MOÇÃO
PORTUGAL
A ECONOMIA A ESPERANÇA O FUTURO
A
MOÇÃO QUE NÃO FOI AO III CONGRESSO
Humberto
Ventura Palma Baião – Évora – Militante Nº 6085
NOTA INTRODUTÓRIA: Esta moção
foi iniciada e pensada a partir de análises politicas dispersas ao longo do
tempo e com base nas quais tentei antever o rumo e o futuro do partido e do
país.
Naturalmente
observando o comportamento das variáveis determinantes na análise ao longo do
tempo poderemos colher uma projecção ou curva que nos permita fazer um juízo do
seu evoluir.
Sendo por
natureza este tipo de análise sujeitas a margem de erro, útil seria que fosse
lida como atreita a falhas, pelo que deverá ser completada com a observação e
experiência do próprio ouvinte, ou leitor, no sentido de entre ambos
maximizarem o proveito que deste estudo, análise, observação político
sociológica se poderá retirar.
Esta moção não
foi de todo terminada, o facto de saber não vir a poder apresentá-la no III
Congresso, em Coimbra, coarctou-me o desejo de a desenvolver e terminar. Alguns
campos estão menos desenvolvidos do que seria desejável, outros não são de
todo sequer abordados.
Pelo facto
peço a vossa desculpa porém, e atendendo a que oitenta por cento do “trabalho”
está concluído, não será de todo despiciendo publicá-lo, pois a temática nele
abordada devido a qualquer inexplicável infelicidade nem chegou a ser agendada
no referido Congresso.
Tenho
esperança que apesar das nuvens negras que este trabalho pinta, a realidade
futura venha a demonstrar estar eu errado. A quem se dignar perder tempo a ler
e a meditar sobre esta moção que não o chegou a ser, os meus agradecimentos.
1. UM
PASSADO DE TRISTE MEMÓRIA EM QUE NÃO SE MEXEU
1. 1 - É
costume nas minhas análises ao estado da nação procurar no passado a causa de
muitos dos seus actuais males. Tal não significa que o que agora está mal o
estivesse já nessa altura, talvez sim, talvez não, os tempos eram outros e o
país, debatendo-se com o peso orçamental de uma guerra em três frentes, não
parecia ter prioridades nesses campos exigindo-lhe as reformas que hoje, com
uma carência premente mas sempre inexplicavelmente adiadas nos fustigam de modo
inconsequente.
1. 2 - Paulatinamente
irei colocar em evidência campos que deviam ter merecido cuidada e imediata atenção
no pós 25 de Abril, campos onde deviam ter sido promovidas reformas democráticas,
mais que justificadas no campo económico e social. Quanto mais vasculho esse
passado mais absurdo me parece o facto de não termos sequer iniciado nenhuma
dessas reformas, conducentes à igualdade dos cidadãos perante as leis e perante
eles próprios, reformas fatais para a iniquidade que a sua ausência gerou,
reformas que teriam gizado uma forte coesão e solidariedade sociais por força
da igualdade que elas mesmas forçosa e naturalmente gerariam, e que terminariam
com a prática do velho regime de dividir para reinar. Inexplicavelmente hoje,
talvez não tanto inexplicavelmente, dividir para reinar criou raízes e cavou
fundo na nossa sociedade, toda ela dividida e desorientada, basta-nos observar
a esperança de liderança e a sede de reformas com que o CHEGA foi mais que
recebido, surpreendido.
2. A CONQUISTA DO PARAÍSO E A EXPULSÃO DO ÉDEN
2. 1 - A luta irá ser aguerrida e titânica nos tempos
mais próximos, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos bem
instalados, contra a pobreza generalizada que nos morde os calcanhares e ameaça
a todos. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a
iniquidade, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a
que temos direito. Direita e esquerda parecem apostadas em ver qual delas vê
pior, seja ao perto seja longe, e a verdade é que volvidos 47 anos de pacata
democracia nos encontramos não num beco sem saída mas no fundo de um abismo.
2. 2 - Esta
democracia abana há anos, abanando mas não caindo é óbvio que um abanão é mais
que necessário, receio contudo que não venha a passar de um tornado ou furacão,
irá soltar raivas e certamente obrigar a reformas, mas depois esboroar-se-á e
tomará uma dimensão residual por não ter nem estrutura mental nem física
alicerçada em algo mais que uma profunda revolta e sentimento de vingança...
2. 3 - É por isso que a inteligência
lhe faz falta e em muitas distritais e concelhias do Chega ignoram-na (se
propositadamente não sei) ou temem-na
... Tal qual muitos homens temem as
mulheres bonitas ... Eles não sabem que a ignorância mata, ideias, intenções,
ideais, projectos, economias, democracias, pessoas.
2. 4 - Não
basta parecer a mulher de César, é preciso sê-lo, e se o Chega se apregoa diferente
dos outros partidos terá que o demonstrar, que o ser… Mas será ? Há muita
pressa no CHEGA, nele nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da
perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado,
será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? No que me é dado
observar, nem sabe nem vê, a médio e longo prazo perde André Ventura e perderá o
CHEGA.
2. 5 - Faço
análise politica por gosto, para meu prazer pessoal, ao CHEGA faço-as desde há dois
anos atrás, tenho muitas outras elaboradas antes dele e algumas posteriores ao
meu primeiro contacto com este partido, que primordialmente passou a ocupar as
minhas preocupações. São estes pensamentos, essencialmente de há um ano para cá
que aqui sintetizo, têm que ver com análise, com análise politica, mas são
pensamentos que já decorrem da minha vivência e experiência não somente neste
partido, e da observação do seu trajecto, um fenómeno.
2. 6 - Um
fenómeno o Chega, um fenómeno bem vindo e necessário à nossa quietude politica,
mas certa e igualmente eivado dos aspectos negativos que os homens encerram, aspectos
que tento combater colaborando e participando, tentando melhorá-lo através da
minha experiência e prestação, como André Ventura com a dele, e que cada um de
nós possa fazer neste campo o melhor para todos.
2. 7 - Verdade
que o CHEGA polvilha os dias com alegria e populismo q.b. não só para animar as
hostes, mas também para lhes abrir os olhos, porém quando o faz e ante os mídia
cai o Carmo e a Trindade... Esquecem que barraram ao CHEGA o direito ao lugar por
ele conquistado com votos. Claro que o populismo é precioso e preciso nesta
fase em que a comunicação social cerca o CHEGA e nem a publicidade paga lhe
aceita. Ora sucede que toda a publicidade é boa, pelo menos é o que afirmam os
grandes publicitários. Nunca o CHEGA foi tão necessário, pois corporiza um
projecto destinado a mudar democrática e radicalmente Portugal, mudar para
melhor pois para pior já basta assim…
2. 8 - E
por falar em mudar lembrei a nossa Constituição, que apesar de velha, caduca e
limitativa em muitos campos, prevê ela própria os mecanismos constitucionais e
democráticos conducentes a uma mudança de regime, ou a uma mudança dela própria.
Portanto sabei que essa pretensão de AV é mais que legal, é mais que justa e
mais que oportuna. Não nos bastaram 47 anos de regime podre para se concluir
que o mesmo não serve a nação ? Quantos
mais anos e exemplos serão necessários para nos convencermos do óbvio ? A
pretensão de AV para mudar o regime é mais que oportuna, é justa, e mais que
legal, assim o CHEGA consiga congregar numa revisão da dita o número de votos
necessários para dar forma a essa mudança, pois para pior já basta assim...
2. 9 - E
ainda se perguntam alguns como nas últimas presidenciais foi possível ter ganho
o Martelo. Aos parvos ganhou, tem vindo, têm vindo a ganhar sempre, abri os
olhos gentes...
2. 10 - Como
alguém disse uma vez “temos a direita mais estúpida da Europa”, penso ter sido
Miguel Sousa Tavares, que também acrescentou “termos a esquerda mais estúpida
do mundo”. Senão vejamos o que conseguimos em 47 anos em que a esquerda
governou ou no mínimo condicionou maioritariamente os caminhos deste país ? No
mínimo zero, nada, no máximo 47 anos perdidos, um buracão na economia, e na
sociedade uma montanha de dívidas que nem Maomé quererá olhar quanto mais
visitar…
2. 11 - É curioso que decorridos 47 anos de relativa
paz neste país e no mundo não tenhamos conseguido fazer ou fechar um único
negócio de modo ou com saldo positivo. Ora nenhuma empresa, nem nenhum país, se
aguenta ou sobrevive vivendo sobre negócios ruinosos. Somos os últimos da
Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza
e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos tido elites capazes.
3. O PRESENTE E O FUTURO PRÓXIMOS
3. 1 - É
grande neste momento a responsabilidade do CHEGA, já que o partido foi intuído
e aceite como a vanguarda do futuro, cabendo a esse lugar de liderança e de
vanguarda correspondente e enorme responsabilidade, forçosa e normalmente
indexada à liderança.
3. 2 - Digo
isto por ser uma ideia infelizmente assente e generalizada que, em Portugal
terá existido mais democracia que aquela de que hoje fruímos. Porém, nem por
isso as populações, e de entre elas e em especial aqueles com funções
politicas, abandonaram a velha prática do oportunismo, continuando dispostos a
manter o assalto ao poder para manterem ou obterem privilégios que todos
julgáramos eliminados com o advento do 25 de Abril.
3. 3 - Creio
vivamente que o cilindro compressor que avizinho nascer já nas próximas
autárquicas acabará por fazê-los perder o pé, obrigando-os a sair do berço
doirado onde se acoitaram à custa dos sacrifícios de todo um povo, por quem
deviam ter feito alguma coisa, pois lhes sobrou tempo, mas nada mais tendo
adiantado que promessas, a maioria delas por cumprir há mais de quarenta anos.
3. 4 - É
neste contexto de depressão, quebra e queda, moral, económica e demográfica que
surge o CHEGA, para alguns uma ameaça, para a maioria dos outros a esperança.
Para além disso o aparecimento do CHEGA consubstancia em simultâneo a sede de
justiça há muito esperando uma resposta que sempre tardou e antes se agravou,
pelo que agora não há nada mais a fazer que dar corpo a essas justas e velhas
aspirações populares, o bastante para elevar o CHEGA não à terceira mas à
segunda ou, com tempo, a primeira posição entre os partidos do nosso espectro
politico. Uma verdadeira desilusão para quem ainda há pouco exigia ou pedia o
seu fecho e ilegalização.
3. 5 - Temos,
portanto, em Portugal, por cegueira e culpa de partidos julgados donos da
democracia uma situação critica e altamente explosiva que, mal gerida poderá
deitar a perder a democracia por muitos e muitos anos, situação para a qual o
CHEGA deve estar atento, em especial nos maiores e mais populosos ou problemáticos
concelhos.
3. 6 - É
uma questão e um problema a gerir de luvas, com pinças e de mansinho, o CHEGA
terá que fingir ignorar tudo isto sem deixar de lhe dedicar sequer um minuto de
atenção, promovendo a concórdia entre todos no sentido de manter a unidade e a
coesão nacional do país, fazendo cedências se necessário, e evitando
empolamentos a qualquer preço ou a todo o custo.
3. 7 - Dentro de bem pouco tempo será o CHEGA a dar
cartas, ou governando ou aliado de peso num partido que com ele, ou com ele
tenha formado governo. Aos seus militantes, simpatizantes e eleitores
aconselha-se vivamente a que não façam ondas nesta fase da vida nacional, e
aconselham-se sobretudo a sorrir p’ra toda a gente numa atitude de tolerância e
verdadeiro fair play.
Entendem
?
4. A MANUTENÇÃO DA LIDERANÇA E DA PRIMEIRA
POSIÇÃO
4. 1 - Em
primeiro lugar há que tudo saber bem, conhecer é saber, em especial e
profundamente quais os mais prementes anseios e o que querem as pessoas, os
portugueses. Elas ou eles quererão, têm mesmo direito a bem estar social e
material. Ora é aqui que o primeiro degrau de responsabilidade se nos depara,
não se pode distribuir o que não há, e para haver a ECONOMIA tem que funcionar.
4. 2 - As
pessoas primeiro, mas sem falsos pudores ou compromissos, nem demagogia.
Produzir, poupar, investir, amealhar, enriquecer, terão que ser o Alfa e o
Ómega da governação pois só assim poderemos zelar pelo cumprimento dos seus
desejos, das suas justas ambições, portanto, primazia e atenção à ECONOMIA.
Para distribuir há que amealhar, a cada um segundo a sua necessidade, de cada
um de acordo com a sua capacidade, a direitos iguais terão que corresponder
iguais deveres.
4. 3 - Apareçam
de onde aparecerem devem ser acarinhadas todas as iniciativas de investimento,
contudo, e para evitar possíveis dissabores tardios, há que fiscalizar essas
iniciativas e, nesse sentido exigir e responsabilizar quem de tal estiver
incumbido.
4. 4 - Há
que apoiar as autarquias, sejam ou não da nossa cor, são portuguesas e Portugal
e os portugueses devem estar no primeiro lugar. O governo, quer o CHEGA esteja
nele a título de acordo, quer o governo seja seu, e quer num plano regional
quer num plano nacional,
4. 4 . 1 - (usei
propositadamente a palavra plano regional para evitar a palavra região, a
criação das regiões é altamente desaconselhada num momento de forte aposta no
crescimento e controle total do que a nível económico se passar no país, o
momento exige centralização do poder, para além disso o país é pequeno e as
possibilidades de comunicação são hoje surpreendentemente faceis e rápidas, o
que não acontecia ao tempo da génese e desenvolvimento do municipalismo.)
4. 4. 2 - continuando…
o governo quer num plano regional quer num plano nacional,
4. 4. 3 - deverá
pressionar, envidar esforços para por exemplo penalizar quem desviar dinheiro
para os paraísos fiscais, tal como fiscalizar a justeza dos benefícios
atribuídos a milhentas entidades, pois o comum cidadão nunca compreenderá os
complexos mecanismos que actualmente toldam essa transparência e que segundo
ele cidadão, mais não servem que para esconder a corrupção que nos devasta.
4. 5 - Outra
necessidade premente é a de mexer na fiscalidade, tornar o país atractivo para
o investimento privado, nacional ou não, privilegiando claramente investimentos
que envolvam maior criação ou volume de emprego ou que o façam no interior do
país, mas tendo sempre o cuidado de nunca discriminar os nossos em relação aos
de fora, outra situação que o cidadão jamais aceitaria.
4. 6 - O
país é pobre, e para país pobre dá de comer a demasiada gente que além de não
produzir, complica, cria obstáculos, emperra o andamento normal da democracia.
Falo não somente dos deputados, há directores gerais e gente instalada nos mais
diversos locais da governação, havendo por questões de coerência necessidade
vital de reduzir o seu número e a sua perniciosa presença ou exigir-lhes
resultados e competência.
4. 7 - Analisada
a produtividade dos deputados facilmente concluiremos que ao longo dos últimos
47 anos raros deputados se elevaram, isto é se tornaram dignos da função
exercida, o resto andou por ali fazendo número pelo que, à volta de 50
chegariam e sobrariam, mais que isso são inúteis, têm-no sido toda a vida, o
resultado está à vista de toda a gente, a Venezuela no horizonte, quando
países, nações e estados social e economicamente atrás de nós em 74, lembro a
Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não citar os países de leste, e que
estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente avançando como o
caranguejo… Idem para os empatas burocráticos que enxameiam o país, ou
exija-se-lhes competência e responsabilidade.
4. 8 - Olhado
à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora,
transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da
injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de
Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do
maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a
transformar-se num regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir
e derrubou.
4. 9 - A
este regime eu chamaria de regime de parlamentarismo bacoco, já que nesta
democracia de instalados, os parlamentares que lhe deviam dar vida e a deviam
defender e honrar, são na realidade um perigo para o dito órgão e regime.
4. 5 - ECONOMIA,
falemos novamente de economia. Em 47 anos este país não fez um único negócio
proveitoso, 95% da banca já não é nossa, nem 97% dos seguros e, o investimento,
de que precisamos como de pão para a boca, se público ronda há muitos anos
quase o zero absoluto, mas se falarmos do investimento privado pouco mais é que
residual, manifestando-se sobretudo sob formas predadoras e oportunistas.
4. 6 - Como
se equilibram as finanças e o orçamento de um país que vendeu ao desbarato as
suas empresas mais rentáveis ? Onde iremos agora buscar o dinheiro para o
investimento público ? Para aplicar na Saúde, na Justiça, no Ensino, nos
Transportes, na Administração da coisa pública, na Segurança, interna ou
externa, onde ?
4. 7 - Por
muito que desagrade a muitíssima gente, parece termos em André Ventura o único
deputado válido e o único candidato a PM preparado, lúcido, disposto a lutar
pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até
aqui tem acontecido na generalidade com os partidos e parlamentares do sistema.
André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm
propositadamente fechados há décadas.
4. 8 - Lutar
contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que
após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a
André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de
todos nós porque para mal já basta assim.
5. TIPIFICAÇÃO DAS ÁREAS CUJAS REFORMAS PELA RACIONALIZAÇÃO DEVERIAM REMONTAR AO 25 DE ABRIL 74
5. 1 - SAÚDE
– Um
exemplo caricato, resolvido o problema da guerra e dada a independência às
colónias nada justificou nem justifica a manutenção de estruturas de
saúde exclusivas para os militares, o problema dos hospitais deveria ter sido e
ser resolvido unicamente entre o sector privado e o público, sem privilégios
para qualquer um deles. Igualdade seria a palavra de ordem, a qualidade dos
serviços prestados ditaria a preferência do utente. Quanto aos militares,
detentores de muito vagar em tempo de paz, poderiam sem esforço esperar a sua
vez nas consultas, tratamentos ou cirurgias, com uma ressalva, em tempo de
guerra teriam prioridade sobre todos os outros utentes. Assim se evitaria a
duplicação de estruturas e meios físicos, materiais e humanos. Assim se
poupariam milhões e teríamos um SNS capaz, sustentável e dando cobertura a todo
o país.
5. 2 - SEGURANÇA
SOCIAL – Já existiam, e mantiveram-se absurdamente duplicações de
estruturas relativas à segurança social dos portugueses, ignorando-se as
benéficas economias de escala que a sua junção provocaria. Para além do inútil
e inexplicável gasto dos dinheiros públicos que essa duplicação, triplicação e
quadruplicação, senão mais divisões ainda acarretam ao erário público, a sua
mera existência é uma divisão dos nacionais, uns com mais privilégios, outros
com menos, dependendo a sua situação mais da sorte e do acaso que das leis ou
da justiça. Por quê uma ADSE, um SAMS, mais um serviço idêntico na PSP, outro
na GNR / Guarda Fiscal, outro para os CTT, outro para a EDP, outro para os
bancários, outro para os seguros, fora aqueles que nem lembro ou desconheço,
uns para funcionários públicos, outros para o sector privado, uns mais
privilegiados que outros, uns exigindo menos e oferecendo mais, outros exigindo
mais e oferecendo menos…
5. 3 - Por
que não um só sistema, um só serviço, quando recentemente o próprio estado,
gastador e dissipador, forçosamente acolheu o sector bancário surripiando-lhe o
enorme fundo de pensões para se desenrascar e deixando-nos mais um peso para
suportar…O quê ou quem é capaz de justificar estas discrepâncias, desigualdades
e absurdos ? Não são os portugueses todos iguais ante a Constituição ? Então
por que razão permite essa mesma Constituição tais desideratos, não são
eles cultivadores e culpados da
disseminação do gérmen de desigualdades e iniquidades entre nós ?
6. O
ESTATUTO PRIVILEGIADO DO FUNCIONALISMO PÚBLICO
………………. desenvolver
7. HORÁRIO
LABORAL, FONTE DE DISCRIMINAÇÃO NACIONAL
………………………..…. desenvolver
8. AS
LEIS DO TRABALHO, GRANDE NOVELO BEM ENLEADO
8.1 - Um
novelo bem enleado, assim poderemos classificar actualmente a legislação
laboral. Uma salganhada que nem a Autoridade do Trabalho deslinda. Impõe-se por
isso clarificar e agilizar procedimentos, seja nas leis fiscais, seja nas leis
sindicais, mas especialmente na legislação inerente ao trabalho. Quanto a estas
leis, as laborais, há mesmo necessidade de rever toda a legislação produzida,
englobá-la numa só e actual legislação, clara, sucinta, fácil de compreender, e
não manter o actual imbróglio legislativo em que cada um interpreta a
legislação quase segundo a sua vontade e em que o trabalhador, que não é nelas especialista
nem tem um batalhão de juristas trabalhando como assessores, se perde num
labirinto que o convence estar vencido à partida mesmo sabendo encontrar-se
dentro da razão.
9. SINDICATOS
E SINDICALISMO, FONTES DE OPORTUNISMO
9.1 - Há em
Portugal sindicatos a mais. A liberdade da democracia virou libertinagem. Só na
polícia há um número inigualável noutro sector, 16. O mais recente -
Organização Sindical dos Polícias – contava há pouco com 459 dirigentes e
delegados para 451 associados. Uma nova lei para alterar o sistema está no
Parlamento há um ano, mas PS e PSD não se entendem e são precisos dois terços
de deputados para a aprovar.
9. 2 - Segundo
o regime em vigor, cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês para actividade
sindical. Os delegados têm 12 horas. Tudo somado, de acordo com os dados da
Direcção Nacional da PSP, em 2017 o total de 3680 dirigentes e delegados
tiveram mais de 36 mil dias de folga. O impacto na gestão das patrulhas e na
marcação das escalas é um facto assumido por comandantes e a falta de efectivos
é uma realidade.
9. 3 - No
ensino são pelo menos uma dúzia, atropelando-se uns aos outros e naturalmente
gozando do mesmo regabofe de folgas que todos nós pagamos com um palmo de língua
fora. Não me pronunciarei para além destes dois exemplos, apenas sugeria que ao
invés de 16 ou de 12 houvesse apenas um, que a lei permitisse apenas um global
por ramo e, dentro desse que se digladiassem as várias doutrinas e tendências,
presidindo aquela que no quadriénio tivesse vencido as respectivas eleições.
9. 4 - Não
são s sindicatos os representantes das classes trabalhadoras nas suas múltiplas
actividades ou profissões ? Não são eles quem dialoga, discute e estabelece com
os representantes das classes empresariais os acordos que maioritariamente têm
como preocupação fundamental os salários ?
9. 5 - Pois
bem, e além desta quase única vertente, os salários, já houve alguma vez
notícias de que tivessem analisado os motivos pelos quais o subdesenvolvimento
crónico não arreda pé do país ?
9. 6 - Se
tal aconteceu admito a minha ignorância e culpa mas disso não tive
conhecimento, e sou bastante atento ás mais pequenas notícias da comunicação
social. Se aconteceu, isto é se
analisaram esses motivos que concluíram ? Que medidas tomaram para os
contrariar ?
9. 7 - Para
mal dos nossos pecados é vergonhoso que o movimento sindical acorde negociar, e
aprove tabelas salariais cujos valores a maioria das empresas acaba por
superar, pagando salários muito acima dos acordados. Por quê ? Porque se nivela
por baixo… Os sindicatos não hesitam em prejudicar a grande maioria dos
trabalhadores aceitando tabelas salariais baixas, só porque meia dúzia de
pequenas empresas não tem condições para pagar salários mais elevados ?
9. 8 - Se
não têm condições deverão encerrar ? Não farão falta ? Há que observar que
constituem concorrência desleal para as outras empresas aos ser-lhes permitido
dessa forma beneficiar de custos mais favoráveis na produção. Essas empresas não são sinónimo de
desenvolvimento, antes pelo contrário, e a realidade é que mais cedo ou mais
tarde acabam mesmo por sucumbir, prova que não devem ser artificialmente
mantidas.
9. 9 - Mas
o pior nem é isto, no estrangeiro, em especial na Europa, com quem os nossos
sindicatos muito têm a aprender, o sindicalismo é forte e ele mesmo detentor de
empresas, de bancos, de seguradoras, de fábricas, ou de posições e
participações em empresas cujos dividendos aproveitam, enquanto em simultâneo
concorrem para o desenvolvimento e para a manutenção e criação de postos de
trabalho.
9. 10 - Casos tem havido em que têm sido os sindicatos
a tomar posições em empresas condenadas a morrer e que posteriormente fazem
delas petiscos muito apetecidos. Calculem-se os benefícios dessa forma de
actuação, não preciso certamente enumerá-los aqui.
9. 11 - E
por cá ? Contestam-se as dificuldades ou o encerramento de qualquer unidade,
fabril ou não, através de atitudes inconsequentes, sem procurar saber dos
motivos que constrangeram os seus responsáveis a essa posição, tantas vezes
(nem sempre) fruto de factores endógenos a essas unidades, a alterações de
hábitos de consumo, à concorrência de outras marcas mais dinâmicas, à perda ou
extinção de clientes etc. etc.
9. 12 - O
nosso sindicalismo não é nem dinâmico nem inovador, é estático, e também ele
não deu ainda a devida atenção à qualidade dos recursos humanos, à qualidade
dos seus quadros, distraído e enfeudado como tem andado a forças políticas tão
distraídas quanto ele da velocidade a que o mundo roda.
9. 13 - Entretanto cada vez menos trabalhadores hoje
neles confiam, menos se associam, sem que sindicatos e centrais sindicais
deixem de alegremente repetir slogans, manifestos e modelos há muitos
esgotados.
9. 14 - Quando
veremos sentados á mesma mesa, sindicatos e empresários, na busca de soluções
que lhes são por força das circunstâncias comuns e que lhes deveriam há muito
ter dado consciência da ligação umbilical que os une, quando ? Não viram ainda
sindicatos e patronato que o seu percurso é indissociável, que é a sua própria
sobrevivência que está em jogo ? A nossa própria sobrevivência ? Não
reconheceram ainda que já não está nas suas mãos o poder de decidir ? Que é a
nível mundial que as decisões são tomadas e que do impacto desse embate
resultam maiores ou menores estragos consoante a força e a unidade que
apresentarmos ?
9. 15 - Quando deixam os sindicatos de ver na classe
empresarial o inimigo a abater ? Quando deixam de ver em cada empresário um
fascista sem escrúpulos ? E quando deixam os empresários de ver nos sindicatos
uma fonte de problemas ? Um bando de ladrões ? Um grupo de arruaceiros ? Quando
é que ambos tomam consciência de que são parceiros sociais, actores do drama
que liberalização e globalização nos obrigam a encenar ? Claro que nem todos os
empresários são uns santinhos ou todos os sindicalistas um modelo de virtude,
mas o mesmo se pode dizer de qualquer outra classe profissional ou funcionário.
Não confundamos a floresta com a árvore, a excepção com a regra.
9. 16 - Quando
souber que se sentaram à mesma mesa, sindicatos, associações patronais e empresariais
e outras entidades com responsabilidades no nosso desenvolvimento ficarei
feliz. Começará finalmente a compreender-se que só a união de esforços e a convergência
de opções estratégicas poderão contribuir para a obtenção de resultados que a
todos interessem. É que há tantos campos em que parcerias entre todas as partes
envolvidas podem ser trabalhados, e que são caminho possível para que Portugal
possa emergir do marasmo em que sucumbiu que não podem ser descurados.
9. 17 - Já
agora, a titulo que conclusão, porquê a simbiose nada aconselhável, que se tem
verificado ao longo de anos entre as posições dos vários órgãos do poder local,
ou nacional e os sindicatos? Que procuram ? Que ganham com isso ? Que perdem ?
Não são os seus papéis distintos ? Nunca ouviram dizer que trabalho é trabalho
e conhaque é conhaque ? Nunca lhes passou pela cabeça que nem todos os
trabalhadores comungam das mesmas opções políticas ?
10.
RENDAS E ALUGUERES VERSUS HABITAÇÃO PRÓPRIA
10. 1 - Mui
justamente uma das palavras de ordem do 25 de Abril, “pão, paz, habitação” em
especial no que à habitação concerne, um dos problemas que ora estamos a
sofrer, teve o seu corolário com a ocupação ilegal de casas devolutas, as
designadas ocupações selvagens feitas a torto e a direito, submetendo a sociedade
a enorme pressão que antiga e justa sede de justiça, sede de democracia, sede
de habitar uma casa e a necessidade que estas premissas se cumprissem ditou,
sem que contudo o estado se tivesse debruçado sobre o problema e muito menos
legislado em conformidade.
10. 2 - A
virtude do equilíbrio entre a procura e a oferta foi deste justo modo
violentamente alterada, e mais o foi ainda quando retornaram à metrópole
quinhentos mil portugueses fugidos das ex colónias ultramarinas, o
desequilíbrio foi tão gritante, a falta de habitação tão pungente que o prato
da gigantesca procura elevou o da exígua oferta de tal modo que as rendas
subiram astronomicamente, respondendo naturalmente à exorbitante falta de
habitações sentida e ao desalvorado nível que a procura alcançou, tornando a
habitação um achado precioso...
10. 3 - Neste contexto o estado foi, pela pressão das
circunstâncias obrigado a legislar, mas fê-lo da pior maneira possível,
congelando as rendas, mantendo-as obrigatória e artificialmente baixas,
agravando um problema que já era sério e viria nas décadas futuras a prejudicar-nos
a todos. Com as rendas congeladas quem investiria na habitação ? Quem retiraria
delas, habitações, rendimentos para a manutenção das existentes ou um
pé-de-meia para futuras construções ? Ninguém, o estado que resolvesse o
problema, o que ele estado fez, mal e porcamente como se diz por aqui, através
sobretudo da habitação cooperativa de custos controlados e da oferta de casas
de rendas sociais. Duas boas medidas, excelentíssimas, caso não tivessem pecado
por insuficiência.
10. 4 - A
situação chegou a atingir o caos, o desastre, e só não redundou em desgraça
maior dado o elevado custo dos novos arrendamentos, já então elevadíssimos,
facto que tornou compensador ou preferível comprar uma casa com recurso ao
crédito bancário, não tendo a ninguém ocorrido que estávamos uma vez mais
saindo da lama para nos metermos num atasqueiro. Começara por essa época o
triste hábito de não pensar o país, não o pensar a longo prazo, nem a médio nem
sequer a curto prazo, como não analisar quer a montante quer a jusante o efeito
das leis que iam sendo elaboradas. Com o fascismo, que caía, erguia-se a
democracia mas também o improviso, o imediatismo, a irresponsabilidade e a
ignorância.
10. 5 - Para
fazer face ao afluxo de solicitações de crédito a banca nacional foi lá fora
endividar-se, “ignorando” (?) que esse endividamento só a longo prazo seria
amortizado, “ignorando” estar o crédito sendo afectado sobremaneira ao sector
da construção, “ignorando” outras áreas do sector produtivo quiçá mais
proveitosas de desenvolver que a simples construção civil. Cegamente passou a
medir-se o crescimento do país pelo número de habitações licenciadas e pela
tonelagem de cimento produzido, esquecendo a economia a fulcral área dos bens
transaccionáveis e passiveis de exportação. Donde e quando foram exportadas
habitações ? E quantas ?
10. 6 - Desregulada
a economia, passámos de um deficit de 700 mil casas em 1977 para um superavit
d’outras 700 mil em 2016, mas estranhamente este desequilíbrio não afectou o mercado
imobiliário, devia ter afectado mas inexplicavelmente não afectou, nem as
rendas desceram nem o preço das casas caiu. Portugal mantém assim a sua
velhíssima peculiaridade de estar blindado contra os altos e baixos do mercado,
não é só a gasolina que sobe sempre e apesar do custo da matéria-prima baixar
nos mercados internacionais.
10. 7 - E
por falar em petróleo, gasolina, automóveis, direi também que a prática
generalizada da opção pela compra de casas ao invés da criação dum verdadeiro
mercado de arrendamento, naturalmente forçou os senhorios a optar por construir
para vender. Dizia eu que essa opção pela compra minou duas coisas, a primeira
foi retirar dinheiro dos bolsos dos casais recém-formados que dessa forma não
puderam ajudar o desenvolvimento de outras industrias por falta de poder de
compra, ganha-se para a casita, para o carrito, para comer e pouco mais, chapa
ganha chapa gasta, a segunda foi a morte da mobilidade do operariado.
10. 8 - O
facto de ter ficado “amarrado” à compra de uma casa impede hoje que
trabalhadores do sul, “amarrados” aos seus contratos de compra e venda, às suas
casinhas, não possam deslocar-se livremente para o norte a fim de preencheram
vagas de emprego ali surgidas e vice – versa. A menos que vendam a sua casita
de um dia para o outro e com a riqueza e mais-valias efectuadas consigam passar
férias em Bali, comprar um Ferrari, ou dois, e uma outra casita no lugar para
onde irão… Só lirismos... Tivessem os governos fomentado a opção pelo
arrendamento e cada casal seria livre de habitar onde desejasse, e talvez
pagasse menos por uma renda que pagaria por uma prestação…. Mas o senhorio é
tradicionalmente um facista não é ? Já o banco é um amigo….
10. 9 - Entretanto
a banca, engordada e endividada lá fora, com uma divida colossal amortizável a
trinta anos, ao primeiro sinal de crise e de desemprego penhora a casa aos
desgraçados que ficaram sem ele, ele trabalho, inocentes a favor de quem
ninguém na AR se ergueu a defender. Fizeram-no recentemente mas somente em
relação às penhoras do fisco. Na democrática Holanda enquanto estiver
desempregado o estado assume os encargos com o pagamento de rendas ou a
prestação da casa e do carro, sim é solidariedade, por cá é o estado que lha
tira e persegue o desgraçado com ameaças fiscais até muito depois de ter ficado
sem a casinha se por acaso o IMI ficou por pagar. Ora a juventude, que não é
parva de todo pura e simplesmente foge deste país de agiotas que contudo e
tratando-se deles mesmos se abotoa, como vimos regularmente na AR em relação ao
financiamento dos partidos.
10. 10 - O
que a maltinha não sabe é que para Salazar, o tal bandido das costas largas, a
casa era sagrada, embora eu deva recordar aqui uma das máximas salazaristas,
"a política é para os políticos" dogma que automaticamente autorizava
a PIDE a entrar a quaisquer horas na casa de quem não pertencesse ao bom povo
trabalhador. Fora este nada despiciendo pormenor a casa, a habitação familiar,
era lugar sagrado e quer inquilino ou comprador quer senhorio ou banco, tinham
direitos e deveres que nenhum se atrevia a pôr em causa porque a casinha era
mesmo sagrada, relembremos "Deus, Pátria, Família" e nem a banca a
tiraria, se não quisesse correr riscos não tivesse concedido crédito. Nem o
banco nem as finanças dispunham de leis que lhes permitissem abrir mão dos
desaforos e criar os dramas que esta democracia tem permitido, porém ai de quem
incumprisse pois se havia direitos também havia obrigações, havia direitos sim,
muitos mais direitos que hoje, e deveres, deveres, coisa que hoje ninguém
parece saber que seja, nem querer saber. Hoje nem há deveres nem há vergonha,
nem responsabilidade, nem competência, tema para um outro capítulo.
10. 11 - Perguntamo-nos
hoje se tantas imobiliárias são necessárias, claro que são, prestam um serviço,
não tantas quantas há mas são necessárias. Quem venderia os milhares de imoveis
que a banca financiou e tirou aos portugueses ? Quem promoveria a justiça e a
injustiça ? Sim porque por trás de cada casa penhorada há um drama, e por cada
casa vendida barata em leilões ao desbarato existe uma boa oportunidade de
compra, ou um oportunista ? Empobrecem-se uns para enriquecer outros. Quantos
pobres são necessários para fazer um rico ?
10. 12 - As
imobiliárias são necessárias, intermedeiam, prestam um serviço, mas não
esqueçam, não produzem, nem um tijolo, uma janela, uma porta, as Caldas da
Rainha ao menos produzem, outra loiça, a AutoEuropa produz carros, as adegas
vinhos, mas as imobiliárias mexem em dinheiro, de uns para outros, nada se
cria, nada se acrescenta, nada produzem, apenas aproximam interessados em
vender de interessados em comprar, são um elemento imprescindível e funcional
do mercado, mas não façamos confusões, nem Sócrates o melhor comissionista da
história conseguiria aguentar um país à base de comissões.
10. 13 - Vivemos
num mundo de faz de conta, de ilusão, em que a banca, asfixiada com o crédito
mal parado e as chamadas imparidades mais parece um presidente de câmara
lançando comissões, derramas, taxas e taxinhas sobre tudo e sobre nada. Quem
casa quer casinha, mas parece-me que quem quer casar primeiro desanda daqui,
emigra, vende a casinha se a tem, ou se ainda a tem ou nem chega a comprá-la, e
que mal faz ? A banca agora nem é nossa já, nem nada é nosso já, não demora que
nem precisemos de emigrar, seremos emigrantes e explorados na nossa própria
terra e tudo isto será deles, já é deles, dos outros…
11.
LIMITAÇÃO DE GASTOS COM RECURSOS HUMANOS
11. 1 - Muitas
vezes tenho lido no jornal da minha terra, e não somente nesse, loas ao poder
local por este constituir um empregador privilegiado na região e sem o qual
muita gente não teria o seu ganha pão ao fim do mês. Nuca vi maior asneira. O
poder local, mormente o funcionalismo público são um serviço necessário, como o
é o ensino, a justiça, etc. Não podemos passar sem eles pois são serviços
fundamentais numa sociedade organizada e evoluída. Porém contraponho eu, quem
me dera que, a título de exemplo, na justiça passassem a vida inteira sem
bulir, seria sinal de que a sociedade atingira a perfeição e não se
manifestavam nela quaisquer conflitos.
11. 2 - Infelizmente
tal nem sempre é assim, são serviços necessários mas não directamente
produtivos, em teoria poderíamos até dizer que nada produzem, daí que o recurso
aos mesmos deva ser pautado por contenção. Um exemplo, em cada concelho nunca
foi legal e acertadamente convencionado, ou indexado, o volume máximo
autorizado a orçamentar quanto a gastos com recursos humanos, e como tal e é
hábito, a legislação é muita, dispersa e contraditória, dando para a sobrinha,
o primo, a amiga, a amante, a mulher do tio, a esposa, a afilhada, o boy
recomendado, etc etc etc …. Deve acabar-se com esta prática, que nem por isso
coopta os melhores, antes pelo contrário, e desmotiva os que já lá estão e não
pertencem nem à família nem ao partido….
12.
LAY OFF E IGUALDADE NA SITUÇÃO DE DESEMPREGO
12. 1 - Pouca
gente se lembrará ainda da origem do estatuto do trabalhador do estado, vulgo
funcionário público, e do contexto que esteve na sua origem logo após o 25 de Abril.
Resumindo, 90% dos funcionários terão teoricamente mantido os seus postos e
lugares, sendo-me impossível não mencionar os saneamentos de que por razões
politicas alguns funcionários, com incidência nos quadros médios e superiores
foram alvo durante esse quente e triste período politico. O estatuto do
funcionário público vem colocar ponto final nesses abusos e proteger todos os
funcionários, por igual pois todos tinham transitado do Estado Novo para a
Democracia, logo seriam coniventes com o fascismo, veio protege-los do
revanchismo das gentes mais à esquerda no espectro politico e mais à esquerda
ainda no que respeita ao siso e ao tacto.
12. 2 - Ora
essa conjuntura teve vez e apogeu há quase 50 anos, o estatuto defendeu quem
precisava ser defendido de abusos e de abusadores, estabilizou a função
pública, trouxe tranquilidade aonde a não havia, e as décadas foram-se passando
e o estatuto ficando, sendo esquecido, como é hábito em Portugal.
12. 3 - Nada
justifica agora a existência desse estatuto, aliás percursor inadvertido duma
classe privilegiada, manipulada pelos sucessivos governos, privilegiada em
relação aos seus pares do sector privado, quando a intenção inicial tinha sido
precisamente mantê-los a par em igualdade de circunstâncias. O funcionário
público goza hoje de privilégios, maiores ou menores, que o colocam
injustamente acima precisamente daqueles que se esforçam para lhes pagar os
vencimentos mantendo as desigualdades, os contribuintes do sector privado.
12. 4 - Se é
justiça que se procura neste país o estatuto do funcionário público não tem
razão para continuar, razões haverá sim para os equiparar, sector público e
sector privado, e equiparar em todos os aspectos possíveis, categorias,
classes, vencimentos, horário laboral, férias, leis do trabalho etc etc etc Não existem já as razões que há quarenta e tal
anos justificaram a sua especial protecção, pelo contrário, agora o esforço
deverá recair sobre a igualdade, ou não somos todos filhos da mesma pátria ?
12. 5 - Portanto,
inclusive os regimes de trabalho e a falta dele devem ser equiparados, aliás
devem acabar as instituições para uns e para outros, uma instituição para
todos, a mesma, vencimentos iguais, salários iguais, descontos iguais, igual
Segurança Social e igual Subsidio de Desemprego.
12. 6 - Mas
para haver Subsidio de Desemprego é preciso existir a condição de desempregado,
coisa que no estado é impossível, o estado, qual galinha mãe, acolhe todos o
tempo todo, mas à custa de quem ? E se o trabalhador do sector privado está
sujeito a desemprego, e ao regime de Lay Off, por que não o está do estado ?
Uns são filhos da mãe e outros filhos da p..… ? Quando no estado não se
justificar o excesso de funcionários por que não resolver o problema do mesmo
modo que o faz o sector público ? O sentimentalismo só funciona numa direcção ?
Independentemente da discussão moral que o tema possa suscitar, não é esse o
fito desta moção, não sou padre, nem psicólogo, nem filósofo, sou um
pragmático, um prático. E se sujeitos a Lay Off quem sabe se eles seriam mais
lestos a dar respostas aos nossos problemas, nossos, de nós que estamos fora da
bolha protectora do estado mas a alimentamos como nosso suor e lágrimas ….
13.
SOCIEDADE
PORTUGUESA, UMA SOCIEDADE SEM COESÃO
13. 1 - Nos
últimos tempos vividos, os atropelos à democracia, a parcialidade manifestada,
a falta de isenção de decoro e respeito por eleitores, contribuintes, espectadores
e Tutti quanti, têm-me conduzido a profícua meditação.
13. 2 - Da
ditadura de Salazar passámos à ditadura dos instalados, Portugal padeceu até 74
com a oligarquia instalada no poder cuja história conhecemos, mas volvidos 47
anos temos nas mesmas cadeiras elementos ainda piores. Dantes sofríamos os
desagravos de uma cabeça uma sentença, hoje os desatinos de cem cabeças e de
cem sentenças. Entre uma e outra opção venha o diabo e escolha.
13. 3 - Os
instalados de hoje contra os instalados de ontem, porém estes comem mais,
roubam mais, estragam mais e fazem menos, muito menos. Que fizeram de positivo
para além de 47 anos de negócios ruinosos ? Para além da venda do país a pataco
? Para além da traição da alienação de sectores estratégicos ao estrangeiro ?
Para além de toda a injustiça, incompetência, irresponsabilidade e corrupção ?
13. 4 - Portanto, e quando todos parecem dispostos a
tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a
força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!
14.
UM
HORIZONTE SORRIDENTE, MAS COM ALGUMAS NUVENS
14. 1 - Tenho
observado o CHEGA desde que apareceu. Surgiu rápido e crescendo depressa, creio
não me enganar se lhe prognosticar uma votação considerável no próximo acto
eleitoral.
14, 2 - Portanto
o CHEGA chegou, encontrou o seu lugar entre uma abstenção composta
maioritariamente por desiludidos com os partidos do sistema, os tais partidos
instalados, acomodados e incapazes de mudar, um nicho de eleitores
considerável, perto dos cinquenta por cento do eleitorado. Mas será o CHEGA
capaz de crescer, de os convencer e manter a todos ?
14. 3 - Surripiando
votos quer aos desiludidos, quer aos partidos instalados, quer aos
abstencionistas convictos e descrentes, o CHEGA cresceu depressa e mais
depressa ainda subiu nas sondagens mas, há sempre um mas, quantos mais desses
eleitores virá com o tempo a conquistar, a convencer, a fidelizar ou a perder ?
14. 4 - É
certo que cresceu depressa, mas as pressas por vezes dão em vagar, o CHEGA por
mor da pressa com que se guindou à celebridade cresceu desorganizadamente,
atabalhoadamente, pisando muitas vezes os princípios que diz defender e não
cuidando de acautelar a democracia interna, democracia que portas fora diz
querer vender-nos. Tenho observado cuidadosa e acauteladamente o seu percurso,
o caminho trilhado e, neste momento diria que o meu prognóstico apontaria para
o arame, para a balança ou seja quanto a mim o CHEGA é neste momento mera
atracção circense balanceando perigosamente no arame e alvo de potentes
holofotes.
14. 5 - Manipulando
causas fortes e fracturantes de grande efeito mediático, mobiliza as suas
hostes mas não toca fundo nos reais problemas do país, ou se toca fá-lo pela
rama, nem sempre apresentando as melhores soluções, como no caso da TAP acerca
da qual afirmo há muitos anos que dada, oferecida, seria cara para quem ficasse
com ela e, se assim já era há anos, o tempo confirmou o dito. O recém-chegado
CHEGA não pode limitar-se a perseguir, secundarizando e secundarizando-se, a
agenda conjuntural do governo, dos mídia, da esquerda ou da direita e
atiçar-lhes os cães danados, o CHEGA tem que propor medidas estruturais de
vanguarda e solução para os problemas que compõem o desastre da nação.
14. 6 - Nem
o CHEGA pode ser o partido de um homem só. André Ventura e o CHEGA são
inseparáveis e indispensáveis mas não chega, o CHEGA não pode ser um partido de
breve crescimento e breve existência, como aconteceu com o PRD de Hermínio
Martinho, o CHEGA tem que chegar longe porque lhe cabe uma missão quase
impossível, pelo menos jamais possível de ser levada a cabo pelos partidos do
sistema que à saciedade nos demonstraram não estar interessados em fazê-lo mas
somente neles mesmos apostarem ou por eles mesmo fazerem.
14. 7 - Correu
o CHEGA atrás da inútil causa da esquerda, da agenda da esquerda e do racismo,
tendo convocado para tal uma manifestação a decorrer debaixo desse tema. É uma
causa perdida, não há racismo em Portugal, nunca houve, isso é coisa dos States
e da África do Sul, nós temos focos de violência rácica pontuais, choques
localizados, não existe entre nós uma doutrina ou prática racista generalizada
e, queixas apresentadas por pretos são-no igualmente por brancos, são problemas
do país, radicam no caminho para a miséria que trilhamos, pretos e brancos, e
não em quaisquer animosidades de cor contra cor ou de raça contra raça.
14. 8 - Quanto
a uma estratégia de crescimento sustentado do CHEGA diria que tarda em chegar,
os sound bites lançados até agora têm mobilizado o seu eleitorado básico e
instintivo, de revoltados a desiludidos, têm sobretudo apelado à classe baixa,
a que mais sofre com os males da desgovernação que há décadas tomou conta do
governo da nação. Não vejo o CHEGA preocupado com os problemas estruturais do
país e que possam mobilizar a classe média e alta, sabido não podermos
sobreviver sem elas, sabido quão elas têm sido também cilindradas pela
estupidez que tomou assento no parlamento, nos ministérios, direcções gerais e
tutti quanti nos desgoverna.
14. 9 - O
percurso apressado do CHEGA não está a permitir-lhe construir alicerces sólidos
nem a prometê-los, ao invés disso está a acicatando as tropas de combate, carne
para canhão que lhe garantirá uma vitória ou duas, dois ou três anos de
sucesso, mas nunca lhe conferirá solidez para se manter confortável nas
sondagens e no poder, criando mesmo um risco acrescido de, entre classe média,
média alta e alta, cavar ainda mais fundo a generalizada descrença nelas
existente.
14. 10 - A
fasquia terá que ser colocada mais alta ou o CHEGA não passará da colheita do
breve benefício do populismo, populismo que não de todo erradamente tem vindo a
ser acusado. Sobretudo não pode continuar sendo o partido de um homem só, terá
que convencer, não aliciar mas convencer intelectuais, artistas, académicos,
cientistas, investigadores, professores, enfermeiros, carpinteiros,
serralheiros, empresários, quadros médios e superiores, e não pode acudir
automaticamente a todas as causas pontuais mas dedicar-se sim a problemas
globais, estruturais, dando de si uma imagem sólida, eficiente, capaz,
responsável, íntegra, e gerar confiança, no futuro, nos portugueses, em
Portugal. Nem tão pouco deve acudir ou lamentar a falta de autoridade mas
exercê-la, sem medo, quem tem medo compra um cão, e exercê-la é fazê-la
cumprir, nem que para isso tenha que distribuir bastonadas à direita e à
esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos.
14. 11 - Abracei
o CHEGA mas, em demasiadas situações não me sinto identificado com as suas
posições nem com algumas atitudes de militantes seus, de topo e de base,
deixando-me por vezes mesmo desconfortável, diria que envergonhado pois quanto
a mim o ser humano há muito abandonou as cavernas e, se o adjectivo sapiens que
caracteriza hoje o homo significa alguma coisa, é tempo do CHEGA demonstrar a
todos que essa sapiência é também uma sua particularidade, quando não será mero
epifenómeno e daqui a meia dúzia de anos esquecido para ser meramente lembrado
a título de anedota.
14. 12 - Por
favor, chega, não me envergonhem, dêem-me causas nobres pelas quais combater,
causas pelas quais valha a pena bater-me, batermo-nos, causas que devamos defender,
basta de pão e circo, chega de jogos de coliseu.
15.
UM
PROGNÓSTICO FUTURISTA E PESSIMISTA
15. 1 - Não
desejando que a este prognóstico / resumo, sim porque de uma resenha de tudo
quanto atrás foi dito lhe poderemos chamar, a realidade é que a actual situação
vivida em demasiadas distritais e concelhias. Nelas e um pouco por todo o país
são declarados focos problemáticos que, quer queiramos quer não fustigam o
Chega por umas tão graves quão negativamente simbólicas nódoas, ou não fossem
elas dificílimas de “limpar”.
15. 2 - Todas
estas imagens negativas que o Chega vem inadvertida mas infelizmente
alimentando são devidas a um deficit de democracia, de imparcialidade, de
isenção e de inexperiência politica que pontifica entre o pessoal dominante nos
órgãos que atrás citei.
15. 3 - Com
ou sem eleições à porta a fasquia deverá ser colocada muito mais alta ou o
CHEGA não passará da breve colheita de um flash instantâneo. Nas próximas
eleições autárquicas preconizo-lhe pelas razões citadas uma ascensão fulgurante
que, contudo e pelo que disse não passará provavelmente dum breve flash, dum vago
e ilusório benefício e de um ainda mais curto momento.
15. 4 - Esses
militantes, fiéis, seguidistas mas inexperientes na coisa política, ocupando como
certamente irão ocupar assembleias municipais e presidências de câmaras de
norte a sul com gente impreparada, farão surgir centenas senão milhares de
impugnações originadas p’los seus precipitados, impulsivos, irreflectidos e
transviados actos administrativos com a chancela Chega, as quais não somente encherão
tribunais, mas sobretudo inviabilizarão o normal funcionamento de quaisquer
autarquias, resultando dessa vitória a apreensão pelos eleitores de que os
quadros do Chega não estão preparados para a função, resultando a sua acção
mais perniciosa que benéfica para os concelhos. Oposição e mídia juntar-se-ão
no coro de denúncia e protesto, fazendo com que gradualmente os mesmos
eleitores que no Chega tinham votado passem a retirar-lhe os mesmos votos que
tinham impulsionado a ascensão do partido.
15. 5 - Esfumar-se-á
lentamente a tal vitoriosa curva ascendente, a qual em pouco tempo irá guinando
no sentido duma outra curva de natureza bem diferente, de trajectória descendente
e acusando a diluição dos votos, da confiança perdida e concomitantemente do gradual
declinar do poder do Chega.
15. 6 - Muito
dificilmente o Chega recuperará duma queda assim, nenhum populismo lhe valerá
nem poderá continuar sendo o partido de um homem só. Só então AV verá com pesar
de nada lhe ter servido andar a correr para assim se estampar, terá que
redobrar de esforços para voltar a convencer, não aliciar, mas convencer
intelectuais, artistas, académicos, cientistas, investigadores, professores,
enfermeiros, carpinteiros, serralheiros, empresários, quadros médios e
superiores, e a todos aqueles de que não se soube em devido tempo rodear. Com a
pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André
Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre, tem uma agenda
preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde, amanhã e depois de
amanhã, mas não tem um minuto de descanso, não pára, não tem tempo para parar e
ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente deflagram atrás de si.
15. 7 - O
problema é de justiça, o pessoal, a populaça, anda sedenta de justiça, e o
Chega aproveitou para montar essa sede e transformar-se num rolo compressor,
num cilindro justicialista, vai daí soltou todos os demónios da sua tropa
fandanga esquecendo-se de que lhe será muito difícil ou mesmo impossível voltar
a encerrá-los na lamparina. O país vai estar uns anos não diria desgovernado
mas reformando-se aos encontrões e tropeções, o país será alvo não de um Tsunami
reformista originado pelo Chega mas por um verdadeiro arrastão que tudo levará
cegamente na sua frente.
15. 8 - As
culpa desta passagem cronológica do que será a nossa história futura ? Será dos
mesmos de sempre, os partidos do sistema que, travando reformas que há muito
deveriam ter sido tomadas criou as condições pra que agora o sejam sem
quaisquer travões. Vai haver justiça, vai haver reformas em catadupa, o país
vai mudar, o país vai sofrer mas as reformas vão fazer-se. Atabalhoadamente,
mas far-se-ão, vamos ter pelo menos uma década de revolução e reformas, vai ser
a nossa Revolução Cultural à moda da China, vinganças, mesquinhices, ajustes de
contas, delações, falsas ou não, disse que disse e bufaria vão ser o pão nosso
de cada dia.
15. 9 - Não
é o facto do Chega ser de direita ou de extrema direita que nos deve preocupar,
isso são aliás denominações caducas, ultrapassadas, deveremos sim preocupar-nos
por o Chega ter feito da ética letra morta e seguido as pegadas de Teresa
Guilherme que afirmou não me lembro já onde nem quando “ não dar a ética de
comer a ninguém” … Pois não, mas também não lhe tira a comida da boca…
15. 10 - Avizinham-se
tempos conturbados. O recuo na disciplina de filosofia no ensino secundário,
efectuados há uns bons anos, vamos pagá-lo agora às mãos de gente sem
princípios, sem valores, enfim, às mãos de uns amores…
15. 11 - O
partido irá arrepender-se de não se ter dedicado em tempo útil a causas e
problemas de natureza estrutural, a problemas globais, económicos e outros, o
que teria dado de si uma imagem sólida, eficiente, capaz, responsável, íntegra,
e que teria gerado confiança no eleitorado e no futuro aos portugueses. Devia
tê-lo feito, nem que para isso tivesse sido ou se mostre necessário distribuir
bastonadas à direita e à esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos mas
vincando a garantindo a autoridade e a justiça, a igualdade e uma democracia
musculada. Não o ter feito, não ter cuidado de tal desiderato irá sair-lhe
caro.
Como diria Shakespeare se
fosse vivo. ”Tanto barulho para nada” …
E tanta correria para nada
digo eu.
15.12 - Repito, há muita pressa no CHEGA, demasiada
pressa, aqui nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da
perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado,
será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre,
tem uma agenda preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde,
amanhã e depois de amanhã, não tem um minuto de descanso, não pára, não tem
tempo para parar e ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente
deflagram atrás de si.
No
que me é dado observar, nem sabe nem vê, perde André Ventura e perderá o CHEGA.
Caminhamos mal….
NOTA. SE GOSTASTE PARTILHA ESTE TEXTO COM AS TUAS AMIZADES, AJUDA-AS NA ANÁLISE CRÍTICA, A ESCLARECER POSIÇÕES E CLARIFICAR ASSUNTOS.






