 O dia amanheceu luminoso, como quase todos os dias, de um sol amarelo vivo, uma cor de que eu tanto gosto. Também gosto de rosas amarelas, no meu quintal tenho um pé delas, símbolo de franqueza e amizade, porém são para mim um paliativo, placebo que entretém mas não cura, que engana mas não alivia…

 

O que eu adoro mesmo são as rosas vermelhas, de um vermelho sangue aveludado, como o sangue que na minha terra jorra acusador e vermelho do cachaço do touro quando lhe enfiam o escalpelo na nuca e a fera se queda como a minha consciência de menino, que assim ficou desde esse dia longínquo * todavia símbolo outro, símbolo do amor ao bicho, contudo símbolo de todo o amor que sinto.  

 

O meu amor é cor-de-rosa sim, da cor dessas rosas aveludadas que são também a alegria do meu quintal e as primeiras a despontar mas me inibo do colher, até de as fotografar, não vá minh’alma recordar tudo quanto eu quero esquecer.

 

Sim, o amarelo de um raio de sol, é pujança, é vida, raio de esperança, prosperidade, energia, riqueza, alegria, dança,  amizade e abastança, gratidão e importância mas, p’ra mim é também segredo, testemunho de amores por mim mesmo condenados ao degredo, mácula na consciência, pesadelo, grilheta, a vera prova de que a eternidade é logro, ilusão, desilusão.

 

Gosto de ti, sempre gostei e sempre gostarei, tu és a minha rosa amarela, tu serás sempre um espinho que guardo docemente cravado no coração.

 

Beijosssssssssssss

  

* https://mentcapto.blogspot.com/2014/04/183-aficion-friccion.html