quarta-feira, 13 de agosto de 2025

838 - SINCERAMENTE... HAJA DEUS !

 

 

E estava eu olhando para Ele, orando e esperando que a tua ausência fosse coisa passageira, temendo que as minhas palavras tivessem sido violência para os teus sentidos, para a tua sensibilidade apurada, afinada e refinada, temendo que a minha franqueza, sinceridade e honestidade te ferissem, por directas, mas felizmente, não terá sido o caso, felizmente só te deixei sem palavras, um paradoxo para mim, porque com elas te entreténs e brincas, com elas e com as pessoas jogas, como queres e entendes desejas e te apetece.

 

Pois sem elas fiquei eu também, não sabendo a razão por que as perderas, nem as respostas às perguntas que com temor te atirei, apesar de recheadas de receio e desculpas, comedimento e apreensão, levado por uma avidez prenhe de conhecer-te, animado de uma curiosidade que acabei receando tivesse acabado por matar o gato.


Fui franco e, como já tantas vezes tem acontecido, pequei por isso, se paguei por isso estou para saber, e eu que fora tão cuidadoso ! Sabendo ser ela tão sensível ! E eu sempre como que pedindo desculpa, admitindo-lhe o direito de se calar, de não se expor, e ela zás ! Risca-me os planos mais inocentes e bem intencionados ! Eu pensando já tou lixado, já borrei o pé todo, já a espantei que ela não deve estar para aturar teimosias nem exigências, estará mais habituada a fazer perguntas que a responder-lhes e resolveu o que eu devia ter previsto, não ter satisfações a dar-me, e vou ficar de mãos abanando que é para não ser parvo. 


Felizmente ainda não me riscou da lista, nem tudo estará perdido, porque será que as pessoas toleram mal a franqueza ? Ainda estou para saber o que nelas as surpreende, e nunca mais aprendo, tanto me tenho lixado com isso e não aprendo, já devia ter juízo, as pessoas temem que gostem delas, que as acarinhemos, que as protejamos, sobretudo que lho digamos, assustam-se com isso, não percebo, nem sei se alguma vez perceberei ou se é para perceber.

 


Bem… nem tudo está mau, só ficou sem palavras, pior se tivesse ficado sem ar, ou sem vida, sei lá, as emoções também matam, a mim dão-me vida, mas somos todos tão diferentes apesar de tão iguais. E eu admitindo sempre a minha maldade, a minha curiosidade descabida, a minha intromissão nos seus pessoalíssimos segredos, e ela népia, ficou sem palavras ! A rainha das palavras, ela que brincava com as palavras, ficou sem palavras ! Para nada tanta mesura dada, tanta delicadeza, de nada serviram, nada evitou o choque das palavras, ficou sem palavras disse ela, eu diria que descarrilou e perdeu as palavras, não terá ficado sem palavras, terá sim ficado com elas por ali espalhadas, buscando-lhes o senso, procurando juntá-las de novo, dar-lhe sentido, procurando-lhes um nexo, vamos dar-lhe tempo, ela sobreviverá a tanta franqueza, ela é rija, ela é capaz, ela vai recompor-se.

 

Sem palavras fiquei eu, nem uma das respostas satisfeita, nem uma das curiosidades abertas, sem saber como lidar com ela, duvidando de mim, do meu jeito e modos, francamente… Fiquei aliviado, não fui excluído, até ver, mas fiquei na mesma, sem palavras… Ou com elas chocalhando no cérebro, entrechocando-se até que, como ela gostava de dizer brincando, as nossas palavras voltem a chocar-se.





terça-feira, 12 de agosto de 2025

ESTE VERDADEIRO, CHEIO E PLENO VAZIO

              

                                
                                   
                                                        Texto Nº  837 (A)
 

 

Só meditando se perceberá o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim algo preocupante, na medida em que o que não viver agora, talvez o não viva nunca mais.

 

Sei nada mais poder ter de ti neste momento que recordações de amor, de carinho, da felicidade vivida e das promessas cumpridas, promessas que nunca perdi a oportunidade de cumprir, porque assim o desejei, porque sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava, amo e contigo amei repartir tantos gloriosos dias no passado.

 

Somente não perdi toda e qualquer esperança  porque não perdi os sonhos, nunca deixei de te sonhar, de te ver nos meus braços, de abraçar-te, de inalar o mesmo perfume que arrastavas ou de adquirir a aplicar em mim mesmo com parcimõnia o after shave que há mais de cinquanta anos me ofereceras, o celebérrimo, Àgua Brava, com o qual eternamente aspergido me vejo e verei mimando-te e beijando-te. Preciso alimentar este amor, esta paixão, sem ela tudo deixará de ter significado para mim, tudo, o presente e o futuro, por essa razão, devido a esta vacuidade que teimo não perder arraso-me e destruo-me a cada dia que passo nesta incerteza, neste vazio que me sufoca, neste sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, por saber que unicamente com o nada posso contar.

 

Por isto, por tudo isto, por esta vera e física  impossibilidade jamais poderei sonhar a minha vida em direcção a ti, não temos futuro, o futuro é impossível, neste momento, mais que tudo, só queria ter alguém ou algo em que pudesse acreditar e não vejo como.

  

Perceberás assim o enorme vazio em que a minha vida se tornou, sem ti, sem esperança, sem amor e sem carinho, resta-me arrastar os dias como se outro fito não tivesse que ver passar o tempo, coisa que vai sendo para mim, e devia ou deve ser, algo que me começasse a preocupar deveras, na medida em que o que não vivi ou não vier a viver agora, talvez não o viva nunca. A mesma água nunca passa duas vezes por baixo das mesma pontes...

 

Sei nada mais ter para te dar neste momento que dourar de amor e carinho as tuas lembranças. Vão longe os tempos de felicidade e promessas, promessas que fielmente cumpri umas atrás das outras e penso ter tido a rara e afortunada oportunidade de as cumprir, porque assim o desejei, porque era e sou homem de palavra, mas sobretudo porque te amava e contigo fui abençoado por ter com quem repartir os dias.

 

Não me tiraste porém a esperança, não me tiraste o sono m,as somente  o sonho de voltar a ter-te de novo nos meus braços, de te abraçar, de inalar o teu perfume inconfundivel, de te mimar e beijar. Preciso, inda que em sonhos que alimentes este amor e esta paixão interminavel, sem isso tudo deixará de ter sentido para mim, tudo, o passado, o presente e o futuro, e tu serás por certo e sempre o futuro das minhas ilusões.

 

Esta vacuidade que teimas preencher arrasa-me, destrói-me a cada dia que passa, não aguento mais esta certeza, não suporto mais este vazio que me sufoca, antes o nada, antes o mito que este sofrimento atroz que me dilacera a todo o momento, com o nada, com o mito pelo menos tenho algo com que me entreter, me ocupar e contar.

 

Por isto, por tudo isto, diz-me que poderei contar contigo sem que me acuses de louco, que poderei sonhar contigo como se fosses tu a solidez de um sonho, que poderei conduzir a minha vida e induzir meus sonhos em direcção a ti, diz-me que temos futuro, que esse futuro é possível, porque neste momento, mais que tudo, preciso ter alguém ou algo em que acreditar e elevar a ti o meu pensamento mantém-me no ar, sustenta o meu viver...




domingo, 10 de agosto de 2025

837 - NASCIDOS NO LUGAR ERRADO …

 



“Não estou por dentro desse assunto”…


Disse Isabela ……

 

Que raio de resposta mais descabida !

 

Eu, que vivi com uma mulher cheia de porras e não sei que mais me agradava nela, talvez tudo, habituei-me a pensar como ela, a ver o mundo como ela, e como ela nem sempre a gostar do que via, e do que vejo.

 

Era uma mulher inteligente confesso, pelo menos eu assim a pensava, mas, mulheres inteligentes… apanhá-las… Sempre gostei desse tipo de mulheres, sempre me atraíram, sempre me seduziram, e são cada vez mais raras, ou mais subtis, mais camufladas, mais inacessíveis.

 

 Por mim que as topo à distância e de imediato, posso jurar deparar-me cada vez com menos, por mim haverá menos, até pode ser mal meu, que estou mais velho, mais bonito e mais interessante, assim me penso e julgo, não garanto que assim seja… Muitas ainda me acham um viúvo interessante e a não perder pois esporadicamente vejo-me surpreendido, prova de que nem são capazes de me conhecer a fundo, handicap que detecto até em gente com quem convivo.


Eu teria dado uma resposta do género;

 

Ando veementemente a tentar ficar por dentro desse assunto mas nã tá fácil… tem-me faltado tempo.

 

E pronto, estava salva a honra do convento. Não suporto que, havendo igualmente bué de homens que não estão por dentro de coisa nenhuma, apareça uma ela a admitir clara e humildemente que a coisa é preta….

 


A vidinha nã tá nada fácil, decerto ela terá vindo dum mundo justo e será ingénua, inocente, e que certamente ficará constrangida e confrangida com o que é e c’a situação em que se encontra, volvidos cinquenta anos sobre aquela tal madrugada *

 

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo …

 

* Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Por isso, por tudo isso, por tudo em que te transformaram e que és quero pedir-te desculpa, quero assumir perante ti a minha cota parte no estado a que as coisas chegaram, pois humilde e vergonhosamente declaro, também eu acreditei na democracia prometida. 


E também eu, como julgo ter acontecido contigo, com o passar do tempo acabei por ficar desiludido, tu certamente terás sofrido igual desilusão, já que a imagino ou a pareço ver estampada em ti, na tua cara, sempre que contigo me cruzo.

 

Culpa minha portanto que, como muitos outros, também votei e acreditei demasiadas vezes nos políticos venais que temos. Também eu tenho culpa que a tua cidade, a minha, a nossa cidade seja a mais pobre e atrasada deste atrasado país, mea culpa, mea culpa, mea culpa… Espero pois sinceramente que me compreendas e me perdoes.

 

 Em 79 podia ter ficado na Suíça e não o fiz por acreditar nas promessas de Abril, mais tarde viria a dar completamente razão a José Mário Branco no seu celebérrimo Lp FMI **

 

Uma porra pá, um autêntico desastre o 25 de Abril

 

Esta confusão pá, a malta estava sossegadinha,

 

Estás desiludido com as promessas de Abril, né ?

 

Com as conquistas de Abril !

 

Eram só paleio a partir do momento que t'as começaram a tirar e tu ficaste quietinho, n'é filho ? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, não é ? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, n'é filho ? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã ?

 

**Extracto da letra de "FMI" por José Mário Branco

 


Claro que me lixei, não ter ficado na Suíça foi o meu azar. Este país nunca foi nem é para novos, nem para velhos, neste país as oportunidades são para queimar, para perder, por isso se dantes estávamos trinta anos atrasados em relação à Europa agora estaremos cinquenta, talvez mais, há peculiaridades aqui que ninguém já estranha, por exemplo sermos o único país do mundo onde os ladrões não assaltam bancos, aqui são os donos, os banqueiros que os roubam, nós somente somos chamados para pagar os prejuízos, é isto ter juízo ?

 

Talvez vivamos numa das poucas cidades e dos poucos países do planeta onde em cinquenta anos não resolvemos um único dos problemas que nos afligiam mas cuidámos de arranjar outros, de arranjar mais, muitos mais. Que desiderato é este que em simultâneo nos cala e anima como se vivêssemos no melhor dos mundos ?

 

Nem sei nem consigo imaginar quantas oportunidades terão sido perdidas por ti, por mim, por tantos outros nesta cidade e neste país por incúria, cegueira, incompetência, ignorância, arrogância e estupidez das autoridades instituídas e, por que não dizê-lo, dos cidadãos, dos intelectuais, dos sábios, dos académicos, dos eleitores e tutti quanti preenche a fauna da urbe e do rectângulo…

 

Quanta gente pessoalmente irrealizada ? Frustrada nos seus sonhos ? Travada nas suas aspirações ? Nas suas legítimas ambições ? Quantos caminhos barrados ? Quanta pesporrência ? Prepotência ? Partidarismo ? Seguidismo ? Sectarismo ? Nem Estaline alguma vez terá ido tão longe quanto por aqui, por cá. E é esta a democracia que nos querem impor ? Impingir ?

 


Lamento amiga Isabela, lamento que nos tenhamos vindo meter na caverna de Ali Babá. Por aqui só há ladrões, tratantes, patifes, agiotas, facínoras, gatunos, biltres, sicários, salafrários, especuladores, usurários e, nem o facto de sermos comedidos ou por vivermos isolados nos safará desta cáfila que de há cinquenta anos p’ra cá tomou conta da nação.

 

Quantas vezes não me interroguei já se terá valido a pena aquela madrugada *…

 

E tu ??????????

Adeus cara amiga, até que nos vejamos de novo, um grande abraço e votos sinceros de Boas Férias.

 

Gosto de ti.

 


P.S. Não, não estou a querer engatar-te, nem a pensar nisso sequer…

 


https://www.publico.pt/2024/12/15/ciencia/noticia/cientistas-portuguesas-figuram-ranking-melhores-mundo-2024-2114764?utm_content=manhas&access_token=vDLcx1AdRoMmWasROGhi94DPDCZQE6nY%2FfhiW98Q%2BOA%3D&e=da7f79386a&open=true&utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=S%C3%B3+24%25+dos+projectos+para+resolver+crise+habitacional+s%C3%A3o+constru%C3%A7%C3%A3o+nova&utm_campaign=55&fbclid=IwY2xjawHNf-hleHRuA2FlbQIxMQABHUzgOoKabHQqCeMbAsSTQxnC0uE8qRFVSBgfF58ga1J5c-Z4CHs2iNrTeg_aem_-Uk_WahVpBIC--s9iPtnwg

 

 

https://www.publico.pt/2024/12/16/economia/noticia/so-quarto-59-mil-casas-resolver-crise-serao-novas-2115649?fbclid=IwY2xjawHNgAxleHRuA2FlbQIxMQABHdivdWO7QV-y2f-kCPMCP-knRLsn4C9sbZg69UNjmAEVPymN7ijvX3ofgw_aem_Shzp5yAYwXvEKAevE17llQ

 

 

https://mentcapto.blogspot.com/2018/07/519-mulheres-inteligentes-apanha-las.html

 









sábado, 9 de agosto de 2025

836 - METER AS MÃOS NA MASSA, AMASSAR ....




      Em boa verdade nunca sei se devo dizer algo ou ficar calado, salvo raras excepções acabo por ser preso por ter cão ou preso por não ter. Tu tens o teu modo, a moda com que me calas, eu não tenho mais que receio das falas que possa dizer. Expostas estas razões espero que compreendas porque não sinto confiança, temo até por vezes, avançar com conversa que te possa aborrecer, aliás é mesmo tudo uma questão de confiança, senão vejamos;

 

Sempre senti confiança em ti, e acreditei que a tinhas em mim, todavia, desconheço o motivo porque, agora, nem conversa de facto, e até mesmo quando por telefone, foges ou afastas a conversa sempre que ela toma determinado rumo, como falar-te de amor. O facto de nem uma inocente bica tomar-mos, nem poder ver-te, tudo atitudes das quais resulta um afastamento completo de ti e por ti provocado, são exemplos flagrantes do que afirmo. Aceito tal, mas não compreendo.  

 

Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa excedermo-nos, fazer mais do que nos é devido. Mau grado, temo exceder-me e aborrecer-te, por isso tantas vezes me coíbo... Por causa do tal “ser preso por ter cão e preso por não ter”.

 


Para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Apesar de raramente termos consciência disso, não há dúvida de que a necessidade mais profunda do ser humano é dar-se. Às vezes, quando o desejo me impele, porque o meu amor é espontâneo, quantas vezes ensaio explicar-te que, amar-te, significa escolher entre muitas hipóteses amar-te  a ti, é decidir conscientemente por ti, amar-te a ti, se assim não fosse, o meu amor não passaria de emoção, de superficialidade, ou até de egoísmo, e não aquilo que é na sua essência profunda, um sentimento que me tolhe. Para mim, amar-te é dizer sim do fundo do meu próprio ser, ajudar a descobrir e conquistar a plenitude que nos faça felizes; e tudo isto mediante a entrega de tudo o que sou, posso, desejo, sonho... e necessito.

 

Daí que a dação do corpo e da alma seja a expressão natural duma rendição total enquanto pessoa. Porque o meu corpo sou eu, não é uma coisa externa, um agasalho ou uma máquina que eu uso, mas sou eu próprio. Precisamente por isso, o amor autêntico é para mim entregar-me totalmente, sempre, o que faço perante Deus, minha testemunha. 

 

         Deverias ter a coragem para te abrires comigo, sem medo. Tens andado a fugir... de ti, de mim e da felicidade. Os namorados que se vêem e se falam têm a felicidade do amor; os que vivem separados têm duas felicidades: a do amor e a da esperança. Quando se quer bem a uma pessoa a presença dela conforta. Só a presença basta, não é necessário mais nada.  

 


Durante poucos anos dei-te todo o meu amor, mais não era possível, durante poucos anos tiveste toda a confiança em mim e deste-me algum do teu amor, do qual nunca duvidei. Se durante anos tanto ou tão pouco demos um ao outro, que se passa agora para passares de um extremo ao outro ?

 

Amar é darmo-nos. É não pensarmos somente em nós. É não querermos saber somente dos nossos gostos, do nosso bem-estar, do nosso descanso, dos nossos projectos, do nosso futuro, é também vermos as necessidades, o sentido e a plenitude da existência do outro. Quanto mais dermos de nós, quanto mais nos doer o amor, mais alegria teremos. E mais paz.

 

Acredita que quanto mais amares, mais amada serás.

 

Prometi a mim mesmo que um dia serias minha, tentarei cumprir a promessa que, perante Deus e a mim próprio fiz, assim haja oportunidade para que a cumpra, nem que seja, dada a idade que nos anima, numa velhice infrutífera e senil, à qual chegaremos depois de perdidas todas as oportunidades de mutuamente nos fazermos felizes, ainda que de forma mitigada.

 


Até lá, veja-te ou não, basta-me que te saiba viva e que as maravilhosas recordações que de ti tenho não morram para mim ou comigo. É para mim cada vez mais claro que em assuntos de amor são os loucos quem tem mais experiência. Sobre o amor não perguntemos nada aos sensatos, os sensatos amam sensatamente, o que equivale a nunca terem amado.

 

O amor não se rouba nem se compra. Não há amor verdadeiro, e portanto feliz, senão entre pessoas que dispõem livremente de si próprias para se darem uma à outra.                                

 

Frequentemente nos enganamos a respeito da natureza do amor, o que significa a mais espantosa das perdas. É uma perda eterna, para a qual não existe compensação nem no tempo nem na eternidade, a privação mais horrorosa, que não é possível recuperar nem nesta vida... Nem na vida futura que o catecismo promete !

 


Também erro, e errei, e um dos meus maiores erros foi não te ter amado ainda mais, não te ter mimado ainda mais, lamento-o, e por isso peço que me perdoes, isso e todos os aborrecimentos que te tenha causado. Mais uma razão pela qual não entendo que provoques o meu afastamento, com base num facto que sempre me foi inerente, o facto de ser incompreendido. Nunca tal facto teve tanta importância para ti, por qu e a tem agora ?

 

É tudo uma questão de confiança, e de esperança. E se não perdi a confiança em mim, se continuo a saber o que quero e porque o quero, a verdade é que a esperança se desvanece paulatinamente, a verdade é que por qualquer razão ignota, aos poucos, tens vindo a matar a esperança que ainda resta em mim, e pouco faltará para que a mates de vez. Quem não aparece esquece.... Flor que não é regada acaba "murxada", leite ue não é bebido acaba azedando....

 

O amor pode tantas vezes viver de amáveis ninharias, ninharias essas que tu mesma propositadamente recusas. Não brinques, não é fazendo boquinha de santa que me convences....

 





terça-feira, 15 de julho de 2025

835 - ABRE-TE SÉSAMO !!! ABRACADABRA !!!!

 


Não era a fé que me movia, nunca a tive, aliás, peço desculpa, uma vez houve em que me vi tão atrapalhado que supliquei perdão por todas as minhas faltas e roguei pela minha salvação daquele inferno, tudo prometi e todo esse empenho ficou por cumprir. Sou portanto devedor, devedor de mim mesmo, que me obriguei num momento de aflição para depois aligeirar o fardo, quando sobre as costas me não pesavam já os receios, os medos, os terrores.

 No fue la fe lo que me movió, nunca la tuve. De hecho, me disculpo, pero hubo un momento en que me sentí tan confundido que pedí perdón por todos mis pecados y recé por mi salvación de ese infierno. Lo prometí todo, y todo ese compromiso quedó incumplido. Por lo tanto, soy un deudor, un deudor conmigo mismo, quien en un momento de angustia me obligó a aligerar la carga después, cuando los miedos, temores y terrores ya no pesaban sobre mis hombros.


Não era o caso agora, agora tratava-se de cumprir um mandamento tão velho quanto o mundo, tratava-se de dobrar-me sob o jugo de uma força maior que eu, de soçobrar perante o instinto inato que protege as espécies e lhes garante sobreviverem e multiplicarem-se.

 Ahora no era así, ahora se trataba de cumplir un mandamiento tan antiguo como el mundo, se trataba de doblegarme bajo el yugo de una fuerza superior a mí, de sucumbir al instinto innato que protege a las especies y asegura su supervivencia y multiplicación.


Nesse momento mágico, como um crente ante sacra imagem, entrei em transe e, mais que a vergasta com que o desejo soe golpear-me nesse recolhimento, o corpo se me verga sob o truísmo encantado da minha devoção, digo-to para que saibas desta fé em mim e me ofereças o linimento das águas desse cálice que sedento busco, sequioso, na mira de abafar as tormentosas chamas que me queimam e me não trazem nunca a quietude que desejo e só alcanço quando em ti me dessedento.

 En ese instante mágico, como un creyente ante una imagen sagrada, entré en trance y, más que el látigo con que el deseo suele golpearme en este recogimiento, mi cuerpo se dobla bajo la verdad encantada de mi devoción, te lo digo para que sepas de esta fe en mí y me ofrezcas el linimento de las aguas de ese cáliz que busco sediento, sediento, con el fin de sofocar las llamas tormentosas que me queman y nunca me traen la quietud que deseo y sólo logro cuando tengo sed de ti.


Compreende então que não suportando a angústia me ajoelhei ante ti numa penitência de mártir, te abracei como um náufrago suspenso do salvador, arrastando-o na espiral da morte, na vertigem dos abismos em que a redenção não é o meio mas o fim último da submissão, do gesto e da catarse.

Entiende entonces que, incapaz de soportar la angustia, me arrodillé ante ti en penitencia de mártir, te abracé como un náufrago suspendido del salvador, arrastrándolo a la espiral de la muerte, al vértigo del abismo en el que la redención no es el medio sino el fin último de la sumisión, del gesto y de la catarsis. 


Por isso te abri como a um sacrário, ávido de maravilhar-me no teu santo graal, como quem sucumbe ao encanto duma odalisca, ao aroma adocicado das amêndoas, ao sabor agridoce de travo suave dos pêssegos rosa, por isso me quedei como se ante um cibório, não antevendo mas vivendo os prazeres do êxtase, vogando no paraíso prometido por todos os profetas em todos os sonhos e em todas as vidas.

 Por eso te abrí como a un tabernáculo, deseoso de maravillarme ante tu santo grial, como quien sucumbe al encanto de una odalisca, al dulce aroma de las almendras, al sabor agridulce del suave regusto de los duraznos rosados, por eso permanecí como ante un copón, no previendo sino viviendo los placeres del éxtasis, navegando en el paraíso prometido por todos los profetas en todos los sueños y en todas las vidas.


E feliz sucumbo à minha voracidade, por ser aí que finalmente me perco e me encontro, porque então, sim, só então sublimo a tentação que me arrastara, sôfrego, ao âmago de ti, por em ti encontrar o carrasco e a salvação dos tormentos em que me deleito e suplício, qual cilício e cura desta paixão que me consome.

 Y yo sucumbo felizmente a mi voracidad, pues es allí donde por fin me pierdo y me encuentro, porque entonces, sí, sólo entonces sublimo la tentación que me había arrastrado, ávidamente, hasta el núcleo de ti, pues en ti encuentro al verdugo y la salvación de los tormentos en que me deleito y torturo, como cilicio y remedio para esta pasión que me consume.


Somente isso explica a profusão de beijos com que, enlouquecido, numa fúria aparente, cubro o objecto da minha fé, da minha devoção, da minha entrega, ciente de ser este paroxismo avassalador que simultaneamente me subjuga e liberta da sensação, em mim somatizada,* que me guia e me cega enquanto se não cumpre o destino, a sina, o fado, e os lábios te tocam, a língua te procura, porque a sede é tortura consumindo-me as entranhas.

 Sólo esto explica la profusión de besos con que, enloquecido, en una aparente furia, cubro el objeto de mi fe, de mi devoción, de mi entrega, consciente de que es este paroxismo abrumador el que a la vez me subyuga y me libera de la sensación, somatizada dentro de mí,* que me guía y me ciega mientras el destino, la suerte, el sino no se cumplen, y mis labios te tocan, mi lengua te busca, porque la sed es una tortura que consume mis entrañas.


Apazigua-me esta dor o néctar dos deuses, ou d’uma flor, é vibrando que o procuro, e então, num estremecimento, guloso, sorvo-o num estertor, alarvemente, esquecido do tempo e do lugar, esquecido de mim precisamente quando eu um outro, quando e se ousas derramar sobre mim essa taça, ou me obrigas, também tu já toldada, já possuída da mesma fé, da mesma devoção, a beber do cálice a cicuta da vida, por sentires e saberes que só a ressurreição nos limpa do pecado se por amor nele mergulhámos.

 El néctar de los dioses, o de una flor, me alivia este dolor, es vibrando que lo busco, y entonces, en un escalofrío, ávido, lo sorbo en un estertor de muerte, tontamente, olvidando el tiempo y el lugar, olvidándome de mí mismo precisamente cuando otro, cuando y si te atreves a derramar esa copa sobre mí, o a obligarme, tú también ya cegado, ya poseedor de la misma fe, de la misma devoción, a beber del cáliz la cicuta de la vida, porque sientes y sabes que sólo la resurrección nos limpia del pecado si nos sumergimos en ella por el amor.


Cegamo-nos, cegamo-nos, e só o turbilhão da nossa mente nos acompanha, não nos guia, mas acompanha-nos, enquanto a nossa língua tacteia o caminho, o cruzamento, enquanto a nossa boca clama, vorazmente, por veneno e paz, por tudo e por nada…

Nos cegamos, nos cegamos, y sólo la mente en torbellino nos acompaña, no guía, acompaña, mientras la lengua tantea el camino, la intersección, mientras la boca clama, voraz, por veneno y paz, por todo y nada...


E antes que tudo termine caio a teus pés, prostrado, numa pausa redentora, porque agora sim, estamos prontos, pois a tarde é nossa e chegada a hora de nos cumprirmos,

           Y antes de que todo termine caigo a tus pies, postrado, en una pausa redentora, porque ahora sí estamos listos, porque la tarde es nuestra y ha llegado el momento de realizarnos,     


                   seja...

                   así sea

* NOTA: Em psicologia, "somatizar" significa manifestar problemas emocionais ou psicológicos através de sintomas físicos. É o processo em que a angústia ou dor psíquica é expressa através de sensações e dores corporais, muitas vezes sem a pessoa ter consciência disso.

A somatização, então, ocorre quando a mente, incapaz de lidar com o sofrimento emocional, o transforma em sintomas físicos. Isso pode acontecer em casos de transtornos mentais, dependência química, traumas, ou quando a pessoa está tentando ignorar ou evitar a dor emocional.