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quarta-feira, 3 de abril de 2019

591 - TUDO TEM UM FIM, By Maria Luísa Baião *

 

            Quando esta crónica vir a luz do dia serão vésperas do momento de reflexão que antecederá as eleições para a Presidência da República. Espero sinceramente que os portugueses não se demitam das suas responsabilidades e compareçam em força no dia das urnas, debitando o seu precioso voto nas mãos do candidato que melhor preencher as suas aspirações.

É que a nossa democracia não pode contar com mais ninguém que nós próprios, e se é verdade que através do voto elegemos os nossos representantes, é também verdade que não o fazemos para que eles venham a votar por nós. Não devemos aceitar ter passado cinquenta anos a exigir eleições livres para que agora nos venhamos a dar ao luxo de as menosprezar, Salazar daria certamente duas voltas na cova, morreria mesmo de riso se não estivesse já morto, ao constatar que afinal ele é que tinha razão e conhecia os portugueses melhor que qualquer um.

Abominemos portanto a abstenção, utilizemos o voto, que é a arma do povo, castiguemos com mão pesada todo o político que nos mereça indiferença, mas por amor de Deus não brinquemos ás democracias ! A menos que a nossa revolta seja tão grande e a indignação tão profunda que só pela força nos possamos ressarcir da desconsideração sofrida. Mas aí atenção, teremos que trilhar caminhos mais duros, porventura mais trabalhosos que o simples acto de votar, caminhos que nos poderão tragar, caminhos de revolta, de revolução, e é por demais sabido que os primeiros que uma revolução devora serão sempre os seus filhos mais dilectos.

Mas se não é esse o caminho escolhido, se a ETA ou o IRA, (para não citar outras fontes de luta e sublevação violenta) não seduzem, então leitora ou leitor aproveite, dê um passeio com o seu marido ou esposa, leve as crianças ao parque ou ao jardim, beba uma bica, converse com os amigos, e de caminho dê um saltinho ao local habitual e vote. Lá encontrará outras amigas e amigos com quem poderá carpir as mágoas desta tão pesarosa democracia. No entretanto terá cumprido o seu dever de eleitora, ou eleitor, terá colocado um ponto final nas suas apreensões, por agora o seu dever cívico está cumprido, não esgotado, tudo tem um fim, por esta vez a tarefa estará terminada. E bem vistas as coisas não custou nada e até foi agradável não foi ?

Na realidade tudo tem um fim, também irá deixar de contar com estas minhas crónicas que semana a semana tanto prazer me têm dado. Como bastas vezes afirmei, elas são, foram, o meu modo de estar consigo, de privar consigo, de superarmos o tempo que não temos para que possamos, pudéssemos desfrutar de alguns momentos de conversa, de intimidade, que em especial a mim tanta satisfação têm dado. Outros compromissos me obrigam a esta atitude, ponderada, reflectida, difícil, mas inadiável. A todas as leitoras e leitores deixo a minha consideração e o meu agradecimento pelo carinho e compreensão que sempre me demonstraram, creiam que não vos esquecerei.

A este semanário, que de forma tão desinteressada me abriu as suas portas muito tenho a agradecer, da disponibilidade à aceitação incondicional dos meus escritos, que nunca foram objecto da mais pequena observação, critica ou censura, até a alguma notoriedade e reconhecimento público que o IMENSO SUL me permitiu, tudo isso lhe devo, e respeitosamente agradeço.

Nunca esquecerei terem sido aqui as minhas iniciação e exposição pública de quanto de íntimo me ía na alma, uma aventura que se transformou numa necessidade e mais tarde num vício do qual tiro o maior prazer, o prazer de poder estar com todos vós. A este semanário, a todos os seus elementos e colaboradores, deixo o meu muito obrigado e os votos das maiores felicidades. O IMENSO SUL será para mim eternamente um ponto de referência, que, como habitualmente, não deixarei de acompanhar como leitora todas as sextas-feiras.

A todos vós um grande xi coração.


* By Luísa Baião, escrito domingo, ‎7‎ de ‎Janeiro‎ de ‎2001, pelas 22:22h e a última publicação no semanário IMENSO SUL, ‏‎ tida lugar a 12 desse mês.