quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

804 - UMAS BANDEIRAS EM MINHA DEFESA ...




   Estão sempre com piadas, sempre a empurrar-me para os braços desta ou daquela, isto só pra vocês verem o suplicio que vai sendo sentar-me na mesa deles na esplanada do café… pra uma ida à praia ou uma caminhada, ou à pesca... Foi o que foi ... É o que é e continuará sendo até que eu ceda ou lhes faça a vontade ...

 

- Baião, tens que conviver, sair, bla bla bla...

 Confesso que já nem os vou podendo aturar...


E francamente, para os satisfazer ou calar, de vez em quando digo-lhes que têm razão e que já   escolhi meia dúzia delas para sondar, digo a uns, enquanto a outros vou prometendo inscrever-me na “universidade sénior” que, segundo eles, está cheia de velhos e velhas e é para isso que essa UE serve, prá gente ir lá escolher uma que, por exemplo, não deixe cair a dentadura cada vez que ri…

 

Tudo porque fiquei viúvo há relativamente pouco tempo, quase oito anos, e lá na ideia deles tempo demasiado pra estar sozinho nesta idade dizem, e que não posso nem devo continuar sozinho, se até já caí na banheira, nem devia isolar-me, ou ainda viro um eremita e bla bla bla bla…

 

A verdade é que é raro sentir-me só, passeio imenso pela cidade, bem bonita aliás, e lá vou subindo escadas, descendo ladeiras e subindo subidas claro, diria que repetindo ad nauseam os mesmíssimos percursos que percorria há uns anos, quando o Senhor nem pensaria ainda levar-me quem levou, sobretudo do modo como levou. Ou calcorreando sozinho e meditativo os quarteirões desde casa à rotunda, dali ao BPI, até alcançar a estrada de Arraiolos e voltar pra casa … 




Diria que a minha conversão aos discípulos do Deus de Spinoza vem desses tempos, já que nunca fui capaz de compreender nem aceitar tal, pois como todos sabemos na teologia tradicional cristã, Deus não é considerado mau, a maldade e o sofrimento no mundo são-nos atribuídos em virtude ou contraponto ao beneficio do livre-arbítrio que esse Deus humanamente nos concedeu e ainda à entrada do pecado na Terra.


Mais uma vez culpa nossa, que não soubemos resistir à tentação. É ou está mais que sabido, a Bíblia define Deus como totalmente bom, justo e fonte de misericórdia. Tudo coisas, conceitos demasiado velhos, até pra mim que embora esteja na meia-idade, nem preciso descer à terra pra matar a curiosidade quanto a esses tão incoerentes quão contrastantes conceitos para os achar um absurdo destinado a iludir cegos. Se há até gente que acredita no paraíso e na vida depois da morte…

 

Como tal, ou por isso mesmo, apesar dos passeios, percursos, a que umas vezes de manhã, outras ao fim da tarde, mas muito menos p’la noitinha dou rumo, já não esbarro como dantes com ruas, ruelas e praças apinhadas de gente. A maioria dos habitantes da urbe caminham para velhos, e a maioria dos velhos ficam enclausurados em suas casas por diferentes razões. São tantos que Évora, penso eu pensando nos velhos, será o lugar onde o negócio dos "mata-velhos" tenha sido ou seja uma das melhores ideias de negócios que alguém por estes lados teve...

                                            

Para ser sincero ainda me vejo com quarenta ou cinquenta anos e já há muito concluíra não estar preparado para estas coisas da idade, nem para estas nem para ingressar na tal “universidade” dos velhos, nessa então nem pensar !!

 

Gosto de caminhadas, são sempre optimos passeios de grupo, alegres, fáceis de aturar, sempre que posso inscrevo-me numa ou noutra, como disse gosto dessas idas e vindas, e pelo sim pelo não, no verão, levo calções de banho…




 - Baião, tens que conviver, sair, bla bla bla...

Tudo porque lá na ideia deles, e viúvo há relativamente pouco tempo não posso continuar sozinho.

 

- Tens que ir em frente ... não podes ficar parado ... 

 

Alguém de quem se espera apoio para a cura, apoio ou conforto, é indiferente, como os amigos, a bem da verdade, involuntária e inconscientemente mais não conseguem que trazer-me de volta o sofrimento fazendo-me reviver lembranças e mágoas antigas.

 

E deste simpático e empático modo mais não alvitram que ao invés de as sararem, reabrem-me as velhas chagas, porque nem toda a paixão acabou quando partiste. Saíste da minha vida mas não do meu coração, continuas comigo, pra onde quer que vá tu me acompanhas, iludido, continuamos os nossos percursos, sussurrando, ombro no ombro, como se nunca tivesses abalado, sim, é o pior de tudo, amar-te como sempre te amei e amarei.

 

 “As pessoas, e o amor que passou pelas nossas vidas são tudo aquilo que deixamos uns aos outros.” 





terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

803 - DIA DE ALMOÇO NA TAL PIZZARIA ...

 



 

O comboio bufara todo o santo caminho, mas falhara a ligação e, quando cheguei era tarde, tardíssimo, encontrar um lugar onde almoçar àquela hora seria milagre, e o milagre aconteceu, muito, muito antes de sabermos onde seria o almoço.

 

Era tarde e a calorina queimava-nos as faces, vi-a mal pus um pé fora da estação, passado tanto tempo ainda me esperava, afogueada, certamente tão cheia de fome quanto eu e, quase corremos um para o outro, quase, quase…

 

Foi o maior o mais longo e saboroso abraço da minha vida, nem sei qual dos dois tremia, se eu, se ela, se o mundo a meus pés, não sei não…

 

De caminho divisámos muitos restaurantes exibindo orgulhosamente a tabuleta de fechados, mas, passando ao fundo da avenida sentimos um aroma pairando no ar, uma pizzaria aberta, talvez ainda em limpezas. Desculpei-me com o atraso no comboio e apresentei-me como cliente mistério, cliente surpresa, cliente espião, e não tivemos problemas em sermos recebidos e servidos. 






Almoço à hora do lanche, tão tardio que nem lembro que pizza ou pizzas escolhemos, lembro, apesar de tudo, do atraso, da fome, da boa disposição dela, do sorriso dela, da alegria dela, dos olhos vivos dela, eu no céu contemplando a beleza, já sem fome alguma ainda antes das pizzas comidas.

 

Brincámos todo o almoço e brincámos com o pessoal, quando nos retirámos ficou tudo em pratos limpos, e a mentira do cliente mistério pairando no ar sem ameaças. Com graça até.

 

Eu já estava apaixonado há muito tempo, essa paixão nunca haveria de deixar-me, e não deixou, não me deixou, mas cegou-me. Então, tudo o que via era meu, tudo que desejava me era satisfeito, senti-me um rei, com todos os direitos e mordomias, fiz-me egoísta, passei a exigir, ou era como eu queria ou não era, foi quando começou a crescer entre nós um pequeno muro, depois mais alto e mais alto, coberto de hera, alimentada com o meu egoísmo, soberba, arrogância e presunção. 


Enquanto e em simultâneo me enganava a mim mesmo sendo altruísta, simpático, empático para com a minha rainha, precedendo-lhe os passos, estendendo-lhe á frente a passadeira quando ela caminhava, correndo pra cuidar do mínimo que ela alvitrasse, cuidando que nada lhe faltasse e…

 

foi assim que a matei …




Foi assim que sem dar por isso e de tão ocupado com as minhas ambições e gostos ou preferências que comecei a faltar-lhe. Eu, de tão preocupado em fazer o bem que ia deixando atrás um rasto malcuidado, eu sempre lembrando o óbvio, mas não vendo o obtuso, lembrando o acessório e esquecendo o essencial, eu de tanto que quis proteger acabei ferindo o meu bem mais precioso.


Sempre presente para todos faltei a quem mais precisava de mim, sou culpado, sei que sou culpado, não serei o único, mas sou, não procuro desculpas e somente agora tento compreender como pude chegar onde cheguei, tão longe na senda da estupidez. 



 

Pontapeio durante o caminho e enrraivecido vários monticulos de folhas que os varredores juntaram meticulosamente talvez com o fito de mais tarde as virem ensacar. Não sou mal-intencionado, nunca o fui, mas culpado sim, pelo menos meio culpado. Tão irresponsável quão indiferente, nem soube cuidar  de quem amava, quis fazer o bem acabei fazendo o mal,  estava atento, mas não ao essencial pois conhecia factos aos quais  não compreendi ou acudi a tempo. O significado, o alcance e o reflexo das minhas atitudes não eram visíveis a mim mesmo, eu não via o que devia fazer e em muitas atitudes ou procedimentos falhava no que mais importava.

 

Verdade que exigia muito de mim, mas não percebia o que ela reclamava nem tão pouco se era justo com todos. Afinal acabei sendo injusto com alguém em relação a quem me julgava perdulário, dava aos outros enquanto faltava a quem mais precisava de mim, queria poder ter acertado mas errei precisamente onde ou com quem tal não podia nem devia ter acontecido.

 

Desculpas? Não procuro desculpas para a minha culpa; procuro entender o meu erro. Volvo e revolvo esta minha confissão, esta reflexão inútil por tardia, este confronto comigo próprio, eu via, só não via aquilo que mais precisava ser visto porque o amor cega, e a soberba sobrepõe-se à ganância já que ao olhar tão intensa e somente para o que nos interessa deixamos de reparar noutras facetas dessa tão candente questão, paulatinamente volvida problema.





E, no entretanto, cegos, vamos andando correndo, destruindo aquilo que seria essencial preservar, não me estou defendendo estou a descobrir exatamente como e quando a matei…

 

É provável que, distraído, não lhe tenha dado aquilo que, para ela, seria o principal e fiquei vivendo com a consciência de a ter destruído, carregando um peso na consciência e a certeza de que muitas vezes não é a falta de amor que destrói uma relação, é a incapacidade de cuidar do amor que nela devia existir e florescer… Cuidado que cabe a ambas as partes, reciprocidade se chama essa responsabilidade…

 

 Matei o amor que vivíamos, mas não matei o amor que sinto. Perdi-a, mas não perdi o meu amor por ela. Continuar a viver com os dois factos ao mesmo tempo, o que vive e o que morreu, e isso, que era algo propriedade e responsabilidade dos dois, resume-se agora àquilo que ficou vivo ficou dentro de mim.

 

Não estou tentando transformar o crime em heroísmo. Enquanto criminoso reconheço o crime, porém o romântico em mim continua a amar aquilo que perdeu.   O alvo desse amor desapareceu da minha vida, o amor permanecerá dentro de mim.

E daqui nasce uma personagem muito mais interessante: culpado, mas não cínico; arrependido, mas não à procura de absolvição; justo comigo próprio, mesmo quando a sentença é dura; e ainda apaixonado por aquela que perdeu.

Trata-se de poetizar a minha dor, a dor do culpado, uma dor sem remissão. Ela perdeu-me; eu perdi-a; mas o meu amor por ela não morreu.

 

Talvez seja precisamente esta a minha “pena” o amor continuar vivo depois de ter destruído aquilo que o sustentava. Cabe-me agora descobrir onde está a verdade mais forte, na saudade ou no esquecimento. A ver vamos.




802 - PEIXEIRADA OU CACOFONIA ….

 


Antes de começar deixai-me esclarecer-vos que estou agradecido a António Costa, e não a qualquer outro, o que tem sido feito pelo país. Continuará sendo graças a ele que tudo que no futuro for feito por Portugal será pensado, ponderado e orçamentado. Tudo levará a sua marca, ele constituirá a marca do antes e do depois do caos.

 

 Mas igualmente vos direi ser pessoa de quem não gosto, com quem nem simpatizo minimamente e que, a serem verdadeiras as sondagens me surpreendem pela negativa. "Se alguém duvida eu não, A. C. será tido e julgado como o PM que mais mal preparado se apresentou para governar este país. Os anais da história só lembrarão o actual primeiro-ministro como o homem que enterrou Portugal, os portugueses e a esperança.

 

 Há cinquenta anos que o país é submetido a mentiras constantes e mal governado, com A. C. passámos a viver uma mentira permanente e fomos pior governados. Miragens, lucubrações, visões, más formações, loucura e idiotice atingiram com ele os limites aceitáveis ou suportáveis, o paroxismo. Porém esta dose cavalar parece ter tido a virtude de acordar finalmente os portugueses da letargia em que viviam, podendo dizer-se que hoje tudo escrutinam meticulosamente. Por que pensam vocês que um partido desconhecido até há pouco sobe nas sondagens ?

 


 No início era o verbo, depois tivemos um animal feroz, o primeiro arlequim louco a animar a maralha… Ao intuírem que o centrão não os poderá levar a lado nenhum os portugueses acordaram e deduziram finalmente o modo arrevesado como os socialistas os trouxeram até aqui. E enquanto os partidos do arco da desgovernação (os restantes só têm empatado) andarem de braço dado quando os portugueses estão já fartos e cansados desse triste fado, tudo será cada vez mais e melhor escrutinado, avaliado e ponderado. O facto de praticamente todos os dias nascerem novos partidos, a maioria deles fundados por dissidentes que por dentro não conseguiram mudar aqueles em que militavam, a democracia está assegurada. (Pelo menos 14 estarão a concorrer em 10 de Março).

 

 Mas apuremos o saldo, deram-nos alguma coisa de extraordinário os socialistas, os democratas, os centristas ou os comunistas ? Deixar-nos-ão algo por aí além os actuais socialistas ? Mentiras e dívida sobrarão depois de cinquenta anos de corrupção, amiguismo, compadrio, desvario, incompetência, irresponsabilidade, desresponsabilização e oportunismo.

 

 Um problema transversal e cultural que suja todos os partidos do regime, diria eu, quero dizer, de falta de cultura, um problema de tecnicismo a mais e humanismo a menos, um problema de excesso de Excel e ignorância de Heródoto, um problema de ambição desmedida de gente sem estofo, sem tarimba, sem classe, sem garra mas com unhas, que deitam a tudo que possam.

 

De cinquenta em cinquenta anos aparece um deputado de louvar, morreu Sá Carneiro, temos agora a título de exemplo a Marisa, a Ana, a Catarina, e o Jirólmo para compensar. Entre um e outras (o) a banalidade, a boçalidade, o servilismo à disciplina partidária, o vampirismo de partidos organizados em função do poder, da avidez, da fortuna fácil, do politicamente correcto. Como desígnio e resposta a nada …

 


 Abri um velho Diário Económico e leio esta pérola, «…A Camargo Corrêa, empresa brasileira que controla a Cimpor desde Junho de 2012, está a estudar a venda de activos, o encerramento de algumas unidades industriais menos produtivas e rescisões de pessoal… na Cimpor prossegue com a apreciação do seu ‘portefólio' de activos não operacionais, não excluindo hipóteses pontuais de alienação”…» Uma empresa portuguesa nacionalizada sem qualquer pensamento estratégico (como todas as outras) lançou todos no desemprego e deixou de pagar impostos, obedecendo à lei cega do lucro fácil e rápido, sem custos, pois fechada renderá mais. A falta de cimento nos mercados fará subir os preços e rentabilizar em 300 ou 400% o investimento do grupo nela.

 

 Seguir-se-ão a Secil ? (1) E uma e outra empresa e muitas outras empresas até que emigremos todos e o país encerre de vez ? Que devemos aos democratas e aos socialistas que não mais de cinquenta anos de fingimento, que é como quem diz, de NINS ? Mesmo assim, nem sim nem não, ou aos social-democratas que não a morte das pescas, da indústria, da agricultura às mãos de Cavaco, ou esta cegueira suicidária do confinamento exagerado às mãos do ignorante A. Costa e que fulminou dezenas e dezenas de PME e com elas milhares de postos de trabalho.

 

 Depois de Salazar e Caetano ninguém mais soube como governar este país. Sentaram-se, estiveram, desfrutaram da cadeira do poder sem sequer imaginarem o que isso implicaria. Todavia a culpa não é só de quem governa, quase quarenta anos de Salazar e mais cinquenta desta democracia de merda devem-se a este povo a estes eleitores, dos quais metade descrê e não vota, sabendo-se que a outra metade vota nos mesmos de sempre julgando, e acreditando, que alguma vez esses mesmos irão fazer coisa diferente da que sempre fizeram.

 

 Felizmente apareceram uma dúzia de pequenos partidos abanando as consciências e acordando finalmente este ensonado povinho, que se levanta tacteando a parede em busca do papel higiénico, ignorante de tudo e por isso ainda mais desconfiado de todos. Por inacção ou omissão todos somos culpados e essa é a verdadeira questão. Mas afinal em quem poderemos confiar ? (14 irão concorrer a 10 de Março)

 


 Por que razão nunca se responsabilizaram os concelhos pelas suas taxas de desemprego ? É fácil e cómodo atirar as culpas para cima do IEFP. Por que nunca se responsabilizaram os concelhos pelas taxas de PIB alcançadas por eles mesmos ? É mais fácil culpar os sucessivos governos… Por que nunca se estabeleceram metas e exigiram resultados aos responsáveis, em cada município, pelos departamentos de desenvolvimento económico ? Que pariram esses departamentos ao longo de cinquenta anos a não ser bons empregos públicos ?

 

E o interesse público ? E o interesse dos eleitores ? E o dos munícipes ? Alguém conheceu a esses departamentos de “desenvolvimento” os planos de actividade ?  Alguém lhes conheceu resultados ? Alguém viu alguma vez os seus mapas de execução ? Alguém foi corrido ? Mudado ? Substituído ? Não culpemos somente os governantes, nem os presidentes, ou os vereadores, há por aí muito director, chefe de serviço e deputado municipal a precisar igualmente de ser reformado.

 

 Já vos devo ter contado que há uns meses ia matando uma criança com a mota, nem ia a mais de vinte à hora, para a evitar quase esbarrei com um carro que se apresentava em sentido contrário, felizmente com a brusquidão da travagem a mota derrapou e atirou-me ao chão antes de colidir com ele. Esfolei o joelho, a mão, o cotovelo, desloquei um ombro, mas não toquei no cabrão do gaiato, que ficou mais branco que a cal da parede. Saíra repentinamente pela porta traseira esquerda do carro da mamã que parara em fila dupla no meio da via, por culpa da inconsciência, mas também do planeamento da via junto à escola, nova, da incompetência de quem desenhou os acessos e da irresponsabilidade de quem os aprovou.

 

 Noutro dia abordarei esta questão com maior acutilância, por hoje já desabafei. Como se pode ser um bom ministro, presidente, ou um bom vereador, com subordinados ou colaboradores deste jaez ? Para já fica a questão ou a pergunta no ar…

 


 Portugal carece de reformas há cinquenta anos, imensas e profundas, a minha crítica a António Costa deve-se ao facto de ter tido uma oportunidade de ouro para as fazer e não as ter feito. Sim, porque fingir que faz e não fazer não pode confundir-se com uma reforma da administração local, ou o fecho de balcões com uma reforma da economia. Reformou-se por encomenda de quem nem o país conhecia e até o Dr. António Borges antes de falecer admitira o erro na nossa integração no Euro e causa parcial do desastre económico que se lhe seguiu e estamos a viver.

 

 A ignorância larvar e o desconhecimento do seu próprio país conduziram António Costa a um beco sem saída que agora nos quer vender como se fosse o paraíso, por isso as mentiras não param claro, agora é encadeá-las umas nas outras para que pareçam verdade. (o comissionista não era o 44?).

 

 Os portugueses toparam-no logo, e responderam-lhe com os pés, mas montado numa geringonça António Costa fez-se dono dum país ficando contudo com ele na mãos sem saber o que fazer-lhe e, sendo um trapalhão atrapalhou-se, mas trapaceou-nos o melhor que soube.

 

 Eu pelo menos, e julgo que mais portugueses, agradeço-lhe, agradecemos-lhe. O país nunca mais será o mesmo, nem a oposição, que mudará forçosamente, não mudou ainda o suficiente, nunca mudará o suficiente, mas o país tem mais gente, e mais gente significa mais opções e mais respostas, mais alternativas, mais partidos, o que nos garante nada mais vir a ser como era dantes.

 

 No que eu não creio mesmo é que quem nos trouxe até aqui daqui nos tire, porque para essa gente, “A OESTE NADA DE NOVO”, continuam pensando como pensavam, imaginando continuar a servir-se de nós como serviram.

 

É hora de dizer basta. É hora de mudar  !!

 

 

 (1)   http://economico.sapo.pt/noticias/cimpor-fecha-fabricas-e-despede-funcionarios-no-brasil_226793.html.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

800 - CALADINHO OU LEVAS NO FOCINHO !!!






  

Como todos sabemos é do caos que renasce a Fénix, e este país anda a precisar de uma grande limpeza. Uma limpeza tanto no sentido literal quanto no metafórico, estamos quase quase a dobrar os cinquenta anos do 25 de Abril e cada vez mais portugueses são de opinião ser uma data para esquecer.

 

Não para comemorar.

 

Os partidos do regime, sem excepção, tiveram tempo de sobra para arquitectar os seus sonhos de democracia, de ter ideais e ambição ! Mas e depois ? Depois de instalados esses partidos não tiveram tempo em 50 anos, nem para realizar essa ambição nem para cumprir os seus ideais ? Se esses partidos são tão bons como se acham, por que razão está Portugal tão mal ?

 

Podemos afirmar com uma certeza certa que para além de privilégios para alguns dos seus militantes, nem sequer para todos, esses partidos nem para eles foram, muito menos para os portugueses ou para esta nação.

 

Esqueceram a Pátria, a Família, e até Deus, não respeitaram os seus eleitores nem os seus programas, ao invés de motores de desenvolvimento foram coveiros da dignidade, da riqueza e potencialidades desta nação, venderam-se a si mesmos, e venderam Portugal por um prato de lentilhas.

 

Todos sabemos igualmente que existem problemas com os eleitores, metade deles descrê e não vai votar, e a outra metade vota nos mesmos de sempre julgando, e crendo, que alguma vez os mesmos farão diferente do que sempre fizeram.

 

Diz-se que os eleitores não se interessam pela politica, e nada me admira quando os mídia lhes escondem precisamente o que os faria levantar-se indignados do sofá !

 

Saberão os eleitores que nada ou quase nada em Portugal é nosso ?  Desde estradas, a barragens, a centrais eléctricas, redes de distribuição, transportes, empresas de construção, de metalurgia, cimenteiras, jornais, revistas, rádios, TVs e outras, imoveis aos milhares, herdades, olivais, lagares, rotas aéreas terrestres e marítimas, portos, aeroportos, a banca, os seguros, os correios, os telefones, hospitais, a EDP, qualquer dia só restará nas nossas mãos a mercearia do bairro e o barbeiro da esquina…

 

Agradeçam a esses partidos !! 


São bons a "amanhar-se" e deviam ser iso sim, os seus membros proeminentes julgados criminalmente por traição à Pátria !

 

Qualquer dia não, diria que já somos estrangeiros na nossa própria Pátria !!

 

Jovens casais já não ganham para comprar ou arrendar casa, ou ter um emprego, foram-lhes cortadas todas as oportunidades, dantes emigravam em busca de melhor vida lá fora, agora emigram por não serem capazes de fazer as suas vidas na própria Pátria !!

 

Saberão eles que já nada ou quase nada em Portugal é nosso ?  Saberão mesmo ou têm-lhes escondido a verdade ? Como têm feito com o Covid ? Com a Ucrânia ? Aliás como têm vindo a fazer com tudo ?

 

Por essas e por outras é que não irei ao concerto do Vitorino, um CONCERTO COMEMORATIVO DOS 50 ANOS DE ABRIL A REALIZAR NO TEATRO GARCIA RESENDE EM 16 FEV PRÓXIMO !! 

 

NÃO CONTEM COMIGO PARA ALINHAR NESSA FARSA !!

 

E se estes democratas tivessem vergonha nem comemorariam coisa nenhuma, mais valia terem vergonha do que conseguiram em 50 anos. Conseguiram menos que nada, zero. E não vou ver o Vitorino por ele estar mais velho, pois eu também estou, mas por o ver pactuar com os amiguinhos de sempre, com esta esquerda cega e estúpida que nos enfiou neste abismo, parecendo-me que ao Vitorino só lhe interessar facturar, facturar, facturar...  Devia envergonhar-se de dar a cara e o nome a uma data que nos está a codilhar e a envergonhar a todos...

 

Quem entregou o país ás mãos avaras de uma CEE sedenta de nos engolir ? Quem lhe fez o favor de acabar com as pescas, com a indústria, com a agricultura, quem ? Quem atirou o país para o colo do Euro quando se sabia que ninguém estava preparado para sobreviver no seio de uma moeda forte ? Quem comprou baratas as PME que não resistiram à mudança ?

 

Teríamos à nossa disposição um mercado de mais de 200 milhões não foi o que nos disseram ? Quando nem para tocar viola tínhamos mãos…  Nada vendemos a esses tais, mas eles vieram por aí adentro e tudo nos venderam e tudo nos compraram, só falta mesmo escorraçarem-nos daqui, e já o começaram a fazer !!  


Abre os olhos eleitor português !!  

Abre-os bem porque já somos “metecos“ na nossa própria terra !!

 

BE, PCP, PS, PSD e CDS há 50 anos que nada fazem pelos portugueses, a AD é a cara da incompetência tentando apelar a valores que morreram há décadas ! Depois da morte de Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa a direita ficou órfã, até hoje ! E o PS disfarçou-se para lhe roubar o lugar.

 

A NAÇÃO NECESSITA URGENTEMENTE DE UMA DIREITA CONSERVADORA QUE ACTUE EM DEFESA DA FAMILIA, DA NAÇÃO E DOS PORTUGUESES !!

 

NECESSITA URGENTEMENTE DE UM PARTIDO QUE LITERAL E MATAFÓRICAMENTE ENDIREITE ESTE PAÍS !!  Que penalize os mídia que se renderam aos subsídios e se venderam à censura por três tostões. Os portugueses merecem saber a verdade ! Necessitam de órgãos de mídia independentes e que lhes contem a verdade ! O PÁGINA UM não pode ser uma excepção, tem que ser essa a regra ! Os portugueses andam sendo enganados há 50 anos !

 

O novel partIdo ADN, Alternativa Democrática Nacional veio para fazer o que devia estar feito há 50 anos, veio para fazer o que deve ser feito, para fazer o que ainda não foi feito, o ADN pretende precisamente devolver aos portugueses toda a liberdade e dignidade que perderam ao sofrerem com a queda do país num abismo sem fundo e com o crescimento inaudito de uma divida incompreensível e inaceitável !!

 

É nessa barricada que me verão, nas trincheiras do ADN, certamente lutarei por todos e por Portugal, e darei o meu melhor, como sempre, ou não teria aceitado ser candidato e dedicar-me a todo o trabalho partidário a fazer e necessário para resgatar Portugal das mãos dos irresponsáveis, ignorantes, inábeis e incompetentes esquerdistas que dele se apoderaram.

 

Viva Portugal !! Viva o ADN !!

 








O país precisa de uma grande varredela, disso não tenho a menor dúvida...  
Lembremo-nos que há males que vêm por bem ...  😕

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

799 - O HERBÁRIO DO ASTROFÍSICO ...


 

De vez em quando acontece, acontece-me e, desta vez pensei que assim tivesse sido, tivesse ido ao engano, ou não. 

Bem, para ser franco fui, fui e não fui. 

Sim, porque pensara ser o livro uma coisa e saiu-me outra. 

Não porque embora tendo saído coisa diferente não me desiludiu, antes me deixou inicialmente perplexo e depois admirado, surpreendido e finalmente agradecido.

 

Nunca pensara que o velhinho simpático que nos surge na capa fosse o próprio autor, mas é mesmo ele, e estava mais longe ainda de julgar esse velhinho, com toda uma vida dedicada à infinidade e aos mistérios do universo, se dedicasse e deliciasse com coisas tão prosaicas como as flores que pisamos ao atravessar quaisquer caminhos ou ao cortar a direito pelos campos adentro.

 

Desenhei então um quadro mental em que, uma mente sábia e habituada á grandeza e gigantismo das galáxias se debruçava sobre a singela pequenez da enorme beleza que dia a dia ignoramos. Desse modo fui avançando numa leitura que de início me colocara algumas dúvidas, outras tantas apreensões, e à qual torcera o nariz. Mas valeu a pena. 

 

Gosto de biografias e, não sendo o caso, é lícito acreditar que ao lê-lo saberei como pensa e desenvolve o raciocínio mental alguém à altura de um Einstein, acreditei que tal seria curioso e atirei-me ao livro, que me fora recomendado por quem com eles gosta de brincar, com o afã de um crente agnóstico.

 

Saindo de minha casa e virando à esquerda, entrando na privada pública quinta das Glicínias, propriedade do IEFP e centro de formação na área da agricultura e maquinaria inerente, embrenho-me num campo sem fim, pejado de flores silvestres, tal como Hubert Reeves descreve aqueles em que na Borgonha atravessa durante os seus idílicos passeios.

 

Verdade que já vos falara desses campos e os fotografara para um texto neste blogue sobre um outro livrinho, este, ou melhor esse, da autoria da nossa amiga ACL.

 

https://mentcapto.blogspot.com/2016/04/342-o-livro-da-leonarda.html

 

https://mentcapto.blogspot.com/2016/04/343-leoparda.html

 

Todavia, contudo, mas porém nunca é demais aceitar e anuir que olhava esses campos floridos no seu todo nunca me tendo preocupado com os milhares de individualidades florais que o compõem.

 

Verdade que o autor nos descreve cada flor e cada folha com uma ternura e uma paixão que, mais que nos esclarecer nos emociona e enternece (desculpai-me se isto soar a redundância), verdade que a sua leitura nos embevece, e acalma a alma, o que não deixa de ter o seu mérito considerando que as flores não tinham sido até aqui o meu principal foco de interesse.

 

Durante perto de quarenta e cinco anos vivi com uma tão sapiente quão bela flor selvagem, contida, comedida, diplomata, toda ela bom senso e etiqueta, a quem somente as limitações sociais mantinham dentro da jarra a partir da qual jorrava a luz que iluminou a minha vida.

 

Naturalmente tornei-me dependente dessa única e inigualável fonte de alegria, tão dependente que uma vez perdida iniciei a demanda do santo graal, buscar e colher flor igual que de novo apaziguasse os meus dias.

 

Demanda profícua é certo, tão profícua que hoje posso dizer estar literal e metaforicamente rodeado de flores, porém, foi preciso aparecer Hubert, aparecer e gritar-me que do alto da sua cátedra vira uma flor selvagem para que eu, deitando os olhos ao chão, visse de quanta simplicidade e beleza estou rodeado, tanto no que á flora concerne quanto concerne ao factor humano.

 

“Small is beautiful”, quantas vezes li os ensinamentos deste livrinho de mais de duzentas páginas e nos quais muito reflecti nos tempos da minha juventude, demorei mais de quarenta anos a debruçar-me seriamente sobre essa frase e a dissecá-la.

 

“A beleza das pequenas coisas” surpreende-me hoje que, aposentado, parei de correr para chegar a horas, para não faltar, para estar presente, para não falhar, concluindo ter andado correndo atrás de coisa nenhuma, sem tempo para olhar em meu redor e ver de quanta beleza estava cercado.

 

Que a flora vegetal e a fauna humana me perdoem o desiderato, tão parvo fui que exacerbado com os nossos actuais preconceitos, tabus, castas e iluminada racionalidade, nem ao menos vi nem a liliputiana beleza de que sempre estive rodeado nem o incomensurável infinito que preencheu a vida de Hubert, agora virado para as pequenas coisas, ele também um “Deus das pequenas coisas”.

 

Lendo-o sinto que me tornei outro, mais calmo, melhor pessoa, mais feliz, mais desapegado das coisas mundanas e do consumismo irracional que nos cilindra e, em que o mundo, e muito em especial este meu país são férteis.

 

Uma vez mais constato, isto anda tudo ligado, obrigado Ana por me teres levado ao engano.

Uma vez mais ?

Bom Ano Novo pessoal, cuidai de vós.