quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

673 - ANDRÉ VENTURA A PRESIDENTE !!


Mau grado as falsidades e alarvidades que sobre ele têm sido ditas, André Ventura foi considerado pela imprensa o dirigente político com a melhor formação de entre todos eles, incluindo os passados. Para além dele e da sua notoriedade, devido à grande aceitação e ao rápido crescimento do partido que lidera, não tem havido tempo nem existem ainda sólidas estruturas implantadas nem houve oportunidade para separar o trigo do joio. Porém fixemos isto, os partidos do sistema não têm neste item nem autoridade nem superioridade moral para criticar André Ventura.  

Já quase toda a gente aceitou, ou crê, que os partidos existentes e ligados a um sistema com mais de quarenta anos, albergam no seu seio máfias de indivíduos e grupos bem conhecidos de todos, articulados e apostados em levar o país à falência, roubando quanto podem, e feito de todos nós gato sapato e parvos. Isso incomoda-me. André Ventura ainda não me prejudicou num tostão, todos os outros são responsáveis por prejuízos ou roubos de biliões, biliões repito, que todos andamos pagando e havemos de pagar com língua de fora durante os próximos trezentos anos...

Daí que André Ventura e o CHEGA vejam as suas ideias e programa serem cada vez mais populares, e gozarem de cada vez maior compreensão e aceitação por um número crescente de portugueses totalmente desiludidos com o velho e demagogo sistema, em que os partidos se julgam donos disto tudo e vêm debitando demagogia há 46 anos, sem demonstrarem estar minimamente interessados a cumprir com o que há décadas nos prometem.

Da polémica TAP à velhinha EDP, ao BESCL, ao BPN, etc. etc. por mor de todos eles enterrámos milhões para nada, milhões que foram simplesmente queimados, ou roubados. Em todos os negócios em que nos metemos perdemos dinheiro, biliões, porém já nada é nosso. De tal modo errámos que hoje nada é nosso, nenhuma grande empresa pública, nem seguros, nem banca, nem correios, nem telefones, nem as terras, nem as estradas, nem as pontes, nem portos nem aeroportos.

 É difícil gerir tão mal, é difícil fazer pior, não nos temos governado, temo-nos desgovernado de há 46 anos para cá. 46 anos em que perdemos oportunidades, mas ganhámos falta de transparência e corrupção, é tempo de dizer basta é tempo de dizer CHEGA. É este o progresso que os partidos do sistema têm para nos apresentar, e é em mais do mesmo que desejam e esperam venhamos a votar.

A verdade é que a nossa situação, em linguagem económica regista há mais de 20 anos um crescimento negativo e acumulámos uma dívida astronómica. Eu diria mesmo um sólido crescimento negativo e uma dívida que nos estrangula. Mas é com eufemismos destes, crescimento negativo, que todos os dias nos enrolam, e todos os dias governantes e deputados se enganam a eles mesmos. E tu ? Queres mais do mesmo ? Se queres mais do mesmo, vai votar nos mesmos !

Ainda há poucos dias Marcelo se dizia humanista, humanista e presidente de um estado social... E o país na trampa... A pobreza mordendo-nos os calcanhares, a juventude emigrando por falta de oportunidades cá quando é sabido que um país sem jovens é um país sem futuro. Biliões enterrados em bancos, as pessoas sem empregos e a maioria sem subsídios, paulatinamente ficando sem as suas casas, sem os seus bens, sem os seus carros, só dramas, e a terem que fugir do seu próprio país para não serem presas por dividas ao fisco e á Segurança Social.

A pobreza persegue-nos e Marcelo é presidente de um país onde já nada é nosso, onde os sem abrigo são agora mais, muitos mais do que quando prometeu acabar com eles. Marcelo é o presidente dum regime podre de que é o garante, mas promete-nos mais do mesmo.

Que pensar dum homem de direita esperando ser eleito p’la esquerda ? Que pensar de um homem que traiu princípios éticos conservadores e liberais traindo o seu eleitorado natural e que sacrifica à esquerda a vaidade pessoal a fim de ser eleito a todo o custo ? Que carácter tem um homem assim ? Que direita é esta que o aplaude ?  

E que esquerda é esta que engole sapos por falta de candidato capaz e credível ? Por falta de obra, por falta da qualidade de vida e do bem-estar que não foi capaz de nos proporcionar e nos encaminha para uma final na Venezuela  ?

Direita e esquerda falharam rotundamente em Portugal. A direita por se ter acovardado após a morte de Sá Carneiro e ter-se demitido de defender os seus valores tradicionais. Durante décadas à nossa economia não foi dada qualquer atenção, nenhuma mesmo e afundou-se. A direita calou-se e a esquerda iludiu-se, juntos, esquerda e direita afundaram a nossa economia. Imersos em intrigas políticas não cuidaram de Portugal nem dos portugueses nem do futuro. Não cuidaram de criar empresas, investimento, inovação, oportunidades, riqueza. Não cuidaram de criar sólidas qualidade e condições de vida.

Impõe-se uma alternativa, nem direita nem esquerda, mas uma terceira via que acabe com o reboliço e meta ordem neste país. Um país que literalmente mandou embora os nossos jovens, obrigados a emigrar. País onde as finanças ou a banca “apanham e penhoram” casas a seu bel prazer não é um país. Um país zela pelos seus, nem Salazar deixou de considerar sagrado o domicílio de cada um, de cada família. Talvez André Ventura seja agora o homem providencial* de que tanto se fala e, diz-nos a estatística, homens providencias só surgem de cinquenta em cinquenta anos.

CHEGA de rebaldaria, André Ventura à Presidência da República, para isso, minha cara amiga, meu caro amigo, vamos ajudar ANDRÉ VENTURA a ganhar A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA porque:

É óbvio que André Ventura é o melhor candidato, mas também porque não poderemos desperdiçar esta oportunidade de, candidatando-o à presidência ficarmos a ganhar por vários motivos todos eles válidos, vejamos;

1 – A candidatura de André Ventura vai obrigar a “baralhar e a dar de novo”, a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa deixa de ser “um ovo no cu da galinha”. Nos Açores ganhámos assim, revirando a lógica habitual.

2 – A campanha irá obrigar a uma grande cobertura dos mídia o que só poderá ser da conveniência do CHEGA, atendendo ao facto de André Ventura ter vindo a ser injusta e hostilmente ostracizado nos meios de comunicação social.

3 – Com a aparição do CHEGA e a divisão de votos a que ele obriga será até muito provável que o partido seja capaz de eleger o seu presidente, senão à primeira volta, talvez na segunda.

4 – Quaisquer que sejam os resultados haverá lugar a uma medição do músculo do partido e a um reescalonamento das forças em presença, quantos votos vai cada candidato congregar ? Quantos votos valerá doravante cada um ? Quantos votos vale o CHEGA ? É importante que todos nós votemos para dar mais força, mais legalidade e mais representatividade ao CHEGA.

 

5 – Com a chegada do CHEGA acabaram-se as favas contadas, a revolução de veludo é nossa e é para ser ganha, apostemos nisso e apoiemos ANDRÉ VENTURA Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA  !  

POR UM NOVO REGIME, ABAIXO O SISTEMA !!

Creio não errar ao pensar que dia 24, dia da primeira volta, com os votos divididos por meia dúzia de candidatos talvez André Ventura tenha balanço e percentagem para disputar uma segunda volta com o candidato Marcelo. Porém nessa segunda volta todo o sistema da extrema direita à extrema esquerda engolirá sapos e votará em Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato André Ventura não tem hipóteses, só um milagre nos poderá surpreender, porém ele e o CHEGA obterão a maior votação da sua curta história !!

Isso sim, e tal como atrás disse em 1,2,3,4, e 5, fará de André Ventura e do CHEGA o maior vencedor dessa noite !!

Por ti, por todos nós, pelo futuro, precisamos da tua força, do teu voto, vota André Ventura !!

Mostra a todos a nossa verdadeira força !


         

* https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/antonio-moita/detalhe/a-procura-de-um-homem-providencial? utm_medium=Social&utm_source=Facebook&utm_campaign=BotoesSite&fbclid=IwAR2ofmuOFYg4Gv6yLgTjuxWZDAr2ALZQSIR68tOnr-m83SlCQQrzHRIK0ls






 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

671 - ELES ESTÃO DISPOSTOS A TUDO ! CHEGA !

 

Há bem poucos dias o parlamento inviabilizou pela primeira vez em 46 anos, uma licença para que um deputado candidato participasse livremente na campanha para a presidência da república.

 Dias atrás um jornalista encartado veio (na sequência de Francisco Medina e de outros), advogar que se deveria cortar a voz ao microfone de André Ventura. Não demorará muito até que o parlamento em peso vote que lhe cortem o pescoço.

 Confesso que estas atitudes mesquinhas em relação a um recém-chegado ao sistema, e que o próprio sistema criou, me têm feito vê-lo antes, ou mais como um abnegado mártir e um lutador contra o parlamentarismo bacoco nesta democracia de instalados, que um perigo para os ditos órgão e regime.

 Se dúvidas tinha já as perdi, se o homem incomoda tanto e tantos alguma razão terá a assisti-lo e confesso ter André Ventura conquistado inequivocamente o meu apoio e o meu voto.

 Aliás parece até ser a única voz lúcida no manicómio em que este país e esta democracia se tornaram. Quem agora tanto o contesta parece ter esquecido que a democracia tem regras, mas não tem donos, e que eu saiba apesar das enormidades, alarvidades e falsidades de que tem sido injustamente acusado, André Ventura ainda não transgrediu nenhuma das sacras regras consignadas na nossa velha e caduca Constituição, essa sim a pedir uma valente reforma.

 Olhado à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora, transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a transformar-se um regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir e derrubou.

 Os três D’s prometidos ficaram por concretizar, Democratizar (mal e porcamente), Desenvolver (engordando os ricos e multiplicando e empobrecendo os pobres), e Descolonizar (a vergonha das vergonhas), não passam hoje de um cliché batido a propósito de tudo e de nada mas nunca cumprido. De um regime de miséria que contudo nos deixou uma montanha de ouro, passámos para um regime que nos deixará na miséria e com uma dívida do tamanho do Everest.

 Em 46 anos este país não fez um único negócio proveitoso, mas muitos dos seus filhos, a exemplo do regime anterior, têm enriquecido mas nem deixam saber como, tornando-se os novos eleitos, os tais eleitos que era suposto terem sido apeados dos privilégios que a todos deveriam caber e não somente a alguns.

 Acusam André Ventura de populismo, e em boa verdade tenho observado serem as suas ideias cada vez mais populares e cada vez mais compreendidas e aceites por um número crescente de portugueses. Em contraponto estão os velhos DDT e demagogos, os partidos de um sistema que vêm debitando demagogia há 46 anos, que nem ao menos parecem interessados em pôr-lhe cobro e darem corpo e coerência a tanta coisa dita e repetida, isto é, a cumprirem com o que há 46 anos nos prometem.

 Populismo / demagogia é a grande aposta das próximas eleições, ou queremos um presidente palhaço e que de tal está farto de dar mostras e exemplos, ou uma socialista incoerente, inconsequente, que um partido tem vindo ao longo de anos pintando de vermelho para enganar as tendências mais à esquerda e os mais parvos do séquito, ou queremos André Ventura, o único candidato preparado, lúcido, disposto a lutar pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até aqui tem acontecido. André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm propositadamente fechados há décadas.

 A luta vai ser aguerrida e titânica, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos instalados contra a pobreza que nos morde e ameaça. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a que temos direito. André Ventura é o único defensor e garante do derrube democrático deste regime que só a alguns benificia.  André Ventura é o único candidato que nos garante a instauração da quarta república e dum regime em que caibamos todos e todos observemos os mesmos deveres e direitos, com os deveres na frente.

Sim, os deveres na frente, os tais que tão esquecidos andam e sem os quais a liberdade de Abril virou libertinagem, voragem, corrupção e pobreza. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos elites capazes, uma vez mais vai ter que ser o povo a correr com Miguel de Vasconcelos, uma vez mais vai ter que ser o pé descalço a mudar tudo, ele que tudo sofre e a quem tudo devemos.

 Foram os infantes com D. Henrique na frente o estandarte da Expansão Marítima, mas foi ao pé descalço que coube realizar os feitos históricos que o mundo conhece e reconhece. Éramos poucos em 1500, talvez nem milhão e meio, e a equipagem das naus era comummente arrebanhada entre prisioneiros, bêbados, vadios, sem-abrigo, pedintes e quejandos que, mal se descuidavam eram metidos numa nau debaixo das ordens de um comandante ou de um capitão e levados a cumprir os grandes feitos que os honrariam e nos honram a todos.

 A nossa história trágico-marítima, que Fausto tão bem descreve em algumas das suas canções, deve tudo aos pés descalços, que tudo passaram, ultrapassaram e superaram para se salvarem, darem mundos ao mundo e Glória a Portugal.

 A exemplo dos homiziados (séc. IX a XIII) que após a reconquista cristã eram atirados para coutos, ocupando o terreno libertado do jugo dos mouros e defendendo com a vida, a vida que desse modo lhe havia sido devolvida, também na expansão, e uma vez mais agora, cabe a este povo de pé descalço lutar para se manter em pé, lutar para se manter de cabeça erguida, lutar para manter a cabeça e não lhe cortarem o pescoço.

 E lutar contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de todos nós porque para mal já basta assim.

 E quando todos parecem dispostos a tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

668 - ANJOS, ANJAS, O COMBOIO DOS DOCES ...

                         Pintura, acrilico sobre tela, Fátima Magalhães, 2020 

ANJOS, ANJAS

 

A questão era velha como Freud,

e,  enrolados no linho,

ia sendo desfiada como num fuso,

devagar , devagarinho,

as ideias girando tal qual na roca,

a dialéctica fumegando,

ora parada, ora avançando,

parada num desvio da linha,

uma extensa linha mental

em que a retórica cavava apeadeiros e estações,

onde sinaleiros conduziam o fio à meada,

cuja complexidade constantemente descarrilava.

  

Eram desvios colaterais,

e tu carinha de anjo teimando em bravata de séculos,

os anjos precisamente,

 

Tu :

 

- Quantos anjos na cabeça de um alfinete ?

 

Eu,

tentando trazer-te de volta aos carris,

 

abraçando-te, mimando-te,

a mão subindo as tuas costas,

travada p’las omoplatas salientes,

quais raízes onde dantes as asas,

eu mais que tu, fervendo,

quente, quiescente, aquiescente,

quase no ponto e,

repentinamente,

nova acometida,

 

- Terão os anjos sexo ?

 

Sim ? E qual será o sexo dos anjos ? 

 

O comboio reduzindo a marcha,

a polpa de tomate engrossando,

nós gulosos na avidez do doce,

da compota,

o caramelo ameaçando queimar,


e eu :

 

lembrando a colher de pau da avó Inácia,

 

mexe, mexe !

 

O comboio retomando lentamente a marcha,

devagar , devagarinho,

mexe, mexe !

gozando o travo agridoce a maçã verde.

 

O comboio agora ganhando velocidade,

mais depressa agora !

 

Mais depressa, mais depressa, mais depressa  !

 

Nós entretidos com o caramelo, a compota,

a polpa de tomate derramando,

pouca terra, pouca terra, pouca terra…

 

Não pára !

não páres agoraaaaaaaaaaaaa !!!!!!

mais depressa, mais, mais, mais, maisssssssss !!!

agora mais devagarrrrrrrrrrrrrrrrrr…

 

Oh ! Deus !

não sei se há anjos,

mas há céu,

eu vi o céu,

o céu, o céu, o céu, o céu, o céu …



Pintura, acrilico sobre tela, Fátima Magalhães, 2020


domingo, 1 de novembro de 2020

667 - O RETRATO A SÉPIA By Maria Luísa Baião *

                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Estava amarelecido já, pelo tempo, e julgando as características da película era mais que certo tratar-se de um retrato nas antevésperas da vulgarização do digital. A pose, essa, tinha sido moda meio século atrás, de pé, ar altivo, corpo hirto, a mão descansando nas costas de uma cadeira. 

A pose não enganava ninguém, pois se passara a vida a inventar destinos e grandezas, aquela foto fora tirada pensando na sua exclusiva consagração. Nunca soubera viver sem o mando, como nunca soubera que fazer com ele, o que lhe importara sempre fora sentir o palco como seu, e nele, enquanto viveu, cumpriu o triste papel de personagem enganadora gizando à sua volta um bem conhecido mistério. 

Levara uma vida visceralmente solitária, sempre ficcionando, manobrando, iludindo, intrigando, enganando e mentindo, mas porque em público se calava, a todos fizera julgar ser superiormente inteligente. De quem provavelmente nunca lera um livro, foi de estranhar ver na sua lápide aquela homenagem, como de grande vulto da cultura se tratasse. De sua memória muitos dirão reverências, mas quando descoberto o logro devastador que foi a sua vida, soará o prenúncio de uma queda abissal. Biógrafos registarão o falso charme religioso com que se cobriu e a sua figura será reescrita de forma consensual como a duma personagem nada sensual. 

Causa dos males e dos remédios de que toda a amoralidade é capaz, veremos então surgir o verdadeiro recorte de uma personagem sinistra, narcísica, megalómana, que simplesmente morreu como sempre vivera, cultivando uma fingida discrição, mas, com estudada perfídia arvorando sempre uma doentia arrogância. 

Uns anos mais e tal figura não merecerá mais memórias que D. Sebastião, pois fizera da sua vida uma selva e nela devorara, submetera, achincalhara, todas e todos quantos se lhe atravessaram na frente. A falta de veros amigos provocara-lhe irreversíveis perturbações psicológicas. Lembro ainda quando, com um pretensioso gesto de mão, afastava os conselhos de quantos médicos lhe haviam recomendado internamento psiquiátrico. Amigos de Peniche somente uma ou duas figuras, justamente quem pacientemente lhe escrevia os discursos que com ar grave proferiria como seus. 

 Sempre julgara saber mais que todo o mundo, implacável para com os que lhe estavam abaixo, era contudo irrepreensível no protocolo, adorando cerimoniais, mesuras e vénias aos que superiormente se lhe apresentassem. Passou o último dia na cadeira do poder, que tanto apreciava, certamente vira pela janela o pôr-do-sol, depois partiu, não morreu, apagou-se, deixando no vasto salão um cheiro a velas e a urina. Embora o escondesse de todos, urinava-se então pernas abaixo a toda a hora. Assim se retirara do nosso convívio, podem imaginar maior felicidade ? 

 O destino fizera-nos um favor, a sua morte libertara todos quantos submetera, para esses terminara o desânimo, a apatia. A tragédia / comédia consumara-se e, enquanto o corpo arrefecia, exultante, a populaça emergia de novo, apagando da lembrança toda uma vida sofrida e cabisbaixa, sacudindo o desânimo que durante anos a animara. A alegria de viver retornara lentamente como acontece com a Primavera, estendendo sobre todos um manto de alívio e libertação. 


 Por todo lado soavam estalidos de grilhetas quebrando, ecos de consternação, fulgores de futuros risonhos. Um fardo nos saíra dos ombros, e como quem desce uma montanha, recordo ainda a alegria incontida desse dia. “A vida não é um acaso, é um mistério”, onde foi que eu li isto ? Relembro S. Paulo, sim, fora S. Paulo, vai para três mil anos quem dissera acertadamente que: “ Deus escolhera na sua infinita sabedoria e entre a natureza, o que há de mais fraco, para confundir os fortes, e o que havia mais desprovido de saber para confundir os sábios”.

 Estava explicado o mistério, o retrato, a pose, e essa vida altaneira e obscena confundindo os fortes e ludibriando os fracos. Descoberta a velada e dissimulada ignorância para confundir os sábios. Que mais posso dizer ? Que a vida e os anos haviam feito dessa personagem enigmática, rodeada de falaciosos mistérios, torpes intrigas e cuidados silêncios uma figura ilustre que a morte despira sem pudor nem contemplação desvendando singelamente a sua vera e triste dimensão. 


 Já se avista Marte, chegarei a tempo do seu verão. 


 Ano da Graça de 2895.

 


* By Maria Luísa Baião, escrito a 6 de Setembro de ‎2012, inédito, é mais que provável portanto nunca ter sido publicado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

666 - QUE FUTURO PARA PORTUGAL ?????????? *

 

Portugal, é sabido, embora a maioria da população o não saiba, nasceu de uma particularidade trivial, de uma casualidade aleatória, do respeito pela família, dum mancebo sem a escrita em dia, de uma fogosa jovem ninfomaníaca e de um duque que se lembrou de visitar a tia.

 Um conjunto de factos, aparentemente aleatórios e sem a mínima importância conjugaram-se contudo para dar origem a este país tão caricato hoje quanto o era há séculos, quanto o era p’la data do seu nascimento.

 Por volta do ano da graça de 1086 o rei da Galécia, Galiza, D. Afonso VI, que igualmente imperava sobre os reinos de Castela e Leão, encontrava-se incapaz de deter o avanço mouro para norte, o qual ameaçava submergir os seus reinos. Devido a este facto o rei optou por engolir o orgulho e pedir ajuda aos príncipes da Gália, os quais lho não negaram, tendo-lhe enviado em socorro o duque Eudo, com tropas suficientes e frescas. Tropas que uma vez cumprida a missão de que haviam sido incumbidas, travar o avanço mourisco, encetaram alegremente o regresso a casa, à Gália, hoje França.

 Porém, e já que ali estava, cá estava, na Galécia, Galiza, lembrou-se o duque ter por ali, recolhida algures num mosteiro, uma velha tia a quem seria de bom tom fazer uma visitinha. E já que ali estava, já que estava agachado, lembram-se da anedota dos ladrões e dos polícias passando de carro na noite escura fazendo a ronda  ?

 Isso mesmo, os ladrões esconderam-se, agacharam-se atrás dum muro até que o carro da polícia passasse e deixasse de representar qualquer perigo. Então, e já que estavam agachados, um deles terá aproveitado e,

cagou.

 Idem para o jovem duque Eudo, que, já que ali estava resolveu visitar a velha tia em recolhimento no tal mosteiro perdido algures nas faldas duma serra da Galécia. 

Com o duque tinham vindo dois nobres, dois primos, a quem a ideia de se demorarem por estas bandas não agradava. Nem lhes agradava o sossego nem o tempo perdido após tão boa refrega contra os mouros. Eram cavaleiros, eram homens de acção, eram jovens de sangue na guelra, Raymond et Henri assim se chamavam os nobres cavaleiros.

 Raimundo e Henrique, que malgrado os bocejos caíram nas graças de Afonso VI que logo pensou numa forma dos prender ali de modo a tê-los sempre à mão e na mão, caso os infiéis e atrevidos mouros se lembrassem de novas investidas.

 Após muitas voltas à cabeça e tendo tido tempo para os observar, logrou encontrar meio e modo de os prender à gleba, tendo-lhes dado o comando de recuadas terras, longínquas terras que ele mesmo raramente ou nunca visitava, sabendo apenas serem elas férteis quanto baste. Assim foi que calhou a Raimundo uma parte da Galécia, Galiza e a Henrique o condado de Portucale, Portugal.

 E para os contentar nas noites frias da Galécia e de Portucale o poderoso senhor ofereceu-lhes igualmente a mão de duas belas filhas que mantivera até aí a bom recato, D. Urraca, filha primogénita, herdeira e única legítima, de oito anos, para Raimundo visto serem os dois fortes pesados e corpulentos. D. Terexa, treze aninhos, para Henrique, visto serem ambos espigadotes, magros, fininhos e qualquer deles um molhe de músculos e de nervos.

 Sabe-se que gordura é formosura, mas também que  fartura não convida a brincadeiras na cama, peripécias na cama é coisa mais  para magrinhos, ou musculados, gente de nervos à flor da pele, ginastas, ou pelo menos gente com corpos flexíveis, acrobatas ou malabaristas.

 Mas deve ter sido assim que nasceu Afonso, filho de Henrique. Portugal deve portanto o seu nascimento a uma breve visitinha que o duque Eudo fez à tia antes de rumar à Gália, a França. Um acontecimento tão trivial tomou todavia as impensáveis proporções que hoje lhe conhecemos, o facto de D. Teresa a “Galga” como lhe chamavam, ser ninfomaníaca é outra trivialidade banal que contudo e uma vez viúva a oporia ao filho Afonso Henriques, já que este aceitava mal ou aceitou mal que a mãe, saltando de cama em cama como cadela galga no cio, andasse nas bocas do mundo e nas bocas e camas de todos os nobres do então Condado Portucalense segundo rezariam as más línguas da época.

 Portugal deve assim o seu peculiar nascimento a uma série de acontecimentos fortuitos tecidos pelo destino. O seu nascimento não obedeceu a nenhum plano, a nenhuma estratégia, a nenhuma visão de futuro. Portugal nasceu do sexo descontrolado de dois fogosos jovens, Henri e Terexa, a que se juntou a qualidade ou característica ninfomaníaca da “Galga”, levando para calar os zum zuns correntes no paço ao sabido e conhecido confronto e embate extremo entre mãe e filho, onde o pudor, a vergonha e a honra se encontravam de permeio.

 Tal e qual, foi mesmo assim,  atabalhoadamente e devido a mexericos que por casualidade ou casualmente Portugal nasceu, e quanto ao futuro podemos dizer estarmos nas mesmas circunstâncias, sem plano, sem estratégia, sem um pensamento ou visão de futuro e ao sabor dos fortuitos acontecimentos do mundo. Pau que nasce torto...

  Até quando ?

 Até quando seremos capazes de manter a tesão ? A independência ? Perdida que está há muito a fogosidade, a coesão, a solidariedade, a união que fez a força e a diferença durante quase 900 anos ?

 Até quando ?

Não estaremos nós, a nação, em processo acelerado de decadência, de deliquescência ? Será isto ainda um país independente ? Um país ?

Oremos… Porque isto já não é um país, transformou-se num absurdo...