"Z" A MÁSCARA DE ZORRO E A VEZ DO CHEGA... FICÇÃO
Apesar
da minha doentia modéstia, sempre contrariando extrovertido que sou, vou hoje
confessar-vos alguns segredos meus e que eu mesmo descobri em mim há poucos
dias, mais propriamente quando a Fatuxa se interrogou quanto ao meu ar marcial,
em especial pelo facto de levar tudo muito a peito e nunca deixar para amanhã o
que posso fazer hoje.
Enfim,
um comportamento inusual, todo ele atreito a suspeições de toda a ordem ainda
que em certos casos eu prime pelo caos. Diria que contradições aparentes num
carácter recto e decente. Não escreve Ele direito por linhas tortas ? Por que
não O poderei fazer eu, nado e criado à sua imagem e semelhança ?
Esta
primazia do direito e da justiça que cultivo, esta noção da justa medida, é
sentimento que sempre me animou, que sempre pratiquei, a que sempre obedeci e sempre
defendi. Portanto quase sempre pugnando por tal e, mesmo que os caminhos aparentem
ser envios, jamais descurei porém o objectivo final, um resultado prático e real.
Este
sentimento de justiça e rectidão impregna o meu carácter como a espinha dorsal
dá forma e solidez a um peixe, ou como a coluna vertebral escora o esqueleto em
nós humanos, por norma tão cheios de qualidades quão de defeitos. E uma vez que
defeitos não tenho, já os tive mas ultrapassei-os, coloquei-os de lado,
resta-me falar-vos das minhas qualidades, o que me comprometo a fazer com
empenho e incomensurável prazer no sentido de satisfazer a vossa mórbida
curiosidade e sede de saber, ou de conhecer, que confio de ciência certa vos
animar.
Não
é fácil defender justiça e rectidão num mundo em que a desordem reina e a
violência é a práxis diária, pelo menos desde que ao cimo da Terra houve dois
homens e, quer p’lo pão para a boca quer por mulher com quem dar largas ao
instinto primevo e carnal, os homens se tornaram defensores cegos dos seus
interesses e condições.
Olhando
o mundo animal nos programas da National Geographic podeis ter uma ideia mais
precisa do que por comodidade ignorais, o mundo, este mundo, este o nosso mundo,
é violentíssimo e a violência o seu estado normal, natural, quer a nível animal
quer humano. Portanto não o ignoreis nem vos admireis.
Entre
os homens essa mesma luta é constante, apenas a civilidade e a socialização a enobrecem,
disfarçam, camuflam, mas no fundo e no mais íntimo de cada um vive, latente e por
vezes agindo de modo contundente o mesmo primitivismo de há milhões de anos,
com uma agravante, agora o homem nega, disfarça, esconde e mente, isto é torna
pior o que já de si é mau, sendo o único ser à face da terra que não se limita
a matar única e exclusivamente para comer.
E
por falar em comer já imaginaram quantos animais, quantas toneladas deles na
cadeia alimentar que ocupamos matamos e esfolamos diariamente para satisfação
da nossa necessidade mais básica ? E os que matamos por desporto ? E por terem
um corno, uma barbatana, uma bílis ou tomates que acreditamos potenciarem a
nossa virilidade ? Ou porque o seu pelo, a sua pele, dão boas botas e melhores
casacos, malas ou cintos ?
Não,
não é o crocodilo do Nilo, a piranha ou o tubarão o maior predador ao cimo da
terra, é o homem, que por interesse e ambição contra tudo e contra todos move
permanentemente uma guerra.
E
toda a guerra exige um guerreiro, preferencialmente matreiro. A sociologia e a diplomacia
juntar-se-iam para no-lo dar ou atirar para o terreiro. E assim nasceu o
político, vulgo pantomineiro, tal qual a civitas o civismo e as artes nos deram
o mimo a literatura nos deu os ficcionistas, as necessidades da manada os
fascistas, as utopias os comunistas, a iniquidade os democratas que aturamos.
Sim,
era voz corrente em casa dos meus pais ouvir dizer ter sido a Luisinha a fazer
de mim um homem, embora sendo verdade tal não corresponde à verdade total e induzirá
em erro os mais incautos. Nem eu era o bon vivant ou estoura-vergas que a
afirmação parece dar a entender, nem a Luisinha por enorme que tenha sido o
peso da sua influência foi a única responsável pela minha verticalidade, ou p’los
meus carácter e personalidade.
Naturalmente
ela contou, e muito, mas não posso esquecer o meu pai cujas atitudes e
comportamento para comigo me levaram a matá-lo bem cedo, a fazer-me á vida e a
fazer por mim. Aos treze anos fugira de casa, uma tentativa frustrada por um
padre e pela GNR, mas aos dezasseis sairia para trabalhar em Lisboa, ramo verde
onde parei bem pouco tempo tendo regressado a Évora passados cerca de dois anos*
para quase de seguida me voluntariar para a Marinha Portuguesa, essa sim, não a
minha mãe nem o meu pai mas que havia de me dobrar e torcer o suficiente para
me endireitar. Foi uma incorporação inesquecível, uma recruta inolvidável, uma
mobilização de arrepiar e finalmente um destacamento de assombrar. Tudo isto
teria eu dezoito anos ou dezanove e antes dos vinte era responsável por uma
companhia e dois batalhões de noventa homens cada deixados à sua, à nossa sorte
no meio da selva, mais exacta e especificamente entre a mata, a savana e o
deserto de Namibe no sul de Angola, junto ao rio Cunene.
Hoje
é-se jovem até aos trinta anos, para alguns casos até aos quarenta, (caso dos agricultores
penso eu) porém naquele tempo eras homem a partir dos dezoito e desenrasca-te, doravante
de nada te valeria chamar pela mãezinha ou pelo paizinho, o paizinho agora serias
tu.
Cedo
tive portanto que cuidar da minha vida, e mantê-la viva, não só da minha como da
vida dos demais às minhas ordens. E como para além do poder institucional advindo
duma cadeia de comando te fazes aceitar por homens, alguns mais velhos que tu,
alguns mesmo mais experiente que tu ? Só há uma forma, num ambiente hostil como
aquele, num ambiente de guerrilha somente o exemplo cria respeito e o respeito
conferir-te-á autoridade. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, só através
do exemplo ganharás, conquistarás a confiança dos homens e o seu respeito.
Fácil
? Não não é fácil, envolve coragem e riscos, mas não creio que exista outro
processo, e riscos há-os sempre, compete-te através da coragem e do exemplo
diminui-los, reduzi-los, controlá-los, calculá-los. Com vaidade afirmo que o
meu destacamento foi dos poucos e dos primeiros a registar o mais reduzido
número de baixas em cada comissão efectuada, um orgulho para mim, uma apólice
de seguro para os meus homens.
Mas
por trás dessa honra existe todo um trabalho de equipa e de campo, na planificação
das operações levadas a cabo, no planeamento de cada missão levado ao extremo,
ao pormenor, a ponto de não se partir para uma missão sem que os possíveis
reveses tivessem sido abordados e estabelecida a resposta ou o modo de lidar
com eles, nunca deixando lugar para o imprevisto. Era fulcral para o sucesso de
cada missão ou operação o seu estudo aprofundado, a abordagem do objectivo a
cumprir implicava a responsabilidade do seu correcto planeamento. A operação em
si prescrevia os meios a utilizar e os processos e procedimentos a despoletar a
fim de atingir os objectivos propostos. Uma Theoria
e uma Práxis adequadas completavam-se num binómio que quase nos tornara
invencíveis.
Esse
risco acrescido, esse exemplo que constantemente procurei dar estando sempre na
primeira linha de tiro, de risco, na fila abrindo caminho pela picada e nunca
me furtado a ele, essa atitude exemplar deu-me autoridade, verticalidade, rigor
comigo mesmo, e havia de moldar-me personalidade e carácter até aos dias de
hoje. Tornara-se e tornou-se uma prática corrente enfrentar de frente todo e
quaisquer obstáculos, todo e quaisquer problemas, todo e quaisquer conflitos.
Por
isso hoje deploro a leviandade com que governantes e responsáveis tudo fazem em
cima do joelho, por isso o país definha, entregue a gente ambiciosa mas sem
ambição, palavrosa mas sem palavra, com cara mas sem carácter.
O
país vai mal, vai de mal a pior, e haja calma pois tudo irá gradualmente
definhar ainda mais até que uma qualquer personalidade, uma qualquer pessoa
dele tome o leme, tome as rédeas, e de novo o coloque nos trilhos, no caminho,
no rumo, no eixo. A nossa liberdade desde há muito virou libertinagem
deliquescente da probidade que devemos cultivar, daí até à iniquidade de que
esta democracia faz jus foi um passinho de pardal, e atrás de cada passarão
veio a corrupção.
Não
é este o caminho, há que puxar do chicote e ajustar as rédeas, a manada tem que
ser levada ao redil certo, à força se for preciso, força é sinónimo de capacidade,
de segurança, e a manada necessita da segurança da autoridade e na vida como do
pão para a boca, à força se necessário. Ah sim ! E a boca calada.
A política para os políticos, o trabalho para todos, trabalho garantido para todos.
Naturalmente chegou a hora Z e uma vez mais estou pronto a alinhar na primeira linha e de novo me voluntario
no sentido servir a Pátria, ajudar novamente a Nação a erguer-se do chão da ignomínia a que traidores a condenaram,
a levantar hoje de novo o esplendor de Portugal !
a levantar hoje de novo o esplendor de Portugal !
* Ler a este propósito "O PRÉMIO VALMOR ERA EU" em:
https://mentcapto.blogspot.com/2016/05/345-o-premio-valmor-era-eu.html
https://mentcapto.blogspot.com/2016/05/345-o-premio-valmor-era-eu.html
https://mentcapto.blogspot.com/2020/02/635-novas-amigas-novos-amigos-amigos.html
https://mentcapto.blogspot.com/2020/01/o-chega-o-renascer-da-fenix-e-lucia.html
https://mentcapto.blogspot.com/2020/02/631-chega-para-ca-chega-para-la.html
https://mentcapto.blogspot.com/2020/01/o-chega-o-renascer-da-fenix-e-lucia.html
https://mentcapto.blogspot.com/2020/02/631-chega-para-ca-chega-para-la.html


