terça-feira, 12 de agosto de 2025

ESTE VERDADEIRO, CHEIO E PLENO VAZIO

              

                                
                                   
                                                        Texto Nº  837 (A)
 

 

Só meditando se perceberá o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim algo preocupante, na medida em que o que não viver agora, talvez o não viva nunca mais.

 

Sei nada mais poder ter de ti neste momento que recordações de amor, de carinho, da felicidade vivida e das promessas cumpridas, promessas que nunca perdi a oportunidade de cumprir, porque assim o desejei, porque sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava, amo e contigo amei repartir tantos gloriosos dias no passado.

 

Somente não perdi toda e qualquer esperança  porque não perdi os sonhos, nunca deixei de te sonhar, de te ver nos meus braços, de abraçar-te, de inalar o mesmo perfume que arrastavas ou de adquirir a aplicar em mim mesmo com parcimõnia o after shave que há mais de cinquanta anos me ofereceras, o celebérrimo, Àgua Brava, com o qual eternamente aspergido me vejo e verei mimando-te e beijando-te. Preciso alimentar este amor, esta paixão, sem ela tudo deixará de ter significado para mim, tudo, o presente e o futuro, por essa razão, devido a esta vacuidade que teimo não perder arraso-me e destruo-me a cada dia que passo nesta incerteza, neste vazio que me sufoca, neste sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, por saber que unicamente com o nada posso contar.

 

Por isto, por tudo isto, por esta vera e física  impossibilidade jamais poderei sonhar a minha vida em direcção a ti, não temos futuro, o futuro é impossível, neste momento, mais que tudo, só queria ter alguém ou algo em que pudesse acreditar e não vejo como.

  

Perceberás assim o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim, e devia ou deve ser, algo que me começasse a preocupar deveras, na medida em que o que não vivi ou não vier a viver agora, talvez não o viva nunca. A mesma água nunca passa duas vezes por baixo das mesma pontes...

 

Sei nada mais ter para te dar neste momento que dourar de amor e carinho as tuas lembranças. Vão longe os tempos de felicidade e promessas, promessas que fielmente cumpri umas atrás das outras e penso ter tido a rara e afortunada oportunidade de as cumprir, porque assim o desejei, porque era e sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava e contigo fui abençoado por ter com quem repartir os dias.

 

Não me tiraste porém a esperança, não me tiraste o sono m,as somente  o sonho de voltar a ter-te de novo nos meus braços, de te abraçar, de inalar o teu perfume inconfundivel, de te mimar e beijar. Preciso, inda que em sonhos que alimentes este amor e esta paixão interminavel, sem isso tudo deixará de ter sentido para mim, tudo, o passado, o presente e o futuro, e tu serás por certo e sempre o futuro das minhas ilusões.

 

Esta vacuidade que teimas preencher arrasa-me, destrói-me a cada dia que passa, não aguento mais esta certeza, não suporto mais este vazio que me sufoca, antes o nada, antes o mito que este sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, com o nada, com o mito pelo menos tenho algo com que me entreter, me ocupar e contar.

 

Por isto, por tudo isto, diz-me que poderei contar contigo sem que me acuses de louco, que poderei sonhar contigo como se fosses tu a solidez de um sonho, que poderei conduzir a minha vida e induzir meus sonhos em direcção a ti, diz-me que temos futuro, que esse futuro é possível, porque neste momento, mais que tudo, preciso ter alguém ou algo em que acreditar e elevar a ti o meu pensamento mantém-me no ar, sustenta o meu viver...