quarta-feira, 19 de maio de 2021

700 - MOÇÃO - "PORTUGAL A ECONOMIA A ESPERANÇA O FUTURO" - A MOÇÃO QUE NÃO FOI AO III CONGRESSO - (carta aberta aos senhores Manuel Vaz, Luís Lencastre e Guilherme de Moisão)



MOÇÃO

PORTUGAL A ECONOMIA A ESPERANÇA O FUTURO

A MOÇÃO QUE NÃO FOI AO III CONGRESSO

Humberto Ventura Palma Baião – Évora – Militante Nº 6085

 

NOTA INTRODUTÓRIA: Esta moção foi iniciada e pensada a partir de análises politicas dispersas ao longo do tempo e com base nas quais tentei antever o rumo e o futuro do partido e do país.

Naturalmente observando o comportamento das variáveis determinantes na análise ao longo do tempo poderemos colher uma projecção ou curva que nos permita fazer um juízo do seu evoluir.

Sendo por natureza este tipo de análise sujeitas a margem de erro, útil seria que fosse lida como atreita a falhas, pelo que deverá ser completada com a observação e experiência do próprio ouvinte, ou leitor, no sentido de entre ambos maximizarem o proveito que deste estudo, análise, observação político sociológica se poderá retirar.

Esta moção não foi de todo terminada, o facto de saber não vir a poder apresentá-la no III Congresso, em Coimbra, coarctou-me o desejo de a desenvolver e terminar. Alguns campos estão menos desenvolvidos do que seria desejável, outros não são de todo sequer abordados.

Pelo facto peço a vossa desculpa porém, e atendendo a que oitenta por cento do “trabalho” está concluído, não será de todo despiciendo publicá-lo, pois a temática nele abordada devido a qualquer inexplicável infelicidade nem chegou a ser agendada no referido Congresso.

Tenho esperança que apesar das nuvens negras que este trabalho pinta, a realidade futura venha a demonstrar estar eu errado. A quem se dignar perder tempo a ler e a meditar sobre esta moção que não o chegou a ser, os meus agradecimentos.

 

 

1.   UM PASSADO DE TRISTE MEMÓRIA EM QUE NÃO SE MEXEU

 

1. 1 - É costume nas minhas análises ao estado da nação procurar no passado a causa de muitos dos seus actuais males. Tal não significa que o que agora está mal o estivesse já nessa altura, talvez sim, talvez não, os tempos eram outros e o país, debatendo-se com o peso orçamental de uma guerra em três frentes, não parecia ter prioridades nesses campos exigindo-lhe as reformas que hoje, com uma carência premente mas sempre inexplicavelmente adiadas nos fustigam de modo inconsequente.

 

1. 2 - Paulatinamente irei colocar em evidência campos que deviam ter merecido cuidada e imediata atenção no pós 25 de Abril, campos onde deviam ter sido promovidas reformas democráticas, mais que justificadas no campo económico e social. Quanto mais vasculho esse passado mais absurdo me parece o facto de não termos sequer iniciado nenhuma dessas reformas, conducentes à igualdade dos cidadãos perante as leis e perante eles próprios, reformas fatais para a iniquidade que a sua ausência gerou, reformas que teriam gizado uma forte coesão e solidariedade sociais por força da igualdade que elas mesmas forçosa e naturalmente gerariam, e que terminariam com a prática do velho regime de dividir para reinar. Inexplicavelmente hoje, talvez não tanto inexplicavelmente, dividir para reinar criou raízes e cavou fundo na nossa sociedade, toda ela dividida e desorientada, basta-nos observar a esperança de liderança e a sede de reformas com que o CHEGA foi mais que recebido, surpreendido.

 

2.   A CONQUISTA DO PARAÍSO E A EXPULSÃO DO ÉDEN

 

 2. 1 - A luta irá ser aguerrida e titânica nos tempos mais próximos, está em causa a continuidade desta podridão mansa dos bem instalados, contra a pobreza generalizada que nos morde os calcanhares e ameaça a todos. Vai ser uma luta renhida entre os privilégios indevidos, contra a iniquidade, contra a desigualdade a que nos votaram, uma luta pela democracia a que temos direito. Direita e esquerda parecem apostadas em ver qual delas vê pior, seja ao perto seja longe, e a verdade é que volvidos 47 anos de pacata democracia nos encontramos não num beco sem saída mas no fundo de um abismo.

 

2. 2 - Esta democracia abana há anos, abanando mas não caindo é óbvio que um abanão é mais que necessário, receio contudo que não venha a passar de um tornado ou furacão, irá soltar raivas e certamente obrigar a reformas, mas depois esboroar-se-á e tomará uma dimensão residual por não ter nem estrutura mental nem física alicerçada em algo mais que uma profunda revolta e sentimento de vingança...


2. 3 - É por isso que a inteligência lhe faz falta e em muitas distritais e concelhias do Chega ignoram-na (se propositadamente não sei) ou  temem-na ...  Tal qual muitos homens temem as mulheres bonitas ... Eles não sabem que a ignorância mata, ideias, intenções, ideais, projectos, economias, democracias, pessoas.


2. 4 - Não basta parecer a mulher de César, é preciso sê-lo, e se o Chega se apregoa diferente dos outros partidos terá que o demonstrar, que o ser… Mas será ? Há muita pressa no CHEGA, nele nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? No que me é dado observar, nem sabe nem vê, a médio e longo prazo perde André Ventura e perderá o CHEGA.

 

2. 5 - Faço análise politica por gosto, para meu prazer pessoal, ao CHEGA faço-as desde há dois anos atrás, tenho muitas outras elaboradas antes dele e algumas posteriores ao meu primeiro contacto com este partido, que primordialmente passou a ocupar as minhas preocupações. São estes pensamentos, essencialmente de há um ano para cá que aqui sintetizo, têm que ver com análise, com análise politica, mas são pensamentos que já decorrem da minha vivência e experiência não somente neste partido, e da observação do seu trajecto, um fenómeno.

 

2. 6 - Um fenómeno o Chega, um fenómeno bem vindo e necessário à nossa quietude politica, mas certa e igualmente eivado dos aspectos negativos que os homens encerram, aspectos que tento combater colaborando e participando, tentando melhorá-lo através da minha experiência e prestação, como André Ventura com a dele, e que cada um de nós possa fazer neste campo o melhor para todos.

 

2. 7 - Verdade que o CHEGA polvilha os dias com alegria e populismo q.b. não só para animar as hostes, mas também para lhes abrir os olhos, porém quando o faz e ante os mídia cai o Carmo e a Trindade... Esquecem que barraram ao CHEGA o direito ao lugar por ele conquistado com votos. Claro que o populismo é precioso e preciso nesta fase em que a comunicação social cerca o CHEGA e nem a publicidade paga lhe aceita. Ora sucede que toda a publicidade é boa, pelo menos é o que afirmam os grandes publicitários. Nunca o CHEGA foi tão necessário, pois corporiza um projecto destinado a mudar democrática e radicalmente Portugal, mudar para melhor pois para pior já basta assim…

 

2. 8 - E por falar em mudar lembrei a nossa Constituição, que apesar de velha, caduca e limitativa em muitos campos, prevê ela própria os mecanismos constitucionais e democráticos conducentes a uma mudança de regime, ou a uma mudança dela própria. Portanto sabei que essa pretensão de AV é mais que legal, é mais que justa e mais que oportuna. Não nos bastaram 47 anos de regime podre para se concluir que o mesmo não serve a nação ?  Quantos mais anos e exemplos serão necessários para nos convencermos do óbvio ? A pretensão de AV para mudar o regime é mais que oportuna, é justa, e mais que legal, assim o CHEGA consiga congregar numa revisão da dita o número de votos necessários para dar forma a essa mudança, pois para pior já basta assim...

 

2. 9 - E ainda se perguntam alguns como nas últimas presidenciais foi possível ter ganho o Martelo. Aos parvos ganhou, tem vindo, têm vindo a ganhar sempre, abri os olhos gentes...

 

2. 10 - Como alguém disse uma vez “temos a direita mais estúpida da Europa”, penso ter sido Miguel Sousa Tavares, que também acrescentou “termos a esquerda mais estúpida do mundo”. Senão vejamos o que conseguimos em 47 anos em que a esquerda governou ou no mínimo condicionou maioritariamente os caminhos deste país ? No mínimo zero, nada, no máximo 47 anos perdidos, um buracão na economia, e na sociedade uma montanha de dívidas que nem Maomé quererá olhar quanto mais visitar…

 

 2. 11 - É curioso que decorridos 47 anos de relativa paz neste país e no mundo não tenhamos conseguido fazer ou fechar um único negócio de modo ou com saldo positivo. Ora nenhuma empresa, nem nenhum país, se aguenta ou sobrevive vivendo sobre negócios ruinosos. Somos os últimos da Europa, e somente os primeiros em tudo o que seja vergonhoso, desgraça, pobreza e desigualdade. Nem à esquerda em à direita temos tido elites capazes.

 

3.   O PRESENTE E O FUTURO PRÓXIMOS

 

3. 1 - É grande neste momento a responsabilidade do CHEGA, já que o partido foi intuído e aceite como a vanguarda do futuro, cabendo a esse lugar de liderança e de vanguarda correspondente e enorme responsabilidade, forçosa e normalmente indexada à liderança.

 

3. 2 - Digo isto por ser uma ideia infelizmente assente e generalizada que, em Portugal terá existido mais democracia que aquela de que hoje fruímos. Porém, nem por isso as populações, e de entre elas e em especial aqueles com funções politicas, abandonaram a velha prática do oportunismo, continuando dispostos a manter o assalto ao poder para manterem ou obterem privilégios que todos julgáramos eliminados com o advento do 25 de Abril.

 

3. 3 - Creio vivamente que o cilindro compressor que avizinho nascer já nas próximas autárquicas acabará por fazê-los perder o pé, obrigando-os a sair do berço doirado onde se acoitaram à custa dos sacrifícios de todo um povo, por quem deviam ter feito alguma coisa, pois lhes sobrou tempo, mas nada mais tendo adiantado que promessas, a maioria delas por cumprir há mais de quarenta anos.

 

3. 4 - É neste contexto de depressão, quebra e queda, moral, económica e demográfica que surge o CHEGA, para alguns uma ameaça, para a maioria dos outros a esperança. Para além disso o aparecimento do CHEGA consubstancia em simultâneo a sede de justiça há muito esperando uma resposta que sempre tardou e antes se agravou, pelo que agora não há nada mais a fazer que dar corpo a essas justas e velhas aspirações populares, o bastante para elevar o CHEGA não à terceira mas à segunda ou, com tempo, a primeira posição entre os partidos do nosso espectro politico. Uma verdadeira desilusão para quem ainda há pouco exigia ou pedia o seu fecho e ilegalização.

 

3. 5 - Temos, portanto, em Portugal, por cegueira e culpa de partidos julgados donos da democracia uma situação critica e altamente explosiva que, mal gerida poderá deitar a perder a democracia por muitos e muitos anos, situação para a qual o CHEGA deve estar atento, em especial nos maiores e mais populosos ou problemáticos concelhos.

 

3. 6 - É uma questão e um problema a gerir de luvas, com pinças e de mansinho, o CHEGA terá que fingir ignorar tudo isto sem deixar de lhe dedicar sequer um minuto de atenção, promovendo a concórdia entre todos no sentido de manter a unidade e a coesão nacional do país, fazendo cedências se necessário, e evitando empolamentos a qualquer preço ou a todo o custo.

 

 3. 7 - Dentro de bem pouco tempo será o CHEGA a dar cartas, ou governando ou aliado de peso num partido que com ele, ou com ele tenha formado governo. Aos seus militantes, simpatizantes e eleitores aconselha-se vivamente a que não façam ondas nesta fase da vida nacional, e aconselham-se sobretudo a sorrir p’ra toda a gente numa atitude de tolerância e verdadeiro fair play.

Entendem ?

 

4.   A MANUTENÇÃO DA LIDERANÇA E DA PRIMEIRA POSIÇÃO

 

4. 1 - Em primeiro lugar há que tudo saber bem, conhecer é saber, em especial e profundamente quais os mais prementes anseios e o que querem as pessoas, os portugueses. Elas ou eles quererão, têm mesmo direito a bem estar social e material. Ora é aqui que o primeiro degrau de responsabilidade se nos depara, não se pode distribuir o que não há, e para haver a ECONOMIA tem que funcionar.


4. 2 - As pessoas primeiro, mas sem falsos pudores ou compromissos, nem demagogia. Produzir, poupar, investir, amealhar, enriquecer, terão que ser o Alfa e o Ómega da governação pois só assim poderemos zelar pelo cumprimento dos seus desejos, das suas justas ambições, portanto, primazia e atenção à ECONOMIA. Para distribuir há que amealhar, a cada um segundo a sua necessidade, de cada um de acordo com a sua capacidade, a direitos iguais terão que corresponder iguais deveres.

 

4. 3 - Apareçam de onde aparecerem devem ser acarinhadas todas as iniciativas de investimento, contudo, e para evitar possíveis dissabores tardios, há que fiscalizar essas iniciativas e, nesse sentido exigir e responsabilizar quem de tal estiver incumbido.


4. 4 - Há que apoiar as autarquias, sejam ou não da nossa cor, são portuguesas e Portugal e os portugueses devem estar no primeiro lugar. O governo, quer o CHEGA esteja nele a título de acordo, quer o governo seja seu, e quer num plano regional quer num plano nacional,

 

4. 4 . 1 - (usei propositadamente a palavra plano regional para evitar a palavra região, a criação das regiões é altamente desaconselhada num momento de forte aposta no crescimento e controle total do que a nível económico se passar no país, o momento exige centralização do poder, para além disso o país é pequeno e as possibilidades de comunicação são hoje surpreendentemente faceis e rápidas, o que não acontecia ao tempo da génese e desenvolvimento do municipalismo.)


4. 4. 2 - continuando… o governo quer num plano regional quer num plano nacional,


4. 4. 3 - deverá pressionar, envidar esforços para por exemplo penalizar quem desviar dinheiro para os paraísos fiscais, tal como fiscalizar a justeza dos benefícios atribuídos a milhentas entidades, pois o comum cidadão nunca compreenderá os complexos mecanismos que actualmente toldam essa transparência e que segundo ele cidadão, mais não servem que para esconder a corrupção que nos devasta.

 

4. 5 - Outra necessidade premente é a de mexer na fiscalidade, tornar o país atractivo para o investimento privado, nacional ou não, privilegiando claramente investimentos que envolvam maior criação ou volume de emprego ou que o façam no interior do país, mas tendo sempre o cuidado de nunca discriminar os nossos em relação aos de fora, outra situação que o cidadão jamais aceitaria.

 

4. 6 - O país é pobre, e para país pobre dá de comer a demasiada gente que além de não produzir, complica, cria obstáculos, emperra o andamento normal da democracia. Falo não somente dos deputados, há directores gerais e gente instalada nos mais diversos locais da governação, havendo por questões de coerência necessidade vital de reduzir o seu número e a sua perniciosa presença ou exigir-lhes resultados e competência.

 

4. 7 - Analisada a produtividade dos deputados facilmente concluiremos que ao longo dos últimos 47 anos raros deputados se elevaram, isto é se tornaram dignos da função exercida, o resto andou por ali fazendo número pelo que, à volta de 50 chegariam e sobrariam, mais que isso são inúteis, têm-no sido toda a vida, o resultado está à vista de toda a gente, a Venezuela no horizonte, quando países, nações e estados social e economicamente atrás de nós em 74, lembro a Coreia do Sul e Singapura por exemplo, para não citar os países de leste, e que estão hoje na vanguarda enquanto nós vamos alegremente avançando como o caranguejo… Idem para os empatas burocráticos que enxameiam o país, ou exija-se-lhes competência e responsabilidade.

 

4. 8 - Olhado à luz dos nossos dias, o 25 de Abril, essa madrugada libertadora, transformou-se num exemplo da história da iniquidade, da desigualdade, da injustiça, da demagogia, da corrupção, de tudo menos da democracia que o 25 de Abril prometera, tendo-se este corrompido e tornado exemplo do maior bluff e do maior falhanço da nossa história. Em simultâneo e paulatinamente tem vindo a transformar-se num regime mais desigual do que aquele que pretendeu substituir e derrubou.

 

4. 9 - A este regime eu chamaria de regime de parlamentarismo bacoco, já que nesta democracia de instalados, os parlamentares que lhe deviam dar vida e a deviam defender e honrar, são na realidade um perigo para o dito órgão e regime.

 

4. 5 - ECONOMIA, falemos novamente de economia. Em 47 anos este país não fez um único negócio proveitoso, 95% da banca já não é nossa, nem 97% dos seguros e, o investimento, de que precisamos como de pão para a boca, se público ronda há muitos anos quase o zero absoluto, mas se falarmos do investimento privado pouco mais é que residual, manifestando-se sobretudo sob formas predadoras e oportunistas.

 

4. 6 - Como se equilibram as finanças e o orçamento de um país que vendeu ao desbarato as suas empresas mais rentáveis ? Onde iremos agora buscar o dinheiro para o investimento público ? Para aplicar na Saúde, na Justiça, no Ensino, nos Transportes, na Administração da coisa pública, na Segurança, interna ou externa, onde ?

 

4. 7 - Por muito que desagrade a muitíssima gente, parece termos em André Ventura o único deputado válido e o único candidato a PM preparado, lúcido, disposto a lutar pelo país e não pelo partido ou por interesses pessoais ou obscuros como até aqui tem acontecido na generalidade com os partidos e parlamentares do sistema. André Ventura denuncia porque tem os olhos abertos, todos os outros os têm propositadamente fechados há décadas.

 

4. 8 - Lutar contra esta nova Hidra De Sete Cabeças é lutar contra um sistema iníquo que após 25 de Abril se instalou em Portugal, e lutar por tudo isto é dar o braço a André Ventura e ajudá-lo a mudar tudo quanto tem que ser mudado para bem de todos nós porque para mal já basta assim.

 

 5.   TIPIFICAÇÃO DAS ÁREAS CUJAS REFORMAS PELA RACIONALIZAÇÃO DEVERIAM REMONTAR AO 25 DE ABRIL 74

 

5. 1 - SAÚDE – Um exemplo caricato, resolvido o problema da guerra e dada a independência às colónias nada justificou nem justifica a manutenção de estruturas de saúde exclusivas para os militares, o problema dos hospitais deveria ter sido e ser resolvido unicamente entre o sector privado e o público, sem privilégios para qualquer um deles. Igualdade seria a palavra de ordem, a qualidade dos serviços prestados ditaria a preferência do utente. Quanto aos militares, detentores de muito vagar em tempo de paz, poderiam sem esforço esperar a sua vez nas consultas, tratamentos ou cirurgias, com uma ressalva, em tempo de guerra teriam prioridade sobre todos os outros utentes. Assim se evitaria a duplicação de estruturas e meios físicos, materiais e humanos. Assim se poupariam milhões e teríamos um SNS capaz, sustentável e dando cobertura a todo o país.

 

5. 2 - SEGURANÇA SOCIAL – Já existiam, e mantiveram-se absurdamente duplicações de estruturas relativas à segurança social dos portugueses, ignorando-se as benéficas economias de escala que a sua junção provocaria. Para além do inútil e inexplicável gasto dos dinheiros públicos que essa duplicação, triplicação e quadruplicação, senão mais divisões ainda acarretam ao erário público, a sua mera existência é uma divisão dos nacionais, uns com mais privilégios, outros com menos, dependendo a sua situação mais da sorte e do acaso que das leis ou da justiça. Por quê uma ADSE, um SAMS, mais um serviço idêntico na PSP, outro na GNR / Guarda Fiscal, outro para os CTT, outro para a EDP, outro para os bancários, outro para os seguros, fora aqueles que nem lembro ou desconheço, uns para funcionários públicos, outros para o sector privado, uns mais privilegiados que outros, uns exigindo menos e oferecendo mais, outros exigindo mais e oferecendo menos…

 

5. 3 - Por que não um só sistema, um só serviço, quando recentemente o próprio estado, gastador e dissipador, forçosamente acolheu o sector bancário surripiando-lhe o enorme fundo de pensões para se desenrascar e deixando-nos mais um peso para suportar…O quê ou quem é capaz de justificar estas discrepâncias, desigualdades e absurdos ? Não são os portugueses todos iguais ante a Constituição ? Então por que razão permite essa mesma Constituição tais desideratos, não são eles  cultivadores e culpados da disseminação do gérmen de desigualdades e iniquidades entre nós ?

 

6.   O ESTATUTO PRIVILEGIADO DO FUNCIONALISMO PÚBLICO

………………. desenvolver

 

7.   HORÁRIO LABORAL, FONTE DE DISCRIMINAÇÃO NACIONAL

 ………………………..…. desenvolver

 

8.   AS LEIS DO TRABALHO, GRANDE NOVELO BEM ENLEADO


8.1 - Um novelo bem enleado, assim poderemos classificar actualmente a legislação laboral. Uma salganhada que nem a Autoridade do Trabalho deslinda. Impõe-se por isso clarificar e agilizar procedimentos, seja nas leis fiscais, seja nas leis sindicais, mas especialmente na legislação inerente ao trabalho. Quanto a estas leis, as laborais, há mesmo necessidade de rever toda a legislação produzida, englobá-la numa só e actual legislação, clara, sucinta, fácil de compreender, e não manter o actual imbróglio legislativo em que cada um interpreta a legislação quase segundo a sua vontade e em que o trabalhador, que não é nelas especialista nem tem um batalhão de juristas trabalhando como assessores, se perde num labirinto que o convence estar vencido à partida mesmo sabendo encontrar-se dentro da razão.

 

9.   SINDICATOS E SINDICALISMO, FONTES DE OPORTUNISMO

 

9.1 - Há em Portugal sindicatos a mais. A liberdade da democracia virou libertinagem. Só na polícia há um número inigualável noutro sector, 16. O mais recente - Organização Sindical dos Polícias – contava há pouco com 459 dirigentes e delegados para 451 associados. Uma nova lei para alterar o sistema está no Parlamento há um ano, mas PS e PSD não se entendem e são precisos dois terços de deputados para a aprovar.

 

9. 2 - Segundo o regime em vigor, cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês para actividade sindical. Os delegados têm 12 horas. Tudo somado, de acordo com os dados da Direcção Nacional da PSP, em 2017 o total de 3680 dirigentes e delegados tiveram mais de 36 mil dias de folga. O impacto na gestão das patrulhas e na marcação das escalas é um facto assumido por comandantes e a falta de efectivos é uma realidade.

 

9. 3 - No ensino são pelo menos uma dúzia, atropelando-se uns aos outros e naturalmente gozando do mesmo regabofe de folgas que todos nós pagamos com um palmo de língua fora. Não me pronunciarei para além destes dois exemplos, apenas sugeria que ao invés de 16 ou de 12 houvesse apenas um, que a lei permitisse apenas um global por ramo e, dentro desse que se digladiassem as várias doutrinas e tendências, presidindo aquela que no quadriénio tivesse vencido as respectivas eleições.

 

9. 4 - Não são s sindicatos os representantes das classes trabalhadoras nas suas múltiplas actividades ou profissões ? Não são eles quem dialoga, discute e estabelece com os representantes das classes empresariais os acordos que maioritariamente têm como preocupação fundamental os salários ?

 

9. 5 - Pois bem, e além desta quase única vertente, os salários, já houve alguma vez notícias de que tivessem analisado os motivos pelos quais o subdesenvolvimento crónico não arreda pé do país ?

 

9. 6 - Se tal aconteceu admito a minha ignorância e culpa mas disso não tive conhecimento, e sou bastante atento ás mais pequenas notícias da comunicação social.  Se aconteceu, isto é se analisaram esses motivos que concluíram ? Que medidas tomaram para os contrariar ?

 

9. 7 - Para mal dos nossos pecados é vergonhoso que o movimento sindical acorde negociar, e aprove tabelas salariais cujos valores a maioria das empresas acaba por superar, pagando salários muito acima dos acordados. Por quê ? Porque se nivela por baixo… Os sindicatos não hesitam em prejudicar a grande maioria dos trabalhadores aceitando tabelas salariais baixas, só porque meia dúzia de pequenas empresas não tem condições para pagar salários mais elevados ?

 

9. 8 - Se não têm condições deverão encerrar ? Não farão falta ? Há que observar que constituem concorrência desleal para as outras empresas aos ser-lhes permitido dessa forma beneficiar de custos mais favoráveis na produção.  Essas empresas não são sinónimo de desenvolvimento, antes pelo contrário, e a realidade é que mais cedo ou mais tarde acabam mesmo por sucumbir, prova que não devem ser artificialmente mantidas.

 

9. 9 - Mas o pior nem é isto, no estrangeiro, em especial na Europa, com quem os nossos sindicatos muito têm a aprender, o sindicalismo é forte e ele mesmo detentor de empresas, de bancos, de seguradoras, de fábricas, ou de posições e participações em empresas cujos dividendos aproveitam, enquanto em simultâneo concorrem para o desenvolvimento e para a manutenção e criação de postos de trabalho.

 

 9. 10 - Casos tem havido em que têm sido os sindicatos a tomar posições em empresas condenadas a morrer e que posteriormente fazem delas petiscos muito apetecidos. Calculem-se os benefícios dessa forma de actuação, não preciso certamente enumerá-los aqui.

 

9. 11 - E por cá ? Contestam-se as dificuldades ou o encerramento de qualquer unidade, fabril ou não, através de atitudes inconsequentes, sem procurar saber dos motivos que constrangeram os seus responsáveis a essa posição, tantas vezes (nem sempre) fruto de factores endógenos a essas unidades, a alterações de hábitos de consumo, à concorrência de outras marcas mais dinâmicas, à perda ou extinção de clientes etc. etc.

 

9. 12 - O nosso sindicalismo não é nem dinâmico nem inovador, é estático, e também ele não deu ainda a devida atenção à qualidade dos recursos humanos, à qualidade dos seus quadros, distraído e enfeudado como tem andado a forças políticas tão distraídas quanto ele da velocidade a que o mundo roda.

 

 9. 13 - Entretanto cada vez menos trabalhadores hoje neles confiam, menos se associam, sem que sindicatos e centrais sindicais deixem de alegremente repetir slogans, manifestos e modelos há muitos esgotados.

 

9. 14 - Quando veremos sentados á mesma mesa, sindicatos e empresários, na busca de soluções que lhes são por força das circunstâncias comuns e que lhes deveriam há muito ter dado consciência da ligação umbilical que os une, quando ? Não viram ainda sindicatos e patronato que o seu percurso é indissociável, que é a sua própria sobrevivência que está em jogo ? A nossa própria sobrevivência ? Não reconheceram ainda que já não está nas suas mãos o poder de decidir ? Que é a nível mundial que as decisões são tomadas e que do impacto desse embate resultam maiores ou menores estragos consoante a força e a unidade que apresentarmos ?

 

 9. 15 - Quando deixam os sindicatos de ver na classe empresarial o inimigo a abater ? Quando deixam de ver em cada empresário um fascista sem escrúpulos ? E quando deixam os empresários de ver nos sindicatos uma fonte de problemas ? Um bando de ladrões ? Um grupo de arruaceiros ? Quando é que ambos tomam consciência de que são parceiros sociais, actores do drama que liberalização e globalização nos obrigam a encenar ? Claro que nem todos os empresários são uns santinhos ou todos os sindicalistas um modelo de virtude, mas o mesmo se pode dizer de qualquer outra classe profissional ou funcionário. Não confundamos a floresta com a árvore, a excepção com a regra.

 

9. 16 - Quando souber que se sentaram à mesma mesa, sindicatos, associações patronais e empresariais e outras entidades com responsabilidades no nosso desenvolvimento ficarei feliz. Começará finalmente a compreender-se que só a união de esforços e a convergência de opções estratégicas poderão contribuir para a obtenção de resultados que a todos interessem. É que há tantos campos em que parcerias entre todas as partes envolvidas podem ser trabalhados, e que são caminho possível para que Portugal possa emergir do marasmo em que sucumbiu que não podem ser descurados.

 

9. 17 - Já agora, a titulo que conclusão, porquê a simbiose nada aconselhável, que se tem verificado ao longo de anos entre as posições dos vários órgãos do poder local, ou nacional e os sindicatos? Que procuram ? Que ganham com isso ? Que perdem ? Não são os seus papéis distintos ? Nunca ouviram dizer que trabalho é trabalho e conhaque é conhaque ? Nunca lhes passou pela cabeça que nem todos os trabalhadores comungam das mesmas opções políticas ?

 

10.               RENDAS E ALUGUERES VERSUS HABITAÇÃO  PRÓPRIA

 

10. 1 - Mui justamente uma das palavras de ordem do 25 de Abril, “pão, paz, habitação” em especial no que à habitação concerne, um dos problemas que ora estamos a sofrer, teve o seu corolário com a ocupação ilegal de casas devolutas, as designadas ocupações selvagens feitas a torto e a direito, submetendo a sociedade a enorme pressão que antiga e justa sede de justiça, sede de democracia, sede de habitar uma casa e a necessidade que estas premissas se cumprissem ditou, sem que contudo o estado se tivesse debruçado sobre o problema e muito menos legislado em conformidade.

 

10. 2 - A virtude do equilíbrio entre a procura e a oferta foi deste justo modo violentamente alterada, e mais o foi ainda quando retornaram à metrópole quinhentos mil portugueses fugidos das ex colónias ultramarinas, o desequilíbrio foi tão gritante, a falta de habitação tão pungente que o prato da gigantesca procura elevou o da exígua oferta de tal modo que as rendas subiram astronomicamente, respondendo naturalmente à exorbitante falta de habitações sentida e ao desalvorado nível que a procura alcançou, tornando a habitação um achado precioso...

 

 10. 3 - Neste contexto o estado foi, pela pressão das circunstâncias obrigado a legislar, mas fê-lo da pior maneira possível, congelando as rendas, mantendo-as obrigatória e artificialmente baixas, agravando um problema que já era sério e viria nas décadas futuras a prejudicar-nos a todos. Com as rendas congeladas quem investiria na habitação ? Quem retiraria delas, habitações, rendimentos para a manutenção das existentes ou um pé-de-meia para futuras construções ? Ninguém, o estado que resolvesse o problema, o que ele estado fez, mal e porcamente como se diz por aqui, através sobretudo da habitação cooperativa de custos controlados e da oferta de casas de rendas sociais. Duas boas medidas, excelentíssimas, caso não tivessem pecado por insuficiência.

 

10. 4 - A situação chegou a atingir o caos, o desastre, e só não redundou em desgraça maior dado o elevado custo dos novos arrendamentos, já então elevadíssimos, facto que tornou compensador ou preferível comprar uma casa com recurso ao crédito bancário, não tendo a ninguém ocorrido que estávamos uma vez mais saindo da lama para nos metermos num atasqueiro. Começara por essa época o triste hábito de não pensar o país, não o pensar a longo prazo, nem a médio nem sequer a curto prazo, como não analisar quer a montante quer a jusante o efeito das leis que iam sendo elaboradas. Com o fascismo, que caía, erguia-se a democracia mas também o improviso, o imediatismo, a irresponsabilidade e a ignorância.

 

10. 5 - Para fazer face ao afluxo de solicitações de crédito a banca nacional foi lá fora endividar-se, “ignorando” (?) que esse endividamento só a longo prazo seria amortizado, “ignorando” estar o crédito sendo afectado sobremaneira ao sector da construção, “ignorando” outras áreas do sector produtivo quiçá mais proveitosas de desenvolver que a simples construção civil. Cegamente passou a medir-se o crescimento do país pelo número de habitações licenciadas e pela tonelagem de cimento produzido, esquecendo a economia a fulcral área dos bens transaccionáveis e passiveis de exportação. Donde e quando foram exportadas habitações ? E quantas ?

 

10. 6 - Desregulada a economia, passámos de um deficit de 700 mil casas em 1977 para um superavit d’outras 700 mil em 2016, mas estranhamente este desequilíbrio não afectou o mercado imobiliário, devia ter afectado mas inexplicavelmente não afectou, nem as rendas desceram nem o preço das casas caiu. Portugal mantém assim a sua velhíssima peculiaridade de estar blindado contra os altos e baixos do mercado, não é só a gasolina que sobe sempre e apesar do custo da matéria-prima baixar nos mercados internacionais.

 

10. 7 - E por falar em petróleo, gasolina, automóveis, direi também que a prática generalizada da opção pela compra de casas ao invés da criação dum verdadeiro mercado de arrendamento, naturalmente forçou os senhorios a optar por construir para vender. Dizia eu que essa opção pela compra minou duas coisas, a primeira foi retirar dinheiro dos bolsos dos casais recém-formados que dessa forma não puderam ajudar o desenvolvimento de outras industrias por falta de poder de compra, ganha-se para a casita, para o carrito, para comer e pouco mais, chapa ganha chapa gasta, a segunda foi a morte da mobilidade do operariado.

 

10. 8 - O facto de ter ficado “amarrado” à compra de uma casa impede hoje que trabalhadores do sul, “amarrados” aos seus contratos de compra e venda, às suas casinhas, não possam deslocar-se livremente para o norte a fim de preencheram vagas de emprego ali surgidas e vice – versa. A menos que vendam a sua casita de um dia para o outro e com a riqueza e mais-valias efectuadas consigam passar férias em Bali, comprar um Ferrari, ou dois, e uma outra casita no lugar para onde irão… Só lirismos... Tivessem os governos fomentado a opção pelo arrendamento e cada casal seria livre de habitar onde desejasse, e talvez pagasse menos por uma renda que pagaria por uma prestação…. Mas o senhorio é tradicionalmente um facista não é ? Já o banco é um amigo….

 

10. 9 - Entretanto a banca, engordada e endividada lá fora, com uma divida colossal amortizável a trinta anos, ao primeiro sinal de crise e de desemprego penhora a casa aos desgraçados que ficaram sem ele, ele trabalho, inocentes a favor de quem ninguém na AR se ergueu a defender. Fizeram-no recentemente mas somente em relação às penhoras do fisco. Na democrática Holanda enquanto estiver desempregado o estado assume os encargos com o pagamento de rendas ou a prestação da casa e do carro, sim é solidariedade, por cá é o estado que lha tira e persegue o desgraçado com ameaças fiscais até muito depois de ter ficado sem a casinha se por acaso o IMI ficou por pagar. Ora a juventude, que não é parva de todo pura e simplesmente foge deste país de agiotas que contudo e tratando-se deles mesmos se abotoa, como vimos regularmente na AR em relação ao financiamento dos partidos.

 

10. 10 - O que a maltinha não sabe é que para Salazar, o tal bandido das costas largas, a casa era sagrada, embora eu deva recordar aqui uma das máximas salazaristas, "a política é para os políticos" dogma que automaticamente autorizava a PIDE a entrar a quaisquer horas na casa de quem não pertencesse ao bom povo trabalhador. Fora este nada despiciendo pormenor a casa, a habitação familiar, era lugar sagrado e quer inquilino ou comprador quer senhorio ou banco, tinham direitos e deveres que nenhum se atrevia a pôr em causa porque a casinha era mesmo sagrada, relembremos "Deus, Pátria, Família" e nem a banca a tiraria, se não quisesse correr riscos não tivesse concedido crédito. Nem o banco nem as finanças dispunham de leis que lhes permitissem abrir mão dos desaforos e criar os dramas que esta democracia tem permitido, porém ai de quem incumprisse pois se havia direitos também havia obrigações, havia direitos sim, muitos mais direitos que hoje, e deveres, deveres, coisa que hoje ninguém parece saber que seja, nem querer saber. Hoje nem há deveres nem há vergonha, nem responsabilidade, nem competência, tema para um outro capítulo.

 

10. 11 - Perguntamo-nos hoje se tantas imobiliárias são necessárias, claro que são, prestam um serviço, não tantas quantas há mas são necessárias. Quem venderia os milhares de imoveis que a banca financiou e tirou aos portugueses ? Quem promoveria a justiça e a injustiça ? Sim porque por trás de cada casa penhorada há um drama, e por cada casa vendida barata em leilões ao desbarato existe uma boa oportunidade de compra, ou um oportunista ? Empobrecem-se uns para enriquecer outros. Quantos pobres são necessários para fazer um rico ?

 

10. 12 - As imobiliárias são necessárias, intermedeiam, prestam um serviço, mas não esqueçam, não produzem, nem um tijolo, uma janela, uma porta, as Caldas da Rainha ao menos produzem, outra loiça, a AutoEuropa produz carros, as adegas vinhos, mas as imobiliárias mexem em dinheiro, de uns para outros, nada se cria, nada se acrescenta, nada produzem, apenas aproximam interessados em vender de interessados em comprar, são um elemento imprescindível e funcional do mercado, mas não façamos confusões, nem Sócrates o melhor comissionista da história conseguiria aguentar um país à base de comissões.

 

10. 13 - Vivemos num mundo de faz de conta, de ilusão, em que a banca, asfixiada com o crédito mal parado e as chamadas imparidades mais parece um presidente de câmara lançando comissões, derramas, taxas e taxinhas sobre tudo e sobre nada. Quem casa quer casinha, mas parece-me que quem quer casar primeiro desanda daqui, emigra, vende a casinha se a tem, ou se ainda a tem ou nem chega a comprá-la, e que mal faz ? A banca agora nem é nossa já, nem nada é nosso já, não demora que nem precisemos de emigrar, seremos emigrantes e explorados na nossa própria terra e tudo isto será deles, já é deles, dos outros…

 

11.               LIMITAÇÃO DE GASTOS COM RECURSOS HUMANOS

 

11. 1 - Muitas vezes tenho lido no jornal da minha terra, e não somente nesse, loas ao poder local por este constituir um empregador privilegiado na região e sem o qual muita gente não teria o seu ganha pão ao fim do mês. Nuca vi maior asneira. O poder local, mormente o funcionalismo público são um serviço necessário, como o é o ensino, a justiça, etc. Não podemos passar sem eles pois são serviços fundamentais numa sociedade organizada e evoluída. Porém contraponho eu, quem me dera que, a título de exemplo, na justiça passassem a vida inteira sem bulir, seria sinal de que a sociedade atingira a perfeição e não se manifestavam nela quaisquer conflitos.


11. 2 - Infelizmente tal nem sempre é assim, são serviços necessários mas não directamente produtivos, em teoria poderíamos até dizer que nada produzem, daí que o recurso aos mesmos deva ser pautado por contenção. Um exemplo, em cada concelho nunca foi legal e acertadamente convencionado, ou indexado, o volume máximo autorizado a orçamentar quanto a gastos com recursos humanos, e como tal e é hábito, a legislação é muita, dispersa e contraditória, dando para a sobrinha, o primo, a amiga, a amante, a mulher do tio, a esposa, a afilhada, o boy recomendado, etc etc etc …. Deve acabar-se com esta prática, que nem por isso coopta os melhores, antes pelo contrário, e desmotiva os que já lá estão e não pertencem nem à família nem ao partido….

 

12.               LAY OFF E IGUALDADE NA SITUÇÃO DE DESEMPREGO

 

12. 1 - Pouca gente se lembrará ainda da origem do estatuto do trabalhador do estado, vulgo funcionário público, e do contexto que esteve na sua origem logo após o 25 de Abril. Resumindo, 90% dos funcionários terão teoricamente mantido os seus postos e lugares, sendo-me impossível não mencionar os saneamentos de que por razões politicas alguns funcionários, com incidência nos quadros médios e superiores foram alvo durante esse quente e triste período politico. O estatuto do funcionário público vem colocar ponto final nesses abusos e proteger todos os funcionários, por igual pois todos tinham transitado do Estado Novo para a Democracia, logo seriam coniventes com o fascismo, veio protege-los do revanchismo das gentes mais à esquerda no espectro politico e mais à esquerda ainda no que respeita ao siso e ao tacto.


12. 2 - Ora essa conjuntura teve vez e apogeu há quase 50 anos, o estatuto defendeu quem precisava ser defendido de abusos e de abusadores, estabilizou a função pública, trouxe tranquilidade aonde a não havia, e as décadas foram-se passando e o estatuto ficando, sendo esquecido, como é hábito em Portugal.

 

12. 3 - Nada justifica agora a existência desse estatuto, aliás percursor inadvertido duma classe privilegiada, manipulada pelos sucessivos governos, privilegiada em relação aos seus pares do sector privado, quando a intenção inicial tinha sido precisamente mantê-los a par em igualdade de circunstâncias. O funcionário público goza hoje de privilégios, maiores ou menores, que o colocam injustamente acima precisamente daqueles que se esforçam para lhes pagar os vencimentos mantendo as desigualdades, os contribuintes do sector privado.

 

12. 4 - Se é justiça que se procura neste país o estatuto do funcionário público não tem razão para continuar, razões haverá sim para os equiparar, sector público e sector privado, e equiparar em todos os aspectos possíveis, categorias, classes, vencimentos, horário laboral, férias, leis do trabalho etc etc etc  Não existem já as razões que há quarenta e tal anos justificaram a sua especial protecção, pelo contrário, agora o esforço deverá recair sobre a igualdade, ou não somos todos filhos da mesma pátria ?


12. 5 - Portanto, inclusive os regimes de trabalho e a falta dele devem ser equiparados, aliás devem acabar as instituições para uns e para outros, uma instituição para todos, a mesma, vencimentos iguais, salários iguais, descontos iguais, igual Segurança Social e igual Subsidio de Desemprego.


12. 6 - Mas para haver Subsidio de Desemprego é preciso existir a condição de desempregado, coisa que no estado é impossível, o estado, qual galinha mãe, acolhe todos o tempo todo, mas à custa de quem ? E se o trabalhador do sector privado está sujeito a desemprego, e ao regime de Lay Off, por que não o está do estado ? Uns são filhos da mãe e outros filhos da p..… ? Quando no estado não se justificar o excesso de funcionários por que não resolver o problema do mesmo modo que o faz o sector público ? O sentimentalismo só funciona numa direcção ? Independentemente da discussão moral que o tema possa suscitar, não é esse o fito desta moção, não sou padre, nem psicólogo, nem filósofo, sou um pragmático, um prático. E se sujeitos a Lay Off quem sabe se eles seriam mais lestos a dar respostas aos nossos problemas, nossos, de nós que estamos fora da bolha protectora do estado mas a alimentamos como nosso suor e lágrimas ….

 

13.               SOCIEDADE PORTUGUESA, UMA SOCIEDADE SEM COESÃO

 

13. 1 - Nos últimos tempos vividos, os atropelos à democracia, a parcialidade manifestada, a falta de isenção de decoro e respeito por eleitores, contribuintes, espectadores e Tutti quanti, têm-me conduzido a profícua meditação.


13. 2 - Da ditadura de Salazar passámos à ditadura dos instalados, Portugal padeceu até 74 com a oligarquia instalada no poder cuja história conhecemos, mas volvidos 47 anos temos nas mesmas cadeiras elementos ainda piores. Dantes sofríamos os desagravos de uma cabeça uma sentença, hoje os desatinos de cem cabeças e de cem sentenças. Entre uma e outra opção venha o diabo e escolha.

 

13. 3 - Os instalados de hoje contra os instalados de ontem, porém estes comem mais, roubam mais, estragam mais e fazem menos, muito menos. Que fizeram de positivo para além de 47 anos de negócios ruinosos ? Para além da venda do país a pataco ? Para além da traição da alienação de sectores estratégicos ao estrangeiro ? Para além de toda a injustiça, incompetência, irresponsabilidade e corrupção ?


 13. 4 - Portanto, e quando todos parecem dispostos a tudo para calar a voz de André Ventura, só nos resta dar-lhe o braço, dar-lhe a força do nosso voto, por nós, por Portugal, pelo futuro !!!

 

14.               UM HORIZONTE SORRIDENTE, MAS COM ALGUMAS NUVENS

 

14. 1 - Tenho observado o CHEGA desde que apareceu. Surgiu rápido e crescendo depressa, creio não me enganar se lhe prognosticar uma votação considerável no próximo acto eleitoral.

 

14, 2 - Portanto o CHEGA chegou, encontrou o seu lugar entre uma abstenção composta maioritariamente por desiludidos com os partidos do sistema, os tais partidos instalados, acomodados e incapazes de mudar, um nicho de eleitores considerável, perto dos cinquenta por cento do eleitorado. Mas será o CHEGA capaz de crescer, de os convencer e manter a todos ?

 

14. 3 - Surripiando votos quer aos desiludidos, quer aos partidos instalados, quer aos abstencionistas convictos e descrentes, o CHEGA cresceu depressa e mais depressa ainda subiu nas sondagens mas, há sempre um mas, quantos mais desses eleitores virá com o tempo a conquistar, a convencer, a fidelizar ou a perder ?

 

14. 4 - É certo que cresceu depressa, mas as pressas por vezes dão em vagar, o CHEGA por mor da pressa com que se guindou à celebridade cresceu desorganizadamente, atabalhoadamente, pisando muitas vezes os princípios que diz defender e não cuidando de acautelar a democracia interna, democracia que portas fora diz querer vender-nos. Tenho observado cuidadosa e acauteladamente o seu percurso, o caminho trilhado e, neste momento diria que o meu prognóstico apontaria para o arame, para a balança ou seja quanto a mim o CHEGA é neste momento mera atracção circense balanceando perigosamente no arame e alvo de potentes holofotes.

 

14. 5 - Manipulando causas fortes e fracturantes de grande efeito mediático, mobiliza as suas hostes mas não toca fundo nos reais problemas do país, ou se toca fá-lo pela rama, nem sempre apresentando as melhores soluções, como no caso da TAP acerca da qual afirmo há muitos anos que dada, oferecida, seria cara para quem ficasse com ela e, se assim já era há anos, o tempo confirmou o dito. O recém-chegado CHEGA não pode limitar-se a perseguir, secundarizando e secundarizando-se, a agenda conjuntural do governo, dos mídia, da esquerda ou da direita e atiçar-lhes os cães danados, o CHEGA tem que propor medidas estruturais de vanguarda e solução para os problemas que compõem o desastre da nação.

 

14. 6 - Nem o CHEGA pode ser o partido de um homem só. André Ventura e o CHEGA são inseparáveis e indispensáveis mas não chega, o CHEGA não pode ser um partido de breve crescimento e breve existência, como aconteceu com o PRD de Hermínio Martinho, o CHEGA tem que chegar longe porque lhe cabe uma missão quase impossível, pelo menos jamais possível de ser levada a cabo pelos partidos do sistema que à saciedade nos demonstraram não estar interessados em fazê-lo mas somente neles mesmos apostarem ou por eles mesmo fazerem.

 

14. 7 - Correu o CHEGA atrás da inútil causa da esquerda, da agenda da esquerda e do racismo, tendo convocado para tal uma manifestação a decorrer debaixo desse tema. É uma causa perdida, não há racismo em Portugal, nunca houve, isso é coisa dos States e da África do Sul, nós temos focos de violência rácica pontuais, choques localizados, não existe entre nós uma doutrina ou prática racista generalizada e, queixas apresentadas por pretos são-no igualmente por brancos, são problemas do país, radicam no caminho para a miséria que trilhamos, pretos e brancos, e não em quaisquer animosidades de cor contra cor ou de raça contra raça.

 

14. 8 - Quanto a uma estratégia de crescimento sustentado do CHEGA diria que tarda em chegar, os sound bites lançados até agora têm mobilizado o seu eleitorado básico e instintivo, de revoltados a desiludidos, têm sobretudo apelado à classe baixa, a que mais sofre com os males da desgovernação que há décadas tomou conta do governo da nação. Não vejo o CHEGA preocupado com os problemas estruturais do país e que possam mobilizar a classe média e alta, sabido não podermos sobreviver sem elas, sabido quão elas têm sido também cilindradas pela estupidez que tomou assento no parlamento, nos ministérios, direcções gerais e tutti quanti nos desgoverna.

 

14. 9 - O percurso apressado do CHEGA não está a permitir-lhe construir alicerces sólidos nem a prometê-los, ao invés disso está a acicatando as tropas de combate, carne para canhão que lhe garantirá uma vitória ou duas, dois ou três anos de sucesso, mas nunca lhe conferirá solidez para se manter confortável nas sondagens e no poder, criando mesmo um risco acrescido de, entre classe média, média alta e alta, cavar ainda mais fundo a generalizada descrença nelas existente.

 

14. 10 - A fasquia terá que ser colocada mais alta ou o CHEGA não passará da colheita do breve benefício do populismo, populismo que não de todo erradamente tem vindo a ser acusado. Sobretudo não pode continuar sendo o partido de um homem só, terá que convencer, não aliciar mas convencer intelectuais, artistas, académicos, cientistas, investigadores, professores, enfermeiros, carpinteiros, serralheiros, empresários, quadros médios e superiores, e não pode acudir automaticamente a todas as causas pontuais mas dedicar-se sim a problemas globais, estruturais, dando de si uma imagem sólida, eficiente, capaz, responsável, íntegra, e gerar confiança, no futuro, nos portugueses, em Portugal. Nem tão pouco deve acudir ou lamentar a falta de autoridade mas exercê-la, sem medo, quem tem medo compra um cão, e exercê-la é fazê-la cumprir, nem que para isso tenha que distribuir bastonadas à direita e à esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos. 

 

14. 11 - Abracei o CHEGA mas, em demasiadas situações não me sinto identificado com as suas posições nem com algumas atitudes de militantes seus, de topo e de base, deixando-me por vezes mesmo desconfortável, diria que envergonhado pois quanto a mim o ser humano há muito abandonou as cavernas e, se o adjectivo sapiens que caracteriza hoje o homo significa alguma coisa, é tempo do CHEGA demonstrar a todos que essa sapiência é também uma sua particularidade, quando não será mero epifenómeno e daqui a meia dúzia de anos esquecido para ser meramente lembrado a título de anedota.

 

14. 12 - Por favor, chega, não me envergonhem, dêem-me causas nobres pelas quais combater, causas pelas quais valha a pena bater-me, batermo-nos, causas que devamos defender, basta de pão e circo, chega de jogos de coliseu.   

 

15.               UM PROGNÓSTICO FUTURISTA E PESSIMISTA

 

15. 1 - Não desejando que a este prognóstico / resumo, sim porque de uma resenha de tudo quanto atrás foi dito lhe poderemos chamar, a realidade é que a actual situação vivida em demasiadas distritais e concelhias. Nelas e um pouco por todo o país são declarados focos problemáticos que, quer queiramos quer não fustigam o Chega por umas tão graves quão negativamente simbólicas nódoas, ou não fossem elas dificílimas de “limpar”.

 

15. 2 - Todas estas imagens negativas que o Chega vem inadvertida mas infelizmente alimentando são devidas a um deficit de democracia, de imparcialidade, de isenção e de inexperiência politica que pontifica entre o pessoal dominante nos órgãos que atrás citei.

 

15. 3 - Com ou sem eleições à porta a fasquia deverá ser colocada muito mais alta ou o CHEGA não passará da breve colheita de um flash instantâneo. Nas próximas eleições autárquicas preconizo-lhe pelas razões citadas uma ascensão fulgurante que, contudo e pelo que disse não passará provavelmente dum breve flash, dum vago e ilusório benefício e de um ainda mais curto momento.

 

15. 4 - Esses militantes, fiéis, seguidistas mas inexperientes na coisa política, ocupando como certamente irão ocupar assembleias municipais e presidências de câmaras de norte a sul com gente impreparada, farão surgir centenas senão milhares de impugnações originadas p’los seus precipitados, impulsivos, irreflectidos e transviados actos administrativos com a chancela Chega, as quais não somente encherão tribunais, mas sobretudo inviabilizarão o normal funcionamento de quaisquer autarquias, resultando dessa vitória a apreensão pelos eleitores de que os quadros do Chega não estão preparados para a função, resultando a sua acção mais perniciosa que benéfica para os concelhos. Oposição e mídia juntar-se-ão no coro de denúncia e protesto, fazendo com que gradualmente os mesmos eleitores que no Chega tinham votado passem a retirar-lhe os mesmos votos que tinham impulsionado a ascensão do partido.

 

15. 5 - Esfumar-se-á lentamente a tal vitoriosa curva ascendente, a qual em pouco tempo irá guinando no sentido duma outra curva de natureza bem diferente, de trajectória descendente e acusando a diluição dos votos, da confiança perdida e concomitantemente do gradual declinar do poder do Chega.

 

15. 6 - Muito dificilmente o Chega recuperará duma queda assim, nenhum populismo lhe valerá nem poderá continuar sendo o partido de um homem só. Só então AV verá com pesar de nada lhe ter servido andar a correr para assim se estampar, terá que redobrar de esforços para voltar a convencer, não aliciar, mas convencer intelectuais, artistas, académicos, cientistas, investigadores, professores, enfermeiros, carpinteiros, serralheiros, empresários, quadros médios e superiores, e a todos aqueles de que não se soube em devido tempo rodear. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre, tem uma agenda preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde, amanhã e depois de amanhã, mas não tem um minuto de descanso, não pára, não tem tempo para parar e ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente deflagram atrás de si.

 

15. 7 - O problema é de justiça, o pessoal, a populaça, anda sedenta de justiça, e o Chega aproveitou para montar essa sede e transformar-se num rolo compressor, num cilindro justicialista, vai daí soltou todos os demónios da sua tropa fandanga esquecendo-se de que lhe será muito difícil ou mesmo impossível voltar a encerrá-los na lamparina. O país vai estar uns anos não diria desgovernado mas reformando-se aos encontrões e tropeções, o país será alvo não de um Tsunami reformista originado pelo Chega mas por um verdadeiro arrastão que tudo levará cegamente na sua frente.

 

15. 8 - As culpa desta passagem cronológica do que será a nossa história futura ? Será dos mesmos de sempre, os partidos do sistema que, travando reformas que há muito deveriam ter sido tomadas criou as condições pra que agora o sejam sem quaisquer travões. Vai haver justiça, vai haver reformas em catadupa, o país vai mudar, o país vai sofrer mas as reformas vão fazer-se. Atabalhoadamente, mas far-se-ão, vamos ter pelo menos uma década de revolução e reformas, vai ser a nossa Revolução Cultural à moda da China, vinganças, mesquinhices, ajustes de contas, delações, falsas ou não, disse que disse e bufaria vão ser o pão nosso de cada dia.

 

15. 9 - Não é o facto do Chega ser de direita ou de extrema direita que nos deve preocupar, isso são aliás denominações caducas, ultrapassadas, deveremos sim preocupar-nos por o Chega ter feito da ética letra morta e seguido as pegadas de Teresa Guilherme que afirmou não me lembro já onde nem quando “ não dar a ética de comer a ninguém” … Pois não, mas também não lhe tira a comida da boca…

 

15. 10 - Avizinham-se tempos conturbados. O recuo na disciplina de filosofia no ensino secundário, efectuados há uns bons anos, vamos pagá-lo agora às mãos de gente sem princípios, sem valores, enfim, às mãos de uns amores…

 

15. 11 - O partido irá arrepender-se de não se ter dedicado em tempo útil a causas e problemas de natureza estrutural, a problemas globais, económicos e outros, o que teria dado de si uma imagem sólida, eficiente, capaz, responsável, íntegra, e que teria gerado confiança no eleitorado e no futuro aos portugueses. Devia tê-lo feito, nem que para isso tivesse sido ou se mostre necessário distribuir bastonadas à direita e à esquerda, seja sobre pretos seja sobre brancos mas vincando a garantindo a autoridade e a justiça, a igualdade e uma democracia musculada. Não o ter feito, não ter cuidado de tal desiderato irá sair-lhe caro.

 

Como diria Shakespeare se fosse vivo. ”Tanto barulho para nada” …

E tanta correria para nada digo eu.

 

             15.12 - Repito, há muita pressa no CHEGA, demasiada pressa, aqui nem se pára para pensar e a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Com a pressa com que corre para acudir a todos e em todo o lado, será que André Ventura vê o que vai ficando atrás dele ? André Ventura corre, tem uma agenda preenchida e sabe sempre onde deverá estar hoje, esta tarde, amanhã e depois de amanhã, não tem um minuto de descanso, não pára, não tem tempo para parar e ver o rasto de polémicas que aqui e ali constantemente deflagram atrás de si.

 

No que me é dado observar, nem sabe nem vê, perde André Ventura e perderá o CHEGA.

Caminhamos mal….


NOTA. SE GOSTASTE PARTILHA ESTE TEXTO COM AS TUAS AMIZADES, AJUDA-AS NA ANÁLISE CRÍTICA, A ESCLARECER POSIÇÕES E CLARIFICAR ASSUNTOS. 


LOUISE GLÜCK, NÃO, NÃO GOSTAVA DELA ...

               


              699 - NÃO, NÃO GOSTAVA DELA

 

Não, não gostava dela, não me caiu na simpatia e cedo dei por perdido o dinheiro dos dois ou três livros dela que, numa entusiasmada expectativa comprara num impulso onde se misturava a solidariedade, o apreço, o reconhecimento pela obra de uma vida, e o individualismo interesseiro em passar regalado algumas horas debruçado sobre a sua poesia.

Começaram sendo mastigados à força, aquilo saía dos cânones, não era poesia não era nada, era uma mistura ecléctica de recordações e pensamentos dispersos dificílimos de entender e mais difíceis ainda de deglutir.

Mas de tanto teimar e tanto mastigar acabei ruminando a coisa e, gradualmente foi-se fazendo luz, aos poucos fui entrando no seu espírito, compreendendo o seu ponto de vista, ou pontos de vista e, o que me parecera inicialmente uma floresta desordenada começou aos poucos surgindo como um daqueles olivais intensivos (esses sim sem graça) que agora se vêem muito pelo Alentejo, e os seus poemas ordenados, com sentido, quais soldadinhos de chumbo alinhados na parada, petingas enfiadas num palito.

E então, comecei a lê-la com gosto, como quem degusta um bom petisco, sentado na cadeira de repouso da varanda, numa mão o livro, a devoção, na outra uma cerveja fresca fazendo fluir a função, página atrás de página, golada atrás de golada, e assim foi degolada a aversão que lhe tinha e, agora, conheço-a desde menina porque ela me conta cada medo, cada pensamento, cada sentimento vivido.

Vejo-a nitidamente, desfiando um rosário que aperta na mão e passa mágoa a mágoa, trauma a trauma, desejo a desejo, numa inaudível e inconfundível voz poética com que me grita quão lhe pesa e a fere o tormento da existência individual e do livre arbítrio.

Mudo de livro, tenho vários dela, agora já redimido de mim, vogando na austera beleza com que ela, Louise Glück, teima contar-me no seu modo quão a beleza tem de universal, e me ilumina verso a verso os mais ínfimos aspectos da natureza, aspectos em que eu jamais me concentrara e agora, milagre, foi como se alguém me tivesse dito:

- Ergue-te, e vê.

A sua poesia fala, e fala-me numa voz doce e de um modo franco e triste de quem passou a vida isolado, isolada, e os seus poemas tornaram-se-me secretas expressões do seu viver e sentir, estrofes duma experiência que me quer transmitir e, á noite, deitado na cama e antes de adormecer, eu que adoro a história ouço-a segredar-me dos mitos de outrora numa intensidade emocional que há muitos anos não sentia, melhor dizendo, não sentia desde que criança a minha avó Inácia, que me contava contos à lareira, ia depois pé ante pé ajeitar-me a roupa junto do pescoço, para que o frio não entrasse nem o calor saísse, pensando que não a via ou ouvia, quando eu, nem adormecia sem sentir o seu aconchego, por isso, Louise Glück não me conta dos mitos, conta-me contos.

Que mais vos posso dizer ? Que ouçam a poesia, que a natureza assim flua em vós como o sangue nas veias, o pensar no cogito, a beleza na alma, como vinho que ascende ao espírito. 



terça-feira, 18 de maio de 2021

698 - E HÁ OS HOMENS QUE NÃO OS TÊM... *


Estou em mudanças, deixei há poucos dias a minha alegre casinha, cá me arranjei para ocupar uma outra, bem bonita e a desejo, com comodidades que a que deixei não tinha mas que a minha idade já não dispensava.

 Entre outras vantagens dispõe de gás canalizado, o que o meu marido acha óptimo, (queixava-se que as botijas pareciam aumentar de peso a cada ano que passava), é um aprazível rés-do-chão rodeado por bonito jardim, e fica localizado pertinho da casa nova que o meu filho irá estrear, o que, não deixando remorsos à alegria de o ver partir, minimiza a dor da separação.

 Por este motivo ando ainda com tudo em bolandas, de tal modo que até há poucos dias e ao certo só sabia onde tinha a escova dos dentes e pouco mais, quase tudo o resto andava embalado numa centena de caixas de cartão aguardando vez de arrumação, para o que me sobrava vontade mas não me chegava o tempo.

 Finalmente tenho espaço para suprir a velha necessidade de um escritório/biblioteca à mão, pois todas sabemos quanto é difícil trabalhar sem condições e na velha casa os livros já se amontoavam por tudo que era sítio, visto ambos sermos leitores compulsivos, mas sobretudo porque o meu marido os devora mais rapidamente que a um petisco numa qualquer cervejaria.

 Até ocuparem o seu lugar no novo espaço que lhes será dedicado, muitos deles repousam ainda nas ditas caixas de cartão, razão porque não recordo agora se é de Camus, Sartre, ou qualquer outro um título que me acudiu há dias à memória; “ Os homens e os outros”, a propósito do ter carácter ou da falta dele, numa questão levantada no seio de um grupo de amigos e num alegre convívio.

 Sou por hábito e formação directa e frontal, assumo as minhas atitudes que defendo com tanta garra e convicção quanto estou disposta a retractar-me e corrigir-me quando erro. Engano-me algumas vezes e outras tantas sou assaltada por dúvidas, problema que procuro resolver na hora ou logo que possível. A dar o dito por não dito é que não me apanham.

 Nessa roda de amigos lancei propositadamente para o ar uma rasteira que sabia de antemão só ser aceite por parvos, na absoluta certeza de não haver ali nenhum, coisa em que não me enganei. Mas alguém mordeu o isco e se denunciou, e denunciou-se não pela posição tomada, (na rasteira eu sabia que ninguém cairia), mas pelo modo como colocou a questão, toda ela solidamente alicerçada numa diplomática falta de bom senso, de diplomacia, de verticalidade e de coerência.

Respeito ideias contrárias, honram-me opositores à altura, crentes, honestos e assumidos na defesa intransigente daquilo em que acreditam, mas não vejo com os mesmos olhos aprendizes de feiticeiro, marionetes a mando de cadáveres adiados que pensam fugir a uma morte anunciada porque ouviram ao longe tocar as trombetas das suas hostes. Quando os sinos tocam a finados os cães fogem assustados porque desconhecem não ser por eles que dobram.

 Os “homens”, especialmente os condenados, têm obrigação de saber por quem vão eles repicar e quer se ouça ou não o clamor das suas hostes, em duas coisas deveriam pensar,

  •  - primeira; se chegam a tempo ou dispostas a salvá-los,
  • - segunda; se não seria boa opção fazer os mínimos estragos possíveis de modo a morrer com alguma dignidade e com menos pecados na consciência.

 Qualquer condenado que assim proceda não ganhará certamente um óscar, mas morrerá de pé, num combate frente a frente e nunca sujeito às indignidades que lhe mancharão a memória e jamais lhe apagarão as nódoas que sobre si derramou.

 Quanto ao meu amigo que tão infantilmente se denunciou, não me conforta que se tenha desculpado, traições não se perdoam nem se esquecem, saberá certamente ter que viver o resto dos seus dias com o anátema de quem não procedeu correctamente. Há culpas que nem o mais compreensivo confessor redime, são culpas que nem terá coragem de confessar.

 No que concerne aos restantes amigos dessa grande roda que fizemos não me desiludiram, vincaram opiniões que defenderam com galhardia, nem outra coisa deles seria de esperar. Prevaleceu sobretudo entre todos e no final a concordância.

 Saí satisfeita do convívio. O que me aborrece mesmo é precisar de fósforos e verificar que há homens que não os têm...

 Texto inédito, by Maria Luísa Baião, texto inédito, escrito em 14-2-2001, não existe a certeza quanto ao facto de ter ou não sido publicado mas, a tê-lo sido, teria acontecido no Diário do Sul, coluna Kota de Mulher por esses dias ou semanas.  

domingo, 16 de maio de 2021

ATENÇÃO VEM AÍ A RAINHA DE INGLATERRA


            697 -ATENÇÃO VEM AÍ A RAINHA DE INGLATERRA"

                           # TEXTOS POLÍTICOS 12 # 


Diz-se nos mentideros que a rainha de Inglaterra está prestes a candidatar-se à presidência da CME. Não o parecendo, pois andamos distraído e ocupados com a aberração do Covid, difícil é darmos por mais uma, uma transmissão dinástica de poder numa cidade histórica, com um património que muito deve à realeza e pouco ou nada à nobreza.

O rei seu pai não nos deixou nem saudades, nem memória, deixou-nos uma mão cheia de nada, e vários discursos e entrevistas que a seu tempo me fizeram rir, mas com razão. Não tenho por hábito rir-me das pessoas quando eu mesmo posso ser, como quaisquer outros, motivo de riso.

Não ri do rei mas das suas afirmações, uma delas, salvo erro numa entrevista a um jornal de referência, tentava justificar e salvar a honra das, segundo ele, perto de trezentas (300) associações culturais existentes no concelho sobre o qual reinava.

Ainda fiz uma tentativa para as encontrar mas foi trabalho inútil, encontrei meia dúzia delas, das mais conhecidas e expressivas, se bem que nada de especial nas mesmas tenha notado, já que nem se pode afirmar contribuirem para a cultura.

A não ser para a cultura em circuito fechado em que se movem e vivem, nem contribuem para o desenvolvimento do concelho, vivem para si mesmas e fechadas em si mesmas, não criam emprego que se note, talvez e no total meia dúzia de postos de trabalho manhosos, mas alegraram o rei, éramos pois o concelho do país com mais associações culturais, talvez ainda sejamos, não esqueçamos a dificuldade em listá-las ou ordená-las por actividade ou categoria.

A continuarem a sua misteriosa existência será caso para dizer que por aqui a cultura vai de vento em poupa e recomendar-se-á… Mais um motivo para acreditarmos que Évora será nomeada Cidade Europeia da Cultura em 2027.  Por incrível que pareça consegui, pela primeira vez, dizer, digo escrever isto, sem que me tivesse desmanchado a rir.

Mas fiquei pensando que compensará derramar milhões em subsídios sobre tanta associação, quer a CME quer as freguesias alimentarão porventura uma miríade de associações completamente inúteis, que nada produzem, cujos votos serão desse modo alegadamente comprados, digo alegadamente porque não creio que alguma delas tivesse passado recibo de tal transacção, tantos votos tantos euros, X votos por Y euros, e assim se vai vivendo e sobrevivendo. Como disse não acredito no que acabei de afirmar, mas confirmo que desta sim, desta vez desmanchei-me a rir.

Não quero parecer um cidadão mal educado ou mal intencionado, mas será com esses votos que a rainha de Inglaterra conta para se nos apresentar a sufrágio ? Obra de que possa gabar-se não tem, aliás perdeu o império quando o rei seu pai ganhou a guerra. Virá de mãos a abanar como a rainha Santa ? Trará rosas ? São rosas senhor. 

Ou trará promessas ? Promessas e a continuação da chuva de estrelas, perdão, dos tais subsídios que alimentarão as tais associações que fazem de Évora um concelho imbatível em termos culturais ?

Kultura para o povo, culturazinha cozinhada a preceito ou, como diria o Herman José, cozinha para o povo… Já o irreverente e sarcástico Quim Barreiros cantaria “Cuzinho Para o Povo” numa interpretação tão matreira quanto o tema em mãos…

Bem, bom almoço pessoal chamam-me da cozinha, deve ser para descascar uns nabos :D