sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

672 - ANDRÉ VENTURA / MARISA MATIAS ... *

 


O combate a que ontem assistimos entre André Ventura e Marisa Matias teve momentos trágicos e cómicos. Uma deputada europeia que deveria manter a todo o custo a compostura, e a postura, mostrou a sua verdadeira faceta tendo levado para o debate uma alcofa de merda, como outros levam barro, para atirar às paredes.

 Marisa não, Varina. Aquilo foi uma verdadeira peixeirada, demonstrando a senhora quão mal servidos estamos de elites. André Ventura não somente beneficiou da situação como ainda gozou com ela, brincadeira que talvez o tenha levado a esquecer-se de explorar algumas contradições da dita Varina, perdão, senhora.

Sendo deputada do lustroso parlamento europeu e principescamente paga com o dinheiro dos nossos impostos, sim nossos, europeus, e portugueses, pois não só recebemos como também contribuímos com a nossa modesta cota-parte para os gastos da EU. Mas dizia eu, como conciliará ela o maná em que aceita viver e a defesa, por ela e pelo seu partido, da nossa saída da EU e do euro ??

Saberá a senhora as consequências disso para um pobre e pedinte país como Portugal ?? Lembrou a senhora por acaso as futuras e periódicas desvalorizações a que estaria submetido o ”escudo” e que seriam fatais como destino ?? Lembrou que o “escudo” seria paulatinamente submetido a desvalorizações até trabalharmos praticamente de borla, quais escravos, para que os nossos produtos tivessem preço e aceitação lá fora ?? 

Lembrou ela que com essas desvalorizações seria preciso um camião de “escudos” para comprar uma alface ?? Que ficaríamos à mercê de qualquer um que tivesse na mão 50 € que lhe chegariam e sobrariam para comprar por exemplo o Alentejo inteiro ?? O saber tem limites, mas a ignorância não, essa é infinita. Essa senhora provou ontem tal desiderato.

Não estou a inventar. Tal já aconteceu antes da entrada no euro ter travado as sucessivas desvalorizações do escudo que as nossas elites fizeram, promoveram e efectuaram por diversas vezes e por terem sido incapazes de colocar o país a evoluir, a trabalhar, a produzir e enriquecer. Claro que a cada desvalorização o dinheiro que o povo tinha na mão comprava cada vez menos coisas, ainda que fosse o mesmo, a mesma quantidade, a mesma importância. Mas essas mesmas elites nunca se esqueceram de em simultâneo se aumentarem principescamente a si próprias e sempre que necessário.

Quanto aos refugiados, aos verdadeiros e aos falsos, André Ventura tem toda a razão em manter duas atitudes, compreensiva para os primeiros, dura para os segundos. Os avaliadores do debate tudo reduziram a uma questão de demografia, nada mais falso, não é uma questão de demografia, é uma questão de justiça, de equidade e de economia.

André Ventura distraiu-se com a peixeira e nem aproveitou as deixas que ela deu de bandeja, vejamos;

 - Durante décadas, mais de 4, à nossa economia não foi dada qualquer atenção, nenhuma mesmo e afundou-se. A nossa economia não cuidou dos portugueses nem do futuro. Não cuidou de criar oportunidades, capacidades, mérito, justiça, pagamentos, vencimentos. Não cuidou de criar sólidas qualidade e condições de vida, portanto nada mais natural que:

 - Primeiro terem diminuído os casamentos, depois o número de filhos, depois os filhos, e finalmente esses pais que não o chegaram a ser e foram obrigados a emigrar por falta de condições no seu próprio país. Claro que a demografia se sentiu e hoje, também por essa razão falta-nos mão-de-obra, pois há outras razões, muitas outras, mas seria fastidioso enumerá-las aqui e não viriam a propósito.

 Ora precisamente devido a isso temos hoje uma economia a bater no fundo e, muito justamente nos indigna que, quem não é capaz de pagar pensões de jeito aos nossos próprios pensionistas, pois falamos de valores que nem para pagarem a medicação mensal chegam, indigna dizia eu, que se subsidie a 100% a medicação de quem chega de fora, e a quem por vezes até se atribui uma casa, se calhar a mesma casa que as finanças ou a banca “apanharam, penhoraram” a algum infeliz solteirão, viúvo ou casal de desempregados.

Não, não e não !! Primeiro os nossos, depois nós, e no fim, se para tal houver dinheiro, eles, os outros. Não é uma questão de demografia, é uma questão de economia, tivessem-se lembrado disso mais cedo. É tudo em cima do joelho né ? Nada de previsão, nada de cautelas, nada de prevenção, foram só caldos de galinha... Mandámos literalmente embora os nossos jovens, para agora acolhermos de braços abertos todo o filho de puta que busca o eldorado europeu. Não, não e não !! Ser refugiado de guerra é diferente, mas quanto a esses já vimos que só se aguentam por cá o tempo necessário para abrirem os olhos e verem ser isto um país que não interessa nem ao menino Jesus.

 Portanto, e quanto ao Serviço Nacional de Saúde / hospitais privados, privatizaria tudo. O caso de Braga é bem demonstrativo de como os privados se organizam melhor. A concorrência se encarregaria de baixar os preços e valorizar serviços, de separar o trigo do joio. Quanto ao ensino e às escolas faria o mesmo. Nuno Crato tentou fazer a vontade aos professores que sempre quiseram ser donos das escolas. Quis entregar-lhas mediante um contrato baseado no custo por aluno que o Ministério bem conhece, mas ser dono de uma escola dá trabalho e dores de cabeça, nem um único professor aceitou, nem uma única associação de pais aceitou, conclui-se que protestar e contestar dá menos trabalho e menos dores de cabeça.

Ao Ensino Universitário faria precisamente o mesmo, o povo português tem que tirar inequivocamente benefício dele, e não andar com ele ao colo ou às costas. Claro que André Ventura tem razão, há muito a fazer, penalizar quem desviar dinheiro para os paraísos fiscais, fiscalizar a justeza de benefícios usufruídos, mexer na fiscalidade, tornar o país atractivo para o investimento privado, nacional ou não, clarificar e agilizar procedimentos nas leis do trabalho, rever toda a legislação, reduzir o número deputados, 50 chegariam e sobrariam, mais que isso são inúteis, têm-no sido toda a vida, o resultado está à vista de toda a gente, a Venezuela no horizonte, quando países, nações e estados social e economicamente atrás de nós em 74, lembro a Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não citar os países de leste, e que estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente avançando como o caranguejo…

Haja bom senso e juízo !!

Força André Ventura !!

* O COMBATE