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quinta-feira, 9 de abril de 2026

845 - A NOVA PIDE ? GUERRA CIVIL NA FORJA ??

 


Os portugueses vibram com as guerras, tanto quanto pelo Benfica, Sporting ou FCP, no caso que abordo uns pela Ucrânia outros pela Rússia, uns por Trump e a América outros pelo Irão, só as nossas guerras não festejaram porque aí chiava mais fino, teriam que levantar o rabo do sofá e ir bater com eles lá longe onde o sol os castigaria mais.


Contudo, apesar da sua proverbial aversão às guerras nunca deixaram de matar-se alegremente até há bem pouco tempo, mas a memória é curta, há mesmo muita gente residindo em Évora-Monte sem saber por que razão o vinho ali engarrafado leva a marca Convenção. 


Aproveito para gabar os tintos da CARMIM, sou de Monsaraz portanto não se admirem, bebo-o há quase 50 anos e acho nele uma fonte de juventude. Aproveito igualmente para vos dizer que conheço bem o Chega por já ter feito parte dele, acompanho-o como acompanho outros partidos e a politica em geral esclarecendo nada me mover a seu favor ou contra ele. 


Deixo-vos no fim deste texto, para não vos cansar, um longo aditamento sobre as recentes guerras portuguesas, nacionais, metropolitanas, civis, cuja leitura não deixará de agradar aos mais curiosos, aos que tenham mais tempo livre, aos mais macabros de entre nós, e naturalmente a quem se interesse pela história ou seja sadomasoquista pois para ser coerente não posso nem devo deixar ninguém de parte ou seria acusado de xenófobo e intolerante…


Refiro-me naturalmente às guerras liberais, entre constitucionalistas e absolutistas, ou dos “dois irmãos” 1828 / 1834, de que sairia vencedora a monarquia constitucional, porém o descontentamento social, o aumento do custo de vida, a crise económica e a influência do operariado, especialmente em Lisboa, viriam a favorecer as ideias republicanas cuja revolta começou na noite de 3 para 4 de Outubro, com a sublevação de navios da Marinha fundeados no Tejo. 


Combates houve, intensos e pontuais um pouco por todo o país mas foram sobretudo os confrontos em Lisboa entre as forças monárquicas e os revolucionários republicanos (militares e civis) quem levou a melhor. A República seria aclamada na manhã de 5 de Outubro de 1910, exactamente às 9h00, tendo sido proclamada da varanda dos Paços do Concelho em Lisboa e praticamente imposta ao resto do país onde a sua expressão era pequena, talvez de igual tamanho da indiferença que o povo deitava à monarquia.


Quer nas guerras liberais quer nas dezenas ou centenas de levantamentos espontâneos mas pontuais que levariam à República os portugueses bateram-se galhardamente e morreram alegremente, convictos, ambos os lados, de estarem a pugnar pela razão. Se sim ou não diga o leitor que eu não sou de pendor nem devo pender para lado algum num texto destinado a todos.


Onde quero chegar é ao facto de gente pacifica como nós, gente de brandos costumes, de quando em vez e por dá cá aquela palha se envolver em guerras e guerrinhas que, feitas as contas, deixam uns milhares de vitimas sem que as coisas mudem substancialmente, isto é muita parra para tão pouco vinho, já que a situação sócio económica do reino e depois da nação, não melhorou significativamente após os sacrifícios de tantas vidas por tão nobres objectivos que todavia acabaram por não passar de virtuais ilusões.


Pois meus amigos encontramo-nos presentemente em vésperas de mais uma situação que apesar de crermos que não, nos poderá levar a mais um desses episódios galhardos de que não retiraremos proveito nenhum, ou será que desta vez, ou mais uma vez, tudo mudará para que tudo venha a ficar na mesma ?


Vejamos então, não tenho a mínima dúvida de que o Chega vencerá as próximas eleições legislativas e se consolidará como o primeiro e maior partido do espectro nacional. Todas as contas que fiz e projecções que delas resultaram apontam para isso.


Neste momento o Chega representa a esperança de redenção desta nação e a única hipótese de mudança, enquanto os restantes partidos surgem cada vez mais aos olhos do eleitorado como os traidores do ideal de igualdade e liberdade trazido pelo 25 de Abril e a certeza que não mudarão nem proverão à mudança de que a nação tanto necessita, tornada cada vez mais urgente se não quiser soçobrar às mãos de oportunistas, corruptos e videirinhos.


O que me encanita é uma duvida metódica que nem me deixa dormir, António José Seguro, o nosso PR, dará ou não dará posse a André Ventura e ao governo saído do Chega ? Ou invocará estar o partido que lhe dá corpo pejado de ilegalidades ? É sabido, a comunicação social não perde uma oportunidade para nos lembrar disso, e aposto que a oposição aproveitará o ensejo para gritar por todo o país estar-se perante um partido prenhe de ilegalidades, quase estou disposto ou apostaria mesmo que o TC não terá outra alternativa que seguir a onda de protestos e, perante factos tão claros, nem os juízes afectos ao Chega poderão decidir de outra maneira.


Sim porque a oposição, a esquerda em geral e a poderosa comunicação social em particular amplificarão o clamor contra o Chega e contra AV de tal modo que levarão à saturação e à revolta dos eleitores, a manifestações espontâneas ou convocadas, sobre as quais não duvido cairão cargas da policia de choque ou simplesmente não serão autorizadas pelas câmaras municipais ou autoridades locais gerando mais clamor e mais protestos, levando à exigência e presença das forças da ordem, que lhes cairão em cima provocando mais revolta que a revolta que pretenderão conter...


É nestes momentos que o espectro da guerra civil pairará no ar como uma nuvem, levantando pertinentemente a questão fulcral deste texto, choverá ? Não choverá ? 


Em Santiago choveu apesar de nesse dia ser esperado bom tempo… 


Não demos a devida atenção a uma mudança ocorrida há pouco tempo nas cadeiras do poder, o novo Ministro da Administração Interna é oriundo da polícia Judiciária, coisa que não deveria ser possível. Pedro Passos Coelho e mais 2 ou 3 comentadores questionaram e criticaram essa mudança, a independência dos poderes entrou em questão, o novo MAI é mais político que policia, e para além da ascensão a ministro ficam atrás dele as amizades e fidelidades forjadas enquanto dirigiu a Judiciária.


 Ora tal coisa não augura nada de bom. A mim logo me pareceu estar a ser forjada uma nova PIDE, bem disfarçada é certo, mas se olharmos para onde o novo ministro deitou os olhos enquanto esteve na Judiciária e ouvindo-o já como ministro não tenho dúvidas. Está ali para defender o patrão, o poder, está ali para desempenhar de novo o papel que pertencia a António Rosa Casaco, enquanto o seu vice na Judiciária ao ser promovido devido à subida do chefe para ministro desempenhará o papel de Agostinho Barbieri Cardoso. Quer um quer outro creio, estarão ali para intervir e defender o estado, o sistema, o regime, não estão ali para defender a verdade nem a razão. Portanto não duvido minimamente estar instalada sub-repticiamente uma nova PIDE em Portugal.  

 



É provavel que eu esteja equivocado, é provavel que esteja desactualizado e enganado, é provavel que o Chega tenha a sua situação legal restabelecida ou em vias de a normalizar, mas seria muito triste que o cenário que acabei de apontar eventualmente viesse a consumar-se pois já vi de tudo e tudo serve de arma de arremesso contra quem tem feito uma caminhada formidável e que está longe de terminar, de 1 para 60 deputados em 6 anos é obra, e não vai parar. 


O partido mais odiado e amado do país vai continuar a crescer, vai suscitar invejas, antagonismos, rivalidades, inimizades, choques, conduzirá a confrontos entre pessoas, confrontos de ideias, de grupos, de sistemas, levando a arruaças, a lutas de rua. Pode e vai certamente envolver pessoas e partidos em conflitos e gerar hostilidade entre quem partilhe opções opostas. Levará a guerras onde exista contradição de opiniões, de valores, de caracteres, todos se oporão a AV o protagonista da mudança buscando impedi-lo de alcançar seus objectivos. Acabar-se-à para com o Chega a tolerância sempre tão invocada quando se trata dos outros, deles mesmos, se é que não se esgotou já. 

 

Desabafei, dei-vos a conhecer as minhas preocupações, não que seja contra as guerras, que eu saiba o mundo vive em guerra desde que passou a haver dois homens sobre a terra e a guerra tem muitas vezes o mérito de restabelecer a justiça portanto… Se é boa estou com ela, se é por uma boa razão contem comigo, mas uma guerra fratricida é sempre de evitar, temos a AR, temos a diplomacia, temos cabeça e miolos, não podemos nem devemos deixar que a emoção nos cegue, nem devemos colocar em questão noções de direito e quer-me parecer que o Chega não tem crescido com base em manipulação de votos (acredito que tenha sim sido prejudicado em contagens) acredito que tem sido levado ao colo por mérito próprio e por eleitores que nele depositam voto e esperança, o Chega não é um abcesso da nossa democracia, é antes um filho dela, legítimo, nascido da imoralidade e incapacidade dos pais… 


Já me alonguei demasiado, penso todos terem entendido o perigo que corremos e na hora H saibam manter o sangue frio e evitar o pior… Mas preparem-se para ele, o cenário que descrevi não passa de cenário, mas é um cenário possível de ser levado à cena, há que evitar essa subida ao palco…  Um abraço.



ADITAMENTO HISTÓRICO E ESCLARECEDOR ABORDANDO NO GERAL AS GUERRAS LIBERAIS E A VIOLÊNCIA REPUBLICANA.


MONARQUIA CONSTITUCIONAL sistema de governo em que o poder do monarca é limitado por uma constituição e por um parlamento eleito, separando poderes legislativo, executivo e judicial. Em Portugal o regime vigorou entre 1820-1828 e 1834-1910, caracterizando-se pela transição do absolutismo para o liberalismo parlamentar. Especialmente pós-1851 a alternância de poder entre partidos liberais (regeneradores e progressistas), funcionou com o monarca exercendo o quarto poder, o chamado poder moderador.

 

A monarquia constitucional terminou com a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, que depôs D. Manuel II. A monarquia constitucional representou em Portugal alguma modernização administrativa e a consagração dos direitos individuais (liberdade, segurança, propriedade). Monarquias constitucionais como a do Reino Unido ou de Espanha funcionam como democracias parlamentares, onde o monarca é chefe de Estado simbólico. 

 

Revolução Liberal de 1820 – Instaurou a MONARQUIA CONSTITUCINAL, foi um período marcado por lutas entre liberais (cartistas vs. vintistas) e absolutistas, com guerra civil (1832-1834). As Lutas Liberais (1828-1834) foram um conflito civil português entre liberais (constitucionalistas), apoiantes de D. Pedro, e absolutistas, seguidores de D. Miguel, disputando o trono e o modelo de governação. A guerra, iniciada após a usurpação do trono por D. Miguel em 1828, terminou com a vitória liberal na Convenção de Évora-Monte (1834), estabelecendo a monarquia constitucional. O conflito foi motivado pela divisão sucessória entre D. Pedro (liberal, imperador do Brasil) e D. Miguel (absolutista), seus irmãos.

 

Revolução Liberal iniciada no Porto em 1820, processo contra o absolutismo, resultando na Constituição de 1822 e na Guerra Civil (1832-1834). O confisco de bens da Igreja em Portugal foi um desses momentos e resultou num processo histórico marcante, impulsionado por ideais anticlericais, laicização do Estado e crises financeiras, ocorrendo principalmente em dois momentos chave: o século XIX e o início do século XX.

 

Século XIX (1834): Joaquim António de Aguiar, conhecido como "o mata-frades", decretou a extinção das ordens religiosas masculinas e o confisco dos seus bens, incorporando-os na Fazenda Nacional, tendo sido vendidos ao desbarato para sustentar lutas e monarquia.

 

Foi o período conhecido pelo Cabralismo, ou exercício do poder autoritário por Costa Cabral a quem a Revolução da Maria da Fonte que se opôs dando-lhe fim.

 

Conhecido Período de guerra civil também conhecido como a "Guerra dos Dois Irmãos", os liberais, baseados na ilha Terceira (Açores), viriam a desembarcar no Norte do país garantindo a vitória.

 

O triunfo liberal promoveu mudanças estruturais, acabando com as instituições do Antigo Regime, abolindo privilégios da nobreza e clero e instaurando a liberdade de imprensa, de comércio e a estabilização política, especialmente a partir de 1851 (Fontismo), com alternância entre partidos, mas caracterizada por um sistema centralizado. Após ser derrotado na Guerra Civil pelas forças liberais comandadas pelo seu irmão D. Pedro, D. Miguel foi forçado a exilar-se e definitivamente impedido de voltar a Portugal.

 

Com o fim da Monarquia em 1910, D. Manuel II, o último rei, partiu para o exílio a partir da Ericeira.

 

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA - A instabilidade política e económica levou ao declínio da monarquia, culminando na implantação da República a 5 de Outubro de 1910.  O regime garantiu a transição para um Estado de direito, com separação de poderes (legislativo, executivo e judicial), embora com limitações democráticas (voto censitário, concessão do direito do voto apenas àqueles cidadãos que atendam a certos critérios) na maior parte da sua existência (1).

 

 

A implantação da República Portuguesa, ocorrida a 5 de Outubro de 1910, foi o resultado de uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português que pôs fim a séculos de monarquia e instabilidade. Este evento marcou uma mudança profunda no regime político, social e cultural do país. A monarquia vivia uma grave crise de legitimidade, acentuada pela corrupção, ineficácia política e alternância de partidos no poder (rotativismo). O Ultimato Britânico de 1890 fragilizou profundamente a imagem do rei D. Carlos. O seu assassinato e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe (Regicídio 1908, acelerou essa instabilidade.

 

O descontentamento Social grassava, o aumento do custo de vida, a crise económica e a influência do operariado, especialmente em Lisboa, favoreceram as ideias republicanas. A revolta começou na noite de 3 para 4 de Outubro, com a sublevação de navios da Marinha fundeados no Tejo.

 

Houve intensos combates e todo o tipo de confrontos em Lisboa entre as forças monárquicas e os revolucionários republicanos (militares e civis) que culminaram com a proclamação na manhã desse 5 de Outubro de 1910, por José Relvas instalado na varanda dos Paços do Concelho em Lisboa. A proclamação teve lugar exactamente às 09:00h. D. Manuel II, o último rei, partiu para o exílio a partir da Ericeira. Um governo provisório foi instituído, liderado por Teófilo Braga.

 

O novo regime promoveu a separação entre a Igreja e o Estado, aboliu títulos de nobreza e implementou novas leis laborais, no ano seguinte foi aprovada a Constituição de 1911. Apesar disso a república nunca logrou consolidar o regime democrático que, embora com grande instabilidade política, promoveu a separação entre a Igreja e o Estado, aboliu títulos de nobreza e implementou novas leis laborais. Porém mais não conseguiu que dar início a um período de profunda instabilidade política, social e económica que viria a durar 16 anos, culminando no golpe militar de 28 de maio de 1926.

 

A Primeira República (1910-1926) foi marcada por constantes mudanças de governo, conflitos sociais e um forte ambiente de insegurança. Implantada após o golpe de 5 de Outubro de 1910, e ao reeditar as medidas anteriormente tomadas pela monarquia constitucional em 1834, voltando a confiscar os bens que restaram do anterior confisco às congregações religiosas e restabelecendo de modo mais vincado a separação entre a Igreja e o Estado a PRIMEIRA REPÚBLICA foi longe demais, desacreditou-se e perdeu todo o crédito.

 

Como habitualmente os bens confiscados à igreja foram entregues a troco de bilhetes do tesouro que tinham sido emitidos para prover os cofres da república de moeda, e uma vez mais (como em 1834) burgueses endinheirados compraram a pataco conventos, prédios urbanos e rústicos, e todo o tipo de propriedade confiscada à igreja, o que veio a permitir a formação de grandes fortunas de um dia para o outro de modo oportunista. Muitas dessas fortunas com a morte ou advento da morte desses burgueses e por uma questão de gestão de herança e indivisibilidade do património transformaram-se em fundações. Muitas das fundações hoje existentes têm raízes nesse período conturbado (1820-1910), tendo entretanto ganho com o tempo o favor do respeito e honorabilidade devidos mor das vezes á sua actuação benemérita em prol da população em que se inserem.

 

Durante os 16 anos da Primeira República, a instabilidade foi a palavra de ordem, registaram-se cerca de 45 governos e 8 presidentes em 16 anos), o que demonstra a incapacidade de estabelecer uma governação estável e contínua. Conflitos sociais e greves foram o seu pão de cada dia, a República foi marcada por greves gerais, como a de 1912, greves operárias e uma tremenda agitação social. A situação económica tornava-se cada vez mais difícil, foi fortemente agravada pela inflação, tendo aumentado desmesuradamente o descontentamento popular.

 

Por todas estas razões a República enfrentou forte oposição interna, tanto de monárquicos como de republicanos insatisfeitos, o que resultou em várias tentativas de derrube do regime.

 

A participação na Primeira Guerra Mundial com a participação de tropas no CEP (Corpo Expedicionário Português) entre 1914 e1918, fez com que a entrada de Portugal na guerra tivesse agravado a crise económica e financeira, gerando escassez de alimentos e aumentando a instabilidade interna.

 

A ditadura de Sidónio Pais ou "República Nova" instaurada em 1917 através dum golpe militar suspendeu a Constituição de 1911 e instituiu uma ditadura pessoal, exacerbando as divisões entre os republicanos até ao seu assassinato em 1918. Dezasseis anos de violência política fizeram com que este período fosse marcado por actos de violência exacerbada, tendo a "Noite Sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, em que dezenas de políticos de renome foram assassinados, sido um dos seus episódios mais negros.

 

A Primeira República Portuguesa (1910-1926) foi marcada por extrema instabilidade, caracterizada por constante violência política, dezenas e dezenas de assassinatos, ou milhares, e nunca se saberá exactamente quantos mortos foram enterrados durante este curto período, tantas e tão constantes foram as greves e os conflitos nas ruas. O período foi fortemente assolado por crises económicas, forte repressão contra opositores e estrangulamento dos movimentos sociais, culminando na Noite Sangrenta já referida e, eventualmente contribuído para o fim do regime com a ditadura militar instaurada em 1926. Instabilidade crónica, a fraqueza dos partidos burgueses, a violência política e a grave situação económica facilitaram o golpe militar de 28 de maio de 1926, que partiu de Braga, liderado pelo general Gomes da Costa.

 

Principais aspectos da violência durante a primeira República: Instabilidade política e violência urbana, luta partidária intensa, frequentes mudanças de governo, clima de guerra civil, com a Polícia Cívica e a GNR tentando conter revoltas e greves, muitas vezes com recurso a forte repressão. A "Noite Sangrenta" 1921, um dos episódios mais trágicos, envolveu o assassinato de centenas de figuras políticas importantes como António Granjo e Machado Santos.

 

A repressão de movimentos sociais fez com que o regime enfrentasse forte oposição do movimento anarco-sindicalista, resultando diariamente em centenas de detenções e perseguições, não deixando de gerar fome e cada vez mais violência nas ruas, com a especulação a contribuir para a instabilidade, a crise económica agravando as dificuldades a violência anticlerical semeando o ódio contra a República cujo início foi marcado por conflitos gratuitos com a Igreja Católica, incluindo episódios de violência anticlerical, originando um período agitado, com episódios de "justiça pelas próprias mãos" e constante radicalismo e enfraquecendo a legitimidade da jovem República.

 

Factores Económicos agravantes: Aumento da dívida pública, instabilidade monetária e dependência de importações originadas pela guerra, contribuíram para a quebra agrícola e o empobrecimento de grande parte da população, gerando o fim da Primeira República.

 

A instabilidade crónica, a fraqueza dos partidos burgueses, a incapacidade de gerar confiança na democracia republicana, a violência política e a grave situação económica facilitariam o golpe militar de 28 de maio de 1926, que partiu de Braga, liderado pelo general Gomes da Costa. O regime republicano caiu sem resistência significativa, dando lugar à Ditadura Militar e, posteriormente, ao Estado Novo

 

O ESTADO NOVO

 

A estabilização politica e o crescimento económico de Portugal durante o Estado Novo entre 1933 e 1974 é o maior trunfo do Estado Novo, regime liderado por António de Oliveira Salazar e, posteriormente, por Marcello Caetano, anos que foram marcados por uma clara estabilização política, por um controlo rigoroso da economia e das finanças, por forte proteccionismo e inigualável desenvolvimento.

 

1. Estabilização Financeira e Económica (Anos 30-40)

 

"Ditadura Financeira": Salazar, inicialmente como Ministro das Finanças (1928) e depois Presidente do Conselho (1932), priorizou o equilíbrio orçamental acima de tudo. A estabilização foi conseguida através de um rigoroso controlo da despesa pública, aumento de impostos e redução da dívida, visando sanar as finanças após a instabilidade da Primeira República.

 

Condicionalismo Industrial: O regime impôs um sistema onde a criação ou expansão de indústrias dependia de autorização estatal, evitando a concorrência excessiva e protegendo interesses estabelecidos de molde a que pudessem desenvolver-se e consolidar-se.

 

Corporativismo: A economia foi organizada em corporações (patrões e operários), eliminando sindicatos livres e controlando greves e salários para manter a "paz social" e a estabilidade política.

 

Autarcia (tentativa de auto-suficiência): Promoveu-se e priorizou-se a produção nacional para reduzir importações, com destaque para a "Campanha do Trigo", que visava a auto-suficiência alimentar, embora com resultados técnicos limitados. Ao mesmo tempo que protegia a indústria e produção nacional Salazar garantia os postos de trabalho possíveis dentro das circunstâncias vividas, isto é lutando contra um país que a primeira república deixara de rastos em todos os aspectos.

 

2. Crescimento e Industrialização (Anos 50-70)

 

Abertura e Integração Europeia: Nos anos 60, a economia começou a abrir-se. Portugal integrou-se na EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre) e iniciou-se a industrialização com o apoio aos Planos de Fomento, investindo em infra-estruturas (pontes, barragens, estradas). São desta época as primeiras negociações de adesão à então CEE.

 

Papel das Colónias: O regime mantinha um sistema colonial que funcionava como mercado exclusivo para produtos industriais portugueses (têxteis) e fonte barata de matérias-primas (algodão, matérias-primas energéticas). Em simultâneo permitia uma emigração interna fomentando o desenvolvimento económico, agrícola e industrial das províncias ultramarinas.

 

Crescimento da Indústria e Serviços: O período final do regime foi marcado pelo crescimento do sector industrial, turístico e de serviços, influenciado pela conjuntura internacional favorável e pelo investimento estrangeiro, apesar de a agricultura continuar atrasada.

 

Emigração e Transferências de Divisas: A emigração massiva nos anos 60 reduziu o desemprego, mas também a mão-de-obra. No entanto, as remessas dos emigrantes foram cruciais para o equilíbrio da balança de pagamentos e para o financiamento do crescimento.

 

3. Contradições e Limites

 

Subdesenvolvimento e Emigração: Apesar do crescimento, Portugal continuava a ser um dos países mais pobres da Europa Ocidental, com baixos salários e elevados índices de analfabetismo. Salazar viria a construir 12.000 escolas primárias, igual número de Casas do Povo, diversos e inumeráveis liceus, escolas comerciais e industriais, hospitais, portos, aeroportos, etc etc etc

 

Foi dado foco à Estabilidade em detrimento do Desenvolvimento: O receio de instabilidade política fazia com que o desenvolvimento económico fosse lento e controlado, temendo o impacto social da modernização rápida.

 

Custo da Guerra Colonial: A partir de 1961, uma parte significativa do orçamento foi desviada para a Guerra Colonial, o que condicionou parcialmente o crescimento económico e o desenvolvimento da metrópole.

 

4

 

Em resumo, o Estado Novo alcançou uma estabilidade financeira inicial à custa de um desenvolvimento lento e controlado. O crescimento mais acelerado ocorreu nas décadas de 60/70, mas foi tardio, desigual tendo sido afectado pelos custos da guerra colonial e pela estrutura corporativista do regime. Incapaz de abrir mão do mesmo poder que lhe garantira o sucesso mas estava agora a bloqueá-lo, o Estado Novo viria com isso a ditar a sua queda em 1974.

 

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1 - ACERCA DO VOTO CENSITÁRIO - A cada regulamento está subjacente uma determinada de concepção de tipo de representação ideal (Almeida, 2016), que é como quem diz uma ideia de democracia. Como foi variando a nossa ideia de democracia nacionalmente, e como é que a concretização da versão actual dessa mesma ideia parece estar a escapar entre os nossos dedos nos dias de hoje?

 

Em 1822, surge como um direito exclusivo aos homens com mais de 25 anos (ou maiores de 20 desde que sejam casados, oficiais militares, bacharéis formados ou clérigos de ordens sacras), sendo excluídos, para além de todas as mulheres, os filhos-famílias (homens adultos dependentes economicamente dos pais), os criados de servir, os regulares (excluindo os das Ordens militares e os secularizados) e todos os que não soubessem ler com menos de 17 anos em 1822 (se, chegando aos 25 anos não soubessem ler nem escrever, não teriam este direito).  A Carta Constitucional de 1826, mais conservadora, limita-o trazendo o sufrágio censitário – podem votar cidadãos portugueses (nascidos em Portugal ou naturalizados) que tivessem, no mínimo, quatrocentos mil réis de renda líquida.

 

Em 1838 mantém-se o elitismo económico (embora o torne menos ‘elitista’), juntamente com os critérios de 1822: têm direito a votar os homens maiores de 25 anos com uma renda líquida anual de oitenta mil réis, excluindo menores de 25 anos [salvo quando estes têm mais de 21 anos e são a) casados, b) bacharéis formados, c) oficiais do Exército ou da Armada ou d) clérigos de ordens sacras], criados de servir, os libertos (ex-escravos), os pronunciados pelo júri (considerados culpados de algum crime) e os falidos que não houvessem conseguido provar a sua boa-fé.

 

A Constituição de 1911 consagrou não a promessa republicana de sufrágio universal, mas o caos. É verdade que é com esta constituição em vigor que surge o primeiro voto feminino em Portugal (Carolina Beatriz Ângelo) – contudo, isto ocorre apenas devido à ambiguidade do decreto de lei de 14 de Março do mesmo ano: são eleitores os cidadãos portugueses maiores de 21 anos, residentes em território nacional e que soubessem ler ou escrever ou fossem chefes de família [excluindo 1) as praças de pré em serviço efectivo, os indigentes e todos os que não possuíssem meios próprios para a sua subsistência, 2) os pronunciados com trânsito julgado, 3) os interditos, por sentença, da administração da sua pessoa ou bens, os falidos não reabilitados e os incapazes de eleger por efeito de sentença penal e 4) os portugueses naturalizados.]. Não excepcionando este decreto as mulheres, e sendo Ângelo de naturalidade portuguesa, maior de idade, sabendo ler e escrever, médica e viúva, e por isso chefe de família, estavam assim criadas as condições para a contestação que permite a Beatriz votar nas eleições para a Assembleia Constituinte a 28 de Maio. No entanto, e ao contrário do que ocorrera noutros países (ver Matilde Hidalgo de Procel, no caso do Equador), as mulheres acabaram por ser excluídas do sufrágio através da nova Lei Eleitoral de 1913, atrasando assim o processo de emancipação do voto feminino em Portugal.

 

Estranhamente, é no período de ditadura militar que se verifica essa ‘emancipação’, mesmo que muitíssimo limitada: o decreto de 5 de Maio de 1931 apenas atribui este direito às mulheres maiores de 21 anos de idade que fossem chefes de família (viúvas, divorciadas ou judicialmente separadas de pessoas e bens com família própria, casadas cujos maridos estivessem ausentes nas colónias ou estrangeiro) – assim, a constituição de 1933 surge com a aprovação de (poucas) mulheres, cumprindo uma promessa que o partido republicano se tinha demonstrado incapaz de concretizar.  E claro, em 1976 consagra-se o sufrágio como universal, igual e secreto e reconhecido a todos os cidadãos maiores de 18 anos, ressalvadas as incapacidades da lei geral, sendo este simultaneamente um exercício pessoal e um dever cívico.

 

Goethe escreveu:

“Tenho colhido muito de que outros plantaram. Por isso a minha obra é uma obra colectiva”.

Também espero colher com as tuas ideias embora possa não concordar com todas.

 

2 - CHEGA CONTINUA COM OS SEUS ÓRGÃOS NACIONAIS ILEGAIS, DECIDE RIBUNAL CONSTITUCIONAL – PÚBLICO - 3-6-2025

https://www.publico.pt/2025/06/03/sociedade/noticia/chega-continua-orgaos-nacionais-ilegais-decide-tribunal-constitucional-2135449

 

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL CONSIDERA QUE ESTATUTOS DO CHEGA SÃO ILEGAIS…  SIC NOTÍCIAS - 30/09/2021

https://sicnoticias.pt/pais/2021-09-30-Tribunal-Constitucional-considera-que-estatutos-do-Chega-sao-ilegais-405a1773

 

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL ACÓRDÃO Nº 434/2025

20 DE MAIO DE 2025 ...

https://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20250434.html

 

Estrutura do partido Chega é ilegal, indica acórdão do Tribunal Constitucional ...   04/06/2025

https://executivedigest.sapo.pt/estrutura-do-partido-chega-e-ilegal-indica-acordao-do-tribunal-constitucional/#goog_rewarded

 

Expresso - Tribunal-Constitucional considera estatutos do Chega são ilegais ... 30/09/2021

https://expresso.pt/politica/2021-09-30-Tribunal-Constitucional-considera-que-estatutos-do-Chega-sao-ilegais.-Partido-tem-de-convocar-congresso-extraordinario-f212c393




segunda-feira, 29 de junho de 2015

250 - SALAZAR, PERMANÊNCIA E PREMÊNCIA...


        5ª e  Última parte:


E chegámos finalmente ao final, não ao fim porque a historia nunca tem fim, mas aos finalmentes, à explicação da inclusão, no titulo, da polémica palavra premência, que também se poderá entender por necessidade, ou até urgência, imprescindibilidade, latente ou manifesta, e será que o é ? E se sim, porque o é então ?

Os romanos já há dois mil anos que o sabiam, este povo nem se governa nem se deixa governar, a menos que beneficie ou disponha, ou lhe imponham condições especiais, ou excepcionais, como a história nos tem demonstrado.

Quando em 1973 Mário Soares fundou na Alemanha com meia dúzia de amigalhaços o PS, certamente tinha em mente uma democracia como a alemã, como as europeias, pão, paz, habitação e liberdade, muita liberdade (que aliás entre nós cedo evoluiu pra libertinagem). Soares terá confiado ser suficiente para Portugal (ele sonhara-se imprescindível ou insubstituível) elaborar um mero programa democrático, o resto ficaria ao cuidado dos mercados, do mercado e da sua mãozinha invisível, e claro das feiras e romarias pategas em que o país ainda vegeta, se realiza e aplaude. Nunca terá ocorrido a Soares que uma economia idêntica à alemã, fortemente industrializada, produtiva, inovadora e exportadora, dinâmica e organizada, tem que ser feita à mão, exige muito saber e dá muito trabalho. Quando não nasce e desenvolve-se uma economia selvagem e predadora, que é o que temos e lhe podemos agradecer, pois nunca fez nada em contrário, antes muito a favor, tendo até a fama de nunca ter lido os dossiers das matérias antes de um conselho de ministros ou de outra quaisquer tomadas de decisão. 

Ficará na história como um péssimo, talvez o pior PM que Portugal teve, e se não ficar agradeça a PPC que tudo tem feito pra o superar.

Lembro-me de ser militar quando nos quartéis (e não na AR) o problema candente na época, que arrastava todos para assembleias de marinheiros, era o da “Unicidade Sindical” e da ameaça de divisão que sobre ela pairava. Efectivamente Soares, ou o PS (eles confundem-se), abateu-a com legislação apropriada ao fim, com a criação da UGT e a ajuda desinteressada de muitos marcos de uma qualquer fundação alemã cujo nome agora me escapa.  Estava assim quebrada a espinha dorsal e a força do movimento sindical português, que aliás, a exemplo dos partidos, não evoluiu pra nada de bom e se debate também com a falta de sindicância e sindicalização dos nossos trabalhadores. Nada surge por acaso. O sindicalismo actual pactua com os partidos, PC e PS/PSD/CDS, defendendo essencialmente os trabalhadores instalados, bem ou mal mas instalados, defendendo-os contra tudo e contra todos, com razão ou sem ela. Um absurdo e uma incongruência, tal como o facto de os seus pontas de lança se perpetuarem nos lugares a vida inteira.  

Mas continuemos, com o tempo este senhor tão fixe e o seu partido viriam a “não” resolver muitos outros problemas do mundo do trabalho, foi igualmente pela sua mão, e do PS, que surgiu em Portugal a novidade do contrato de trabalho a termo certo, isto é o contrato de trabalho a prazo, pai dos recibos verdes que, maravilha das maravilhas, haviam de reproduzir-se como cogumelos para exportação, os incontornáveis precários. Se tantas vezes chamo a esse partido o partido do NIN, nem sim nem não, é porque ao longo de quarenta anos nunca o vi dando um murro na mesa, ou colocando-lhe em cima os tomates. Não deu nem os tem, por isso quarenta anos passados luta por clientela como se tivesse nascido ontem, mas, no entretanto, os seus feitores não terão razões para mal dizer esta democracia de trampa que lhes devemos. Pouquissímos anos mais tarde, uma fonte cavaquista de “não” resolução de problemas legislaria no sentido de desobrigar o patronato a cativar e endereçar automaticamente aos sindicatos o valor das quotas cobradas no vencimento dos trabalhadores, o que do ponto de vista económico foi mais uma machadada na independência dos ditos cujos sindicatos.

Curiosamente o essencial do Portugal de 73 manteve-se até ao governo de Passos Coelho e outros trapalhões. Fundos de pensões, Segurança Social, ADSE, Hospitais Militares, e outros aspectos sem razão de existência e que logo a 26 de Abril deviam ter sido corrigidos, somente agora o foram ou estão para ser, infelizmente a par de muitas outras medidas cuja solução peca por tardia e continua sem desenlace. Portugal pouco ou nada, ou mal e porcamente se reformou nestes passados quarenta anos, nem tão pouco agora, com a 3ª ou 4ª vinda da Troika. Não estamos mal devido a um acaso, estamos mal porque nada fizemos ou foi feito, porque se rouba demais, porque se tem vivido desde o 25A de enganos, de irresponsabilidade e desresponsabilização, em impunidade completa, ou quase, já que ninguém rouba um frango ou uma lata de ervilhas sem que vá logo preso.

No estado em que o país se encontra surge de novo a necessidade causa e justificação pra um governante da craveira de Salazar, ou de Estaline, o evoluir das coisas ditará qual o estilo e a cardadura das botas, porque quanto à figura a dúvida não me assiste, só falta ver-lhe a cara.

Um país em que até o TC (Tribunal Constitucional) delibera em função dos que estão instalados, esquecendo uma, uma não, duas gerações, que pagam as favas sem ter culpa alguma da situação, está mais que pronto para explodir, ou a aceitar, aliás aplaudir quem apareça com a oferta de um mínimo de justiça, de igualdade e sobretudo de esperança e emprego, pois a democracia por si só não mata a fome a ninguém. Esperança e mobilização serão os motores do nosso “Podemos”, do nosso “Cidadãos”, do nosso “Syrisa”. Eu não quero ser quiromante, ou bruxo, mas já anda por aí alguém acarretando esse mínimo de garantias, sem mentir e sem se rir nem ficar sério, e não sou eu que o digo, são os jornais que já perceberam o fenómeno e contra quem já iniciaram o contra ataque apodando essa figura de fascista.

Ora o jornalismo barato e sem conselheiros técnicos desconhece que a psicologia existe, e funciona, e que quanto mais fascista lhe chamarem mais publicidade e votos lhe darão. Para muito português, em virtude da falta de virtude desta democracia, fascismo vai-se tornando sinónimo de estabilidade, de crescimento, de emprego, de segurança. A censura ? Ora que se lixe, agora há liberdade e deu no que deu, agora qualquer idiota fala na Tv e escreve em jornais (Umberto Eco dixit) o panorama é até pior agora que o era há quarenta anos, em que a juventude dessa época conseguia ler nas entrelinhas, em contraponto a actual nem consegue ler um título com letras do tamanho de um burricalho. Mas em frente que atrás vem gente. Alguém que tem vindo a ser apodado de desbocado vem emergindo com um discurso espontâneo, genuíno, vero, liberto do politicamente correcto, um discurso mais afastado que imaginar se possa dos discursos NIN… Alguém com profundos conhecimentos e prática de direito, e que saberá agir quase como um ditador, com a graciosidade e o à vontade de conhecedor da lei e do género humano, ou como o fascista que os jornais lhe chamam, saberá mover-se nos limites da legalidade de modo bem melhor que o actual e trapalhão governo que já por várias vezes os pisou e até ultrapassou.

Estejamos de ora em diante atentos ao epifenómeno Marinho Pinto e façamos as nossas contas. Outra figura antítese do NIN é Henrique Neto, nem quero imaginar a volta que este país daria se esses dois chegassem ao poder, aí sim, seria a revolução que tem sido adiada há quarenta anos.

Este povo precisa, necessita, aplaudirá quem vier amá-lo. Este povo precisa sentir segurança, mas também sabe que precisa ser morigerado pois tudo nele são excessos.  Este povo sabe que em tempos a Pide, as policias e a GNR actuavam como taxas moderadoras, e sabe que terão que actuar agora como elementos dissuasores dos abusos populares e democráticos em que viemos a cair e se transformaram na nossa ruina, o povo sabe na sua secular sabedoria quanto precisa ser guardado de si mesmo, sabe que o medo guarda a vinha.

Confio que os portugueses saberão recuperar o sossego perdido em 74 e deixar o país e as pessoas crescer e viverem. Somos poucos, infelizmente sempre encalhando uns nos outos, sempre minando o outro com um escolho, atravancando, estorvando, falando até de quem nem conhecemos, emitindo juízos de opinião para os quais ninguém nos licenciou, mentindo, aldrabando, burlando, roubando, todos os dias os mídia nos dão conta de um novo caso, ou dois, ou mais, rouba-se mais do que se trabalha. Com Salazar ou Estaline não se arrastariam problemas por resolver durante 40 anos, como os do aborto, da educação sexual nas escolas, Camarate, e os novos que aí temos mais recentes, BPN, BESCL, etc etc etc… De um dia para o outro acabar-se-ia o consumo excessivo do álcool entre os jovens, ou e os excessos de velocidade, com o abuso das providências cautelares, as burlas, as falências fraudulentas, o enriquecimento ilícito, a venda de empresas estratégicas, (Bava e Granadeiro e muitos mais estariam há muito tempo em Caxias, no Aljube, em Peniche ou no Tarrafal), a ética e o mérito seriam de novo erigidos os valores supremos.

Creiam que desacreditei desta democracia, os partidos deixaram há muito de representar o povo para tratarem dos seus interesses ou dos interesses dos seus acólitos, do PS já falei, construído à imagem e semelhança de um homem é o rosto do falhanço da nossa democracia, atolou-se em intrigas palacianas que conduziram o país ao caos em que se encontra e não irei adiantar-me mais. O PSD ficou órfão com a morte de Sá Carneiro e julgou ter encontrado um padrasto num homem que fazia no momento a rodagem a um carrito barato, enganou-se, afinal tratava-se de um economista que percebe de tudo menos de economia e arrasou a nossa a troco de um prato de lentilhas vindas da CEE, desmantelou as pescas, a indústria e esqueceu a agricultura a troco da promessa de call centers… O milagre do terciário que levaria Portugal à modernidade… Esse Portugal está hoje praticamente reduzido a um grupelho influente de gente que nem em sonhos sabe o que seja a cultura, sonho que partilha com as gentes do CDS, acerca de quem direi somente representar a direita mais caceteira e retrógrada, desejosa de se vingar dos malefícios que injustamente (temos que reconhecer) o PREC lhe fez cair em cima, uma direita que em quarenta anos não se modernizou nem actualizou, que trucida diariamente os dez mandamentos e vive alimentando-se de um revanchismo serôdio que será irrevogavelmente a morte dela. Hoje muitos desconhecem, ou desconhecemos quase todos, homens íntegros nessas áreas como Adriano Moreira, Bagão Félix e Freitas do Amaral, todavia toda a gente no mundo conhece o que devia ser secreto, os nossos espiões, que se dão até ao luxo de chantagear nos jornais e televisões o governo inteiro.

Hoje, como os romanos há 2 mil anos, acredito que para grandes males do nosso povo só grandes remédios. Venha um Salazar ou um Estaline, o diabo que escolha…


   4ª Parte

1-     Mas Salazar nunca falhou ? Claro que falhou e muito, ainda que não tanto nem com tanto prejuízo para nós quanto os actuais democratas nos descarregaram em cima, que irá fazer-nos descer aos infernos tantos anos quantos Salazar levou a tirar-nos de lá após os desmandos do centrão da 1ª República. Que essa sim, acorrera a tempo de imolar uns cordeiros nas trincheiras da Flandres só para garantir um lugar à mesa das negociações do armistício, tentando não perder as colónias que ingleses, franceses, holandeses e alemães tanto cobiçavam. 
O que no fim foi conseguido, custou-nos mais ou menos a módica quantia de 2.200 baixas, entre mortos e desaparecidos em combate, a que há que acrescentar quase 6.000 feridos, tendo regressado perto de 50.000 stressados de guerra, ou gaseados como ficaram conhecidos. (fontes menos idóneas citam o dobro ou triplo de mortos e feridos). A verdade estará no meio como habitualmente. 
Recordemos que integrados no CEP (Corpo Expedicionário Português) foram enviados para França 100.000 soldados. Todo este padecimento concentrou-se essencialmente em 9 meses dos anos de 1917 e 18, só a batalha de La Lys parece ter consumido perto de metade do total destas baixas em cerca de 4 horas de combate. Um preço alto, exagerado sem duvida, mas por cá, entre os corajosos, festeja-se anualmente a triste efeméride (entre os parvos ainda mais se festeja, santa ignorância), celebra-se a honra do dever pátrio de morrer, quando é sabido que os nossos soldados para lá foram conscientemente enviados sem treino, e sem equipamento nem armamento à altura mínima da dimensão do conflito. 

     Em Portugal o designado CEP só não nos envergonhou porque todos calaram a verdade, a imprensa em especial. Salazar não apanhou com a I GG, mas apanhou com a segunda, à qual soube eximir-se magistralmente, poupando-nos aos horrores desse horrível cataclismo, pessoalmente lamento que isto não tenha sido arrasado, ele inclusive, e o país renascido das cinzas como a Fénix, mas adiante. 
Salazar eximiu-se ao conflito sabiamente, negociou com ambas as partes mantendo incólume a independência, inclusive a territorial (que no conflito 14-18 tantas vidas nos custara para ser mantida). No contexto de Guerra Fria que se seguiu, mantendo Portugal uma velha aliança com a Inglaterra e a base das Lajes alugada aos EUA, ambos países vencedores, alimentando Salazar uma aversão figadal às teses comunistas da URSS, quem esperavam que ele abraçasse ? É tudo realpolitik men ! 
Naturalmente abraçou os da mesma cor e vizinhos, com quem Portugal mais tinha a ganhar ($$$$) em manter boas relações. Foi uma escolha óbvia, tal qual a adesão à NATO, teria o país nesse contexto outra opção ? Mas… ao não aceitar participar no Plano Marshall (o pacote incluía a democratização do país e das instituições), oferecido em condições idênticas às dos países atingidos pela devastação da guerra, Salazar voltou a errar em grande. 
O apego ao poder foi mais forte que ele. Salazar, tal qual qualquer partido de hoje faria, não duvidem, tudo fez para se manter à frente deste barco e, olhando em volta e julgando pelas atitudes e resultados que observo, comparando com o passado, ainda bem que ele ficou. Acho que Portugal, ao invés de o invectivar, como faz de há quarenta anos para cá, devia fazer-lhe justiça e estudá-lo bem a fundo. Salazar foi erigido o bode expiatório do fracasso que foi e é o 25 de Abril, Abril que ainda não fez melhor que ele e corre o risco de, tal como aconteceu na 1ª República, deixar tudo ir mesmo ao fundo. 

    Salazar merece ser estudado e ensinado às criancinhas, quiçá de modo mais urgente aos adultos, sempre de boca cheia desfazendo nele quando nem de longe lhe conhecem a obra, nem tão pouco a biografia, o professor e historiador Filipe Ribeiro de Menezes elaborou recentemente uma óptima biografia de Salazar que editou e distribuiu somente em inglês e no mundo anglo saxónico, provavelmente por ter achado que a sua divulgação aqui seria deitar pérolas ao chão… 
Rodeado por estas circunstâncias que fazer em 1961 quando rebentou a guerra nas colónias ultramarinas ?  Salazar quis ou pretendeu manter intacto o património que lhe tinha sido confiado e que tantas vidas custara ao país. Outro erro, não contesto ter acertado ou não ao recusar-se a conceder-lhes a descolonização, errou ao não ter posto em prática o velho plano de Norton de Matos, errou em não ter explorado a fundo as suas riquezas, Portugal não explorou nem dominou as colónias, por pouco não se tinha limitado a estar lá, como por cá os ministros desde o 25 de Abril, que se têm limitado a sentar-se nas cadeiras do poder e estar, sem nada fazer, por fazer está tudo ainda volvidos quarenta anos… Talvez por isso de diga "estar-se ministro", e não "ser ministro"...

2-     E que dizer dos majores Valentins que ganharam rios de dinheiro com a guerra e a prolongaram durante 13 longos anos ? Toda a gente fazia comissões atrás de comissões, ganhando imenso dinheiro com isso, e quando deixaram de ganhar, quando os oficiais milicianos ameaçaram o tacho aos oficiais do quadro permanente como reagiram estes ? Fizeram o 25 de Abril…
Fizeram quem ? Os mamões, aqueles para quem a guerra sempre fora um negócio, uma cambada de ignorantes à frente dos quais sobressaiu Otelo, quando hoje vejo ou leio entrevistas do homem só me posso interrogar como foi que o exército deixou á solta um louco daqueles, como acreditou um exército, uma nação, em tamanho idiota ?  Tamanho cretino ? Tamanho ignorante ?
Portanto não se admirem de termos acabado como acabámos, ou estamos, o único que se aproveitava era Melo Antunes e o Senhor cedo o chamou a si. Foram aliás os militares quem conduziu este povo ao logro em que caiu e de onde ainda não saiu. Os militares fizeram desde o 1º minuto a apologia e campanha pelo socialismo, quando eles mesmos nem mudar a fralda sabiam. Porquê o socialismo e não outro ismo qualquer ? Que forças e interesses ocultos animavam esses democráticos e ingénuos militares ? 
O povinho como sempre batia palmas a tudo viesse quem viesse e aparecesse quem aparecesse, e até as bateu ao Almirante Pinheiro de Azevedo quando este, discursando de uma janela alta na Praça do Comércio o mandou à merda. Eu estava lá.

3-       Estava para aqui a escrever e a lembrar os muitos acidentes dos nossos rapazes em África, por exemplo o do filho do saudoso senhor Silvano Manuel Cágado, das bicicletas (que por isso vestia sempre luto), foi um dos primeiros a tombar, ao avançar para tomar o avião que havia de trazê-lo de volta, descuidou-se e a pá da hélice cortou-lhe a cabeça em duas. Era eu criança e muito me sensibilizou tê-lo sabido. 
Em treze anos de guerra colonial, segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas, faleceram na Guerra de África 8.831 militares portugueses. Curioso é que, de acordo com a mesma fonte, 48,5 por cento, 4.280 militares, morreram em resultado directo de acções de combate e 51,5 por cento, mais de metade, em acidentes e doenças, 4.551militares. 
Cerca de 9.000 mortos, cerca de 30.000 feridos dos quais resultaram infelizmente também deficientes físicos. (5.120 com grau de deficiência superior a 60 por cento. Extraído do livro Cronologia da Guerra Colonial, José Brandão, 2008).
Ora por muito tristes que estes números, observados ao longo de 13 longos anos de guerra possam ser, se comparados com o elevadíssimo número de baixas registadas durante os escassos meses de 1917 e 1918 em que o CEP lutou na I GG, ou com a média actual de mortes nas estradas, levam-me a pensar que devia ter sido exigida aos chefes militares nas colónias uma vitória inequívoca, e nunca permitido o prolongamento “comercial” da guerra, ou em alternativa ter-se exigido aos políticos, Salazar incluído, uma solução politica, negociada, e não a debandada em que resultou a descolonização, a qual nos querem fazer crer ter sido exemplar. 
Não foi, foi um desastre, e só não foi um desastre maior porque dos USA, o Satã americano, nos atiraram com milhões de dólares para apoio aos retornados das colónias, o célebre IARN, Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais, o que permitiu a muitos refazerem a vida e abrirem negócios e empresas, os restantes, e muitíssimos, foram rateados pela função pública, vem daí o início do excesso de pessoal no nosso funcionalismo… 
Quanto à descolonização, a única coisa que os movimentos ditos de libertação respeitaram quanto às linhas do acordo de Bicesse, foi a data da independência… Tanto jovem morto durante 13 anos para quê ? Se nem uma gota de petróleo de lá veio, foi cara a factura que pagámos, porém não tão cara quanto outros cobraram à esquerda e à direita, Hitler, Pinochet, Vileda, Estaline, Bush, Mao, Pol Pot, Somoza, Franco, etc etc etc …

4-  Salazar tem que ser, como disse Garcia Lorca, estudado “dentro das suas circunstâncias”, e essas foram o mundo… A última vez que nos sentimos grandes foi com ele, cujo nome foi abusivamente apagado da única grande obra efectuada sem ultrapassar os termos do contrato, quer em prazo quer em orçamento (coisa que viria a tornar-se inédita em democracia) a construção da ponte sobre o Tejo em Lisboa. 
Mas este desígnio concretizou-se também em prédios de habitação (e não só) por todo o país, em Évora conhecemos bem “os prédios da caixa” após a Nau, ou os grandes prédios da Extinta Fundação Salazar, posteriormente rebaptizada de Catarina Eufémia, na Horta das Figueiras, obras do regime Salazarista para obstar às barracas e dar a todos os portugueses uma habitação digna.
Por todo o país acontecia, e só o consumo de quase 50% do orçamento de estado pela guerra, um exagero, travava a evolução na metrópole, o que mais vinca quanto errada essa guerra foi. But… La Nave Va… 
O eclodir do 25 de Abril colocou fim a todo este lento mas linear crescimento e traçou o risco de partida para o abismo em que nos encontramos. 
Gostes tu amigo ou não gostes de ler o que te digo. Há quarenta anos que o que mais nos dão são paroli paroli paroli….

5-       Depois do 25 de Abril as taxas de crescimento do PIB começaram a decair até hoje, 2015. O investimento não, (o 25 de Abril  primeiro e a CEE depois, fomentaram o investimento até perto do ano 2000) porque Salazar errara de novo, nas suas jogadas habituais com um pau de dois bicos readoptara entre 1931 e 1938 o padrão ouro para a nossa moeda, todavia diversos factores e a instabilidade vivida a nível mundial levaram-no a ancorar o escudo à moeda inglesa, libra esterlina e depois da II GG ao dólar americano, o que na prática significava possuir uma moeda forte (e nos obrigava a proceder como tal), o que somado à fobia de Salazar pela inflação o levou a uma governança contida e a entesourar moeda, deixando os cofres cheiíssimos (erro, porque abandonado o padrão-ouro Portugal estava desobrigado da convertibilidade da moeda, em ouro). Ao invés do país desenvolvidíssimo, industrializadíssimo, moderníssimo. 
Digam o que disserem o berço onde se nasce conta muito se a cabeça por milagre não ajudar. Uma moeda forte facilitava-nos as importações mas coarctava as exportações, mantendo o país numa modorra calma, lenta, pesada, perniciosa, apática. Todavia apesar do erro da moeda forte Salazar não embarcou no logro das importações, veja-se o exemplo do trigo, que tinha no Alentejo o seu celeiro mas era de longe mais caro que se importado, da URSS (Ucrânia), da França, da Alemanha ou dos USA, o mais barato de todos. Salazar subsidiava e impelia à compita os agricultores alentejanos, embora sabendo que apesar de tudo o nosso trigo (as terras alentejanas nem são aconselhadas para a cultura do trigo) era mais caro por tonelada. Por que o fazia ?

Porque era um nacionalista e independentista ferrenho e coerente. Porque se caísse no logro de importar trigo barato estaria a promover a ociosidade nos campos vilas e aldeias, porque em cada um desses lugares deixaria de existir todo um mundo de oficinas, artesãos, equipas e mil ofícios e actividades ligadas à cultura cerealífera, porque deixariam de entrar nos cofres da incipiente Segurança Social contribuições, porque teria que subsidiar de algum modo a miséria que surgisse batendo às portas das Casas do Povo, porque teria que distribuir mal ou bem subsídios de desemprego ou equivalentes, porque ele sabia que poupar no trigo importado lhe custaria uma fortuna e sairia caríssimo. 
Alentejo celeiro de Portugal foi a maior mistificação a que assisti na minha vida e o maior golpe de génio por parte de quem, de politica e economia, sabia mais a dormir que toda esta gentinha de agora acordada. Aprendi isto e percebi isto com Silva Picão, com os relatórios da antiga Junta de Colonização Interna e olhando os nossos campos, vilas, aldeias e cidades actuais, prenhes de gente ociosa, inactiva, inútil, mastigando o pão que outros pobres diabos amassaram. 
Salazar não importou um grão, como jamais teria vendido a estrangeiros uma ação, ou a eléctrica nacional, ou os aeroportos nacionais, ou a companhia aérea nacional, a rede eléctrica, os transportes, correios, banca, seguros etc etc etc… Com ele nem se teria chegado nem perto de onde chegámos, hoje somos estrangeiros na nossa própria terra. Tudo é dos outros, até a nossa esperança e o nosso futuro.

6-       Seria necessário recuarmos imenso para nos revermos num figura de referência moral e eticamente impoluta, já que o General Ramalho Eanes se afastou voluntariamente da política (por a achar suja?). Teríamos que, recuando, ultrapassar os Relvas, os Valentins, os Narcisos, os Isaltinos, os Salgados, os Oliveira e Costa, os Cavacos, os Soares, os Marcos Antónios, os Menezes, os Dias Loureiro, os Lima, os Jardim, os S. Guterres, os Barrosos, os Sócrates, os irrevogáveis Portas, ou os Costa que agora fogem da mesma justiça que comandaram, teríamos que ultrapassar tantos que pararíamos em Sá Carneiro, que se envergonharia do proselitismo vigente, para só pararmos mesmo em Salazar, que teve umas botas que lhe duraram uma vida, levaram meias solas várias vezes e nunca envergou fatos Armani. Era este homem um perigoso ditador ? 

7-       Claro que a Pide foi outro erro e outra nódoa. E por vezes parece ter sido mais papista que o papa. Nós tínhamos a Pide, outros tinham a KGB, a Stasi, o MI6, a CIA, o FBI, a Mossad, a Securité, a DISA, a DOI-CODI, a DINA, a Okrana, and so on… Exemplo típico é o caso do assassinato do General Humberto Delgado, que de resto na gíria dela, Pide, seriam meros danos colaterais. A que eu chamo excessos duma animalidade que ainda nos não abandonou, dantes batia-se nos estudantes, agora nos adeptos de futebol, dantes controlava-se um Benfica X Sporting com 6 agentes, hoje nem com 600… 
Alguma coisa está mal. Hoje temos gente como Relvas, o “facilitador”, dantes havia a Pide e os Pides, a PSP e a GNR, cujos quartéis aliviavam a casta dos juízes e lhes evitavam o acumular de processos facilitavam, oleavam a justiça, umas lambadas, umas porradas, resolviam a pequena criminalidade e evitavam gastos em tempo e diligencias processuais desnecessárias, era a chamada justiça na hora, má justiça mas justiça, agora não há nenhuma e o povinho sente-se inseguro. Eram as taxas moderadoras da época... 
Quantos chapadões não terão reencaminhado carreiras ínvias que de outro modo se perderiam na delinquência… PSP e GNR resolviam milhares de questões, tinham uma presença pedagógica, hoje são comissionistas que multam para garantir os direitos adquiridos e a narda ao fim do mês… há 50 anos as esquadras da PSP de Évora tinham uma viatura distribuída, um W Carocha de cor nívea, hoje têm uma frota que não chega nem serve para nada…

8-       Não sou saudosista, breve verão onde pretendo chegar. Aos partidos, essas instituições que há quarenta anos denigrem a democracia. Um partido socialista que nada tem de socialismo e até o engavetou há muitos anos, um partido social democrata liberal que ignora a sua matriz e até o que tais coisas sejam, um democrata cristão que abusa da palavra em vão e do pecado, um comunista que abandonou a ditadura do proletariado, a luta armada e a tomada do poder pela força, que se tornou burguês e por isso reviu os estatutos, daí que o apodem de revisionista, (há anos que o afirmo, que voltar aos velhos estatutos serei o primeiro a filiar-me), partido que desdenhou de Rimbaud e que permite à juventude rebelde como única saída o alistar-se no ISIS… 
E agora sim, chegámos onde eu pretendia chegar e ao facto de Portugal não ter o seu Syrisa ou o seu Podemos, não ter uma alternativa, acham mesmo que não tem ? Que ainda não chegou ? Não apareceu ? Não temos ? Olha que engano, por alguma razão o título deste texto tem lá a palavra premência...  …................... continua ............................ TEXTO EM CONSTRUÇÃO….............  o restante seguirá dentro de horas….........


3ª Parte

Tudo rosas ? Nem pensar ! A visão esclarecida de Salazar não era tão esclarecida assim, prejudicou-o grandemente o facto de toda a sua vida ter girado em redor de Stª. Comba Dão (Boliqueime não é neste aspecto diferente), viajara algumas vezes ao Fundão, a Vimieiro, fora a um Carnaval em Ovar, duas vezes ao Porto, de resto cingia-se demasiado a Coimbra. Mesmo após se ter tornado chefão disto tudo, saiu uma vez a Badajoz, para se encontrar com o amigo Francisco Franco.

Convenhamos que é pouco, mas também há quem tenha estado em África, estudado em Londres e não seja esclarecido por aí além. Vidas. Opiniões. Nem às colónias ultramarinas Salazar se deslocou uma vez sequer ! Nem mesmo após o auge da polémica despoletada por Norton de matos que fora Governador-geral de Angola, e que se atrevera a prescrever que a metrópole passasse para aquela província e este cantinho à beira mar se tornasse uma mera província do império.

Essa falta de mundividência a longo prazo foi-lhe fatal, no longo, aliás foi-nos, porque ele foi-se em 68. Terá Salazar sido o líder esclarecido que a nação necessitava ? Salazar governou quarenta anos protegido pelo mantra de um conjunto excepcional de circunstancias que indubitavelmente o favoreceram, mas como sabemos a sorte protege quem faz por isso, (não quis dizer protege os audazes), vejamos quais, uma por uma, mas não esqueçamos que o sucesso sempre dependeu de muito trabalho anterior e de quem esteja preparado para o fazer acontecer, receber, e colocá-lo ao seu serviço, tal qual o lutador de luta livre aproveita a energia do opositor para com ela o fazer cair um malhão com estrondo.

Para contrabalançar irei agora arriar um pouco de porrada em Salazar, antes que vocês me pendurem de algum poste julgando-me fascista empedernido, não sou, nem saudoso sequer, nem cego, muito menos esquecido, e nem me atiram areia para os olhos às boas, já sou cu velho e bastante sabido. Vejamos então uma por uma essas questões de sorte, e já agora de azar que positiva ou negativamente condicionaram Salazar.

1-     Salazar surge com autoridade intocada de um catedrático acerca de quem jamais saberemos se teria sido ou não um bom professor, todavia entre os inchados ceguetas dos poderosos militares, ou entre os políticos que a situação por eles mesmos criada atolara na lama, o impoluto era ele. Foi-lhe fácil impor-se perante o caos em que definhara a q1ª república e a inexistência de alternativas minimamente credíveis.

2-     Um vendaval tinha arrasado a Rússia havia somente vinte anos, em 1917, o que por todo o mundo suscitara uma liga informal de defesa com alicerces nas casas reais europeias que, desse modo procuravam suster o que parecia ser o destino comum e vermelho do planeta, sabemos quanta ajuda foi canalizada para os “russos brancos”, sem nenhum efeito no resultado final, hoje sabemos que os vermelhos não tomaram o mundo, mas na época temia-se que o fizessem, a diferença é substancial. Salazar, cristão, católico, proprietário (os pais tinham jurado deixar-lhe a horta por herança, e todos sabemos como são os bimbos que por uma leira de terra ou um regato se matam à sacholada), ora com razões de sobra Salazar alinhou na frente comum anticomunista mundial antes que a voracidade vermelha viesse a abocanhar as colónias ultramarinas que os vencedores da I GG não nos tinham conseguido sacar …

3-     O povo, o povão, o povinho nem estava pior com ele que antes dele, bem pelo contrário. Salazar no computo geral trouxe ao de cima o orgulho pátrio, providenciou estabilidade, à moeda, à sociedade rural da época, alinhavou umas reformazitas que se viram, nada que se parecesse com a trapalhada inútil de agora, estabilizou e dignificou o mundo do trabalho q.b. e “estabilizou” os sindicatos, o emprego, nada de contractos a prazo, precários ou recibos verdes, a legislação do trabalho era cumprida sem que houvesse sequer patrão que se atrevesse a pisá-la. O magano do Salas lançou igualmente por esses dias as bases da indústria moderna e pesada que tínhamos (recordemos a lei do condicionamento industrial, que não expandia antes continha, condicionava as industrias e industriais), estabilizou a educação e o ensino, surgiram os fundamentos para as primeiras creches, cumprindo-se, em parte, o artigo 21º da lei de Abril de 1891 e da legislação de 1927 (sobre a maternidade). Surgiram igualmente escolas um pouco por todo o lado, primárias, comerciais e industriais, liceus, debaixo da pata deste ditador o país crescia a olhos vistos e como nunca se vira na vida.

4-     Durante quarenta anos de ditadura Salazar promoveu, criou ou acelerou ou recuperou companhias, empresas, CTT correios e telecomunicações, TAP, transportes aéreos, EDP electricidade, barragens e rede eléctrica, CP caminhos de ferro, JAE estradas pontes e viadutos, hospitais, silos, agricultura, marinha mercante e pescas, minas, enfim, lembremo-nos de tudo quanto já não temos, com ele tivemos e tínhamos. Para melhor se mover, sem atrapalhações ou discussões estéreis e inúteis, improdutivas, criou a sua própria constituição, corporativa, tudo pela nação nada contra a nação, instrumento utilíssimo para tornear opiniões e oposições contrárias e que, vejamos os nossos dias, nem fazem nem deixam fazer. Imaginará algum de vocês que debaixo da inutilidade de um parlamento Estaline teria conseguido, e em tempo record, a grandeza da União Soviética ? Ou teria Mao munido de quaisquer instrumentos democráticos conseguido fazer alguma coisa do bilião de chineses e da China que governava e é hoje uma potência mundial ?  A ocasião e a natureza do problema têm que conjugar-se, Salazar o ditador fascista nunca se deixou dominar pelos mercados, dominou-os, foi mais coerente que muito democrata actual, atentem que enquanto Salazar impediu a entrada em Portugal da imperialista Coca Cola, os nossos democratas e radicais de esquerda compram no super dúzias de garrafas de litro e meio para se empanturrarem, onde está a coerência ? É verdade que se rodeou de uma Legião Portuguesa, de uma Mocidade Portuguesa, do SNI, de António Ferro, da Radiodifusão Portuguesa, da Emissora Nacional, da Radiotelevisão Portuguesa, da censura, da Pide, mas sobretudo de dez milhões de amigos que, mau grado uma ou outra dissonância um ou outro protesto, uma ou outra dissensão, lhe permitiram atravessar com alguma bonomia quarenta anos de carreira e, surpresa das surpresas, deixar muitíssima obra feita e, cereja no topo do bolo, morrer de velho. Um povo assim solidário merece ser lembrado e homenageado. Podemos dizer que salvo uma qualquer e rara excepção Salazar uniu, fomentou a coesão nacional que ousou reunir até contra si mesmo.

5-     Este mesmo povo que manteve Salazar quarenta anos no poder sem o incomodar, nem se incomodar, é o mesmo que hoje, passados outros quarenta anos, se calou e cala. Alguém além de Medina Carreira levantou a voz denunciando os graves erros de governação que cometemos ?  Medina Carreira foi apodado de profeta da desgraça… Algum dos actuais célebres economistas falou ? E este povo acordou agora admirado por enquanto dormia se terem guindado ao poder todo o tipo de crápulas e salafrários, arrivistas e oportunistas sem carácter nem idoneidade, que não possuem nem um décimo da transparência, mérito e honestidade de Salazar, que morreu pobre. Nunca é demais lembrá-lo, esse ditador fascista nunca deixou duvidas quanto á sua dedicação à causa pátria. Com este povo, ele sim devia ser mudado, quem conseguirá algum dia, a menos que o ultrapasse, chegar a algum lado ? Os partidos, as pessoas, digladiam-se como inimigos enquanto a pátria definha, é caso para perguntar que faziam ou que fizeram durante quarenta anos duzentos e trinta deputados a tempo inteiro na AR ? Dormiam ? E quem defendeu os interesses da nação ? O adido militar da China ?


6-     Ética e mérito são peculiaridades hoje raríssimas nos nossos políticos, que nem cuidam sequer de fazer parecer que as cultivam. Cada um de nós na sua cidade vila ou aldeia tem que ser critico, que veja, olhe, observe, quem são os políticos preponderantes e onde se “resguardam” destes tempos difíceis que a eles devemos, eles e os familiares, filhos e afilhados mais próximos, e depois pasme com as solidariedades e solidárias instituições ou empresas que os “abrigam”, sem o pudor exigido por um concurso, pelo mérito, pela ética, que apregoam à boca cheia mas espezinham em privado. Na generalidade serão tão merecedores da nossa benevolência quanto o filho de Durão Barroso e o modo como acedeu a lugar de quadro superior no Banco de Portugal. Tivessem os nossos políticos o cuidado de pensar em nós todos, (o que Salazar, que eu saiba, nunca deixou de fazer), ainda que mal e porcamente decerto estaríamos melhor ou menos mal, o problema é que se lembram única e exclusivamente de si próprios e dos seus… Por isso, quem não se sentir confortável na sua zona, que migre, Salazar ao menos sempre teve o pudor de isso não nos ter ordenado fazer. Com tanta arenga já parecerei um saudoso Salazarista, coisa que não sou, embora no presente  no caos em que nos colocaram fosse capaz de votar nele, num partido corporativista ou qualquer outro que defendesse a ditadura do proletariado e a tomada do poder pela força das armas. Este país, cada vez estou mais convencido, jamais irá a lado algum sem a mão pesada de um Salazar ou de um Estaline, cada um de nós ou de vocês que escolha segundo o que mais vos agradar pois foram ambas figuras poderosas da história ainda que a dimensão de Estaline se sobreponha de longe à figurinha de Salazar.


2ª Parte

Salazar anuiu, aceitou tudo quanto desesperadamente lhe pediam, deve dizer-se ás criancinhas, e não só, que Salazar não provocou nenhum golpe de estado ou sublevação no exército, antes nos concedeu a satisfação de um rogado pedido que lhe fizemos, Salazar não invadiu o país à frente de tanques, ou de um exército de rebeldes subversivos, nem tão pouco de nacionalistas fervorosos (como Spínola tentou em e 28 de Setembro de 74 e 11 de Março de 75). Salazar simplesmente fez o favor de nos iluminar com a sua sapiência, que sobre nós derramou, aliás com uma humildade que Gaspar nunca teve e uma modéstia de envergonhar Maria Luís.

Fê-lo porem resguardando a independência e dignidade pátrias, sem recurso á Sociedade Das Nações e sem hipotecar o país. Ajustou-se e ajustou-o como pôde e soube, os portugueses fariam o mesmo, nada que não seja coisa conhecida, passamos por um ajustamento idêntico, contudo o de agora bem recheado de demagogia, trapalhice, trafulhice, e no qual se empenharam os anéis e os dedos, o que fará Salazar, professor de finanças, dar duas voltas na campa.

A mesma percepção que tocara Júlio César inspirou e bafejou Salazar, o professor cedo se apercebeu das intrigas palacianas que animavam, e animam, este rectângulo. Da barraca mais humilde ao palácio mais guarnecido, pelo que, não podendo guindar-se à figura de um todo poderoso Estaline, cuja fama chegara longe e se sabia ter tanto poder que privara Deus dos seus bens terrenos deixando à igreja ortodoxa nada mais para oferecer ao Senhor que trabalhos e sacrifícios. Enfim, uma heresia que os nossos republicanos já haviam imitado nos escassos dezasseis anos em que Deus estivera distraído. Uma heresia que Salazar tentou evitar a todo o custo e aproveitar para afirmar a clareza do seu pensamento, a força das suas ideias, e quem sabe, quiçá instaurar um período de legalidade onde, a um canto, pudesse rubricar o seu apelido.

Mas esta tropa fandanga ainda hoje é dificílima de conciliar e de conduzir a bons hábitos, quer os fardados quer os civis, coisa que ele depressa aprendeu, pelo que findo o período a que se voluntariara, bateu com a porta e alas, pernas para que te quero, regressou célere ao sossego da sua cátedra de Coimbra.

Saltemos os pormenores e as cusquices que envolveram figuras e época e centremo-nos no essencial, um novo pedido, de joelhos, ao digníssimo lente, novas recusas deste que, movido pela vaidade ou pelo sabor do poder aceitou, à 7ª vez, e sob condição, regressar à tão espinhosa missão de nos governar, e ressalvo, sob condição, Salazar aceitou voltar desde que lhe fossem dadas para governar, possibilidades que o isentassem de aturar a cáfila que permanentemente se alimentava da baba escorrendo pelos corredores do poder, e lhe permitissem furtar-se a satisfazer os desejos de todos os gatos pingados a quem mérito algum bafejava com a sorte de irem a ministros e se julgarem no direito a exigir verbas que as Finanças do país estavam longe de possuir mas que esses camelos, perdão, cavalheiros, desbaratavam numa luta sem quartel. Tal qual nós por cá nas últimas décadas…

O lugar de Presidente do Conselho de Ministros (hoje PM) não lhe foi portanto dado, Salazar lutou por ele, impôs as suas condições, ideias e convicções, e até impressões, jogou uma cartada e ganhou, uma vez mais sem disparar um tiro. O resto da história já quase todos a conhecemos mais ou menos, e aos que não conhecem deixo este apontamento. Do ponto de vista da economia e meramente estatístico refiro um gráfico de quarenta anos de crescimento permanente, um crescimento médio equivalente a 4% do PIB anual, ininterruptamente ! Desde que Salazar tomara posse até 1974 !

Nesses quarenta anos Salazar lançou programas, teceu alianças e acordos com a EFTA e com a OCDE, com a CEE estavam prestes a ser assinados à data em que o seu sucessor, professor Marcelo Caetano caiu ante a força das armas dos militares irmanados e filhos do povo, conduzidos por uma vanguarda esclarecida, aliás várias vanguardas cada uma mais esclarecida que a outra, mas dizia eu, foram anos de crescimento, dos primeiros passos na Segurança Social, na construção da rede de Casas do Povo, de escolas aos milhares, os mesmos milhares que agora estão a ser encerradas e passadas a pataco.

E o povo pá ?

O povo embora latindo lá ia fazendo filhos para alimentar essas escolas, agora nem se pode sonhar com isso, bem, sonhar e masturbar-se a malta ainda pode…

E que melhor sinal de esperança no futuro que o chilreio e as gargalhadas e sorrisos inocentes dos petizes ? (nas últimas duas linhas inspirei-me claramente no estilo paternalista e de escrever de Salazar), o homem devia ser levado para o Panteão. Ele e eu, um dia, mais tarde…

Mas eram tudo rosas nessa época perguntarão os mais novos. Responderei que os partidos democratas do centrão de então tinham deixado debelar de tal modo a nação que era de todo impossível, em pouco tempo erguê-la de novo a contento e desejo de todos.

Todavia Salazar tomara o gosto ao poder, dedicava-se de alma e coração a uma nação que tão enxovalhada fora e tudo fazia para colocar bem alto a nossa grandeza. Metrópole e império colonial sobrepunham-se à Europa se fossem estendidos num mapa, por mim acho ter sido quando confrontado com esta grandeza e esta responsabilidade que Salazar se imbuiu de um espírito salvífico e, ter-se-á esquecido que apesar de possuidor de tão grandiosa alma era contudo mortal, tendo-o chamado a si o Senhor em 1968, quarenta anos após exclusiva dedicação à causa pátria. Não teve sócios, nem negócios paralelos, nunca fez greve nem exigiu diuturnidades ou direitos adquiridos, muito menos fez parte de escritórios de advocacia, nunca solicitou, pediu ou aceitou subvenções, vitalícias ou quaisquer outras, nem ajudas de custo ou mordomias, e defendeu enquanto pôde este bom povo que tão bem conhecia.
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1ª Parte 

              Há quase dois mil anos os romanos sabiam-no, foi por o saberem que por aqui se aguentaram tanto tempo e com tanto êxito, Pax Julia, Pax Augusta, Colônia Pacense, Beja, Ebora Cerealis, Liberalitas Júlia, Évora, Métalo Vispascense, Mina de Aljustrel, Alcoutim, Alenquer, Coimbra, foram dezenas, se quiserem a pedido far-vos-ei uma lista, pois vos não desejo cansar com a minha erudição e conhecimento, cousa que certamente muitos invejariam… Mas dizia eu, os romanos iniciaram aqui a prospecção, e exploração com um sucesso que nem hoje estamos sequer próximos de igualar, de pedreiras e rochas ornamentais, minas e minérios, agricultura, pecuária e pastorícia, peixe e sal, etc etc etc

Tanto que o sabiam que um raro e localizado foco de organização e resistência foi pronta e exemplarmente solucionado, com recurso à traição, uma característica muito nossa, tal como a disponibilidade para o fingimento, o servilismo, a cobardia, peculiaridades que facultamos primeiro que tudo a nós mesmos e depois em favor daqueles a quem desejamos servir ou simplesmente agradar.

Foi portanto sabendo haver na Península Ibérica, mais concretamente nos Montes Hermínios, Lusitânia, gente que não sabia governar-se nem deixava que a governassem que o peso das legiões romanas se fez sentir, domou e domesticou este povo, povo aliás voluntarioso e a quem sobremaneira falta essencialmente cabeça, cabeças, líderes, dirigentes, elites, e que infelizmente nem disso tem ou toma consciência.
  
Tal povo sempre exigiu lideranças fortes, com elas se fez a conquista, a reconquista, a expansão marítima das descobertas, que sem essas lideranças capitulou ingloriamente.

 Com ela, liderança forte, construiu Sebastião José de Carvalho e Melo o curriculum do Marques de Pombal, e sem ele a modorra voltou. Fontes Pereira de Melo deu corpo a outra liderança forte e conseguiu, apesar de tudo fazer alguma coisinha, lançou no país o caminho-de-ferro. O Marechal Saldanha, mais conhecido por Duque de Saldanha foi outro incontornável, e dezenas de vezes ministro (24), e várias vezes presidente do conselho de ministros na monarquia constitucional (4), em cima de quem a república se erigiria a 5 de Outubro de 1910.
  
Ora sucede que a república assentou praça em cima das debilidades e vícios da monarquia parlamentar constitucional, de quem herdou as dividas e as personalidades que haviam de compor os dois partidos do então centrão ou arco governativo, digo uma cambada de tontos e trapalhões que em nada ficariam a dever aos actuais, que de igual forma nos desgovernam e arruínam. Claro que passados uns escassos dezasseis anos, (1910 -1926) a governança deu buraco, estava arrumada por indecente e má figura a primeira república.

Neste ponto da narrativa devo fazer uma paragem esclarecedora, a fim de elucidar a caterva de democratas que hoje vota como se estivesse em causa o seu clube, já que a ignorância que os anima, ou preenche, não é exclusiva de cada um mas da massa ululante, que para mal dos nossos pecados vota e nos força a todos ao sofrimento das suas esclarecidas e liberais escolhas. Não sendo a estupidez apanágio de cada um, antes de todos, espero ter deixado feliz o leitor, e de consciência tranquila claro, a merda, como sempre, será culpa dos outros, e jamais de cada um. Feita a ressalva, eu espero manter incólume a nossa amizade, permito-me avançar para o facto pouco divulgado, diria até muito abafado, escondido, que após o país arruinado pelos dois partidos do centrão, estava-se em 1926, foi convidado a dirigir a pasta ministerial das Finanças o Dr. António de Oliveira Salazar, lente em Coimbra e uma espécie de Sampaio da Nóvoa da altura.
  
Pois o dito Salazar, a quem nada me liga e a quem não devo favores, apenas me rege o democrático dever e desejo de que não seja injustiçado, me traz hoje aqui. O dito senhor dizia eu, foi diplomatica e cortesmente convidado, pelos militares, em 1926, que entretanto tinham tomado conta desta trampa, antes que fossemos completamente pelo cano abaixo. Solicitaram veementemente dizia, que o lente conimbricense se dignasse auxiliar a Pátria num momento de tão grande aperto e necessidade, julgo porém, numa atitude tão indigna quanto a que há bem pouco tempo assumimos para solicitar, ou mendigar empenhadamente o auxilio da ominosa Troika, e de um ajustamento

 Primeira foto:  Algés 1970 - foto furtada a José Espada, restantes fotos, panorâmicas diversas de Algés, igualmente nos anos 70, e destinadas ao confronto coma primeira. Quer uma quer outra são espelhos de uma realidade que era transversal a todo o país, havia por todo o lado focos de miséria convivendo lado a lado com áreas urbanas modernas e desenvolvidas. A verdade seja dita.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=192905
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Lista_de_pol%C3%ADcias_secretas_e_pol%C3%ADticas_na_hist%C3%B3ria&redirect=no#Brasil
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2014/09/colonia-agricola-de-pegoes.html
http://www.publico.pt/mundo/noticia/acordos-de-bicesse-falharam-por-falta-de-vontade-politica-das-partes-diz-alto-responsavel-da-onu-25439
https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/2617/1/Trabalho_V2_20121018_V12.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal_na_Primeira_Guerra_Mundial
http://aphes32.cehc.iscte-iul.pt/docs/s27_1_pap.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%A9rcito_Branco
http://www.ligacombatentes.org.pt/portugal_e_a_grande_guerra
http://arepublicano.blogspot.pt/2014/07/bibliografia-portuguesa-da-i-grande.html
https://www.google.pt/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=mortos+na+guerra+do+ultramar+por+concelho
http://jugular.blogs.sapo.pt/2535614.html

http://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/mortos+em+combate