Primeiro passou ela, passadas
pequenas, uma criança á ilharga, ténis baratos dum rosa velho bonito. Depois,
talvez meia hora depois passaram eles, isto é, ela, de novo, igualmente com a mesma
criança á ilharga e, num esforço para a acompanhar ele, aos passinhos, mais aos
pulinhos, ou saltinhos que aos passinhos, nem andando nem correndo, somente
perseguindo-a, não querendo perdê-la e, na falta duma passada maior, saltitando
para compensar. De mochila às costas, talvez saído da pré-primária ou do jardim-escola
e, como eu, ávido do lanche, eram horas dele, disso.
É em fogachos destes, cenas destas,
lembranças de situações assim que tento lembrar os meus vinte e muito poucos
anos, o meu petiz, os momentos mais marcantes com ele, com a mãe, nós três ali,
acoli, acolá, e é um vazio trágico que me assola, que se instala em mim, que
corrói, que desestabiliza e dói.
Foram 50 anos deitados ao lixo, é
somente o que me ocorre, um desperdício de cinco décadas, irrecuperáveis, inda
que eu de novo na meta disposto a recomeçar, de novo só, de novo sem nada mais
que cinquenta anos em cima do antigo começo, menos vigor, menos motivação,
menos vontade, vontade nenhuma de iniciar o que quer que seja, vontade de nada,
contrariando o poeta e desdizendo-o pois não acho mesmo que o nada seja tudo
além do mito, da lenda, da recordação prenhe de sentido mas vazia de conteúdo
ainda que cheia de uma saudosa realidade agora não mais que simbólica.
Natural e felizmente para não entrar
em desespero e porventura correr o risco de chocar alguma depressão, tenho amigos
e amigas, alguns (as) fora de Évora, nas cercanias direi, e quer esses e essas
quer os e as muitas eborenses que me apoiam emocional e psicologicamente, ainda
me acham um homem relativamente novo e sobretudo um viúvo interessante e a não
perder. Quase constantemente me vejo surpreendido (prova de que nem são capazes
de me conhecer a fundo), gente com quem convivo bastante, e exemplares que do
ponto de vista curricular vão desde o ensino médio a licenciaturas, mestrados e
doutoramentos.
Graças a isso ou precisamente por
isso ensinaram-me (eu nem imaginava que, quase a fazer 73 anos ainda seria uma
máquina na cama), ensinaram-me dizia eu, a melhorar e diversificar as minhas potencialidades,
diversificação e prestações de alcova, de tal modo que, correndo o risco de
parecer mal agradecido mas para ser sincero, apesar de tanto tempo e lições despendidas
nada mais aprendi com elas tendo constatado mesmo imensas lacunas que me
levaram um ror de vezes a concluir que nem sobre a matéria que supostamente
deveriam dominar são capazes de manter uma boa prestação ou agradável
conversação.
No meu estado de viúvo
"descomprometido" tenho-me apercebido de coisas inacreditáveis, as quais,
se as não tivesse vivido custaria a crer nelas... Por um lado lá em cima o céu
ou o tiro liro liro, e cá em baixo o inferno, ou o tiro liro ló…
TIRO LIRO
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
Comadre, minha comadre,
Ai eu gosto da sua pequena !
Comadre, minha comadre,
Ai eu gosto da sua pequena !
É bonita, apresenta-se bem,
Parece que tem a face morena !
É bonita, apresenta-se bem,
Parece que tem a face morena !
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Juntaram-se os dois à esquina,
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
Juntaram-se os dois à esquina,
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
Comadre, ai minha comadre,
Ai eu gosto da sua afilhada !
Comadre, ai minha comadre,
Ai eu gosto da sua afilhada!
É bonita, apresenta-se bem,
Parece que tem a face rosada !
É bonita, apresenta-se bem,
Parece que tem a face rosada !
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Lá em cima está o tiro-liro-liro,
Cá em baixo está o tiro-liro-ló !
Juntaram-se os dois à esquina,
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
Juntaram-se os dois à esquina,
A tocar a concertina, a dançar do solidó !
By “7 Saias” - (cantiga popular
tradicional)
Ante tal situação vou ou vamos
namorando, namoriscando, embora já não tenha idade para isso, contudo na minha
diáspora pessoal, na minha busca, ainda não encontrei mulher que considere reunir
as qualidades que reputo essenciais a fim de me garantirem uma vivência em paz
comigo já que não sou fácil de aturar antes bastante selectivo e exigente... Não
vos esqueceis que vivo rodeado de mágoas, e inda que haja muitas formas de as
minorar, há quem de drogue, quem se entregue aos fáceis devaneios do álcool, quem
insista e invista no desporto, daí as minhas idas ao ginásio, e quem se
entregue nos braços de musas e ninfas para esquecer as agruras desta vida, foi
a opção que entendi ser a mais correcta e a menos prejudicial à minha saúde, o sexo como remédio e refúgio, para além de nunca ter visto ou ouvido noticia de quem se tivesse afogado em
sexo bem pelo contrário, não me canso de ouvir clamar que o sexo é seguro,
então se é seguro por quê hesitar ou ter dúvidas ?
Almocei um destes dias umas enguias nos subúrbios
de Sesimbra na urbanização da Zezinha, no restaurante dum alentejano de Serpa
que para ali se mudou há uns anos. A Zezinha é uma Engª de
"logística" (nem ela sabe bem o que isso é nem o que devia fazer ou
faz mas preenche necessidades legais no quadro de pessoal) da CM do Montijo que não me larga e que eu poderia ter escolhido se ela não tivesse 2 filhos
problemáticos (e eu um).
Fala muito, fala pelos cotovelos,
quer ela quer as amigas, e quer essas sesimbrenses quer as muitas eborenses e
alentejanas com quem me é dado conviver posicionam-se em polos opostos, ou não
dizem nada e o pouco que dizem nunca é nada de jeito ou falam demais e quem
muito fala pouco acerta… Na realidade não sei se evitam contactos e conversas
por serem púdicas ou tímidas, o que na minha idade, e delas, é uma idiotice, ou
se se calam por de boca fechada não sair asneira e assim conseguem acreditar que
nunca viremos a conhecê-las, esquecendo que calar-se é também uma atitude e
como tal passível de ser avaliada e mensurável… (a)
Lamentavelmente a vulgaridade tomou
mesmo conta da urbe, do país e do mundo, sorte a minha que já não durarei
muitos anos e me verei livre do que de ordinário (no sentido de vulgar, normal,
o contrário de extraordinário) o planeta tem para nos oferecer. Que saudades
duma mulher inteligente... (b)
(a) - https://mentcapto.blogspot.com/2018/02/487-dificil-arte-de-ver-e-de-olhar.html
(b) - https://mentcapto.blogspot.com/2018/07/519-mulheres-inteligentes-apanha-las.html
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