sexta-feira, 9 de maio de 2025

832 - ELES E ELAS ... COSTAS COM COSTAS .....

                                       

 

Como tão bem sabes, sempre te amei, e continuarei a amar, disso não tenho a menor dúvida, é superior a mim. Ainda vivo de recordações da tua voz meiga, quente e doce, recordações que guardarei sempre comigo e jamais se desvanecerão. Não conhecerás o verdadeiro amor a não ser por aquilo que te ofereço, o amor é uma atitude, não um afecto passivo; é um acto de firmeza, de afirmação, não de submissão ou fraqueza...

 

É dar mais que receber, e, neste item, tudo que me for possível te darei, e há muito prometi a mim mesmo dar-te e dar-me por completo. Jamais confundas amor com paixão, que, após os primeiros momentos, poderá desaparecer. O verdadeiro amor, o verdadeiro carinho, cresce na medida em que estejamos mais unidos, por partilharmos mais e mais e mais.

 

Recorrentemente lembro os momentos maravilhosos que passámos, o teu carinho e meiguice naturais, o teu cheiro de mulher, madura e linda, a sensação da tua pele sedosa e macia, pormenores que tanto te enriquecem e te tornam, em simultâneo, irresistível para mim. Vivo do amor que te dedico e dessas inolvidáveis recordações que teimas agora tornar banais ou mesmo apagar.

 

Tens tu abordado algumas vezes o facto de nos vermos cada vez menos, o que não deixa de corresponder à verdade. Contudo sinto-me no dever de algumas explicações te dar, já que se por um lado é para mim um prazer ouvir-te, falar contigo, também não é menos verdade que me sinto muitas dessas vezes como sendo para ti um incómodo o momento em que te ligo ou apareço.

 

Ou estás fazendo qualquer coisa, ou estás a chegar, ou a partir, ou o sítio onde estás não é conveniente para atenderes, tens muito que fazer, ou pouco, ou nada, enfim são muitas as razões para sentir que te estorvo, o que não quero nem desejo, mas no que és hábil a transmitir-me.



Não raras vezes culpas-me e na verdade já sou que evito as conversas, para mim, ouvir-te já basta, saber que ali estás, do outro lado do telefone, que ainda existes, que estás viva, conta muito. Mas também não raras vezes ficas calada, não dizes nada, não ajudas na conversa, desconversas, perdes-te, propositadamente ou não mas perdes-te na conversa, e esqueces o principal para perderes tempo com o acessório, o que me coíbe de adiantar o que quer que seja, por vezes até de falar, poisos dois dizendo o que quer que seja acabamos por nada dizer ou nada ouvir ou compreender, mais me parecendo na maioria dos casos não desejares conversa nenhuma.

 

Mas o fulcro da questão é saber porque entre nós os telefonemas são por um lado cada vez mais raros, e por outro lado cada vez mais longos, e estranhos, por reagires, nem sempre, mas por vezes, das formas evasivas e irredutíveis que descrevo… Claro que não me sinto bem, nem à vontade, por isso espaço as chamadas, ou as torno mais curtas, para que te não mace.

 

Expostas estas razões espero que compreendas por que não sinto confiança, temo até por vezes, avançar com conversas que te possam aborrecer, aliás é tudo uma questão de confiança, senão vejamos;

 

sempre senti confiança em ti, e acreditei que a tinhas em mim, todavia, desconheço o motivo por que, agora, nem conversa de facto, e até mesmo quando por telefone, foges ou afastas os temas sempre que eles tomam determinado rumo, como dizer-te que te quero cá, aqui, ou quanto te amo. O facto de nem uma inocente bica tomar-mos há meses , nem ver-te tão pouco, atitudes que resultam num efectivo e completo afastamento de ti e por ti provocado, são exemplos flagrantes do que afirmo. Aceito tal, outra alternativa não me é sequer oferecida mas não compreendo, ou prefiro nem compreender….

 

Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, a ser tolerante e compreensivo, etc. Por isso o amor também significa excedermo-nos, fazer mais do que nos é devido.

 

Mau grado, temo exceder-me e aborrecer-te, arrancar-te da tua aldeia indígena nem pensar, férias nem lembrar.... Aposto que um dia, um dia qualquer, no dia em que calhe, S. Pedro olhará para nós com um sorriso cínico nos lábios….






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