sábado, 16 de agosto de 2025

839 - HOJE SERIA MAIS UM DIA ESPECIAL ...

 


Hoje seria um dia especial, mais um entre tantos tão diferentes e tão iguais. Eu acordaria cedo, e calado iria em bicos dos pés, à sorrelfa, tirar a bandeja da despensa p’ra te levar o pequeno almoço à cama pois como dizia hoje seria um dia especial.

 

Farias anos e, como era habitual, a festa começaria ainda antes do acordar. Prolongar-se-ia até ao anoitecer. Lembro-me que algumas vezes, poucas, jantámos no "Fialho", ao qual passámos a dar cada vez menos importância, importante eras só tu, e por ser um dia especial, era um dia fora do baralho e somente a alegria transbordante dos teus olhos vivos é digna de ser lembrada. 

Era o teu dia, era um dia nosso, era um dia muito especial do nascer ao deitar, e era assim por assim o querermos. Era também um dia de balanço e não houve um único em que não tivéssemos saído a ganhar. Tu fazias de donzela, e eras bela acredita, eu de pajem, de cavalheiro, e ainda guardo no roupeiro uma cartola e um chapéu de coco, sim dois, apenas por tu adorares Churchill e os chapéus que ele usava. E a boina colorida que tanto nos alegrou e te permitiu nessa noite não te teres perdido de mim no mar de gente que, como nós, acudira ao concerto e ao fogo de artificio ? Calhou estarmos em Barcelona nesse dia e, inda que já nem recorde qual o aniversário festejado, o dia jamais o esqueci e ainda guardo essa boina com o amor dum escoteiro.


Depois as coisas começaram a correr menos bem e abandonámos as loucuras, era tempo de dedicação e tu não só exigias como merecias toda a minha atenção.

 

Hoje fui ao jardim de manhã, como fôramos em tantas manhãs, já não existe a banca onde na praça tomávamos a bica antes do passeio em redor dos cisnes, nem a banca nem a senhora, apenas na minha imaginação ela, tu, nós, o jardim, os patinhos, os cisnes, os pombos, e esta saudade que mata.

 

Passeio-me pela casa, ora de cartola ora de chapéu de coco, ajusto na estante da sala algum livro cuja lombada esteja mais saída ou uma foto que não esteja direita, repito o que tu farias e tantas vezes fizeste na minha frente, adivinhava-te os passos, as maneiras, os trejeitos, agora repito-os num ritual inútil pois o que foi foi, e não voltará a ser, a mesma água não passa por baixo das pontes duas vezes, resta-me este caudal de lembranças, resta-me viver sozinho este 16 de Agosto como vivi a meia dúzia deles que o antecederam. 


Continuo sozinho, ninguém se aventura a ocupar o teu lugar, deixaste a fasquia tão alta que não há quem se atreva, nem sequer tente superá-la. A verdade é que subiras aos céus com o vagar duma chama que lentamente se extingue e eu senti que Deus te chamara para te poupar sofrimentos desnecessários, foi assim que vi então essa dolorosa partida. Fi-lo com imensa dor, nunca eu conhecera dor tão lancinante e não estava preparado, para fazer o luto, demorei imenso a ultrapassar esse choque, a dor da tua partida.

Tiveste tempo para deixar entre todos nós e especialmente em mim a tua marca, nunca conheci dor tão excruciante, nunca até te ter perdido me apercebera quão importante para mim era a tua presença. Certamente terá chegado para ti o tempo e a hora de nova viagem e somente muito tarde eu me tenha apercebido disso, rememoro tudo isto olhando enquanto caminho numa desolada tarde como aquela em que partiste, diminuindo a passada, apurando a atenção, parecendo ouvir o sussurro do vento trazendo-me a tua voz, desculpa Berto, estava na hora de partir para outra, sinto o apelo do meu signo, a coragem do Leão, outros mistérios me esperam.

 

É por entre os espinhos do silêncio que caminho, lembrando-te, concentrado nas memórias de ti qual porto de abrigo e nas quais me refugio, habituado a que aí encontrasse a abundância pois sempre colhera do que semearas, sempre fora bafejado p’la felicidade enquanto viveste e agora o silêncio, somente o silêncio e estas constantes lembranças de ti.

 

Nunca deixo de pensar quão frutuosa foi a tua vida, cumpriste o teu papel, saíste de cena no silêncio outonal com o dever cumprido, apesar de tudo obrigado meu amor. No céu és agora mais uma estrela, por isso te recordarei em cada aniversário, nem só neles, mas em cada dia que passa te recordo com carinho, a ti que sempre recusaste a tristeza, a rendição, a renúncia, o declínio, a resignação. Jamais te esquecerei meu amor, recordarei sempre com dor e com amor o dia em que foste incensada e me foi concedido o privilégio de ver-te subir aos céus.

 


Algo renascerá das cinzas, tenhamos esperança, após a tempestade sempre sempre sobreveio a bonança, a esperança, a última a morrer, é dar-lhe tempo e a esperança virá, a esperança e o amor voltarão a abrir, a florir a esperança tem mel e quando vier virá p’ra ficar por isso a cama vou mandar alargar, prantar dourados, construir um dossel para acolher a esperança porque ela é mel.

 

Recordar-te-ei sempre com amor, ternura, carinho, doçura, adeus meu amor de sempre, adeus meu amor eterno.

               Adeus meu amor de sempre, adeus meu amor eterno.


quarta-feira, 13 de agosto de 2025

838 - SINCERAMENTE... HAJA DEUS !

 

 

E estava eu olhando para Ele, orando e esperando que a tua ausência fosse coisa passageira, temendo que as minhas palavras tivessem sido violência para os teus sentidos, para a tua sensibilidade apurada, afinada e refinada, temendo que a minha franqueza, sinceridade e honestidade te ferissem, por directas, mas felizmente, não terá sido o caso, felizmente só te deixei sem palavras, um paradoxo para mim, porque com elas te entreténs e brincas, com elas e com as pessoas jogas, como queres e entendes desejas e te apetece.

 

Pois sem elas fiquei eu também, não sabendo a razão por que as perderas, nem as respostas às perguntas que com temor te atirei, apesar de recheadas de receio e desculpas, comedimento e apreensão, levado por uma avidez prenhe de conhecer-te, animado de uma curiosidade que acabei receando tivesse acabado por matar o gato.


Fui franco e, como já tantas vezes tem acontecido, pequei por isso, se paguei por isso estou para saber, e eu que fora tão cuidadoso ! Sabendo ser ela tão sensível ! E eu sempre como que pedindo desculpa, admitindo-lhe o direito de se calar, de não se expor, e ela zás ! Risca-me os planos mais inocentes e bem intencionados ! Eu pensando já tou lixado, já borrei o pé todo, já a espantei que ela não deve estar para aturar teimosias nem exigências, estará mais habituada a fazer perguntas que a responder-lhes e resolveu o que eu devia ter previsto, não ter satisfações a dar-me, e vou ficar de mãos abanando que é para não ser parvo. 


Felizmente ainda não me riscou da lista, nem tudo estará perdido, porque será que as pessoas toleram mal a franqueza ? Ainda estou para saber o que nelas as surpreende, e nunca mais aprendo, tanto me tenho lixado com isso e não aprendo, já devia ter juízo, as pessoas temem que gostem delas, que as acarinhemos, que as protejamos, sobretudo que lho digamos, assustam-se com isso, não percebo, nem sei se alguma vez perceberei ou se é para perceber.

 


Bem… nem tudo está mau, só ficou sem palavras, pior se tivesse ficado sem ar, ou sem vida, sei lá, as emoções também matam, a mim dão-me vida, mas somos todos tão diferentes apesar de tão iguais. E eu admitindo sempre a minha maldade, a minha curiosidade descabida, a minha intromissão nos seus pessoalíssimos segredos, e ela népia, ficou sem palavras ! A rainha das palavras, ela que brincava com as palavras, ficou sem palavras ! Para nada tanta mesura dada, tanta delicadeza, de nada serviram, nada evitou o choque das palavras, ficou sem palavras disse ela, eu diria que descarrilou e perdeu as palavras, não terá ficado sem palavras, terá sim ficado com elas por ali espalhadas, buscando-lhes o senso, procurando juntá-las de novo, dar-lhe sentido, procurando-lhes um nexo, vamos dar-lhe tempo, ela sobreviverá a tanta franqueza, ela é rija, ela é capaz, ela vai recompor-se.

 

Sem palavras fiquei eu, nem uma das respostas satisfeita, nem uma das curiosidades abertas, sem saber como lidar com ela, duvidando de mim, do meu jeito e modos, francamente… Fiquei aliviado, não fui excluído, até ver, mas fiquei na mesma, sem palavras… Ou com elas chocalhando no cérebro, entrechocando-se até que, como ela gostava de dizer brincando, as nossas palavras voltem a chocar-se.





terça-feira, 12 de agosto de 2025

ESTE VERDADEIRO, CHEIO E PLENO VAZIO

              

                                
                                   
                                                        Texto Nº  837 (A)
 

 

Só meditando se perceberá o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim algo preocupante, na medida em que o que não viver agora, talvez o não viva nunca mais.

 

Sei nada mais poder ter de ti neste momento que recordações de amor, de carinho, da felicidade vivida e das promessas cumpridas, promessas que nunca perdi a oportunidade de cumprir, porque assim o desejei, porque sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava, amo e contigo amei repartir tantos gloriosos dias no passado.

 

Somente não perdi toda e qualquer esperança  porque não perdi os sonhos, nunca deixei de te sonhar, de te ver nos meus braços, de abraçar-te, de inalar o mesmo perfume que arrastavas ou de adquirir a aplicar em mim mesmo com parcimõnia o after shave que há mais de cinquanta anos me ofereceras, o celebérrimo, Àgua Brava, com o qual eternamente aspergido me vejo e verei mimando-te e beijando-te. Preciso alimentar este amor, esta paixão, sem ela tudo deixará de ter significado para mim, tudo, o presente e o futuro, por essa razão, devido a esta vacuidade que teimo não perder arraso-me e destruo-me a cada dia que passo nesta incerteza, neste vazio que me sufoca, neste sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, por saber que unicamente com o nada posso contar.

 

Por isto, por tudo isto, por esta vera e física  impossibilidade jamais poderei sonhar a minha vida em direcção a ti, não temos futuro, o futuro é impossível, neste momento, mais que tudo, só queria ter alguém ou algo em que pudesse acreditar e não vejo como.

  

Perceberás assim o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim, e devia ou deve ser, algo que me começasse a preocupar deveras, na medida em que o que não vivi ou não vier a viver agora, talvez não o viva nunca. A mesma água nunca passa duas vezes por baixo das mesma pontes...

 

Sei nada mais ter para te dar neste momento que dourar de amor e carinho as tuas lembranças. Vão longe os tempos de felicidade e promessas, promessas que fielmente cumpri umas atrás das outras e penso ter tido a rara e afortunada oportunidade de as cumprir, porque assim o desejei, porque era e sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava e contigo fui abençoado por ter com quem repartir os dias.

 

Não me tiraste porém a esperança, não me tiraste o sono m,as somente  o sonho de voltar a ter-te de novo nos meus braços, de te abraçar, de inalar o teu perfume inconfundivel, de te mimar e beijar. Preciso, inda que em sonhos que alimentes este amor e esta paixão interminavel, sem isso tudo deixará de ter sentido para mim, tudo, o passado, o presente e o futuro, e tu serás por certo e sempre o futuro das minhas ilusões.

 

Esta vacuidade que teimas preencher arrasa-me, destrói-me a cada dia que passa, não aguento mais esta certeza, não suporto mais este vazio que me sufoca, antes o nada, antes o mito que este sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, com o nada, com o mito pelo menos tenho algo com que me entreter, me ocupar e contar.

 

Por isto, por tudo isto, diz-me que poderei contar contigo sem que me acuses de louco, que poderei sonhar contigo como se fosses tu a solidez de um sonho, que poderei conduzir a minha vida e induzir meus sonhos em direcção a ti, diz-me que temos futuro, que esse futuro é possível, porque neste momento, mais que tudo, preciso ter alguém ou algo em que acreditar e elevar a ti o meu pensamento mantém-me no ar, sustenta o meu viver...




domingo, 10 de agosto de 2025

837 - NASCIDOS NO LUGAR ERRADO …

 



“Não estou por dentro desse assunto”…


Disse Isabela ……

 

Que raio de resposta mais descabida !

 

Eu, que vivi com uma mulher cheia de porras e não sei que mais me agradava nela, talvez tudo, habituei-me a pensar como ela, a ver o mundo como ela, e como ela nem sempre a gostar do que via, e do que vejo.

 

Era uma mulher inteligente confesso, pelo menos eu assim a pensava, mas, mulheres inteligentes… apanhá-las… Sempre gostei desse tipo de mulheres, sempre me atraíram, sempre me seduziram, e são cada vez mais raras, ou mais subtis, mais camufladas, mais inacessíveis.

 

 Por mim que as topo à distância e de imediato, posso jurar deparar-me cada vez com menos, por mim haverá menos, até pode ser mal meu, que estou mais velho, mais bonito e mais interessante, assim me penso e julgo, não garanto que assim seja… Muitas ainda me acham um viúvo interessante e a não perder pois esporadicamente vejo-me surpreendido, prova de que nem são capazes de me conhecer a fundo, handicap que detecto até em gente com quem convivo.


Eu teria dado uma resposta do género;

 

Ando veementemente a tentar ficar por dentro desse assunto mas nã tá fácil… tem-me faltado tempo.

 

E pronto, estava salva a honra do convento. Não suporto que, havendo igualmente bué de homens que não estão por dentro de coisa nenhuma, apareça uma ela a admitir clara e humildemente que a coisa é preta….

 


A vidinha nã tá nada fácil, decerto ela terá vindo dum mundo justo e será ingénua, inocente, e que certamente ficará constrangida e confrangida com o que é e c’a situação em que se encontra, volvidos cinquenta anos sobre aquela tal madrugada *

 

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo …

 

* Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Por isso, por tudo isso, por tudo em que te transformaram e que és quero pedir-te desculpa, quero assumir perante ti a minha cota parte no estado a que as coisas chegaram, pois humilde e vergonhosamente declaro, também eu acreditei na democracia prometida. 


E também eu, como julgo ter acontecido contigo, com o passar do tempo acabei por ficar desiludido, tu certamente terás sofrido igual desilusão, já que a imagino ou a pareço ver estampada em ti, na tua cara, sempre que contigo me cruzo.

 

Culpa minha portanto que, como muitos outros, também votei e acreditei demasiadas vezes nos políticos venais que temos. Também eu tenho culpa que a tua cidade, a minha, a nossa cidade seja a mais pobre e atrasada deste atrasado país, mea culpa, mea culpa, mea culpa… Espero pois sinceramente que me compreendas e me perdoes.

 

 Em 79 podia ter ficado na Suíça e não o fiz por acreditar nas promessas de Abril, mais tarde viria a dar completamente razão a José Mário Branco no seu celebérrimo Lp FMI **

 

Uma porra pá, um autêntico desastre o 25 de Abril

 

Esta confusão pá, a malta estava sossegadinha,

 

Estás desiludido com as promessas de Abril, né ?

 

Com as conquistas de Abril !

 

Eram só paleio a partir do momento que t'as começaram a tirar e tu ficaste quietinho, n'é filho ? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, não é ? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, n'é filho ? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã ?

 

**Extracto da letra de "FMI" por José Mário Branco

 


Claro que me lixei, não ter ficado na Suíça foi o meu azar. Este país nunca foi nem é para novos, nem para velhos, neste país as oportunidades são para queimar, para perder, por isso se dantes estávamos trinta anos atrasados em relação à Europa agora estaremos cinquenta, talvez mais, há peculiaridades aqui que ninguém já estranha, por exemplo sermos o único país do mundo onde os ladrões não assaltam bancos, aqui são os donos, os banqueiros que os roubam, nós somente somos chamados para pagar os prejuízos, é isto ter juízo ?

 

Talvez vivamos numa das poucas cidades e dos poucos países do planeta onde em cinquenta anos não resolvemos um único dos problemas que nos afligiam mas cuidámos de arranjar outros, de arranjar mais, muitos mais. Que desiderato é este que em simultâneo nos cala e anima como se vivêssemos no melhor dos mundos ?

 

Nem sei nem consigo imaginar quantas oportunidades terão sido perdidas por ti, por mim, por tantos outros nesta cidade e neste país por incúria, cegueira, incompetência, ignorância, arrogância e estupidez das autoridades instituídas e, por que não dizê-lo, dos cidadãos, dos intelectuais, dos sábios, dos académicos, dos eleitores e tutti quanti preenche a fauna da urbe e do rectângulo…

 

Quanta gente pessoalmente irrealizada ? Frustrada nos seus sonhos ? Travada nas suas aspirações ? Nas suas legítimas ambições ? Quantos caminhos barrados ? Quanta pesporrência ? Prepotência ? Partidarismo ? Seguidismo ? Sectarismo ? Nem Estaline alguma vez terá ido tão longe quanto por aqui, por cá. E é esta a democracia que nos querem impor ? Impingir ?

 


Lamento amiga Isabela, lamento que nos tenhamos vindo meter na caverna de Ali Babá. Por aqui só há ladrões, tratantes, patifes, agiotas, facínoras, gatunos, biltres, sicários, salafrários, especuladores, usurários e, nem o facto de sermos comedidos ou por vivermos isolados nos safará desta cáfila que de há cinquenta anos p’ra cá tomou conta da nação.

 

Quantas vezes não me interroguei já se terá valido a pena aquela madrugada *…

 

E tu ??????????

Adeus cara amiga, até que nos vejamos de novo, um grande abraço e votos sinceros de Boas Férias.

 

Gosto de ti.

 


P.S. Não, não estou a querer engatar-te, nem a pensar nisso sequer…

 


https://www.publico.pt/2024/12/15/ciencia/noticia/cientistas-portuguesas-figuram-ranking-melhores-mundo-2024-2114764?utm_content=manhas&access_token=vDLcx1AdRoMmWasROGhi94DPDCZQE6nY%2FfhiW98Q%2BOA%3D&e=da7f79386a&open=true&utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=S%C3%B3+24%25+dos+projectos+para+resolver+crise+habitacional+s%C3%A3o+constru%C3%A7%C3%A3o+nova&utm_campaign=55&fbclid=IwY2xjawHNf-hleHRuA2FlbQIxMQABHUzgOoKabHQqCeMbAsSTQxnC0uE8qRFVSBgfF58ga1J5c-Z4CHs2iNrTeg_aem_-Uk_WahVpBIC--s9iPtnwg

 

 

https://www.publico.pt/2024/12/16/economia/noticia/so-quarto-59-mil-casas-resolver-crise-serao-novas-2115649?fbclid=IwY2xjawHNgAxleHRuA2FlbQIxMQABHdivdWO7QV-y2f-kCPMCP-knRLsn4C9sbZg69UNjmAEVPymN7ijvX3ofgw_aem_Shzp5yAYwXvEKAevE17llQ

 

 

https://mentcapto.blogspot.com/2018/07/519-mulheres-inteligentes-apanha-las.html

 









sábado, 9 de agosto de 2025

836 - METER AS MÃOS NA MASSA, AMASSAR ....




Em boa verdade nunca sei se devo dizer algo ou ficar calado, salvo raras excepções acabo por ser preso por ter cão ou preso por não ter. Tu tens o teu modo, a moda da boquinha de achegã com que me calas, eu não tenho mais que receio das falas que possa dizer.  Expostas estas razões espero que compreendas porque não sinto confiança, temo até por vezes, avançar com conversa que te possa aborrecer, aliás é mesmo tudo uma questão de confiança, senão vejamos;

 

Sempre senti confiança em ti, e acreditei que a tinhas em mim, todavia, desconheço o motivo porque, agora, nem conversa de facto, e até mesmo quando por telefone, foges ou afastas a conversa sempre que ela toma determinado rumo, como falar-te de amor. O facto de nem uma inocente bica tomar-mos, nem poder ver-te no teu lugar de trabalho, tudo atitudes das quais resulta um afastamento completo de ti e por ti provocado, são exemplos flagrantes do que afirmo. Aceito tal, mas não compreendo.  

 

Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa excedermo-nos, fazer mais do que nos é devido. Mau grado, temo exceder-me e aborrecer-te, por isso tantas vezes me coíbo... Por causa do tal “ser preso por ter cão e preso por não ter”.

 


Para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Apesar de raramente termos consciência disso, não há dúvida de que a necessidade mais profunda do ser humano é dar-se. Às vezes, quando o desejo me impele, porque o meu amor é espontâneo, quantas vezes ensaio explicar-te que, amar-te, significa escolher entre muitas hipóteses amar-te  a ti, é decidir conscientemente por ti, amar-te a ti, se assim não fosse, o meu amor não passaria de emoção, de superficialidade, ou até de egoísmo, e não aquilo que é na sua essência profunda, um sentimento que me tolhe. Para mim, amar-te é dizer sim do fundo do meu próprio ser, ajudar a descobrir e conquistar a plenitude que nos faça felizes; e tudo isto mediante a entrega de tudo o que sou, posso, desejo, sonho... e necessito.

 

Daí que a dação do corpo e da alma seja a expressão natural duma rendição total enquanto pessoa. Porque o meu corpo sou eu, não é uma coisa externa, um agasalho ou uma máquina que eu uso, mas sou eu próprio. Precisamente por isso, o amor autêntico é para mim entregar-me totalmente, sempre, o que faço perante Deus, minha testemunha. 

 

         Deverias ter a coragem para te abrires comigo, sem medo. Tens andado a fugir... de ti, de mim e da felicidade. Os namorados que se vêem e se falam têm a felicidade do amor; os que vivem separados têm duas felicidades: a do amor e a da esperança. Quando se quer bem a uma pessoa a presença dela conforta. Só a presença basta, não é necessário mais nada.  

 


Durante anos dei-te todo o meu amor, mais não era possível, durante anos tiveste toda a confiança em mim e deste-me todo o teu amor, do qual nunca duvidei. Se durante anos tanto demos um ao outro, que se passa agora para passares de um extremo ao outro ?

 

Amar é darmo-nos. É não pensarmos somente em nós. É não querermos saber somente dos nossos gostos, do nosso bem-estar, do nosso descanso, dos nossos projectos, do nosso futuro, é também vermos as necessidades, o sentido e a plenitude da existência do outro. Quanto mais dermos de nós, quanto mais nos doer o amor, mais alegria teremos. E mais paz.

 

Acredita que quanto mais amares, mais amada serás.

 

Prometi a mim mesmo que um dia serias minha, cumprirei a promessa que, perante Deus e a mim próprio fiz, assim haja oportunidade para que a cumpra, nem que seja, dada a idade que nos anima, numa velhice infrutífera e senil, à qual chegaremos perdendo todas as oportunidades de mutuamente nos fazermos felizes, ainda que de forma mitigada.

 


Até lá, veja-te ou não, basta-me que te saiba viva e que as maravilhosas recordações que de ti tenho não morram para mim ou comigo. É para mim cada vez mais claro que em assuntos de amor são os loucos quem tem mais experiência. Sobre o amor não perguntemos nada aos sensatos, os sensatos amam sensatamente, o que equivale a nunca terem amado.

 

O amor não se rouba nem se compra. Não há amor verdadeiro, e portanto feliz, senão entre pessoas que dispõem livremente de si próprias para se darem uma à outra.                                

 

Frequentemente nos enganamos a respeito da natureza do amor, o que significa a mais espantosa das perdas. É uma perda eterna, para a qual não existe compensação nem no tempo nem na eternidade, a privação mais horrorosa, que não é possível recuperar nem nesta vida... Nem na vida futura que o catecismo promete !

 


Também erro, e errei, e um dos meus maiores erros foi não te ter amado ainda mais, não te ter mimado ainda mais, lamento-o, e por isso peço que me perdoes, isso e todos os aborrecimentos que te tenha causado. Mais uma razão pela qual não entendo que provoques o meu afastamento, com base num facto que sempre me foi inerente, o facto de ser comprometido. Nunca tal facto teve a mais pequena importância para ti, porquê agora ?

 

É tudo uma questão de confiança, e de esperança. E se não perdi a confiança em mim, se continuo a saber o que quero e porque o quero, a verdade é que a esperança se desvanece paulatinamente, a verdade é que por qualquer razão ignota, aos poucos, tens vindo a matar a esperança que ainda resta em mim, e pouco faltará para que a mates de vez.

 

O amor pode tantas vezes viver de amáveis ninharias, ninharias essas que tu mesma propositadamente recusas. Não brinques, não é fazendo boquinha de achegã que me convences....